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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    domingo, julho 12, 2026

    A pergunta que é preciso fazer a Ancelotti

     =

  •  'O senhor achou que Neymar faria um milagre ou quis acalmar o lobby?' 

     Treinador desmontou todo o time para pôr o jogador em campo 

     Jogador com camisa amarela e número 10 ajoelhado no gramado, cobrindo o rosto com as mãos. Ao fundo, outros jogadores e membros da equipe brasileira em pé, alguns abraçados e outros com expressões de desânimo, em estádio de futebol.

  • Idelber Avelar

    O jornalismo esportivo tem a obrigação de colocar uma pergunta a Carlo Ancelotti. Há várias perguntas, mas uma é ineludível. Ela pode ser feita de maneira mais agressiva ou polida. Mas ela tem que ser feita.
  • Em um tom escrachado, a pergunta seria: "O senhor fez as alterações dos 66 minutos porque pensou que um ex-jogador gordo e manco, que não atua em alto nível há três anos e meio, poderia realizar um milagre ou porque queria acalmar o lobby e antecipar sua autoblindagem das críticas que receberia no caso de uma eliminação com ele no banco?".

    O fato de que Ancelotti não responderia essa pergunta de forma aberta e sincera —ele não é Tuchel, ele tem outro estilo, mais diplomático— não exime o jornalismo da obrigação de fazê-la.

    O Brasil atuou reativamente, entregando a bola à Noruega para sair em contra-ataque. Fechou o primeiro tempo com apenas 35% da posse. Essa não seria a minha escolha, mas entendo sua lógica.

    Sabemos que o Brasil não possui um meio-campo robusto e controlador e que a equipe tem na qualidade dos atacantes e zagueiros-centrais as suas grandes forças. Sabemos também que a Noruega tem nas arrancadas de Haaland, a partir de passes de Odegaard, a sua grande arma. Fazia sentido negar-lhes essa arma com um esquema que compactasse a intermediária.

    Entendo as críticas a essa escolha. É uma questão de opinião. O que não é questão de opinião, e sim de fato, é que essa formação não perdeu o jogo para a Noruega. Essa formação empatou o jogo em 0 x 0 durante 66 minutos, deixando-o aberto para a última quarta parte.

    Assim como Tim Vickery, vi as substituições serem preparadas com estupefação. Uma coisa é acalmar o lobby colocando Neymar no fim de uma partida que o Brasil vence por 3 x 0, como aconteceu contra a Escócia. Outra coisa é desarmar o time inteiro para colocá-lo em um jogo eliminatório que está 0 x 0.

    Antecipando os problemas no meio, Ancelotti coloca também Danilo Santos. Sacrificam-se Rayan e Martinelli, que vinham bem no jogo.

    Dois jogadores disputam a bola próxima à linha branca do campo. Um veste uniforme amarelo e azul, o outro vermelho e branco. A bola está à esquerda, afastada dos jogadores.

    Endrick é deslocado para a ponta e o Brasil perde a pressão na bola. Como a Noruega agora pode carregá-la tranquila, Bruno Guimarães é obrigado a dar botes que ele antes não tinha que dar. Desarrumam-se as linhas e aparece um espaço que antes não havia entre ele e Casemiro.

    Em vez das dobras Rayan-Danilo e Martinelli-Douglas Santos, que antes bloqueavam os flancos, agora temos Danilo e Douglas Santos desguarnecidos, porque Endrick e Vini não realizam bem essa função.

    Na jogada do primeiro gol, Endrick dá um bote errado, típico de atacante que quer roubar a bola, quando o que se impõe ali é defender o cruzamento. Como Endrick fica na saudade, Danilo tem que se deslocar para o combate, obrigando Marquinhos a proteger aquele espaço. Abrem-se dez metros entre Marquinhos e Gabriel —o espaço atacado por Haaland para cabecear.

    Não foi falha de ninguém. Foi uma quebra sistêmica, em efeito dominó, provocada pela desmontagem do time para acomodar uma substituição.

    Ancelotti inseriu Neymar por motivos internos ao jogo —porque ele inexplicavelmente acreditava em algum milagre – ou por motivos externos ao jogo? A torcida merece ouvir uma resposta, ainda que ela seja, como suspeito que será, protocolar e diplomática.

    FOLHA 

     
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    Neymar é incapaz de desviar do próprio espelho

     Neymar e Nyland, goleiro da Noruega, trocaram provocações na cobrança de pênalti do Brasil

    THALES MACHADO

    A cena de Neymar discutindo com o goleiro depois do pênalti, já com um placar que, mesmo descontado, eliminava o Brasil da Copa, parece revelar um personagem incapaz de sair da frente do próprio espelho. Há pessoas que precisam ser protagonistas da vitória. Neymar parece precisar ser também do fracasso.

    Por mais de um mês, Neymar cumpriu com rara disciplina a missão de ser coadjuvante.

    Curiosamente, isso só foi possível porque estava machucado, distante do palco. Bastou voltar ao alcance dos refletores para reaparecer a necessidade quase física de ocupar o centro da cena. E, nesse caso, nem importava que o roteiro já estivesse escrito.

    Há ali também um erro técnico e de gestão de Ancelotti, que lhe devolve um espaço em momento inapropriado do jogo, e do qual o time parecia ter aprendido a sobreviver sem depender. Mas Neymar faz questão de preenchê-lo inteiro. Quer a última palavra, o último gesto, a última imagem. Até quando tudo já acabou.

    A impressão é a de alguém incapaz de permitir que o fracasso pertença aos outros. Como se existisse uma urgência em reivindicar para si até a fotografia da derrota. É como um ator que invade o palco durante os aplausos destinados a outra peça, apenas para garantir que a plateia continue olhando em sua direção.

    No fundo, a discussão com o goleiro parece menos sobre um pênalti e mais sobre um vazio. Como se dissesse, em silêncio: "não deixem que o erro seja de outra pessoa! Ninguém pode fracassar melhor do que eu!".

    Há quem tenha medo de desaparecer no sucesso alheio. Neymar parece ter medo até de desaparecer no fracasso coletivo.

    O GLOBO

      

    O maior zagueiro da Copa


     

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    A SELEÇÃO SE DESFEZ ANTES DE EXPLICAR A DERROTA

     


    RENE RUSCHEL

    O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo dentro de campo. Isso faz parte do futebol. O que chama atenção é o que aconteceu depois.
    Horas após a derrota, a seleção simplesmente se desfez. Jogadores seguiram para férias ou compromissos particulares. Carlo Ancelotti embarcou para o Canadá.
    Quando o avião da delegação pousou no Rio de Janeiro, havia apenas um atleta a bordo. Pode parecer um detalhe, mas não é. Os símbolos também contam.
    Enquanto outras seleções derrotadas voltaram para casa unidas, compartilhando o peso da eliminação, o Brasil transmitiu a sensação de que o compromisso terminava no apito final.
    Ao longo da Copa, outro aspecto também chamou atenção. Depois de cada jogo, havia dois dias de folga. O descanso é indispensável no esporte de alto rendimento.
    Mas em um torneio de apenas 39 dias talvez houvesse espaço para mais treinamentos, análises dos adversários e correções de uma equipe que nunca convenceu.
    O ambiente da delegação reforçou essa impressão. Muitos jogadores permaneceram acompanhados de familiares hospedados em mansões alugadas.
    Nada há de errado nisso. Mas a imagem parecia mais próxima de férias do que da maior competição do futebol mundial.
    Dois dias após a eliminação, as manchetes destacavam a compra de um iate de R$ 120 milhões e de um relógio de US$ 1 milhão por Neymar. São escolhas pessoais. O problema não é o patrimônio, mas o contraste.
    Enquanto o torcedor ainda tentava entender mais um fracasso, as principais notícias mostravam um universo completamente distante da realidade de quem sofre pela seleção.
    A CBF também falhou. Nenhum dirigente apareceu para explicar a eliminação. Não houve entrevista coletiva, nem prestação de contas.
    Curiosamente, a convocação havia sido transformada em um espetáculo, com palco, convidados e discursos. Para anunciar o sonho, festa. Para explicar o fracasso, silêncio.
    Trocar técnico ou renovar jogadores pode ser parte da solução. Mas o problema parece maior.
    A seleção brasileira precisa recuperar a cultura de compromisso que fez da camisa verde-amarela muito mais do que um uniforme.
    Ela representa um país. E quem tem o privilégio de vesti-la precisa honrá-la até o último minuto dentro e fora de campo.

    Weezer - Take On Me (A-HA)

     

    Take on me (take on me)Take me on (take on me)I'll be goneIn a day or two

    Noruega 2 x 1 Improviso

     Brasil é eliminado para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo

    Carlos Eduardo Mansur: 

     



    Sempre que termina a participação do Brasil numa Copa do Mundo, o caminho natural é entender o que deu errado no jogo da eliminação. Mas no dia em que o país tem a certeza de que será quebrado o recorde de espera por um novo título, a seleção vive uma derrota em que olhar apenas para o campo é enxergar só os sintomas de um mal maior.





    Se Noruega e Brasil jogassem dez vezes a mesma partida, com os mesmos jogadores e estratégias, o normal é que a seleção brasileira vencesse a grande maioria. Então, analisada de forma isolada, esta é mais uma desclassificação em que o Brasil produziu para ganhar o jogo. Mas a maneira como a partida foi planejada e executada impõe perguntas que até podem ser feitas a Ancelotti, mas devem mesmo ser respondidas por gente muito mais poderosa. Gente que, inclusive, nem mais na CBF está.


    A cada derrota, escolhemos uma narrativa. Por ora, parece hegemônica a tese da passividade, da pouca posse de bola, algo tido como contracultural na história do futebol brasileiro. Mas, para rejeitar uma ideia que soa contracultural, é preciso ter um projeto nacional de futebol, ao menos na seleção. E qual foi, nos últimos quatro anos, a ideia de futebol vigente na CBF? Esta foi a seleção de Ramon Menezes interino, do Fernando Diniz que dividia seu tempo com o Fluminense, do amor platônico por Ancelotti enquanto se desprezava o ciclo, de um Dorival Júnior esvaziado pelos próprios dirigentes que o contrataram e, enfim, do bombeiro Ancelotti. Se o jogo pareceu contracultural, infelizmente a bagunça e o desprezo aos processos são uma cultura a ser superada.


    Havia um motivo tático para o Brasil decidir não pressionar a Noruega, e, com isso, ter pouca posse. Colocar muitos jogadores para tapar a saída de bola rival era dar campo e espaço para Haaland, alvo dos lançamentos longos, travar duelos com os zagueiros. Sempre que aconteceu, ele ganhou. E o desenho de um jogo em que o Brasil defendia mais atrás e tinha campo para acelerar era sob medida para os atacantes da seleção. Fazia sentido, assim o time criou suas melhores chances.


    Mas ver a seleção limitada a este plano tem a ver com um time que não terminou de ser construído. O Brasil é deficiente quando precisa sair jogando desde a defesa, articular mais, especialmente se é pressionado. E a pressão ofensiva ainda oscila. E aí, de novo, voltamos ao desgoverno em torno da seleção. A comissão técnica viveu sempre numa corrida contra o tempo.




    Se há algo a discutir é se Ancelotti radicalizou demais o plano no segundo tempo. A posse norueguesa passou dos 70% em dado momento, o que significava um volume que, em algum momento, colocaria Haaland no jogo. Com Bobb e Schjelderup, a Noruega passou a ter ameaças pelos dois lados, e as trocas de Ancelotti fizeram a seleção perder proteção nos corredores com Endrick e Vinícius Júnior pelos lados — sem contar que, sem bola, Neymar oferece ainda menos do que o pouco que faz com ela.


    E é preciso, também, olhar para a escola brasileira de futebol. A Copa provou que ainda se produz talento em alto nível aqui: Bruno Guimarães, Gabriel Magalhães, Vini Júnior, Matheus Cunha, e nomes que apontam para o futuro, como Rayan e Endrick. Sem contar que a seleção competiu sem Rodrygo, Estevão, Neymar, Militão... Mas a escola brasileira vive a crise de laterais, de meias organizadores, de meias ofensivos acima da média. O mundo real das seleções, para o Brasil e para quase todas, é que jogos contra Bélgicas, Croácias e Noruegas da vida sejam duros mesmo. Ganhar dependerá de processos, de trabalho. A seleção não venceu a Noruega. Terá prestado um serviço ao país se decidir derrotar o improviso.

    O GLOBO

     

    sábado, julho 11, 2026

    Football without faith is nothing so Infantino is playing with fire at World Cup



    "What makes sport great is that it is unknowable. Strange things happen. A team suddenly score twice in a couple of minutes. A player does something brilliant. A player does something terrible. A referee makes an inexplicable decision. Because it is low-scoring, it is perhaps less predictable than other sports. It is viable for a weaker side to defend for 90 minutes and hope to win with a counter or a set play. A team can have 30 shots and their opponents one and still lose. Miracles happen. Remarkable acts of resilience happen. Incredible denouements happen. It means something because it is real.

    Script it and there is an emptiness.

    But that’s where the doubts begin to mass. What if the big teams are being favoured for financial reasons? Should Messi have been sent off for planting his studs into Aissa Mandi’s calf in the game against Algeria? (And if he had been, would the resulting ban have been suspended using article 27, as Balogun’s was?) Was the penalty that Argentina won against Austria really a clear and obvious error that required the intervention of the video assistant referee? Did Alexis Mac Allister commit a foul in the buildup to Messi’s goal in that game? Why was an Egypt goal ruled out for a foul when Argentina’s winner was not?"

    more in the article by JONATHAN WILSON
    Football without faith is nothing so Infantino is playing with fire at World Cup | World Cup 2026 | The Guardian

    Erling Haaland has already won one prize: the most viral player of the World Cup |



    "The player himself seems to have been enjoying the hype, even commenting on some of the posts. He posted a meme of a dog winding up its car window – often used to indicate hiding – on a post shared by an Instagram user that said: “Am I losing it or does this green onion look like Haaland?”

    He has entertained with posts including a mocked-up picture with the cartoon ogre Shrek, captioned “Selfie with my twin”, a picture of him going undercover as a tourist in New York in a baseball cap and sunglasses, and swapping his famous Viking helmet for a cowboy hat while out shopping in Texas."

    read more> 
    Erling Haaland has already won one prize: the most viral player of the World Cup | Erling Haaland | The Guardian

    Peppino di Capri - Roberta -(in memoriam)

     


    Roberta ascoltamiRitorna ancora ti pregoCon te ogni istanteEra felicità





     


     

    sexta-feira, julho 10, 2026


     

    A canoa virou

    MARIO ALBERTO



    THIAGO LUCAS




    MARIO ALBERTO




     

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    Rei José - Silvério Pessoa

     


    A cachaça vadiando
    O coquista assobiando
    Chamando pra embolar
    O chão tremia
    Os pés do povo batendo
    Já estava amanhecendo
    Ninguém queria parar


    Why Lamine Yamal’s little brother Keyne is becoming a World Cup star

     

    "Among the jubilant Spanish supporters, the lens focused on a young boy shouting “Vamooos!” at the top of his voice, pumping his arms with joy as he celebrated Mikel Oyarzabal’s 89th-minute goal.

    It wasn’t by chance that the broadcast team singled him out. It was Lamine Yamal’s three-year-old half-brother, Keyne, and he is already pretty well known."

     Why Lamine Yamal’s little brother Keyne is becoming a World Cup star - The Athletic

    Cartão suspenso, sorteios e CIA: como a Copa alimenta teorias da conspiração

     

     

     O SORTEIO DAS CHAVES

    RONALDO NA FINAL DE 98

    FAVORECIMENTO DA COREIA 

    OS ASTROS POUPADOS

    O GOLEIRO DA INGLATERRA ENVENENADO

    A AGUA BATIZADA DE BRANCO

    PERU DANDO TITULO PARA ARGENTINA  

     

     

     

     

     

    Bonnie Tyler - It's A Heartache (in memoriam)

     


    It ain't right with love to share
    When you find he doesn't care
    For you
    It ain't wise to need someone
    As much as I depended on
    You



    quinta-feira, julho 09, 2026


     

    Paul McCartney "For No One"

     

    And in her eyes, you see nothingNo sign of love behind the tearsCried for no oneA love that should have lasted years


    Noruega 2 x 0 Brasil

    FRAGA



    GILMAR




    CAZO

    SCHRODER



    JBOSCO




    DUKE




     

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    quarta-feira, julho 08, 2026


     

    em frente à nossa casa | in front of our house

    Personagem da semana: a goma de mascar de uma seleção apática, anódina, amorfa

     

     

    Gustavo Poli

     O personagem desta semana é a goma de mascar. Ela, que pareceu tão genial e inspiradora na semana passada, teve uma péssima tarde de domingo em Nova Jersey. Não conseguiu produzir seus fluidos criativos. Não pôde hipnotizar o treinador adversário. Ela ficou ali, sendo mascada por Carlo Ancelotti como um chiclete anódino, por 100 longos minutos.

    Cabia a ela trazer ideias diferentes. Ou inspirar algum tipo de energia numa equipe que pareceu completamente apática durante toda a partida. A seleção brasileira assistiu à Noruega tocar a bola durante quase todo o jogo como se fosse espectadora de seu próprio filme. Talvez tenha sido o calor — mas como a marcação pode soar tão distante, tão frouxa?

    Por muito tempo, o Brasil pareceu um chiclete velho, cansado, já sem sabor de tão mastigado pela boca treinadora. Com toda sua experiência, não sabia Ancelotti que escalar Martinelli enfraqueceria a já porosa marcação de nosso meio-campo — e deixaria Odegard desfilar em campo?

    Como explicar uma seleção tão pálida, tão morosa, tão passiva? A tradicional tranquilidade de Ancelotti, aquela incrível capacidade de acertar em silêncio, pareceu se transformar em falta de energia. A estrela do técnico se apagou sob o sol americano — e a atuação abaixo da crítica da seleção talvez só tenha sublinhado o fim de um ciclo terrível. De um time que só gerou alguma esperança durante a Copa.

    Essa esperança se construiu em alicerces frouxos. Escócia e Haiti são times fraquíssimos. O insosso Japão só foi derrotado no último minuto. A fé vinha justo e apenas da sensação de que o Brasil como zebra poderia surpreender.

    Foram anos caóticos do Brasil e da CBF — com uma roleta de treinadores e cartolas — e uma safra de jogadores sem grandes laterais nem meias criativos. Ancelotti tentou usar a experiência para construir o escrete possível — e deu azar de perder Paquetá quando seu time ameaçava encaixar.

    E ontem, pela primeira vez, o Brasil enfrentou uma seleção que tinha jogadores de primeira prateleira do futebol mundial. Haaland e Odegard resolveram o jogo para os noruegueses — porque são ótimos. Ambos seriam titulares aqui.

    Ainda assim, o Brasil teve suas chances. Foram algumas e muito boas. E aí o chiclete encaminhou Ancelotti para o engano. Lançou Endrick — que perdeu o gol cristalino, o gol imperdível. E a seguir lançou Neymar. O Brasil, que já marcava pouco e longe, passou a marcar ainda menos. Meio Brasil pedia Neymar. O que Neymar produziu em 30 minutos?

    No mar de marasmo do segundo tempo, talvez esqueçamos do pênalti perdido, do chute de Vinicius que o goleiro defendeu com o pé, do lance de Martinelli que o goleiro salvou quase sem querer, do cruzamento de Casemiro no fim, da incrível bola na trave. Esse lance, por si só, nos anunciou, ecoando outro tempo: não era o dia do futebol brasileiro.

    Por fim, Neymar se despediu da seleção com tristeza, perdendo tempo para discutir com o goleiro norueguês antes e depois de bater o pênalti inútil — e chorando arrasado no gramado.

    Em nosso vídeo de despedida, essa imagem é editada com a caminhada de Ancelotti ao fim do jogo. De terno escuro, colete e gravata pretas, ele cruza o gramado, ergue Vini Junior e em passo lento segue. A goma de mascar está no fim — e ele penetra no derradeiro vestiário como o coveiro involuntário de seu próprio funeral.

    O Brasil não perdeu por causa de Ancelotti. Mas ontem o treinador pareceu amorfo como seu time. E uma seleção amorfa e anódina... talvez nos machuque mais que a própria eliminação.

    O GLOBO

    O tempo que o Brasil perdeu

     

     Seleção lamenta eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo

    Thales Machado

     

    A derrota para a Noruega não aumentou apenas o jejum do Brasil. Ela deu mais forma, mais data e mais rosto a uma espera que já deixava de ser estatística para virar biografia. Durante muito tempo, ainda parecia possível tratar os 24 anos sem título como pauta geracional: primeiro crianças, depois adolescentes que nunca viram a seleção campeã. Agora, isso ficou pequeno. Há adultos que nunca viram. Há pais e mães que nunca viram. Há filhos dessa gente que também nunca viu. Um título de Copa que já foi memória comum e contemporânea virou história contada na sala, no bar, no arquivo de vídeo, quase como herança de família que ninguém chegou a usar.

    O Brasil campeão de 2002 segue perto para quem viveu aquele penta, mas distante demais para quem nasceu depois. Com a queda nas oitavas de 2026, o próximo título só poderá vir em 2030. O jejum de 24 anos chegará a 28. Pior: pela primeira vez, a seleção atravessará seis Copas sem levantar a taça. Antes de ganhar a primeira, em 1958, foram cinco tentativas. O país que se acostumou a tratar a Copa como extensão natural de sua grandeza agora olha para a própria história e descobre que nunca esperou tanto.

    É que a seleção vive há anos entre a preparação para o futuro e a eterna reestreia do passado. A cada eliminação, o Brasil anuncia um começo. Promete modernidade, estrutura, método, coragem, identidade. A cada ciclo, encontra um jeito de voltar aos mesmos reflexos, aos mesmos vícios, às mesmas certezas antigas embrulhadas como novidade. O futuro surge como projeto. O passado, como hábito.

    Toda queda do Brasil em Copa carrega três relógios. Há o tempo do jogo, o mais imediato. Foi nele que Ancelotti demorou a mexer, que a seleção pareceu apática, que Neymar não serviu de nada e que a Noruega encontrou em Haaland a figura literal e simbólica de um gigante diante de um Brasil encolhido. Há o tempo do ciclo, esses quatro anos de política turbulenta, troca de comando e soluções adiadas até que virassem urgência. Mas o tempo mais doloroso é outro. É o tempo de 28 anos. O tempo de uma geração inteira que cresceu ouvindo que o Brasil é o país da Copa e envelheceu vendo o país tentar explicar por que perdeu de novo.

    Esse é o ponto mais melancólico da eliminação. O Brasil segue tratando cada fracasso como acidente grave, mas isolado, quando o conjunto já aponta para uma rotina. Depois de 2006, era preciso renovar. Pós 2010, recuperar o encanto. Em 2014, a missão era reconstruir depois do abismo. Em 2018, transformar boa competição em vitória real. Em 2022, reorganizar tudo. Em 2026, o discurso já chega cansado. O país que prometeu aprender com todos os erros e dores desenvolveu uma capacidade estranha de lembrar o trauma e esquecer a lição.

    A camisa brasileira e as cinco estrelas ainda emocionam, mas peso de camisa não marca, não pressiona, não organiza uma confederação, não cria convicção tática, não resolve o atraso de uma estrutura. Durante décadas, o Brasil viveu protegido por uma grandeza que parecia automática. Hoje, a grandeza segue ali, mas exige trabalho. Admitir isso não diminui nada. É a primeira forma adulta de respeito a ela.

    A eliminação para a Noruega também carrega um recado esportivo duro: o Brasil sequer ficou entre os oito. A seleção que passou décadas medindo Copas por títulos agora precisa medir também por ausências: das finais, das semifinais, e agora, até de uma quarta de final. E acima de tudo, de uma memória que as novas gerações possam chamar de sua. A Copa seguirá sem o Brasil, como tem seguido cedo demais. E a cena já provoca menos surpresa que saudade antecipada de algo que muita gente nunca viveu.

    O Brasil precisa entender seu lugar no mundo de hoje, o tamanho real da distância até o topo e o preço de encarar essa distância sem nostalgia e sem soberba. Porque, enquanto prometia o futuro e reencenava o passado, a seleção foi perdendo também o presente. E é isso que doeu mais neste domingo: perceber que o jejum deixou de ser uma fase. Virou uma idade. 

    O GLOBO 

    foto: Odd Andersen

     


    Pixies - winterlong (Neil Young)

     

    I waited for you winterlong
    You seem to be where I belong
    It's all illusion anyway
    If things should ever turn out wrong
    And all the love we have is gone
    It won't be easy on that day


     

    terça-feira, julho 07, 2026

    Mais uma pequena alteração nas regras


     

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    Leroy Anderson Ritvélin The Typewriter

     

    sábado, julho 04, 2026


     

    É impossível derrotar quem já venceu


     
    JBOSCO
     

     
     

     
     

     
     
    GILMAR

     

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    Based on the round of 32, who will win the World Cup?

     


    NICK MILLER

    The first knockout games are in the bag, and another 16 teams have exited the tournament. It’s taken a long time to reach the last 16, but now we have a clearer perspective on the main challengers for this World Cup.

    In some respects, a lot of things haven’t changed. Germany and the Netherlands are the biggest names knocked out, but even if they played well at times in the group phase, neither side looked like a genuine contender.

    Similarly, England, Portugal and Brazil all had strong moments, but also displayed their flaws in getting past DR Congo, Croatia and Japan. The co-hosts — the U.S., Canada and Mexico — are significant long shots to go all the way, but they made it through with varying degrees of comfort and little would have changed about the general opinion of their chances.

    Argentina are perhaps the team who raised the loudest questions about their prospects while still actually progressing. They took the lead against Cape Verde twice, but either through defensive weakness or complacency (possibly a mixture of both), they looked astonishingly fragile at times.


    Cape Verde, for all their spirit and hard work, are a technically limited team: if they can get at Argentina, then imagine what better sides will do. There’s also a big dollop of the old Messidependencia: the great man scored one and set up another, but beyond him, they were devoid of attacking ideas.

    By far and away the best teams in the round, as was probably the case in the groups, were France and Spain. The French are a terrifying attacking force. Kylian Mbappe leads the way, beautifully complemented by Michael Olise and Ousmane Dembele. Their depth is such that they could afford to leave out Desire Doue and still wipe the floor with Sweden.

    Spain are a more understated attacking unit, and there’s a sense that while Lamine Yamal has been excellent, there is another gear for the Barcelona 18-year-old to find, which is fairly frightening for everyone else.

    They are the teams to beat, but they are on the same side of the draw, so would meet in the semi-finals rather than the final. The other half looks pretty open: if we’re expecting Spain or France to be one of the sides lining up on July 19, the identity of their opponents is tough to predict.

    THE NEW YORK TIMES

    sexta-feira, julho 03, 2026

    em frente à nossa casa | front of our house


     

    MARIO ALBERTO e os jogos da Copa

    MARIO ALBERTO 





     

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    Salve · BaianaSystem · BNegão · Antonio Carlos & Jocafi · Edy Star.

     

    Quando a brisa do vento sopra a voz de Deus
    Povo dançando um passo ijexá
    Telegrafaram nossa mensagem
    Glorificando nossa nação



    Pedra Rachada


     

    Plateia branca, espetáculo preto




     


    MENEGUIN

     

     

     

     

     

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    e o blog0news continua…
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    Mas uso mesmo é o

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