This site will look much better in a browser that supports web standards, but it is accessible to any browser or Internet device.



blog0news


  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

    Assinar
    Postagens [Atom]

    Powered by Blogger

    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    domingo, agosto 23, 2026

    VAZANTE


     

    O zoológico particular de Ziraldo

    Um tatu rabiscado no chão de casa, aos 4 anos, foi o primeiro de uma longa linhagem de bichos de Ziraldo Alves Pinto. A carreira do maior cartunista brasileiro do século XX foi marcada por cangurus, elefantes, pulgas, bichinhos da maçã e outros animais fantásticos, mitológicos ou cotidianos. Mas há ainda um vasto zoológico particular a ser descoberto nos acervos do artista mineiro, morto em 2024, aos 91 anos.

    Dois lançamentos póstumos exploram o fascínio do cartunista pelos animais. Inaugurando a série de livros “Tem Zira” (Global Editora), organizada pelo designer, ilustrador e escritor Guto Lins, “Tem bicho” reúne araras, tartarugas, moscas, coelhos, joaninhas, sapos, entre tantos outros exemplares da fauna ziraldiana. Produzidas entre os anos 1970 e 2000 para campanhas publicitárias, cartazes, calendários, capas de cadernos e outras publicações, as ilustrações foram garimpadas nas gavetas do Instituto Ziraldo (IZ).

    ‘A Turma do Pererê’

    Já “A Turma do Pererê: uma história para celebrar” traz de volta os personagens da primeira HQ brasileira inteiramente colorida e concebida por um único autor. Publicada originalmente em 1983 e fora de catálogo desde então, a aventura especial ganha agora uma edição em formato art book, complementada por esboços, estudos, materiais de arquivo e textos de especialistas.

    Inspirada na fauna e no folclore brasileiros (uma novidade na época), a Turma do Pererê circulou no formato revista em diferentes momentos entre 1959 a 1976, ano em que saiu definitivamente das bancas. Em torno do Saci Pererê e do garoto indígena Tininim, Ziraldo criou uma série de personagens que roubam a cena, como a onça Galileu, o tapiti Geraldinho, o jabuti Moacir e o tatu-rosa Pedro Vieira.

    — Quando você olha um bicho do Ziraldo, abre aquele sorriso porque vê que ele poderia ser seu amigo — diz Guto Lins. — Ele buscava os elementos característicos daquele ser e, ao mesmo tempo, surpreendia acrescentando uma expressividade, uma camada de leitura. Ao olhar para o animal e sentir uma relação afetiva com ele, ele virava o jogo e fazia uma personalidade do jeito que queria. 

     

    Ziraldo  — Foto: Divulgação/Marcelo Correa
    Ziraldo — Foto: Divulgação/Marcelo Correa

    Brincando com os arquétipos dos animais, o cartunista os aproximava dos leitores pelo humor e pela empatia.

    —Ele gostava de inverter o que se espera dos animais, como transformar um bicho feroz num bicho meigo, por exemplo — diz Lins. — “A Turma do Pererê” é um clássico disso. O carteiro é um jabuti, o macaco é o leitor, a onça é o bicho mais manso de todos.

    O mais difícil na curadoria de “Tem bicho” foi desapegar do que ficou de fora, conta Lins. Entre os 38 mil itens catalogados no Instituto Ziraldo, a fartura de animais é tamanha que daria para editar uns três livros, calcula o curador.

    Guto já havia escrito os textos de dois livros organizados a partir de ilustrações deixadas por Ziraldo, ambos centrados em animais. “Entre cobras e lagartos” (2024) tem como protagonista uma cobra sabichona e solitária. “Peixe grande” (2025) faz uma metáfora da trajetória do cartunista na figura de um peixe que sai do Rio Doce, em Minas Gerais, em direção ao mar. Aqui, o bicho é o próprio Ziraldo!

    Entre as publicações editadas pelo cartunista em vida, estão obras como “O Bichinho da Maçã” (vencedor do Jabuti de melhor livro de arte de 1982) e “História de dois amores”. Feito em parceria com o poeta Carlos Drummond de Andrade, este último narra a amizade entre um elefante e uma pulga. E há ainda a fábula ilustrada e musical “Os saltimbancos”, enorme sucesso criado em parceria com Chico Buarque, sobre um jumento, um cachorro, uma gata e uma galinha que fogem para a cidade grande para escapar da maldade dos donos.

    — Ziraldo já era ecológico antes de esse termo existir — afirma Guto Lins. — O próximo livro de “Tem Zira” vai ser dedicado às árvores. Assim como com os bichos, ele nunca desenhava apenas uma árvore. Antes de fazer um jambu, um caimbé, um jequitibá, ele estudava essas plantas. Era um observador dessa riqueza que o nosso país sempre ofereceu.

    Detalhe do artbook 'A Turma do Pererê: Uma história para celebrar" — Foto: Divulgação

    Entre todos os bichos de Ziraldo, nenhum parece ter ocupado tanto espaço em sua imaginação quanto o canguru. Ele descobriu o marsupial ainda criança, em uma enciclopédia, e ficou fascinado. Aos 14 anos, deixou sua Caratinga natal rumo ao Rio levando uma pasta repleta de desenhos do animal. O canguru continuaria aparecendo ao longo de sua vida, ganhando até um livro próprio (“Meu amigo, o canguru”, de 1987).

    — Centenas de cangurus lotam as gavetas do Instituto Ziraldo — revela Adriana Lins, diretora artística da instituição. — Desde os cartuns publicados nas páginas das revistas Cigarra e O Cruzeiro, nos anos 1950 e 1960, às páginas da Mad americana e da Penthouse, passando pela imprensa de vários países da Europa, pelo Jornal do Brasil e pelo livro antológico “Dez em Humor”, que tem 15 páginas só de canguru.

    Em outubro, um canguru de Ziraldo será a imagem do cartaz da Mostrinha, seção infantil da Mostra de Cinema de São Paulo. As curadoras da mostra visitaram o instituto há alguns meses e encontraram a imagem perfeita para estampar o evento.

    — Foi impossível resistir ao carinho de uma Mãe Canguru por seu filhote — conta Adriana. 

     

        GLOBO 


     

    Tutty Vasques 40 ANOS : Nascido em agosto de 1986

     

     

     

     

    O mundo já estava acabando quando eu aqui cheguei há exatos 40 anos. Em agosto de 1986, o planeta ainda tentava se recuperar de traumas muito recentes: o desastre de Chernobyl, a explosão ao vivo do ônibus espacial Challenger, o surgimento do primeiro vírus de computador, ‘la mano de Dios’ do Maradona, a passagem mixuruca do Cometa Halley, a morte súbita mundial do Fusca... Aqui no Brasil, os jornais cobriam o lançamento do natimorto Plano Cruzado do Sarney e a estreia do primeiro Xou da Xuxa. Na época, a virilha da apresentadora já existia, mas dava-se mais visibilidade ao bigode do presidente! Foi nesse caldo meio indigesto que mergulhei na cena do jornalismo sadio e ousado praticado na redação do JB de Marcos Sá Corrêa e Flávio Pinheiro. Vim a público programado para desafinar o coro já ensurdecedor dos indignados analógicos. Vivíamos naquele tempo um princípio de surto que duas décadas depois as redes sociais transformariam no embrião da atual pandemia galopante de gente irritada falando sozinha. De volta ao começo, quando eu nasci adotei o mantra ‘má notícia é a maior diversão’ e nas últimas quatro décadas, pregando em pelo menos 10 igrejas representativas do jornalismo brasileiro, defendi incansavelmente a ideia de que ‘só o humor salva’. Disse o tempo todo a quem me seguia: ‘Tudo isso que você lê no noticiário e parece piada, creia, em geral não é coisa que se deva levar a sério.’ Nos últimos anos, esse caráter messiânico da minha crença em um gênero lúdico de apocalipse encontrou motivação ainda mais forte para seguir em frente: a autoajuda. No momento, perdoem a franqueza, faço humor para me salvar. Não vou dizer “caguei pra vocês” por educação e respeito, mas toda vez que nova sensação de fim do mundo – climático, bélico, metafórico ou familiar – vem me assombrar fora do horário do Rivotril, corro para o computador e me agarro à boia de salvação do personagem topetudo criado pelo querido Pojucan, artista gráfico inquieto que a jornalista Maria Silvia Camargo entregou de bandeja como o cara certo para rabiscar minha imagem naquele agosto de 1986. Pelo menos na aparência, continuo o mesmo. Certos desenhos não envelhecem.
     
    PS: A festa dos 40 anos, assim como o agrément para um novo embaixador dos EUA no Brasil, só depois das eleições.
     
    DEDICATÓRIA: Aos queridíssimos Artur Xexéo e Alfredo Ribeiro, que me deram à luz!
     

    Díaz-Canel diz que EUA asfixiam Cuba e nega guinada capitalista

      Homem de cabelos grisalhos, vestido com camisa azul e blazer preto, segura cartão com bandeira e nome de Cuba em ambiente interno com janelas grandes e vista para área verde.

    "Sabemos que vai ser duro. Sim, está sendo duro. Mas, veja: aqui estamos, em pé, lutando, sem nos render."

    leia entrevista com Miguel Díaz-Canel 
    feita por MONICA BERGAMO 
     

    Can - Halleluwah

     

     Did anybody see the snowman standing on winter road 
    / With broken guitar in his hand
    ? Are you feeling sleepy yet?

    The Superfans (Like Natalie Harp) With the Keys



    "It's worth taking that seriously: loyalty and competence aren't mutually exclusive, and plenty of effective aides are also fiercely devoted to their bosses. The question isn't whether someone likes the president. It's whether the intensity of that attachment is shaping decisions, filtering information, or creating security risk — and whether anyone with the authority to intervene is willing to."

    read report by Stephen Snyder

    The Superfans (Like Natalie Harp) With the Keys

    Julee Cruise - The Nightingale (Angelo Badalamenti)

     

    Acordei cantando...
    Woke up singing...

    The nightingale
    it said to me
    there is a love
    meant for me



    sábado, agosto 22, 2026

    A visitor | Visitante


     

    Linchamento em Copacabana é vitória do Brasil miliciano

     Homem morto em Copacabana: Linchamento é vitória do Brasil miliciano | Sakamoto

    LEONARDO SAKAMOTO

      Cláudio Rafael Landeiro Moreira saiu de casa, em Botafogo, para dar uma volta de bicicleta e voltou em um caixão. Entre uma coisa e outra, bastou que um segurança confundisse sua dificuldade de se expressar com uma confissão de culpa e que outras pessoas punissem uma suspeita com uma sentença de morte.


    O homem de 37 anos, que tinha transtornos mentais, foi abordado em Copacabana, na noite do último dia 11. Questionado se a bicicleta era dele, não conseguiu explicar que pertencia a uma de suas irmãs. O vigilante concluiu que estava diante de um ladrão e admitiu à polícia ter dado um soco para que ele largasse o veículo. Depois, um grupo de entregadores teria levado Cláudio para outra rua, onde foi linchado. Socorrido pelos bombeiros, morreu no dia seguinte no hospital Miguel Couto. Traumatismo craniano, hemorragia interna e lesões no abdômen estão entre as causas apontadas pela família.


    Justiçamento é típico de uma sociedade miliciana, na qual o devido processo legal (que inclui investigação, indiciamento, denúncia, processo, condenação e execução de pena) é deixado de lado em nome da possibilidade de cada um resolver, da forma como melhor entender, os seus problemas. É a lei do mais forte. E o devido processo legal, que não é perfeito, longe disso, existe tanto para a punição correta por um crime (uma bicicleta não vale uma vida) quanto para impedir que inocentes sejam responsabilizados injustamente.
     

    Membros de uma sociedade miliciana invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em uma tentativa tosca e violenta de golpe de Estado, guiados pelo que defendia seu líder supremo, em 8 de janeiro de 2023. Não queriam Justiça para o que achavam correto, mas justiçamento, reequilibrando o universo com a força de suas próprias mãos.


    O mesmo tipo de justificativa foi dado quando o governo do Rio de Janeiro entrou atirando na Penha e no Alemão, deixando um saldo de 118 civis e quatro policiais mortos. De olho nos frutos eleitoreiros, o então governador Cláudio Castro afirmou que "de vítima, só tivemos policiais", visão que faz da Justiça algo desnecessário. Isso é justiçamento em seu estado mais puro, contrapondo-se ao que está previsto na Constituição de 1988.


    Milícia não é apenas o grupo armado que controla territórios, cobra taxas, vende serviços clandestinos e negocia votos. É também um método de organização social baseado na privatização da violência. Alguém se autoproclama responsável pela ordem, identifica quem considera suspeito, suspende seus direitos e aplica a pena que bem entende.


    Nesse modelo, a presunção de inocência é tratada como frescura de defensor de bandido. A investigação é perda de tempo e a Justiça aparece tarde demais, geralmente para recolher o corpo. O medo real da violência urbana torna-se combustível para uma violência ainda maior, praticada por quem se considera cidadão de bem. A partir daí, a diferença entre bandidos e mocinhos desaparece.


    É claro que furtos e roubos fazem parte do cotidiano do Rio de Janeiro e que, infelizmente, comerciantes, seguranças e entregadores convivem com riscos permanentes. Mas compreender o medo não significa conceder licença para matar. Uma sociedade que combate o crime transformando inocentes em cadáveres não está produzindo segurança, mas apenas democratizando a barbárie.


    Quando abandonamos a lei porque achamos que "dessa vez vale", ela abre mão de qualquer limite. Hoje, o alvo foi um ciclista. Amanhã, pode ser qualquer um que a turba decida considerar indigno de viver. E a turba tem sido bastante ativa nesta quadra histórica.

    Defender o Estado de Direito não é passar pano para criminoso, mas impedir que a crueldade vire método e que o linchamento seja vendido como virtude.


    Se for confirmada a participação de entregadores no linchamento, isso tampouco transforma toda uma categoria profissional em cúmplice. Fazer essa generalização seria repetir exatamente o mecanismo que matou Cláudio: pegar um rótulo, dispensar a apuração e condenar um grupo inteiro. Os responsáveis devem ser identificados individualmente, processados e punidos.


    Copacabana é um dos principais cartões-postais do Brasil. Mas, naquela noite, tornou-se o retrato de um país que está autorizando a pena de morte para qualquer grupo disposto a aplicá-la na calçada.


    Quando alguém se torna culpado de cometer um crime simplesmente porque foi morto por uma turba, não precisamos mais temer os milicianos. Eles já somos nós.

    UOL

    Odysseus just cant stop killing

     

     Odysseus and Diomedes hauling Iphegenia to her death at Aulis. Fresco from Pompeii.

    JEFFREY ST. CLAIR >  

     In Hades, Agamemnon rises from the grave to tell Odysseus the story of his own homecoming, bearing Cassandra, the soothsaying princess of Troy, back with him to Mycenae in a cage as booty, only to be slaughtered in his own bed by his wife, Clytemnestra. The maniacal king warns Odysseus that he might face a similar fate in Ithaka. Odysseus has reason for concern, for reasons Nolan doesn’t explore. His wife Penelope is Clytemnestra’s cousin and she’s likely to have learned of his own role in the vile killing of Clytemnestra’s daughter, Iphigenia. As the Greek fleet assembled in the port town of Aulis, Agamemnon decided to go hunting in Artemis’s sacred grove, where he killed a deer, enraging the goddess, who loved animals more than men. Artemis calmed the winds and Agamemnon’s invasion force was stuck in port until, warns the priest Calchas, the king sacrifices his own child. Odysseus comes up with the plan. He persuades Clytemnestra and Iphigenia that the young girl will be wed to the great warrior Achilles and escorts her back to Aulis and places her on the sacrificial rock where her father slits her throat.  It would be easier to rehabilitate Harvey Weinstein than Odysseus.

    Penelope must know this. She was Clytemnestra’s cousin. She had lived in Mycenae. She was Iphegenia’s aunt. Odysseus had every reason to delay coming home to her. After all, Penelope, the siren calling from Ithaka, means a kind of predatory seabird, a kingfisher, a fisher for kings. And like Iphigenia, Penelope was once sacrificed by her own parents, who had cast her off the cliff into the sea, only to see her saved by the very birds for whom she was named.

    What does Penelope think? How does she really feel about the man who left her and took his time coming home, philandering and killing across the Mediterranean? We don’t know. Nolan doesn’t tell us. He doesn’t understand women. They’ve always been one-dimensional characters in his films. But she wasn’t for the Greeks. There’s an ambiguity to Penelope, a mystique, if you will, that makes you ask, how much she’s really yearning for her lost husband. After all, she isn’t weaving a shroud to honor Odysseus, but his aged father, Laertes, who stayed home, faithful to her, her son and Ithaka.

    Penelope was exalted in early Christian theology for her fidelity. But you can’t say the same for our hero. While he may have been mesmerized by Calypso, he spent a year canoodling with Circe of his own volition. He wasn’t all that eager to get back to Penelope’s bedchamber. But Nolan elides this telling detail from his film.

    Only the brooding nymph Calypso succeeds in slowing Odysseus down. The wanderer stays seven years on Ogygia. But there’s little time for contemplation in Nolan’s slaughter fest. The seven years in Calypso’s thrall are squeezed into seven minutes of film and Calypso is reduced to the role of Odysseus’ therapist, feeding him lotus flowers like Prozac. Is Calypso a Freudian or Jungian? We don’t know. We don’t even learn what’s really bugging him or how he exorcizes his demons enough to apologize to Poseidon, the earth-shaker, and ride the current back to Ithaka. What did he learn? To honor the dead, maybe. But he would continue to make many more of them.

    But this is not Calypso’s role in the Odyssey. She is another avenging proto-feminist, who tricks the trickster Odysseus and keeps him captive for seven years, taking her pleasure with him, doing to Odysseus what Odysseus would have done to her and had done to the Trojan women.

    In The Odyssey, Odysseus doesn’t unload his story to Calypso, but to King Alcinous of the Phaiacians and his enchanting daughter Nausicca on the island of Scheria (Corfu), a city-state which treated sea-borne immigrants like Odysseus with kindness and hospitality, a running theme of Homer’s poem, which Nolan manages to mangle.

    There are unanswered questions, left hanging, because of the box office. What are the sirens singing, “each to each,” Eliot put it. Are they singing songs of seduction, tempting him into the fatal waters? Or are they singing songs of horror, threnodies for the needless death, tempting him to drown himself in shame? Nolan doesn’t even hint at the answer, for there’s another thrilling episode just a few scenes away. This is high-T film-making, cinematics for the manosphere. It’s gotta move, baby. The warrior ethic ain’t got time for introspection.

    We see them only at a distance, women lounging on rocks. For the Greeks, the sirens had the bodies of birds. They sang songs of death. They were made by the Goddess Demeter to search the Underworld for her daughter Persephone, who’d been taken into the eternal darkness by Hades to be his bride. Were they taunting Odysseus with shades of the men and women he sent there?

    The historian Mary Beard ridiculed Nolan’s film for its lack of sex, which, as Freud made clear, is the driving force behind almost all Greek drama and comedy. But Nolan has no feel for human sexuality. Does divine Eros make even one fleeting appearance to alter the course of any film in Nolan’s brutalist oeuvre? No. He’s only comfortable in the horrorshow realm of Thanatos. Nolan makes movies that appeal to bros with college degrees, usually in finance.

    The most generous thing that can be said about Nolan’s film is that it’s a movie about a man who has committed genocide and who is so mentally unbalanced by the experience that he kills and plunders all the way home, making one bad decision after another, until every member of his own army has joined the ranks of the dead. Then he finally arrives home, where he cleanses his bad conscience–to the extent he has a conscience–by killing nearly every man left in Ithaka, especially savoring the murder of a draft-dodging suitor of Penelope, someone who didn’t want to go slaughter Trojans to open the trade routes for the tyrannical Agamemnon. This final act of mass violence instructs his previously non-violent son Telemachus how to kill too, so that he can become king and the killing can go generation after generation. Nolan tacks on an ending that’s more Lord of the Rings than the Odyssey, as Penelope and Nolan’s now sanctified-through-more-blood hero Odysseus set sail for the West to honor the dead, but only the Greeks, not the Trojans whose entire population Odysseus and Agamemnon have wiped out.

    In Homer’s poem, a truer ending takes place. The mass slaughter at the palace is greeted with rage by the populace, who gather to storm the gates, until Athena, once again, intervenes to save her own private mercenary, Odysseus. He just can’t stop killing. If Homer had enjoyed Cassandra’s gift (or curse) of prophecy, he too might have had Odysseus setting sail into the West to spread the genocidal method to the nascent empire across the sea.

    COUNTERPUNCH 

     

    Church Road


     

    Teste de Elenco: A Odisseia


     

     

    CAIO GOMEZ
     
     

     
     
     

    Marcadores: , , ,

    Arun Sood & Angeline Morrison - Òran Molaidh

     

    Slèite dhubh-ghorm thug mi gràdh dhut
    Thar gach dùthaich mo rùn gu bràth ort
    Aig deireadh ùine is crìoch mo làithean
    Gum b’ e mo dhùrachd nad ùir bhith a’ cnàmh ann


    sexta-feira, agosto 21, 2026

    Maozinha na Fenda | The Hand on the Crevice


     

    Semana no RS


     FRAGA

    Marcadores: ,

    Terry Callier - Lazarus Man

     

    I met a young man on the skeleton coast
    He was out of his feet and pale as a ghost
    I asked him his name - he said Lazarus, man
    I've come to your country from a far away land
    I can't quite remember the last time I was on shore
    Coulda been twelve years - it coulda been more
    But I've seen tribulation and it staggered my mind
    And I just don't remember what I come her to find

    The Odyssey is a sequel to Oppenheimer

     

     

     Jeffrey St. Clair > 

    A genocide has taken place. A city has been burnt to the ground by an invading force. All of its men have been killed, even the boys. Its women have been raped. Some of them have been taken back in cages as property of the killers. A man is adrift on a makeshift raft in the Mediterranean, fleeing the war zone, a refuge of sorts, looking for a homeland. Who is this man? Where is he going? What does he want?

    He’s a killer. He’s a conman. He is a liar, a thief, a plunderer. He’s a rapist, an adulterer, a child killer, and a blasphemer. He’s committed genocide. He’s a head case. He’s haunted by the past. Wracked by the things he’s done and the travails he’s endured trying to get home, if home is really where he wants to get. He’s the earliest case of PTSD in literature. He’s Odysseus!

    These are the elements of a story that speaks across the ages to our own moment of genocide, plunder, tyranny, exile and refugees. But Nolan’s film doesn’t. In fact, it’s hard to say what Nolan’s film does and why he wanted to make a film called “The Odyssey” and not, say, another space opera. He gets so much wrong about the poem that you wonder why he was attracted to the story in the first place. It’s the ultimate act of hubris to rewrite Homer, which is fine, if you’ve got the chops. James Joyce did it, but Nolan is not Joyce, even in his own limited medium of film. He’s not even the Coen Brothers.

    Joyce was a master of wordplay. But there’s little imageplay in Nolan’s film; the visual allusions are obvious and trite.  Nolan’s Odyssey won’t deepen in meaning on repeated viewings. It is how it looks on the surface. In other words, it’s superficial. Joyce was an early cineaste. He opened and ran one of the first movie theaters in Dublin, showing films such as the pre-surrealist The Bewitched Castle and the Tragic Story of Beatrice Cenci, which often aroused the consternation and fury of conservative Catholics who saw themselves as the guardians of Irish morality. Would Joyce have wasted three hours of the screen time at Cinematograph Volta on Nolan’s tendentious flick or played the slapstick films that he and his pal Samuel Beckett adored, such as The Deviled Crab, the Scylla  of the silent film era? The answer is self-evident.

    Nolan says he was only able to make the Odyssey because of the huge box office returns from his previous film, Oppenheimer. And in a sense, the Odyssey is the perfect sequel to Oppenheimer.

    The Odyssey is a sequel, in many ways, to Nolan’s previous film, Oppenheimer, a heroic treatment of the man who designed the atom bomb. Here is the story of genocider, turned into a hero, because of his ceaseless determination to find his way home. But how ceaseless was Odysseus’s desire for home, really?

    What happens after the bomb goes off? What happens after the mass killing?  Odysseus gets lost. He gets lost in his own mind. Is he consumed by guilt or his own hubris? Hubris was a big thing for the Greeks. All their heroes seemed to have it and nearly all were undone by it. It was hubris that led Odysseus to set an uncharted course home to Ithaka. It was hubris that prompted him to shoot a parting arrow at Polyphemus, enraging his father Poseidon.  It was hubris that sent him to the land of the Lotus Eaters. It was hubris that made him raid the Cicones, destroy their city, commit genocidal slaughter again, steal and rape the women. It was hubris that made him open the bag of winds. Hubris that made him try to loot the land of the Laestrygonians (who appear briefly in Nolan’s film in shiny armor like giant versions of the Arthurian knights in Bresson’s Lancelot du Lac), with fatal consequences for his crew. And on and on.

    In his much too brief life, Rainer Werner Fassbinder made 44 films, including some of the best in the history of cinema. The combined cost of all those films was less than the cost of Christopher Nolan’s $250 million production of The Odyssey. In fact, you could add the cost of all 40 of Jean Renoir’s films to Fassbinder’s and still have enough left over for Agnès Varda to have made a film or two. Varda could have made a film of the Odyssey for a few dollars, relatively speaking, which would have mined the misogyny of the Greek heroes, including the main man, and celebrated the retribution of the women they’ve abused and betrayed. Because Nolan portrays Odysseus as a hero, longing to return home to his wife, the faithful Penelope, he elides Odysseus’s great sin, an act as dark and depraved as anything an ISIS fighter or US GI at My Lai did. He’s slaughtered the innocent. He’s tricked them into sacrificial deaths.

     COUNTERPUNCH

     

    Green Man


     

    A disputa num campo onde a racionalidade pesa menos que a identidade

    NELSON RICARDO DA COSTA E SILVA

    Sangue frio, pessoal: os próximos números de pesquisas mostrarão apertos, empate e até vantagem para Flávio. Respire. E aguarde duas ou três semanas para vermos se o arsenal contra Flávio vai colar. 
     
    Não adianta falar para iniciados. Indecisos e direita não bolsonarista são as chaves mais aparentes.
    Por quê?
     
    A possibilidade de vitória da extrema direita nas eleições não é apenas uma possibilidade distante — é uma tendência documentada por dados, e o "aperto" nas pesquisas que se avizinha reflete muito além da velha tentativa com "Lulinha": transformações profundas na sociedade brasileira.
     
    O movimento de ascensão da extrema direita não é um fenômeno isolado brasileiro. Como apontam as pesquisas comparativas, há padrões transnacionais que caracterizam o ativismo jovem de direita radical atualmente. O que vemos no Brasil é parte de uma onda que se espalha pelo Ocidente, com particular força na América Latina, onde a combinação de crise econômica, desencanto com a política tradicional e digitalização das relações sociais cria terreno fértil para discursos radicais.
     
    O dado mais contundente que eu conheço vem da pesquisa "Juventudes: Tarefa Pendente" (2025), da Fundação Friedrich-Ebert-Stiftung: 38% dos jovens brasileiros se posicionam à direita, sendo 17% na extrema-direita — o maior percentual em toda a América Latina. 
     
    Para efeito de comparação, no início dos anos 2000, a extrema-direita entre jovens era de apenas 6%; hoje, praticamente triplicou sua presença, enquanto a esquerda encolheu de 27% para 18%.  
    Pesquisa mais recente do Centro de Estudos SoU_Ciência (Unifesp), publicada em janeiro de 2026, corrobora: 23% dos jovens de 18 a 27 anos se declaram bolsonaristas ou próximos ao bolsonarismo, contra 28% petistas. O empate técnico no eleitorado jovem é um fato consumado.
     
    A pesquisadora Beatriz Besen, que dedicou sua tese de doutorado ao estudo da militância jovem na direita radical brasileira e alemã, alerta que não estamos falando de algo homogêneo ou coeso: as portas de entrada na direita radical são muito diversas. Essa diversidade é fundamental para entender o fenômeno, que se desdobra em pelo menos três grandes frentes.
     
    A primeira é o cansaço com o governo Lula e com a política tradicional como um todo. Os jovens, de modo geral, veem a política como algo distante, sujo e ineficaz. Esse desencantamento, combinado com a crise econômica e a percepção de que houve melhorias pontuais, mas insuficientes diante das expectativas, abre espaço para discursos que prometem ruptura. 
     
    Entre os jovens, a corrupção é apontada como o principal problema do país — um discurso capturado com eficácia pela extrema direita.
     
    A isso se soma a força evangélica e a virada religiosa em curso.
    O avanço do neopentecostalismo nas periferias urbanas é um dos fatores mais subestimados. Como mostrou pesquisa de campo em Cidade Tiradentes (SP), a Igreja Universal do Reino de Deus promove cultos como o "Nação dos 318", direcionados a empresários e empreendedores, criando uma subjetividade neoliberal em que a prosperidade individual se confunde com a bênção divina. A Teologia da Prosperidade substituiu, em muitos espaços, a Teologia da Libertação, reforçando a perspectiva da salvação individual e da realização meramente pessoal na existência terrena.
    Mas talvez o vetor mais silencioso e poderoso seja o avanço do empreendedorismo e da meritocracia como valores populares. 
     
    Esse discurso deixou de ser privilégio das elites e se enraizou nas classes populares. A pesquisa da Fundação Perseu Abramo com antigos eleitores do PT na periferia de São Paulo constatou que valores supostamente liberais, como empreendedorismo, meritocracia e esforço individual, estão fortemente presentes nesse universo. 
     
    Por que isso acontece? A resposta está na precarização do trabalho. A geração mais escolarizada da história se depara com um mercado de trabalho instável e fragmentado: 40,9% têm CLT, 13,3% são autônomos PJ/MEI, 11,8% autônomos informais ocasionais, e 10,1% estão desempregados. Diante disso, o empreendedorismo aparece como alternativa de sobrevivência — e o discurso meritocrático, como justificativa para uma realidade brutal: se você não consegue, é porque não se esforçou o bastante. A pesquisadora destaca que, diante da precariedade, empreender não é só uma necessidade imposta pela condição, mas também autoimposta e interiorizada.
     
    A juventude não é mais um reduto progressista — a identificação com a direita cresceu de forma consistente na última década.
     
    O apoio à democracia é superficial: jovens afirmam valorizar a democracia, mas, quando confrontados com cenários de crise, aceitam soluções autoritárias se acreditarem que isso vai "colocar as coisas no lugar" — como restrições a liberdades civis em nome da ordem, ou a defesa de intervenções militares se apresentadas como "garantia de estabilidade". 
     
    A comunicação afetiva (redes sociais) vence a racional: enquanto a política tradicional continua marcada por discursos técnicos, siglas e burocracias, a extrema-direita fala em patriotismo, coragem, liberdade e verdade, de forma direta, performática e emocional, sobretudo por meio de memes, humor e narrativas heroicas. 
     
    Pega na veia de toda uma geração formada em ambientes digitais: rua e chão de fábrica não significam NADA para eles.
     
    Portanto, é mesmo preciso sangue frio e respiração.
     
    O arsenal contra a extrema direita ainda existe — os dados sobre os riscos autoritários, os escândalos de corrupção, a desigualdade que o discurso meritocrático mascara. 
     
    Mas o diagnóstico precisa ser honesto: a virada à direita entre os brasileiros não é conjuntural; é um movimento de fundo, alimentado por precarização estrutural, transformação religiosa e uma comunicação política que entendeu que se ganha no afeto e na identidade, não no debate racional.
     
    E é nesse cenário que indecisos e a direita não bolsonarista se tornam peças-chave — não porque sejam ingênuos, mas porque estão sendo disputados em um campo onde a racionalidade pesa menos que a identidade. 
     
    Chegar até eles exige mais que dados; exige narrativa. 
     
    A disputa não será ganha ou perdida nas próximas semanas. Ela já está em curso há anos, e os números que virão — apertados, de empate ou com vantagem para Flávio — serão apenas o reflexo de uma batalha cultural mais profunda, que exige respostas à altura da complexidade do momento. 
     
    Teremos?
      

     

     

    Odysseus Wasn’t Real. But He Had Real Worshipers in Ancient Ithaca.

     

     

     "Was the crafty monarch who dreamed up the Trojan Horse a flesh-and-blood ruler or just a figment of Homer’s imagination? Modern scholars generally view the epic poem as folklore. But in recent years, archaeologists working in Ithaca have found evidence that the ancients viewed the story quite differently. High on a rocky ridge, they have uncovered what might be antiquity’s most devoted fan club: the ruins of a sprawling, 2,400-year-old sanctuary with details suggesting that King Odysseus was a figure of local worship."

    READ ARTICLE BY FRANZ LIDZ 

     

    ZE RENATO & RENATO BRAZ - Adios Felicidad

     

    Adiós felicidad
    Casi no te conocí Pasaste indiferente Sin pensar en mi sufrir

    Former WH staffer uncloaks the kryptonite that will take Trump down

     

     Former WH staffer uncloaks the kryptonite that will take Trump down

    "The Achilles’ heel of autocrats is mockery, said Taylor. And Trump and his feather-thin skin is particularly sensitive to it.

    “Strongmen can handle all the hatred because, weirdly (and this is Trump’s long-standing view), the hatred confirms their power,” said Taylor. “What they actually have such a hard time with is laughter. When people point and laugh, they cower and quiver. The tactic is as old as time.”

     

    Former WH staffer uncloaks the kryptonite that will take Trump down - Alternet.org

    100 Best TV Shows Of All Time To Binge Watch



    "Television used to be considered one of the lowest forms of entertainment. It was derided as ‘the idiot box’ and ‘the boob tube’. Edward R Murrow referred to it as ‘the opiate of the masses’, and the phrase ‘I don’t even own a TV’ was considered a major bragging right. 

    A lot has changed. Television is now the dominant medium in basically all of entertainment. The shift in perception is widely credited to the arrival of The Sopranos, which completely reinvented the notion of what a TV show could do. But that doesn’t mean everything that came before is primordial slurry. While this list of the greatest TV shows ever is dominated by 21st century programs, from The Wire to Succession to Adolescence, there are many shows that deserve credit for laying the groundwork for this current golden age.

    100 Best TV Shows Of All Time To Binge Watch

    quinta-feira, agosto 20, 2026

    VAZANTE


     

    Broderagem: TriSal Master

    AROEIRA






    FRAGA



    QUINHO




    CAU GOMEZ


     

    Marcadores: , , , ,

    Tears For Fears - Advice For The Young At Heart

     

    Advice for the young at heart Soon we will be older When we gonna make it work?



    terça-feira, agosto 18, 2026

    VAZANTE


     

    Cuba é troféu para os EUA,

     

    Dorrit Harazim

    Dias atrás, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, mostrou-se satisfeito por ser inquirido sobre Cuba. Era, finalmente, uma ocasião de ostentar musculatura fácil, mudar o foco da desconcertante humilhação que vem sofrendo há seis meses com a exasperante guerra sem heróis contra o Irã.

    — Todas as opções estão na mesa, o que inclui opções militares, e seria sensato por parte de Cuba prestar atenção às declarações do presidente Trump sobre as prerrogativas estratégicas dos americanos — respondeu. — Com certeza [Cuba] não é páreo para os Estados Unidos... Estou animado com as muitas opções que temos.

    Vestia uma camiseta verde-oliva que deixava à mostra o “We the People” da Constituição tatuado em letras garrafais no antebraço direito.

    Imagem, para Hegseth, é crucial. Apesar de estar no comando do Pentágono e rebatizá-lo de Departamento de Guerra, ele conta com pouco mais do que sua estampa para sobreviver no cargo até o fim do mandato de Trump, em 2028. A audácia do rapto e substituição de Nicolás Maduro na calada da noite, na Venezuela, lhe rendeu bons louros graças à indiferença do mundo diante de violação tão gritante da ordem internacional. Mas, de resto, nada mais parece funcionar para Hegseth — nem no Irã, nem no Oriente Médio, nem com seus éditos sobre o baixo nível de testosterona nas casernas. Até o presidente Trump vem dando mostra de exasperação com seu protegido.

    É nesse panorama que Cuba se apresenta de forma tentadora também para Hegseth. O “também”, no caso, importa, pois tem gente mais graúda de olho nesse troféu. Antes de tudo, Cuba é a tentação fundamental para todo ocupante da Casa Branca desde que os barbudos de Fidel Castro tomaram o poder na ilha em 1959. Já são 13 os presidentes americanos consecutivos, de Dwight Eisenhower a Donald Trump (seis democratas e sete republicanos), que tentaram remover, isolar ou mudar estruturalmente o regime cubano. Alternaram-se apenas as abordagens táticas — de tentativas de assassinato e operações clandestinas a décadas de asfixiamento econômico e alguma diplomacia na era Barack Obama. Trump, que já prometeu acabar com duas guerras em 24 horas e está atolado em três, deposita no almejado retorno de Cuba à esfera de influência dos Estados Unidos a chance de conseguir o que a História certamente lhe negará — ser chamado de estadista.

    O secretário de Estado, Marco Rubio, tem interesses mais terrenos: se conseguir colocar as mãos em Cuba em tempo hábil, suas chances como presidenciável republicano em 2028 dão um salto de catapulta. A ponto de empalidecer seu concorrente mais imediato, o atual vice-presidente J.D. Vance, cuja esfera de poder passa ao largo do Hemisfério Ocidental idealizado por Trump.

    Com esse pano de fundo, merece atenção um relatório divulgado duas semanas atrás pelo Departamento de Estado de Rubio. “Cuba, a Capital Comunista do Século XXI”, diz o título. O preâmbulo não é menos alarmado:

    — O ataque de Cuba aos Estados Unidos nunca foi, em sua essência, uma disputa sobre política econômica, soberania ou mesmo posse de um determinado território. Foi uma revolução contra a própria civilização ocidental — travada, em parte, pelo método inédito e insidioso de persuadir os filhos do Ocidente a se voltar contra sua própria herança. Essa é a campanha que Castro lançou em 1959, e é a campanha que seus herdeiros estão travando.

    Ao longo de 99 páginas, o relatório afirma que “mesmo com sua economia à beira do colapso, o objetivo fundamental do regime cubano permanece sendo a revolução marxista hemisférica capaz de apagar os Estados Unidos da face da Terra”. Não fica muito claro como ela se daria. Isso porque, “um dos maiores, mais sofisticados e perigosos vetores de influência estrangeira hostil na História moderna americana” são, segundo o documento, as ONGs, organizações ativistas, redes ideológicas e grupos de fachada cubanos. Dos tumultos antirracistas decorrentes do assassinato a frio de George Floyd à explosão do ativismo pró-Palestina nos campi universitários, tudo tem ligação “de alguma forma, à influência cubana” e sua “revolução existencial contra os Estados Unidos”. Caramba!

    Philip Agee foi agente da CIA por nove anos na década de 1960. Nascido na Flórida de Rubio (cujos pais cubanos emigraram antes da revolução), morreu na Havana de Fidel Castro em 2008, execrado pela agência por ter publicado um catatau autobiográfico de quase 700 páginas narrando sua vida de espião. “Dentro da ‘Companhia’: Diário da CIA”, publicado no Brasil pelo Círculo do Livro em 1974, tornou-se um clássico. A avaliação de Agee dos motivos que levam os Estados Unidos a precisar estrangular Cuba foi feita em entrevista ao programa de TV “Alternative View” e data dos anos 1970:

    — Se Cuba, um país pobre, conseguisse demonstrar que é capaz de oferecer cuidados de saúde melhores e outros avanços sociais, isso representaria uma ameaça à narrativa dos Estados Unidos sobre a superioridade de seu modelo. Muitos americanos poderiam olhar para Cuba e pensar: “Se eles conseguem fazer isso com uma renda per capita de US$ 2.000/US$ 2.500, enquanto a nossa é de US$ 22.500, que problemas existem em nosso próprio sistema?

    Continua valendo.

    GLOBO

     ilustração: MARCELO

    Glória Menezes, atriz que mudou a interpretação televisiva

     


    "Figura fundadora da teledramaturgia brasileira e nome determinante na modernização da interpretação audiovisual no país, não foi apenas com mocinhas e vilãs de 40 títulos televisivos que a artista montou a extensa galeria de personagens que fez dela um dos rostos mais conhecidos do país.

    Marcada pela introdução do naturalismo psicológico na TV aberta, ao lado do marido, o ator Tarcísio Meira, fez uma aliança artística e afetiva que virou patrimônio nacional.

    A televisão foi um porto mais frquente. Mas houve também, em sua trajetória, dedicações pontuais ao teatro e pelo menos um grande papel no cinema, a sofrida Rosa, do filme "O Pagador de Promessas", de 1962, de Anselmo Duarte."

    leia obit por Andre Marcondes e Gustavo Fioratti




    e o blog0news continua…
    visite a lista de arquivos na coluna da esquerda
    para passear pelos posts passados


    Mas uso mesmo é o

    ESTATÍSTICAS SITEMETER