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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    domingo, agosto 23, 2026

    Tutty Vasques 40 ANOS : Nascido em agosto de 1986

     

     

     

     

    O mundo já estava acabando quando eu aqui cheguei há exatos 40 anos. Em agosto de 1986, o planeta ainda tentava se recuperar de traumas muito recentes: o desastre de Chernobyl, a explosão ao vivo do ônibus espacial Challenger, o surgimento do primeiro vírus de computador, ‘la mano de Dios’ do Maradona, a passagem mixuruca do Cometa Halley, a morte súbita mundial do Fusca... Aqui no Brasil, os jornais cobriam o lançamento do natimorto Plano Cruzado do Sarney e a estreia do primeiro Xou da Xuxa. Na época, a virilha da apresentadora já existia, mas dava-se mais visibilidade ao bigode do presidente! Foi nesse caldo meio indigesto que mergulhei na cena do jornalismo sadio e ousado praticado na redação do JB de Marcos Sá Corrêa e Flávio Pinheiro. Vim a público programado para desafinar o coro já ensurdecedor dos indignados analógicos. Vivíamos naquele tempo um princípio de surto que duas décadas depois as redes sociais transformariam no embrião da atual pandemia galopante de gente irritada falando sozinha. De volta ao começo, quando eu nasci adotei o mantra ‘má notícia é a maior diversão’ e nas últimas quatro décadas, pregando em pelo menos 10 igrejas representativas do jornalismo brasileiro, defendi incansavelmente a ideia de que ‘só o humor salva’. Disse o tempo todo a quem me seguia: ‘Tudo isso que você lê no noticiário e parece piada, creia, em geral não é coisa que se deva levar a sério.’ Nos últimos anos, esse caráter messiânico da minha crença em um gênero lúdico de apocalipse encontrou motivação ainda mais forte para seguir em frente: a autoajuda. No momento, perdoem a franqueza, faço humor para me salvar. Não vou dizer “caguei pra vocês” por educação e respeito, mas toda vez que nova sensação de fim do mundo – climático, bélico, metafórico ou familiar – vem me assombrar fora do horário do Rivotril, corro para o computador e me agarro à boia de salvação do personagem topetudo criado pelo querido Pojucan, artista gráfico inquieto que a jornalista Maria Silvia Camargo entregou de bandeja como o cara certo para rabiscar minha imagem naquele agosto de 1986. Pelo menos na aparência, continuo o mesmo. Certos desenhos não envelhecem.
     
    PS: A festa dos 40 anos, assim como o agrément para um novo embaixador dos EUA no Brasil, só depois das eleições.
     
    DEDICATÓRIA: Aos queridíssimos Artur Xexéo e Alfredo Ribeiro, que me deram à luz!
     

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