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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    domingo, agosto 23, 2026

    VAZANTE


     

    O zoológico particular de Ziraldo

    Um tatu rabiscado no chão de casa, aos 4 anos, foi o primeiro de uma longa linhagem de bichos de Ziraldo Alves Pinto. A carreira do maior cartunista brasileiro do século XX foi marcada por cangurus, elefantes, pulgas, bichinhos da maçã e outros animais fantásticos, mitológicos ou cotidianos. Mas há ainda um vasto zoológico particular a ser descoberto nos acervos do artista mineiro, morto em 2024, aos 91 anos.

    Dois lançamentos póstumos exploram o fascínio do cartunista pelos animais. Inaugurando a série de livros “Tem Zira” (Global Editora), organizada pelo designer, ilustrador e escritor Guto Lins, “Tem bicho” reúne araras, tartarugas, moscas, coelhos, joaninhas, sapos, entre tantos outros exemplares da fauna ziraldiana. Produzidas entre os anos 1970 e 2000 para campanhas publicitárias, cartazes, calendários, capas de cadernos e outras publicações, as ilustrações foram garimpadas nas gavetas do Instituto Ziraldo (IZ).

    ‘A Turma do Pererê’

    Já “A Turma do Pererê: uma história para celebrar” traz de volta os personagens da primeira HQ brasileira inteiramente colorida e concebida por um único autor. Publicada originalmente em 1983 e fora de catálogo desde então, a aventura especial ganha agora uma edição em formato art book, complementada por esboços, estudos, materiais de arquivo e textos de especialistas.

    Inspirada na fauna e no folclore brasileiros (uma novidade na época), a Turma do Pererê circulou no formato revista em diferentes momentos entre 1959 a 1976, ano em que saiu definitivamente das bancas. Em torno do Saci Pererê e do garoto indígena Tininim, Ziraldo criou uma série de personagens que roubam a cena, como a onça Galileu, o tapiti Geraldinho, o jabuti Moacir e o tatu-rosa Pedro Vieira.

    — Quando você olha um bicho do Ziraldo, abre aquele sorriso porque vê que ele poderia ser seu amigo — diz Guto Lins. — Ele buscava os elementos característicos daquele ser e, ao mesmo tempo, surpreendia acrescentando uma expressividade, uma camada de leitura. Ao olhar para o animal e sentir uma relação afetiva com ele, ele virava o jogo e fazia uma personalidade do jeito que queria. 

     

    Ziraldo  — Foto: Divulgação/Marcelo Correa
    Ziraldo — Foto: Divulgação/Marcelo Correa

    Brincando com os arquétipos dos animais, o cartunista os aproximava dos leitores pelo humor e pela empatia.

    —Ele gostava de inverter o que se espera dos animais, como transformar um bicho feroz num bicho meigo, por exemplo — diz Lins. — “A Turma do Pererê” é um clássico disso. O carteiro é um jabuti, o macaco é o leitor, a onça é o bicho mais manso de todos.

    O mais difícil na curadoria de “Tem bicho” foi desapegar do que ficou de fora, conta Lins. Entre os 38 mil itens catalogados no Instituto Ziraldo, a fartura de animais é tamanha que daria para editar uns três livros, calcula o curador.

    Guto já havia escrito os textos de dois livros organizados a partir de ilustrações deixadas por Ziraldo, ambos centrados em animais. “Entre cobras e lagartos” (2024) tem como protagonista uma cobra sabichona e solitária. “Peixe grande” (2025) faz uma metáfora da trajetória do cartunista na figura de um peixe que sai do Rio Doce, em Minas Gerais, em direção ao mar. Aqui, o bicho é o próprio Ziraldo!

    Entre as publicações editadas pelo cartunista em vida, estão obras como “O Bichinho da Maçã” (vencedor do Jabuti de melhor livro de arte de 1982) e “História de dois amores”. Feito em parceria com o poeta Carlos Drummond de Andrade, este último narra a amizade entre um elefante e uma pulga. E há ainda a fábula ilustrada e musical “Os saltimbancos”, enorme sucesso criado em parceria com Chico Buarque, sobre um jumento, um cachorro, uma gata e uma galinha que fogem para a cidade grande para escapar da maldade dos donos.

    — Ziraldo já era ecológico antes de esse termo existir — afirma Guto Lins. — O próximo livro de “Tem Zira” vai ser dedicado às árvores. Assim como com os bichos, ele nunca desenhava apenas uma árvore. Antes de fazer um jambu, um caimbé, um jequitibá, ele estudava essas plantas. Era um observador dessa riqueza que o nosso país sempre ofereceu.

    Detalhe do artbook 'A Turma do Pererê: Uma história para celebrar" — Foto: Divulgação

    Entre todos os bichos de Ziraldo, nenhum parece ter ocupado tanto espaço em sua imaginação quanto o canguru. Ele descobriu o marsupial ainda criança, em uma enciclopédia, e ficou fascinado. Aos 14 anos, deixou sua Caratinga natal rumo ao Rio levando uma pasta repleta de desenhos do animal. O canguru continuaria aparecendo ao longo de sua vida, ganhando até um livro próprio (“Meu amigo, o canguru”, de 1987).

    — Centenas de cangurus lotam as gavetas do Instituto Ziraldo — revela Adriana Lins, diretora artística da instituição. — Desde os cartuns publicados nas páginas das revistas Cigarra e O Cruzeiro, nos anos 1950 e 1960, às páginas da Mad americana e da Penthouse, passando pela imprensa de vários países da Europa, pelo Jornal do Brasil e pelo livro antológico “Dez em Humor”, que tem 15 páginas só de canguru.

    Em outubro, um canguru de Ziraldo será a imagem do cartaz da Mostrinha, seção infantil da Mostra de Cinema de São Paulo. As curadoras da mostra visitaram o instituto há alguns meses e encontraram a imagem perfeita para estampar o evento.

    — Foi impossível resistir ao carinho de uma Mãe Canguru por seu filhote — conta Adriana. 

     

        GLOBO 


     

    Tutty Vasques 40 ANOS : Nascido em agosto de 1986

     

     

     

     

    O mundo já estava acabando quando eu aqui cheguei há exatos 40 anos. Em agosto de 1986, o planeta ainda tentava se recuperar de traumas muito recentes: o desastre de Chernobyl, a explosão ao vivo do ônibus espacial Challenger, o surgimento do primeiro vírus de computador, ‘la mano de Dios’ do Maradona, a passagem mixuruca do Cometa Halley, a morte súbita mundial do Fusca... Aqui no Brasil, os jornais cobriam o lançamento do natimorto Plano Cruzado do Sarney e a estreia do primeiro Xou da Xuxa. Na época, a virilha da apresentadora já existia, mas dava-se mais visibilidade ao bigode do presidente! Foi nesse caldo meio indigesto que mergulhei na cena do jornalismo sadio e ousado praticado na redação do JB de Marcos Sá Corrêa e Flávio Pinheiro. Vim a público programado para desafinar o coro já ensurdecedor dos indignados analógicos. Vivíamos naquele tempo um princípio de surto que duas décadas depois as redes sociais transformariam no embrião da atual pandemia galopante de gente irritada falando sozinha. De volta ao começo, quando eu nasci adotei o mantra ‘má notícia é a maior diversão’ e nas últimas quatro décadas, pregando em pelo menos 10 igrejas representativas do jornalismo brasileiro, defendi incansavelmente a ideia de que ‘só o humor salva’. Disse o tempo todo a quem me seguia: ‘Tudo isso que você lê no noticiário e parece piada, creia, em geral não é coisa que se deva levar a sério.’ Nos últimos anos, esse caráter messiânico da minha crença em um gênero lúdico de apocalipse encontrou motivação ainda mais forte para seguir em frente: a autoajuda. No momento, perdoem a franqueza, faço humor para me salvar. Não vou dizer “caguei pra vocês” por educação e respeito, mas toda vez que nova sensação de fim do mundo – climático, bélico, metafórico ou familiar – vem me assombrar fora do horário do Rivotril, corro para o computador e me agarro à boia de salvação do personagem topetudo criado pelo querido Pojucan, artista gráfico inquieto que a jornalista Maria Silvia Camargo entregou de bandeja como o cara certo para rabiscar minha imagem naquele agosto de 1986. Pelo menos na aparência, continuo o mesmo. Certos desenhos não envelhecem.
     
    PS: A festa dos 40 anos, assim como o agrément para um novo embaixador dos EUA no Brasil, só depois das eleições.
     
    DEDICATÓRIA: Aos queridíssimos Artur Xexéo e Alfredo Ribeiro, que me deram à luz!
     

    Díaz-Canel diz que EUA asfixiam Cuba e nega guinada capitalista

      Homem de cabelos grisalhos, vestido com camisa azul e blazer preto, segura cartão com bandeira e nome de Cuba em ambiente interno com janelas grandes e vista para área verde.

    "Sabemos que vai ser duro. Sim, está sendo duro. Mas, veja: aqui estamos, em pé, lutando, sem nos render."

    leia entrevista com Miguel Díaz-Canel 
    feita por MONICA BERGAMO 
     

    Can - Halleluwah

     

     Did anybody see the snowman standing on winter road 
    / With broken guitar in his hand
    ? Are you feeling sleepy yet?

    The Superfans (Like Natalie Harp) With the Keys



    "It's worth taking that seriously: loyalty and competence aren't mutually exclusive, and plenty of effective aides are also fiercely devoted to their bosses. The question isn't whether someone likes the president. It's whether the intensity of that attachment is shaping decisions, filtering information, or creating security risk — and whether anyone with the authority to intervene is willing to."

    read report by Stephen Snyder

    The Superfans (Like Natalie Harp) With the Keys

    Julee Cruise - The Nightingale (Angelo Badalamenti)

     

    Acordei cantando...
    Woke up singing...

    The nightingale
    it said to me
    there is a love
    meant for me




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