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  • Acabar com a corrupção eh o objetivo supremo de quem ainda nao chegou ao poder. (Millor Fernandes)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    sábado, outubro 15, 2016

    Razão para Otimismo






    LEONARDO
    (Rio de Janeiro, RJ)

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    pela cochlea: Richard Thompson-Genesis Halll

    My father he rides with your sheriffs
    And I know he would never mean harm,
    But to see both sides of a quarrel
    Is to judge without haste or alarm
    Oh, oh, helpless and slow,
    And you don't have anywhere to go


    Pecman



    VERONEZI

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    Um prêmio Nobel pra Bob Dylan




     " Dylan descreve, com uma precisão emocionada, como, ao ouvir as canções de Brecht e Weill, principalmente Pirate Jenny, ele entendeu como escrever uma canção que fosse além das canções folk.

    Ele diz:

    “Aquela canção era um estímulo novo para meus sentidos, sem dúvida muito parecida com uma canção folk mas uma canção folk de outra jarra e de outro terreno. Minha vontade era pegar um molho de chaves e sai pesquisando esse território, ver se tinha mais alguma coisa por ali. Desmontei a canção inteirinha e abri para olhar dentro dela – era aquela forma, aqueles versos em livre associação, a estrutura, o descaso pela certeza dos padrões melódicos, tudo fazendo com que a canção ganhasse peso, ganhasse um gume afiado.” "


    mais no artigo de Braulio Tavares​

    Mundo Fantasmo: 4170) Um prêmio Nobel pra Bob Dylan (14.10.2016)

    Why Republican Women Are Calling on Men to Follow Suit in Denouncing Trump


    https://pbs.twimg.com/media/CuhVsdGVMAAwyJQ.jpg



    "If you can’t stand up for women & unendorse this piece of human garbage, you deserve every charge of sexism thrown at you. I’m just one woman, you won’t even notice my lack of presence at rallies, fair booths, etc. You won’t really care that I’m offended by your silence, and your inability to take a stand. But one by one you’ll watch more women like me go, & you’ll watch men of ACTUAL character follow us out the door.

    And what you’ll be left with are the corrupt masses that foam at the mouth every time you step outside the lines. Men who truly see women as lesser beings, & women without self-respect. And your “guiding faith” & “principles” will be attached to them as well. And when it’s all said and done, all you’ll have left is the party The Left always accused you of being.

    Scum."


    read more 

    Why Republican Women Are Calling on Men to Follow Suit in Denouncing Trump - The Atlantic

    Listening to Richard Harris MacArthur Park l 1968 (Jim Webb)

    MacArthur Park is melting in the dark
    All the cool cream icing flowing down

    O candidato do PSOL perdeu para ele mesmo


    de MARCELO JANOT

    O fato de ter passado a evitar discutir política com amigos no Facebook não significa que eu vá deixar de falar de política quando quiser dar algum pitaco. E acho que esse é o momento, depois de conferir as últimas pesquisas e análises que dão a vitória de Crivella como certa no Rio.

    Dia desses, um amigo que trabalha na campanha do Freixo fez contato perguntando se eu toparia ser incluído num grupo de discussão formado por jornalistas e publicitários para dar ideias de como Freixo poderia virar o jogo na reta final da campanha. Topei, mas não cheguei a receber qualquer mensagem do grupo. A essa altura do campeonato, já tenho a impressão de que o jogo está perdido. 

    Acho que o candidato do PSOL perdeu para ele mesmo. Não sei se foi a euforia por derrotar o candidato de Eduardo Paes (e a máquina do PMDB) que o fez ir comemorar na Lapa com a militância gritando "Fora Temer" e enfatizando, no discurso, a narrativa do "golpe". Aquele não era o momento para isso. Bastava olhar a votação dos partidos de centro-direita para saber que eram os eleitores deles que Freixo deveria conquistar no segundo turno. Qualquer marqueteiro minimamente eficiente saberia que falar em "golpe" para eleitores de centro-direita é dar um tiro no próprio pé.

    Até porque, naquele momento, o índice de rejeição de Crivella era o mais alto entre todos os candidatos, e o de Freixo era o mais baixo. A tendência, portanto, era que eleitores de Índio e Osório votassem em Freixo para impedir que Crivella chegasse ao poder. Hoje, basta uma olhada na caixa de comentários das postagens de formadores de opinião de centro-direita aqui no Facebook para perceber como esse jogo virou, mesmo com alguns desses formadores de opinião declarando voto em Freixo. O grau de rejeição a Freixo em comentários que misturam ódio com desinformação é assustador. Gente que até bem pouco tempo teria pesadelos com a possibilidade de termos um prefeito apoiado pela Igreja Universal, por Garotinho e milicianos, agora declara voto útil em Crivella. Acreditam que essa mistura explosiva seja menos nociva ao Rio do que ver o PSOL no poder.

    E aí entra o "fator PT". Essa eleição deixou evidente que, um dos mais danosos estragos que o PT fez ao país foi o de acabar com a imagem da esquerda. Para muita gente, "esquerda" virou um palavrão, um demônio a ser evitado. Para a esquerda chegar ao poder numa cidade em que o candidato da direita tinha rejeição altíssima, bastava descolar o máximo possível sua imagem do PT. Mas Freixo e o PSOL fizeram justamente o contrário. Crivella foi ministro do governo do PT, o PT apoiou Crivella no segundo turno em 2014, mas os eleitores que Freixo deveria conquistar acham que o PT estará no governo municipal, por mais que se diga que não é verdade, que apoio não significa vaga no governo. Como fazer gente traumatizada e cega pela aversão ao PT acreditar nisso? 

    E aí acontece o primeiro debate. Crivella dá a deixa, inúmeras vezes, para Freixo explorar a rejeição à Igreja Uinversal e a Garotinho. Freixo nada faz, o debate vira uma troca de ideias de comadres, com Crivella, o mais rejeitado, espertamente fazendo um discurso mais moderado que aproximava os dois ao invés de deixar claro para o eleitor a diferença entre ambos.

    Pra piorar, o PSOL começou a sabotar a si mesmo. A ala radical do partido resolveu afastar todo o eleitorado judeu com uma postagem antissemita em seu site. A resposta de Freixo condenando isso foi imediata, mas protocolar. Foi preciso que Jean Wyllys respondesse à altura, mas desde que, ao contrário de vários de seus companheiros do PSOL, ele se assumiu como cabo eleitoral de Dilma no segundo turno da eleição presidencial, a rejeição de Jean Wyllys entre o eleitorado que Freixo precisa conquistar é estratosférica. 

    Isso mostra que nessa terra arrasada que a esquerda brasileira se tornou graças ao PT, o PSOL precisa se reinventar o quanto antes. Tem excelentes quadros, mas às vezes dá a impressão de ser um saco de gatos em que se junta desde um militar de direita (o deputado Cabo Daciolo, já expulso do partido) a radicais de esquerda como Babá e essa corrente da postagem antissemita.

    Enquanto isso, o município do Rio de Janeiro se encaminha, nesse cenário de falência em âmbito estadual, para as mãos do fundamentalismo religioso, das alianças espúrias com o que tem de pior na política (ninguém lembra o que foram os oito anos de Garotinhos no poder?), com o apoio das milícias. 

    O governo Freixo poderia dar errado? Poderia. Mas em hipótese alguma seria tão danoso quanto este pesadelo que se anuncia. 

    Espero que eu esteja errado.

    Na TV, Freixo fala para convertidos e ignora até o Dia das Crianças -


     Resultado de imagem para uol marcelo freixo


    "A leitura dos programas de Crivella e Freixo para governar mostra que o do segundo é muito mais amplo e detalhado. Na televisão, contudo, Crivella apresenta propostas mais concretas, enquanto Freixo se contenta com generalidades. O deputado sempre disse que o segundo turno lhe permitiria divulgar sua agenda para o Rio. No primeiro dia de campanha televisiva, nada propôs, causando ruído entre o prometido e o cumprido
    .
    Os correligionários de Freixo dizem que ele é muito menos conhecido do que Crivella. Se de fato essa diferença é tamanha, fica difícil entender por que em 10 minutos seu programa só dedica 60 segundos para contar a trajetória do candidato. Gasta mais tempo com o clip do que com a biografia de quem pretende ter a história apregoada"

     mais na análise de MARIO MAGALHÃES

    Na TV, Freixo fala para convertidos e ignora até o Dia das Crianças - Notícias - UOL Notícias

    Com a PEC 241, todos serão atendidos





                BRUNO
    (São José dos Campos, SP)

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    Barrados no banquete





    FOLHA DE SÃO PAULO 11 DE OUTUBRO DE 2016

    PEC 241 é contra o Brasil

     


    " Ao promulgar a Constituição Cidadã de 1988, Ulysses Guimarães destacou os avanços ali contidos, sobretudo nos direitos sociais, sublinhando que o Brasil era o "quinto país a implantar o instituto moderno da seguridade, com a integração de ações relativas à saúde, à previdência e à assistência social".

    Dr. Ulysses, orgulhoso, apelou para que, no futuro, não houvesse outra Assembleia Nacional Constituinte que colocasse em risco essas conquistas.

    Passados 28 anos, estamos prestes a ver o desmonte completo desses direito,"

    leia coluna de Vanessa Grazziotin​

    nfde.xyz |

    sexta-feira, outubro 14, 2016

    Tarantula


    BOB DYLAN

    Palhaço Sinistro





    (Belo Horizonte, MG)
      
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    pela cochlea: Lucinda Williams - Compassion

    Have compassion for everyone you meet
    Even if they don't want it
    What seems conceit is always a sign
    Always a sign
    Always a sign.

    For those you encounter
    Have compassion
    Even if they don't want it
    What seems bad manners is always a sign
    Always a sign
    Always a sign.

    Always a sign of things no ears have heard
    Always a sign of things no eyes have seen
    You do not know
    What wars are going on
    Down there where the spirit meets the bone
    Down there where the spirit meets the bone

    quinta-feira, outubro 13, 2016

    Entrevista com deputados que votaram a favor da PEC





    SAMUCA
    (Recife, PE)

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    How Bob Dylan Rewrote America’s Songbook -




    "If Dylan had a singular achievement, in fact, it was to utterly rearrange our ideas of songs—to change the way we defined a song.

    Dylan was the first songwriter I ever knew to write a song where the person inside the song—the person Dylan is giving voice to—is angry and sneering (“You’ve got a lotta nerve to say you are my friend”). And the even greater thing, to my ear at least, was that there was a weird kind of jubilance about the lyric, not like he was happy exactly, but there was joy in the malice

    Late in life, Dylan did something even more profound with his music: He pulled back the curtain a bit and let us see how songs—his kind of song anyway, homemade things, handmade and handed down from one generation to the next—are not so much composed as assimilated. Some lines are borrowed, some are original, but the end result should be something that sounds both familiar and strange all at once, and where, in the ultimate vanishing act, the songwriter vanishes, leaving only the song (and maybe a lingering grin).."


    read the article by Malcolm Jones

    How Bob Dylan Rewrote America’s Songbook - The Daily Beast

    Intolerância online rompe com a ideia do brasileiro cordial

     INTERESSA / TEMPO LIVRE
     "    O documento – do projeto Comunica Que Muda – foi elaborado de abril a junho e analisou o conteúdo de mais de 393 mil posts e comentários na internet. “Queríamos entender como as questões da intolerância estavam sendo abordadas no meio digital”, conta Caio Túlio Costa, um dos coordenadores do estudo. O documento analisou postagens com temas polêmicos, como racismo, política e machismo.

    Mais de 84% das menções foram negativas, e o racismo desponta como assunto mais difícil de ser discutido saudavelmente: 97,6% das menções ao tema são negativas. Praticamente empata com política, em que 97,4% dos posts e comentários contêm intolerâncias. “Não esperávamos que as menções negativas fossem ser tão expressivas”, diz Costa."

    mais na reportagem de Raquel Sodré
    Intolerância online rompe com a ideia do brasileiro cordial | JORNAL O TEMPO

    Rogerio Cerqueira Leite – Desvendando Moro






     "Pois bem, a história tem muitos exemplos de justiceiros messiânicos como o juiz Sérgio Moro e seus sequazes da Promotoria Pública.

    Dentre os exemplos se destaca o dominicano Girolamo Savanarola, representante tardio do puritanismo medieval.

    Todavia existe uma diferença essencial, apesar de muitas conformidades, entre o fanático dominicano e o juiz do Paraná – não há indícios de parcialidade nos registros históricos da exuberante vida de Savanarola, como aliás aponta o jovem Maquiavel, o mais fecundo pensador do Renascimento italiano."


    mais no artigo  de Rogério Cezar de Cerqueira Leite​
    Rogerio Cerqueira Leite – Desvendando Moro

    Jaguar: 36 anos sem Madame Satã


    Em 2012 Jaguar escreveu uma crônica no jornal O Dia, lembrando de MADAME SATÃ.

    Jaguar: 36 anos sem madame Satã

    Rio - Quando você para de estalo de beber, começa a procurar coisas para preencher os dias que de repente ficam in-ter-mi-ná-veis. Por exemplo, desencavar envelopes bolorentos estufados de antigos recortes. Num deles encontrei, num Pasquim de 1986 (!), uma crônica que escrevi: “10 anos sem Madame Satã”. Foi meu vizinho da porta ao lado: morávamos num ‘balança, mas não cai’ na Rua Taylor, com mais de 200 minúsculos (in)cômodos: quartinhos onde só cabiam cama, cabideiro, pia, fogareiro, privada e chuveiro.

    Tinha muito cigano; se esfaqueavam e tentavam arrombar minha porta. Eu botava uns quatro cadeados. Quando voltava, pelos menos dois tinham sido arrombados. Satã, então, foi meu melhor amigo; todas as noites era o mesmo programa: bordejo pelos botecos e cabarés da Lapa ou perto. Gostava de um que ficava num segundo andar, perto da Mesbla. Grande bailarino, dançava sozinho, o pessoal abria a roda só para ele. Uma entidade negra girando no salão, Maurice Bejart ficaria de queixo caído. A noitada (que os bobões hoje chamam de balada) geralmente terminava no Capela, onde ele tinha dado a célebre pancada que matou o sambista Geraldo Pereira.

    Às vezes eu, de porre, não me tocava e lhe passava o menu. Levava sempre a mesma bronca, naquela voz de taquara rachada (que Lázaro Ramos esqueceu quando fez o filme sobre Satã, apesar de me consultar antes): “Jaguar, você sabe que sou analfabeto”. Depois, o garçom tinha que ouvir as exigências do mestre de forno e fogão, o bife voltava à cozinha até ser aprovado, o arroz tinha que ter molho de tomate “porque arroz branco é comida de doente”. Foi no Capela que assisti a um papo de Satã com um famoso criminalista. O assunto foi direito carcerário, e Satã deu show de conhecimento.
    Pudera, meu amigo tinha passado 25 anos em cana, principalmente na Ilha Grande, onde virou atração turística. Não tinha saco para ficar relembrando as façanhas legendárias, as fugas, os entreveros com a Polícia Especial, a briga histórica com Mário Vianna (que foi da PE); quebraram, em duas horas de pancadaria, um cabaré da Mem de Sá. Amarrava a navalha aberta num barbante e girava como uma espada de samurai, enfrentava uma guarnição da Rádio Patrulha. Merecia um monumento na Lapa. Mas só foi homenageado em São Paulo, onde nunca esteve: o bar Madame Satã (os novos donos tiraram seu nome, ficou só Madame) onde, por ironia do destino, só toca rock paulista.

    As Grandes Entrevistas do Pasquim

    Dylan & Deleuze


    De FRED COELHO

    Terça, lendo os "Diálogos" de Deleuze e Parnet em uma aula da pós, eis que o poema de Dylan citado pelo primeiro cala fundo em mim e na turma. Aí escrevo umas linhas aqui sobre poesia e aí Dylan aprece como vencedor do Nobel de Literatura. Tem alguma coisa aí. Provavelmente não muito, mas o suficiente para sorrir do encontro disso tudo aí e muito mais. O trecho do poema de Dylan no livro de D e P, numa tradução que nem sei se é a justa, numa métrica que nem sei se é a dele. Mas vale a leitura. 


    Sim, sou um ladrão de pensamento
    não, por favor, um
    ladrão de almas
    eu construí e reconstruí
    sobre o que está à espera
    pois a areia nas praias
    esculpe muitos castelos
    no que foi aberto
    antes de meu tempo
    uma palavra, uma ária, uma história, uma linha
    chaves no vento para que minha mente fuja
    e fornecer a meus pensamentos fechados uma corrente de ar fresco
    não é coisa minha, sentar e meditar
    perdendo e contemplando o tempo
    pensando pensamentos que não foram pensados
    pensando sonhos que não foram sonhados,
    idéias novas ainda não escritas,
    palavras novas que seguiriam a rima...
    e não ligo para as novas regras
    já que elas ainda não foram fabricadas
    e grito o que soa em minha cabeça
    sabendo que sou eu e os de minha espécie
    que faremos essas novas regras,
    e se as pessoas de amanhã
    tiverem realmente necessidade das regras de hoje
    então juntem-se todos, procuradores generais
    o mundo não passa de um tribunal
    sim
    mas conheço os acusados melhor que vocês
    e enquanto vocês se ocupam em julgá-los
    nós nos ocupamos em assobiar
    limpamos a sala de audiência
    varrendo varrendo
    escutando escutando
    piscando os olhos entre nós
    atenção atenção
    sua hora há de chegar.

    O presente do Dia das Crianças






    (Novo Hamburgo - RS)

    10 perguntas e respostas sobre a PEC 241


    De LAURA CARVALHO

    Organizei 10 perguntas e respostas sobre a PEC 241, com base na minha apresentação de ontem na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Espero que ajude aqueles que estão sendo convencidos pelo senso comum. Lembrem-se: o orçamento público é muito diferente do orçamento doméstico.

    1. A PEC serve para estabilizar a dívida pública?
    Não. A crise fiscal brasileira é sobretudo uma crise de arrecadação. As despesas primárias, que estão sujeitas ao teto, cresceram menos no governo Dilma do que nos dois governos Lula e no segundo mandato de FHC. O problema é que as receitas também cresceram muito menos -- 2,2% no primeiro mandato de Dilma, 6,5% no segundo mandato de FHC, já descontada a inflação. No ano passado, as despesas caíram mais de 2% em termos reais, mas a arrecadação caiu 6%. Esse ano, a previsão é que as despesas subam 2% e a arrecadação caia mais 4,8%.

    A falta de receitas é explicada pela própria crise econômica e as desonerações fiscais sem contrapartida concedidas pelo governo e ampliadas pelo Congresso. Um teto que congele as despesas por 20 anos nega essa origem pois não garante receitas, e serve para afastar alternativas que estavam na mesa no ano passado, como o fim da isenção de 1995 sobre tributação de dividendos, o fim das desonerações e o combate à sonegação. A PEC garante apenas que a discussão seja somente sobre as despesas.

    A PEC também desvia o foco do debate sobre a origem da nossa alta taxa de juros -- que explica uma parte muito maior do crescimento da dívida, já que refere-se apenas às despesas primárias federais. Uma elevação da taxa de juros pelo Banco Central tem efeito direto sobre o pagamento de juros sobre os títulos indexados à própria taxa SELIC, por exemplo -- uma jabuticaba brasileira.
    A PEC é frouxa no curto prazo, pois reajusta o valor das despesas pela inflaçã o do ano anterior. Com a inflação em queda, pode haver crescimento real das despesas por alguns anos (não é o governo Temer que terá de fazer o ajuste). No longo prazo, quando a arrecadação e o PIB voltarem a crescer, a PEC passa a ser rígida demais e desnecessária para controlar a dívida.

    2. A PEC é necessária no combate à inflação?
    Também não. De acordo com o Banco Central, mais de 40% da inflação do ano passado foi causada pelo reajuste brusco dos preços administrados que estavam represados (combustíveis, energia elétrica...). Hoje, a inflação já está em queda e converge para a meta. Ainda mais com o desemprego aumentando e a indústria com cada vez mais capacidade ociosa, como apontam as atas do BC.

    3. A PEC garante a retomada da confiança e do crescimento?
    O que estamos vendo é que o corte de despesas de 2015 não gerou uma retomada. As empresas estão endividadas, têm capacidade ociosa crescente e não conseguem vender nem o que são capazes de produzir. Os indicadores de confiança da indústria, que aumentaram após o impeachment, não se converteram em melhora real. Os últimos dados de produção industrial apontam queda em mais de 20 setores. A massa de desempregados não contribui em nada para uma retomada do consumo. Que empresa irá investir nesse cenário?
    Uma PEC que levará a uma estagnação ou queda dos investimentos públicos em infraestrutura física e social durante 20 anos em nada contribui para reverter esse quadro, podendo até agravá-lo
    .
    4. A PEC garante maior eficiência na gestão do dinheiro público?
    Para melhorar a eficiência é necessário vontade e capacidade. Não se define isso por uma lei que limite os gastos. A PEC apenas perpetua os conflitos atuais sobre um total de despesas já reduzido. Tais conflitos costumam ser vencidos pelos que têm maior poder econômico e político. Alguns setores podem conquistar reajustes acima da inflação, e outros pagarão o preço.

    5. A PEC preserva gastos com saúde e educação?
    Não, estas áreas tinham um mínimo de despesas dado como um percentual da arrecadação de impostos. Quando a arrecadação crescia, o mínimo crescia. Esse mínimo passa a ser reajustado apenas pela inflação do ano anterior. Claro que como o teto é para o total de despesas de cada Poder, o governo poderia potencialmente gastar acima do mínimo. No entanto, os benefícios previdenciários, por exemplo, continuarão crescendo acima da inflação por muitos anos, mesmo se aprovarem outra reforma da Previdência (mudanças demoram a ter impacto). Isso significa que o conjunto das outras despesas ficará cada vez mais comprimido.
    O governo não terá espaço para gastar mais que o mínimo em saúde e educação (como faz hoje, aliás). Gastos congelados significam queda vertiginosa das despesas federais com educação por aluno e saúde por idoso, por exemplo, pois a população cresce.
    Outras despesas importantes para o desenvolvimento, que sequer têm mínimo definido, podem cair em termos reais: cultura, ciência e tecnologia, assistência social, investimentos em infraestrutura, etc. Mesmo se o país crescer..
    .
    6. Essa regra obteve sucesso em outros países?
    Nenhum país aplica uma regra assim, não por 20 anos. Alguns países têm regra para crescimento de despesas. Em geral, são estipuladas para alguns anos e a partir do crescimento do PIB, e combinadas a outros indicadores. Além disso, nenhum país tem uma regra para gastos em sua Constituição.

    7. Essa regra aumenta a transparência?
    Um Staff Note do FMI de 2012 mostra que países com regras fiscais muito rígidas tendem a sofrer com manobras fiscais de seus governantes. Gastos realizados por fora da regra pelo uso de contabilidade criativa podem acabar ocorrendo com mais frequência.
    O país já tem instrumentos de fiscalização, controle e planejamento do orçamento, além de metas fiscais anuais. Não basta baixar uma lei sobre teto de despesas, é preciso que haja o desejo por parte dos governos de fortalecer esses mecanismos e o realismo/transparência da política fiscal.

    8. A regra protege os mais pobres?
    Não mesmo! Não só comprime despesas essenciais e diminui a provisão de serviços públicos, como inclui sanções em caso de descumprimento que seriam pagas por todos os assalariados. Se o governo gastar mais que o teto, fica impedido de elevar suas despesas obrigatórias além da inflação. Como boa parte das despesas obrigatórias é indexada ao salário mínimo, a regra atropelaria a lei de reajuste do salário mínimo impedindo sua valorização real -- mesmo se a economia estiver crescendo.
    O sistema político tende a privilegiar os que mais têm poder. Reajusta salários de magistrados no meio da recessão, mas corta programas sociais e investimentos. Se nem quando a economia crescer, há algum alívio nessa disputa (pois o bolo continua igual), é difícil imaginar que os mais vulneráveis fiquem com a fatia maior.

    9. A PEC retira o orçamento da mão de políticos corruptos?
    Não. Apesar de limitar o tamanho, são eles que vão definir as prioridades no orçamento. O Congresso pode continuar realizando emendas parlamentares clientelistas. No entanto, o Ministério da Fazenda e do Planejamento perdem a capacidade de determinar quando é possível ampliar investimentos e gastos como forma de combate à crise, por exemplo. Imagina se a PEC 241 valesse durante a crise de 2008 e 2009?

    10. É a única alternativa?
    Não. Há muitas outras, que passam pela elevação de impostos sobre os que hoje quase não pagam (os mais ricos têm mais de 60% de seus rendimentos isentos de tributação segundo dados da Receita Federal), o fim das desonerações fiscais que até hoje vigoram e a garantia de espaço para investimentos públicos em infraestrutura para dinamizar uma retomada do crescimento. Com o crescimento maior, a arrecadação volta a subir.


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