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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    sexta-feira, abril 04, 2025

    A Venezuela woman asylum seeker whom ICE detained and wanted to deport to El Salvador

     

    Jeffrey St. Clair>>

    + The ACLU filed a sworn declaration from a Venezuela woman asylum seeker whom ICE detained and wanted to deport to El Salvador under the Alien Enemies Act; she says she overheard ICE officials on the plane to El Salvador conversing about that court ruling ordering them to turn the plane back to the US. ICE defied the court order and renditioned the detainees to El Salvador despite stopping for “hours” to refuel. The Venezuelan asylum seeker was later returned to the Webb Detention Center in Laredo, Texas…

    "On Friday, we were told to gather our belongings and put on the bus at Webb [County detention center in Laredo, Texas] and sat in the bus for about 5 minutes and then were taken back to Webb.

    Saturday morning, we were again told to gather our belongings and get on the bus. We went to the airport, and eight women were put on the plane with me.

    When we got on the plane, there were already over 50 men on the plane. I could see other migrants walking to the plane, but we took off before any additional people boarded. Within a couple of minutes, I overheard two US government officials talking, and they said, “There is an order saying we can’t take off, but we already have.”

    I asked where we were going and we were told that we were going to Venezuela. Several other people on the plane told me they were in immigration proceedings and awaiting court hearings in immigration court.

    We were not allowed to open our window shades.

    We landed somewhere for refueling. We were there for many hours. We were arm and leg shackled the whole time.

    We took off again and landed fairly quickly. I was then told we were in El Salvador.

    While on the plane the government officials were asking the men to sign a document and they didn’t want to. The government officials were pushing them to sign the document and threatening them. I heard them discussing the documents and they were about the men admitting they were members of TdA.

    After we landed but were still on the plane, a woman opened the shade. An officer rushed to close the shade and pulled her down by her shoulders to try and stop her from looking out. The person who pushed her down had HOU-O2 written on his sleeve.

    I saw out the window for a minute and I saw men in military uniforms and another plane. I saw men being led off the plane. Since I’ve been back in the US, I have seen news coverage, and the plane I saw looks like the one I’ve seen on TV with migrants from the US being delivered to El Salvador."

    Bolinha de sabão - Sonia Delfino - 1963 (In memoriam)


    Sentado na calçadaDe canudo e canequinhaDublec-dublimEu vi um garotinhoDublec-dublimFazendo uma bolinhaDublec-duplimBolinha de sabão


     

    Faz o T

    CAU GOMEZ
     
     
     
    KLEBER


     
    AMORIM
     

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    Presidente da CBF


    AMARILDO

     

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    MILEI - Já está

     


     

    RICARDO QUEIROZ

    "Javier Milei não é uma anomalia cabeluda. É o experimento-padrão em sua forma mais explícita e pronta para tarefas. Um arrasa quarteirão portenho.
     
    Não foi a extrema-direita que o inventou. Foi o mercado, cansado da democracia pós 1945 e sedento por velocidade. Quando a institucionalidade e as contradições começam a frear o lucro, sempre aparece alguém disposto a pular etapas, rasgar a fantasia, desde que bem alinhado com a planilha.
     
    Milei é isso: um operador da impaciência das elites. Um sujeito que leu Hayek como quem lê horóscopo e encontrou ali não um campo de debate, mas um destino. A liberdade virou fetiche. O Estado, inimigo. O povo, custo. O orçamento, uma heresia, os programas sociais fábricas de vagabundos.
     
    Sua motosserra é menos metáfora do que método. Não reforma. Amputa. Não pergunta. Impõe. Não governa. Executa no sentido mais literal. O discurso antissistema é só maquiagem grosseira pra um projeto que nunca saiu do lugar: desregulamentar e privatizar tudo, inclusive o futuro.
     
    E o que impressiona não é a truculência, mas a quantidade de aplausos recebido. O fervor com que setores da economia tratam esse desmonte como solução. A fome não é problema, é variável. A destruição da educação pública, da pesquisa, da cultura é meta estipulada. A dignidade virou linha de corte.
     
    Do lado de cá da fronteira, há quem esteja de prontidão. Não querem um lunático, querem um gerente com instinto de predador. Um tecnocrata rude, com verniz de gestor. Que fale de "responsabilidade fiscal" enquanto desmonta as bases da vida coletiva. Que cite teoria econômica como se fosse bula de veneno e aplique com orgulho.
     
    Não querem loucura, querem austericídio sem freios. Um Milei em versão tropical, higienizada, falante de português de MBA.
     
    O risco não é que ele surja. É que, quando surgir, a sociedade já está condicionada a achar normal que só nos reste o silêncio entre uma demissão, um corte de verba e um direito enterrado. Será que já está?"

    A Nova Fala e o irmão mais velho

     

     


     Osmarco Valladão >>

    Está todo mundo tranquilo com o fato da imprensa ter levado mais ou menos 24 horas para perceber que a "Nova Fala" - mencionada no vídeo da suposta pré-candidatura de Felipe Neto à presidência da República - poderia ser uma possível tradução do termo "newspeak", a linguagem criada por George Orwell em seu romance "1984"? Ninguém se surpreendeu ao notar que a rede social onde essa "Nova Fala" seria utilizada responderia a um "Ministério da Verdade" e que Felipe se refere a si mesmo como o "irmão mais velho", uma tradução viável para "Big Brother"?

    Vocês estão chocados com as IAs plagiando Miyazaki e questionando se ainda existe arte sem um processo criativo? A resposta, claramente, é não. Mas por que vocês estão perguntando isso a essa turma? Acham que eles se importam com arte ou com o processo artístico? Esse pessoal é o que Baudelaire chamava de "salsicheiros"; o único processo que eles entendem é aquele que resulta em cadeia ou indenização. O Banksy deles é a cabeleireira Débora.

    Estão perplexos porque Trump está taxando produtos exportados por pinguins? E qual é exatamente a surpresa em qualquer absurdo que Trump diga ou faça? Pinguine aller Länder, vereinigt Euch!

    Estão boquiabertos com o suposto áudio vazado em que Musk se queixa do movimento mundial anti-Tesla? O cara conseguiu o mais radical reposicionamento de uma marca da história do marketing: por um breve momento, um Tesla foi a materialização dos fetiches da esquerda americana, um "foda-se" para o big oil e toda a cafonice republicana que ele representava; até Mark Ruffalo tinha um, com um adesivo de arco-íris. Em tempo recorde, Musk transformou o Tesla em um símbolo, ao lado do Viagra e do bronzeamento artificial, de velhos republicanos cafonas. Estão trocando Teslas até por bicicletas Caloi pelo mundo afora; Sheryl Crow já vendeu o dela. E quem ainda possui um está colocando adesivos que dizem "comprei essa merda antes de Musk pirar na batatinha".

    É sério essa história do adesivo; eu já ri pra caramba.
    Eu estou chocado é com essa "Guerra dos Mundos" de Felipe Neto ser considerada verdadeira por pessoas que supostamente deveriam nos informar sobre a verdade. Cada época tem o Orson Welles que merece.

    Gooooooooooooooood Mooooooooooooooorniiiiiiiiiiiiiinnng, Vietnããããããã!

    Up Grade: Trump tarifou o Vaticano também. Um comentário no post de Carlos Saraiva pergunta o que é que o Vaticano exporta para os EUA. Um outro comentário responde "indulgências". Um terceiro, "pedófilos".
    A internet esse mês está paga.

    Sete pitacos AInda sobre a IA da vez:

     


     

    RENATO LIMA


    1) SE essa trend tivesse se originado de um app criado pelo próprio Estúdio Ghibli... não estaríamos tendo esse debate.
    O ponto principal é que o cofundador do estúdio - mestre Miyazaki - é contra o uso das IAs (DE)generativas de "arte" e não houve autorização alguma para tanto.
    Simplesmente uma Big Tech maliciosa passou por cima de direitos autorais e da propriedade intelectual para afrontar - de uma forma bonitinha - todos os artistas envolvidos.
    E para lucrar em cima dos dados de quem usou. Não acredite que é DE GRAÇA.
     
    2) Se você é REALMENTE um fã da obra do mestre Miyazaki, entenda que gerar uma imagem através dessa IA é um soco no estômago do seu ídolo.
    Seria o mesmo que um sujeito que se diz cristão dar um tiro num motoboy ou um vegano comemorar aniversário numa churrascaria.
    NÃO FAZ SENTIDO. É só hipocrisia. Ou FOMO. Ou ignorância.
    Ou tudo junto.
     
    3) Se você tem amigos/as/es ARTISTAS: escute o que eles tem a dizer sobre PROCESSO ARTÍSTICO.
    Infelizmente, essa IA está sendo vendida como "democratização do talento" quando, na real, é uma apropriação de talentos de outras pessoas, de carne e osso. SEM REMUNERAÇÃO.
    Essa IA é basicamente uma ferramenta que trabalha numa velocidade absurda com um banco de dados igualmente absurdo para criar algo baseado no que já existe.
    Não é nem Arte derivativa.
    E o mais importante: ela anula o PROCESSO, a CRIAÇÃO. Pois só importa que você chegue de imediato ao propósito final: o meme para postar na sua TL.
     
    4) Ninguém é obrigado a ter letramento sobre ARTE. Nem sobre POLÍTICA.
    Mas o abismo educacional é tanto que uma trend dessas - que atua nos dois aspectos - conseguiu juntar tanto os progressistas quanto os reaças num mesmo barco.
    Todos unidos contra o lado mais fraco dessa história: os ARTISTAS.
    Porque se não existe pudor de atacar um estúdio premiado, imagine sobre roubar a obra de um desenhista independente.
    O mesmo para escritores, músicos, dubladores. E NÃO DÁ para defender bilionário, gente (nesse caso, as Big Techs).
     
    5) Por quê o sucesso das IAs, então? É só lembrar do sistema vigente: NEOLIBERALISMO.
    Se o cliente não tem grana MAS precisa de um ilustrador... utiliza a IA.
    Se a agência não tem prazo MAS precisa de um desenho... utiliza a IA
    Se o estúdio não quer contratar um músico para um jingle... utiliza a IA.
    Se a produtora não tem grana para contratar um dublador... utiliza a IA.
    O que importa - independente de qualquer questão ÉTICA ou ESTÉTICA - é entregar o produto.
    O NEOLIBERAL NÃO QUER SABER DE ARTE. MUITO MENOS DE ARTISTAS.
    Isso tudo aliado à um conformismo vigente de simplesmente aceitar o que a Big Tech te joga, a trend do momento. Sem questionar ou esboçar uma reação.
     
    6) Para um ilustrador continuar num mercado assim - instável, inseguro, sem direitos e mal remunerado - terá que se render a valores irrisórios.
    Isso se chama PRECARIZAÇÃO.
    E a única solução só pode vir através de LEGISLAÇÃO (e sindicatos fortes).
    Mas não é assim que funciona: PRIMEIRO você lança a tecnologia para depois pensar numa forma de freá-la. Já foi assim com o zap.
    E a Justiça, como sabemos, não legisla a favor dos mais fracos (alô AGRO).
    Então, acredito que minha carreira como STORYBOARDER esteja chegando ao fim.
    E em breve teremos IAs emulando Ziraldo, Hergé, Moebius, Satrapi, Crumb e tantos gênios mais na cara de pau.
     
    7) O consumo de energia foi tanto por conta dessa ÚNICA trend que fritou os servidores da OpenAI.
    Uma das soluções que as Big Techs já estão implantando é reativar USINAS NUCLEARES. Entre outras opções bizarras.
    Não tem como uma sociedade continuar a existir consumindo energia dessa forma.
     
    Então temos que pensar no que é essencial.
    Um MEME que plagia um Artista consagrado é tão importante assim na sua vida?

    A Familia Bolsonaro

    BIRA DANTAS
     


     
     
    QUINHO
     

     
    ARNALDO BRANCO
     

     

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    Itamar Assumpção e Banda Isca de Polícia - Fico Louco



    Fico louco, faço cara de mau
    Falo o que me vem na cabeça
    Não digo que com tudo isso eu fique legal
    Espero que você não se esqueça

    Espero ver você curtindo o reggae deste rock comigo
    Grite forte, dê um jeito, cante, permaneça comigo


    Adolescence to The Virtues: the most heartbreaking TV of all time

     



    "The gut-wrenching crime drama is so poignant it will leave you in pieces. But it’s far from the only televisual masterpiece to deliver a devastating emotional punch …"

    Adolescence to The Virtues: the most heartbreaking TV of all time | Television | The Guardian

    Gaza’s ceasefire brought hope, but it was the calm before a brutal storm

     


    "The plan to seize much of Gaza and “reorder its space in a more favourable way”, in the words of one Jerusalem-based expert who backs the military administration plan, also matches the thinking of the far right in Israel who see a chance now to at least partially empty Gaza of Palestinians. One way to do this is by making it unliveable and then finding some way to allow inhabitants to leave. There are military and political officials in Israel currently looking at ways of encouraging “legal immigration” – even if, given conditions in Gaza, any migration would almost certainly be illegal under international law."

    read report by JASON BURKE

    Gaza’s ceasefire brought hope, but it was the calm before a brutal storm | Gaza | The Guardian

    Dylan aderiu à eletricidade



    MARIO BAGG

     

    quinta-feira, abril 03, 2025

    Nora Ney — É Tão Gostoso, Seu Moço (1953)

     

    É tão gostoso, seu moço
    A gente ter um querer
    Que entenda a gente de longe
    Sem nada a gente dizer
    A gente mexe com os olhos
    Faz com os olhos que está bem

    (Chocolate / Mário Lago)

    T. REX - Cosmic Dancer



    I danced myself right out the wombI danced myself right out the wombIs it strange to dance so soon?I danced myself right out the womb

    quarta-feira, abril 02, 2025

    Bolsonaro recusa água no STF


         

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    'Adolescência': a série que todo pai e toda mãe precisam ver

     

     

    Adolescente usa o smartphone, foto mostra mãos segurando um celular
    Joanna Moura

     

    É manhãzinha quando a porta da casa é arrombada. Uma dúzia de homens de preto, armados com fuzis, se movem rapidamente ocupando o hall de entrada, o corredor e as escadas. Um deles grita: "É a polícia, todos no chão!"

    Uma mulher de meia-idade pergunta em tom de súplica o que está havendo. "Tem duas crianças lá em cima!" ela alerta. Um homem —seu marido— é encurralado contra a parede enquanto os policiais revistam a casa.

    "Isso só pode ser um engano", ele diz.

    A câmera segue os policiais escada acima, passa pela filha mais velha já ajoelhada no chão e entra no quarto do filho mais novo. O policial que comanda a operação se dirige ao adolescente, ainda na cama.

    "Jamie Miller" diz o policial. "Você está preso por suspeita de homicídio." A polícia leva o menino na viatura e os pais são deixados para trás, perplexos, incrédulos. "Ele é uma criança!" grita a mãe enquanto o carro se distancia.

    Assim começa "Adolescência", lançamento mais recente da Netflix que retrata a história de um adolescente de 13 anos acusado de matar uma colega de classe. A minissérie em quatro episódios não é apenas dramaturgicamente brilhante –ela também encapsula perfeitamente o medo de cada vez mais pais e mães: o de perceber, tarde demais, que nossos filhos vivem uma vida digital secreta da qual pouco ou nada sabemos.

    "Adolescência" é uma sequência torturante e contida de socos no estômago. A sutileza dos diálogos e a maestria com que os episódios são filmados fazem com que aquela tristeza toda pareça quase documental, como se cada cena estivesse acontecendo neste exato momento, em algum lugar mais perto do que imaginamos.

    Já era madrugada quando desliguei a televisão. Deitei na cama, tentando digerir a complexidade daquela história, assimilando o abismo que separa as gerações e as muitas camadas de dificuldade de criar pontes conectando esses dois penhascos.

    A série aflige porque, nos diálogos entre adultos e adolescentes, cada um parece estar falando uma língua. E a sensação que sobra é a de desamparo desses jovens que gritam por ajuda e ninguém vê, ninguém entende, ninguém sabe como responder.

    Às duas da manhã, com os olhos ainda inchados e o nariz fungando da maratona de choro, lembrei-me do episódio do podcast "Fio da Meada", em que Branca Vianna entrevista Vanessa Cavalieri, juíza titular da Vara da Infância e Adolescência do Rio de Janeiro.

    "Eu quero que vocês percam o sono às 2 da manhã olhando para o teto, preocupados", ela disse enquanto relatava os muitos casos que chegam à sua mesa todos os dias.

    Cavalieri se refere ao aumento de infrações digitais graves cometidos por adolescentes de classe média. Bullying, assédio, incitação à violência. Todos praticados silenciosamente, dentro de casa, debaixo dos narizes de pais e mães zelosos.

    FOLHA 

     

     

    Fotos raras de 1964 mostram tanques na rua, incêndio da UNE e violência contra civis

     

    Livro editado pelo Senado recupera imagens pouco conhecidas do golpe militar

    Bernardo Mello Franco

     Soldado agride civil pelas costas no Recife, em 1º de abril de 1964

    Rio, 1° de abril de 1964. Apoiadores do golpe incendeiam a sede da União Nacional dos Estudantes.

    Lançado nesta segunda-feira pelas Edições do Senado, o livro "1964: Imagens de um golpe" resgata imagens raras da tomada do poder pelos militares há 61 anos. As fotos desmentem a versão de que o golpe não teria enfrentado resistência na sociedade.

    "Houve resistência. O que faltou foi liderança para organizá-la", diz a historiadora Heloisa Starling, da UFMG, que organizou o novo livro com Danilo Araujo Marques e Livia de Sá Baião.

    A obra reúne 71 imagens, entre fotos, fac-símile de publicações e itens de acervo, Uma das curiosidades é uma flâmula da Liga da Mulher pela Democracia, entidade que reunia senhoras católicas favoráveis ao golpe.

    Na época, parte das fotografias foi publicada na imprensa com versões favoráveis à derrubada do governo João Goulart. É o caso do flagrante da coronhada no Recife.

    A foto de Rubens Américo mostra a truculência de militares contra um civil desarmado. Ao publicá-la, na edição de 25 de abril de 1964, a revista O Cruzeiro afirmou que a violência "foi episódica".

    Para justificar a agressão, a legenda da foto descreve o agredido como um "agitador" que "insuflava e provocava as tropas".

    A revista, que na época era a mais influente do país, não disfarçava a simpatia pelos golpistas. Em perfil laudatório, o general Castello Branco, primeiro presidente da ditadura, é apresentado como "o cérebro da Revolução".

    O livro com fotos do golpe será lançado nesta segunda em seminário no Senado. Também serão reeditados os clássicos "1964 visto e comentado pela Casa Branca", do jornalista Marcos Sá Corrêa, e "Sessenta e quatro: Anatomia da crise", do cientista político Wanderley Guilherme dos Santos. 

    GLOBO 

     


     

    Tarifaço

    AMORIM
     

     
     
     

     
    JEAN
     
     

     

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    Niepraudzivaya kalina - Hajda Banda / Гайда Банда



    niepraudzivaja kalina
    kazała: “cviści nie budu
    biełaha cvieta nie pušču
    silnych jahadak nie vzražu”
    jak pryjšła para + zacviła
    bielańkij cviatok puściła
    silnu jahadku vzradziła


     

    O USO DE I A

     

    O Clube da Literatura Clássica lançou, há algum tempo, uma edição de "Frankenstein", de Mary Shelley, que foi desclassificada da seleção do Prêmio Jabuti por ter ilustrações e capa feitas por inteligência artificial. A Editora Novo Século também publicou uma versão de "Alice no País das Maravilhas" com ilustrações geradas por IA, que foram identificadas por internautas e geraram um debate sobre essa questão. A editora DarkSide já foi questionada, se não me engano, sobre o uso de IA em um "Necronomicon".
     
    Atualmente, há uma briga judicial entre a Nippon Television (NTV), proprietária do Estúdio Ghibli, e o ChatGPT, relacionada ao uso ilegal do estilo da empresa desde 2023. Algumas pessoas acreditam que o ChatGPT está fazendo uma retaliação ou provocação em relação a esse processo ou às declarações que Miyazaki fez em 2016.
     
    Grandes empresas de quadrinhos do Reino Unido, como DC Thomson, Rebellion Entertainment, The Phoenix Comic, Avery Hill Publishing e Fable, se uniram para formar a Comic Book UK, uma associação com o objetivo de combater o uso de histórias em quadrinhos para treinar inteligência artificial. Nomes famosos como Elton John, Kate Bush e Andrew Lloyd Webber se manifestaram a favor de uma proteção mais rigorosa dos direitos autorais. O anúncio do uso de IA no desenvolvimento de uma série pela Netflix quase levou a uma greve de roteiristas.
     
    E há muitos outros casos. O que quero dizer com tudo isso é que legisladores, juristas e outras pessoas e instituições responsáveis pelas regulamentações só perceberão o que está acontecendo e o que precisa ser feito se forem alertados por nós, a sociedade.
     
    Não estou mencionando, apenas para não me alongar, o imenso problema energético (e, consequentemente, ambiental e climático) que também está envolvido e que, por si só, já deveria levantar sérios debates sobre o uso da internet, celulares, IA, etc. Se você pensa que tudo isso não tem consequências ou custos, você está mortalmente enganado. E "mortalmente" aqui não é um de minhas hipérboles estratosféricas habituais.
     
    Um estudo dos anos 70 afirmava que um americano médio era, literalmente, venenoso. A quantidade de DDT em seu tecido adiposo o tornava mortal para algum canibal desavisado. No entanto, desde os anos 70, alguns países começaram a proibir seu uso, apesar do grande incentivo que era seu preço baixo, exatamente por causa dos estudos e da divulgação dos resultados. 
     
    No Brasil, por motivos que não preciso repetir, a proibição da fabricação, armazenamento e uso só veio em 2009. Mas veio. Podemos citar também os casos do cigarro, da poluição atmosférica e outros como casos onde a sociedade teve algum poder e influência em situações graves, se procurar as melhores formas de entender e agir. Existem críticas à ineficácia dessas ações "dentro das quatro linhas". Não discordo delas, mas sou velho demais para me tornar uma Testemunha de Jeová ou adotar alguma outra crença apocalíptica, seja ela religiosa ou ideológica.
     
    E não acredito na Inquisição: apontar dedos e fazer acusações contra alguns ou discutir a beleza do processo criativo - com pessoas que veem nisso um exibicionismo elitista de minhas habilidades que só alimenta mais ressentimento contra mim - me parece mais um jeito de atrair mais antipatia contra essa questão.
     
    E quando começam a falar sobre uma "democratização digital da arte" por meio do "fim do privilégio da habilidade", que seria sustentado por uma falsa meritocracia que camufla um capacitismo que discrimina os "sem-dom", é hora de eu me recolher às sombras da minha bem-aventurada insignificância: eu não bebo mais o suficiente para conseguir processar tudo isso. 
     
    A imagem sou eu no estilo do estúdio Takaghi, que vocês provavelmente não conhecem. Desde os anos 80 especializados no uso de Irresponsabilidade Alcoólica.
     
    Obrigado a Júlio N. S. Filho, Rafael Senra e Renato Lima por algumas informações. Obrigado a Ricardo Key Takaghi por um universo.
     
    P.S.: sinceramente, acho que a "versão estilo estúdio Ghibli" que a maioria das pessoas está realmente preocupada é Deborah Bloch interpretando Odete Roitman. Não mexam com a maior Sith da cultura pop brasileira.
     

     



    AROEIRA

     

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    terça-feira, abril 01, 2025


     

    Ditadura Nunca Mais

    ALLISON

     
    AROEIRA
     

     
    PBATISTA

     
    FRED
     

     
    THIAGO LUCAS
     

     

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    The Damned - New Rose



    I gotta new rose I got her good Guess I knew that I always would I can't stop to mess around I got a brand new rose in town

    IN MEMORIAM BRIAN JAMES


    Êpa! Êpa! Ôpa! Ôpa!


     

    Enquanto isso, num Clube Militar perto de voce....



    AROEIRA

     

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    Prisões, censura e chantagem: a guerra de Trump contra universidades

     



    Jamil Chade


    O silêncio não prevalecia enquanto o filme transcorria, em um cinema de Nova York. Em cada cena, o público vaiava, aplaudia e reagia. A sessão marcava a estreia nos EUA do documentário The Encampments, que relata os protestos nas universidades americanas em 2024 por conta da guerra em Gaza.

    Um de seus personagens principais, porém, não estava na sala, porque está preso. Trata-se de Mahmoud Khalil, detido pelo governo de Donald Trump e acusado, sem provas, de promover uma suposta ideologia de apoio ao Hamas.

    Antes de entrar na sala, me deparei com uma situação pouco comum para quem vai ao cinema. Todos nós tivemos nossas sacolas verificadas por seguranças.

    "Este é o ar que se respira nas universidades e meios acadêmicos pelos EUA hoje", comentou um casal que estava na fila para ser controlado.

    Ao longo dos últimos dez dias, a reportagem do UOL obteve documentos internos, entrevistou professores, estudantes e funcionários de quase uma dezena de universidades americanas. A constatação: as fábricas da elite intelectual da maior economia do mundo estão com medo e em guerra.

    Desde janeiro, esses locais de excelência e de liberdade acadêmica passaram a ser alvos de uma ofensiva por parte do governo de Donald Trump.

    Tudo começou com uma carta. Ainda em fevereiro, o Departamento de Educação alertava que não toleraria discriminações - contra brancos - e que todos deveriam encerrar programas de diversidade. O que ainda assustava era a ordem para que funcionários delatassem colegas. Quem fosse pego escondendo ou protegendo outro professor que estivesse promovendo a diversidade, seria punido.

    Em seguida, o governo Trump abriu investigações contra cerca de cem universidades que, juntas, receberam US$ 33 bilhões em recursos públicos nos últimos dois anos.

    Atualmente, 60 delas continuam sendo investigadas por atos supostamente antissemitas, ainda que um terço jamais foi alvo de denúncia antes, nem mesmo interna. Ao anunciar o inquérito, porém, o governo alertou que essas instituições estavam "infestadas por radicalismo", sem apresentar nenhuma prova.

    O Departamento de Educação ainda anunciou que investiga 45 universidades, incluindo a Universidade de Kansas, a Universidade de Utah e escolas da Ivy League, como as Universidades de Cornell e Yale.

    A alegação é de que essas escolas estão violando a Lei de Direitos Civis de 1964 por conta de contratos com o Projeto Ph.D., uma iniciativa para ampliar a participação de negros na pós-graduação. Dados de 2020 mostram que menos de 4% do corpo docente das escolas de negócios é negro, mas o governo insiste que tais práticas de promoção de afroamericanos "discriminam" outros segmentos da sociedade.

    Em uma carta de 17 de fevereiro, obtida pela reportagem, o Departamento de Justiça faz chegar à Universidade de Georgetown um alerta. "Chegou ao nosso conhecimento, de forma confiável, que a Faculdade de Direito de Georgetown continua a ensinar e promover o DEI (programas de diversidade). Isso é inaceitável", afirmou o documento, que comunica a abertura de uma investigação.

    No dia 6 de março, a instituição respondeu. "Sua carta desafia a capacidade da Georgetown de definir nossa missão como instituição educacional", rebateu. "Ela indaga sobre o currículo e o ensino em sala de aula da Georgetown, pergunta se a diversidade, a equidade e a inclusão fazem parte do currículo e afirma que seu escritório não contratará pessoas de escolas em que o currículo seja considerado "inaceitável", diz.

    "A Primeira Emenda, no entanto, garante que o governo não pode direcionar o que a Georgetown e seu corpo docente ensinam e como ensinam. A Suprema Corte tem afirmado continuamente que entre as liberdades centrais dos direitos da Primeira Emenda de uma universidade estão suas habilidades de determinar, em bases acadêmicas, quem pode ensinar, o que ensinar e como ensinar", insistiu.

    Não demorou para que projetos começassem a ser cortados em várias dessas universidades, com a suspensão de centenas de contratos. A Universidade de Columbia perdeu US$ 400 milhões, dos quais US$ 166 milhões eram destinados para lutar contra o vírus do HIV. O governo ainda cortou US$ 175 milhões da Universidade da Pensilvânia como punição por ela ter registrado uma nadadora transgênero em suas equipes.

    Na condição de anonimato, professores relataram ao UOL que, ao longo das últimas semanas, muitos departamentos se apressaram a modificar títulos de pesquisas, na esperança de ficar fora do radar da ofensiva ultraconservadora.

    Na Universidade de Harvard, encontros sigilosos entre a direção da instituição e professores se proliferaram, na esperança de encontrar formas para driblar a pressão. Mas a instituição conseguiu evitar a abertura de um inquérito por parte da Casa Branca. Washington anunciou na segunda-feira que irá reavaliar os contratos e subsídios avaliados em US$ 9 bilhões com uma das maiores instituições de ensino do mundo. O motivo: a suspeita de antissemitismo.

    Do outro lado do oceano, universidades como a de Genebra se deram conta que a crise era real nos EUA quando, de repente, um professor desembarcou na cidade e ofereceu transferir sua pesquisa para a Suíça. Traria junto dele US$ 6 milhões em investimentos por parte de patrocinadores. A universidade local o acolheu de braços abertos.

    Mas o golpe mais forte ainda estava por chegar. A prisão de Mohamed Khalil seria apenas a primeira, como prometeu o próprio Trump. As imagens do cerco contra a estudante turca Rumeysa Ozturk, na cidade de Boston, gerou calafrios no mundo acadêmico.

    Dias depois, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou que cerca de 300 estudantes já tiveram seus vistos suspensos. Uma delas era Ranjani Srinivasan, uma estudante de doutorado também da Columbia. Na primeira visita da polícia, ela se recusou a abrir a porta. Um dia depois, quando os agentes voltaram, ela havia fugido para o Canada.

    Detenções ainda foram registradas na Universidade de Georgetown e na Universidade Cornell. Enquanto isso, algumas das escolas mais prestigiosas de Boston enviaram alertas a seus estudantes para que, nas férias da Páscoa, não saiam dos EUA. "Não podemos garantir que voltarão", admitiu um professor, pedindo que sua identidade fosse preservada.

    Em entrevista ao UOL, Kei Pritsker, diretor do documentário sobre os protestos, acredita que o medo entre a comunidade acadêmica só não é maior que a raiva que existe hoje contra as direções das universidades que optaram por se dobrar ao governo Trump. "Nunca pensei que estaríamos vivendo isso tudo", afirmou.

    Para ele, porém, a prisão de Khalil "é apenas um microcosmo de um ataque muito maior contra a liberdade de expressão nos EUA". "A deportação é forma de colocar medo às pessoas para que não se pronunciem", disse.

    "Mesmo pessoas sem qualquer relação com a causa palestina deveriam estar preocupadas. Isso envolve todos nós", alertou.

    A avaliação de Kei Pritsker é de que a repressão tem sido o último instrumento de um sistema econômico que "já entendeu que não convence mais ninguém". "Quando não da mais para convencer uma população, o que temos é repressão. As pessoas não compram mais a história que esse é o melhor país do mundo, a maior democracia", disse.

    Sherif Ibrahim, estudante da pós-graduação da Universidade de Stanford, acredita que ainda a repressão não trará resultados. "Tenho fé. Para que a repressão funcione, eles dependem de nossa capitulação. E isso não vai acontecer. Quando eles recorrem à violência, é por não terem mais nada", disse. "Acho que muita coisa ainda vai acontecer. Ninguém pode parar um tsunami, nem mesmo o deus na Casa Branca", completou.

    UOL

    A ditadura militar e o bolsonarismo

     

     Rudá Guedes Ricci

    No dia 1 de abril de 1964, o Brasil mergulhava numa ditadura. Este texto é dedicado a explicar em que aquela ditadura se diferenciaria da que Bolsonaro tentou implantar.

    O bolsonarismo é fascista. A ditadura militar de 64 era autoritária. Qual a diferença? Autoritarismo não mobiliza socialmente e tolera certa competição política tutelada.

    A partir de 1964, ninguém podia sair às ruas em grupos de mais de três pessoas. Se saísse, logo aparecia um meganha ditando o conhecido "Circulando!". Isso, se fosse um policial pacato.

    Na capital Paulista, era comum uma daquelas "baratinhas" da polícia subir na calçada e dela saírem policiais armados jogando o grupo de transeuntes nas paredes.

    Era comum exigirem carteira de trabalho. Se não tivessem, davam um "passeio" pela cidade.

    Nas salas de aula nas universidades era comum um policial "disfarçado" de polícia que gravava as aulas e intimidava. O objetivo era calar e desmobilizar.

    Ditadura é isso: desmobilização. E violência. Dias atrás, uma manifestação liderada por Boulos se concentrou no antigo DOI Codi, na rua Tutoia. Lugar famoso.

    Muitas histórias de tortura na rua Tutoia e tiros em carros que não diminuíam a velocidade ao passar pelo DOI Codi. Se tinha pressa, levava chumbo. Simples assim.

    Ditadura desmobiliza e tutela uma disfarçada disputa política. Durante a ditadura militar, havia MDB e ARENA. Diziam que um era o partido do SIM e outro do SIM, SENHOR.

    Nas cidades do interior, até 1974, ser do MDB não pegava bem. Muitos diziam, à boca pequena, que era partido de comunistas e gente fracassada. A oposição, então, criava uma chapa especial da Arena, a Arena 2.

    A partir de 1974, o MDB passou a vencer eleições e não parou mais. A ditadura tentou frear, criou leis para manter seu domínio - como a criou o "senador biônico -, mas não deu.

    A diferença com o que Bolsonaro iria implantar é clara porque o bolsonarismo é fascista. Fascismo mobiliza e detesta competição política.

    Aliás, lideranças fascistas ascendem ao poder pelas vias legais, como ocorreu com Mussolini. No poder, fazem a lambança.

    O líder fascista é carismático e inflama a sociedade. É demagogo e diz ser do povo e que no seu governo, os coitados, os não-elite e os lascados irão à forra.

    Vingança é a ideia que fascista cultua. Com eles no poder, chega a hora dos ressentidos. Toda mágoa e fracasso passa a ter lugar no camarote do baile brega.

    A mobilização social é contra os poderosos, os bem-sucedidos e abastados. Contra a esquerda, os homossexuais, artistas e intelectuais.

    A intolerância campeia e, com ela, a ameaça. Fascista ameaça usar a força e prepara o uso concreto. Começa com acampamento e termina com 8 de janeiro.

    Ditador usa óculos escuro. Fascista faz motociata. Fascista usa Hugo Boss. Ditador usa cavalo.

    Mas, tem algo em comum? Sim, a rejeição da democracia. Ambos manipulam as leis, fazem discursos tortuosos para impor o que querem.

    Uns são sisudos e outros são exuberantes. Entretanto, ambos fingem que são honestos, mas não são. Ambos, fingem que são povão, mas não são.

    Ambos conspiram contra a nação e a paz. Ambos se apoderam do dinheiro público para perseguir e ameaçar. Ambos são um câncer político e social.

    Em 1964, no dia da mentira, se instalou uma ditadura no Brasil. Pegava mal inaugurar uma ditadura nesse dia. Não tiveram dúvida: mudaram a data para 31 de março.

    É típico de ditadura: se a cor branca não lhes agrada, pinta-se tudo de marrom. O importante não é à verdade, mas a versão mais conveniente. A fake news.

     


     

    R.E.M. - Man On The Moon


    So Andy, did you hear about this one?Tell me, are you locked in the punch?Hey Andy, are you goofing on Elvis? "Hey, baby"Are you having fun?

    segunda-feira, março 31, 2025

    Vinte palpites sobre a trend do Studio Ghibli e o uso de IAs na arte:

     


    1. Eu entendo toda a revolta da comunidade de ilustradores e artistas diante desse acontecimento. Eu atuo como ilustrador, faço histórias em quadrinhos desde antes de aprender a escrever e ler; portanto, a ideia de que máquinas ocuparão nossa função como artistas parece tremendamente sufocante e injusta.
    2. Mas acredito que esse alarde parte de uma projeção equivocada: a imaginação de um futuro onde, diante do crescimento das IAs, os artistas perderão possibilidades de remuneração e empregabilidade.
    3. Quando, na verdade, TODAS AS PROFISSÕES serão engolidas pelas IAs. Nesse momento, o que acontece com as ilustrações é praticamente um prelúdio de um processo de democratização irrestrito para todas as áreas e profissões.
    4. A verdade é que dificilmente sobrarão profissões nas quais os humanos serão mais eficientes que as máquinas.
    5. Isso quer dizer, Rafael, que nada pode ser feito para impedir esse processo? Os ilustradores serão os primeiros a perder essa batalha para as máquinas?
    6. Acho que o erro estratégico é combater a tecnologia em si. Até porque um avanço como esse não pode ser freado. A IA veio pra ficar.
    7. As IAs são ferramentas. Creio que é mais útil pensar nelas como recursos adicionais para nossas áreas de atuação.
    8. A criação da televisão não representou o fim das rádios. Assim como a proliferação das rádios não acabou com os livros. No caso da música, a criação do sintetizador fez temer pelo fim das orquestras, mas isso também não aconteceu.
    9. Acho que focar na proibição das IAs não é o caminho. Devemos focar no PÚBLICO.
    10. Nossa sociedade padece de letramento literário e letramento artístico. Assim como muitas pessoas não demonstram domínio básico de interpretação de texto ou análise do discurso, também percebemos que há uma falta geral de referências artísticas, e, principalmente, falta de treino básico de expressão, sensibilidade, e de treino do olhar.
    11. No âmbito das ilustrações, boa parte das pessoas tem um conhecimento nulo ou basilar de história da arte, escolas artísticas, movimentos, tendências, linguagens artísticas. A maioria das pessoas foi privada de uma educação artística de qualidade, que trouxesse noções básicas de apreciação e prática de linguagens de criação, através da música, teatro, dança, cinema, desenho, artes plásticas, quadrinhos, literatura.
    12. Mesmo com esse "gap" de referências, cito aqui algumas ações da própria sociedade civil que frearam manifestações de uso excessivo de IAs por EDITORAS – ou seja, um uso comercial das IAs, no qual efetivamente artistas foram substituídos por máquinas em um contexto comercial.
    13. O primeiro caso que cito aconteceu em 2023, quando a editora Clube da Literatura Clássica lançou uma edição de “Frankstein”, de Mary Shelley. A obra foi desclassificada da seleção do Prêmio Jabuti por ter ilustrações e capa feitas pelo software Midjourney. As denúncias partiram de usuários das redes sociais, e foram cruciais para que a CBL desconsiderasse esse livro em sua premiação.
    14. Outro caso parecido envolveu a Editora Novo Século, que publicou uma versão de "Alice no País das Maravilhas" com ilustrações feitas por IA. Novamente o recurso foi identificado por internautas, que incitaram todo um debate acerca do fato.
    15. Um caso mais dramático envolveu a Editora DarkSide, que utilizou IA em algumas ilustrações – ainda que com alguma “maquiagem” que pretendia disfarçar o recurso.
    16. Diferente de editoras como a que publicou “Frankstein” (cujo elo com a extrema-direita e com grupos olavistas já arranhara sua reputação desde antes da polêmica), a DarkSide é uma editora com certo prestígio no mercado. Ainda assim, ela sofreu críticas e consequências semelhantes às dos outros casos que mencionei.
    17. Considero esses exemplos animadores, porque mostram que o público não apenas é capaz de perceber o uso dessas ferramentas, mas manifesta claramente que não pretende apoiar obras que se utilizam delas em substituição à artistas reais.
    18. Afinal, mesmo com a sofisticação das IAs, é inevitável que haja uma padronização estética nessas imagens – visto que sua fonte criativa é tão somente um banco de dados composto de um arcabouço de imagens produzidas por artistas de verdade.
    19. Devemos lembrar que as editoras não lucram apenas com livros, mas com merchandising. E o grande filão nesse caso envolve o direito de publicação e de uso comercial de imagens específicas. Pois bem: como uma editora poderá usufruir da exclusividade de imagens geradas por IA, visto que não há autoria?
    20. Enfim, o debate promete render bastante, e é cedo para termos certezas sobre tudo que vá acontecer. Eu particularmente acho que a demonização das IAs não representa a melhor estratégia. Penso que tanto artistas quanto professores e educadores em geral precisam promover atividades em torno da educação visual e artística. A expressão humana precisa ser estudada, exercitada e sentida pela sociedade como um todo. Só assim o valor da arte deixará de ser um conceito para se tornar uma informação de domínio público.

     


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