This site will look much better in a browser that supports web standards, but it is accessible to any browser or Internet device.



blog0news


  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

    Assinar
    Postagens [Atom]

    Powered by Blogger

    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    domingo, setembro 13, 2026

    Shop in Crystal Palace


     

    No hay belleza sin fealdad

      No hay belleza sin fealdad

    Una gran exposición en las Gallerie d’Italia de la plaza de La Scala en Milán enfrenta los cánones del Renacimiento con enanos, ancianos, bufones y rostros deformes para contar cómo también lo imperfecto conquistó dignidad artística

    "De la belleza hablamos todos los días. La perseguimos, la fotografiamos, la retocamos, la filtramos. De la fealdad, en cambio, casi nunca. Existe incluso cierto pudor a la hora de nombrarla, como si fuera una categoría que hubiera que borrar en lugar de comprender. Pero no siempre fue así. El Renacimiento, la época que en el imaginario colectivo identificamos con el triunfo de la belleza, fue también el momento en que la fealdad conquistó una auténtica dignidad artística. Dejó de ser únicamente la negación de lo bello para convertirse en objeto de estudio e incluso de fascinación."

    leia mais

    No hay belleza sin fealdad

    Novo Jogo do Banco Master

     
     
     
     
     

     

    Marcadores: ,

    Ministros do STF deveriam ler Madame Satã

     



    Bernardo Mello Franco


    Madame Satã era o apelido do transformista João Francisco dos Santos, figura mitológica da Lapa na primeira metade do século passado. Malandro e destemido, não recusava uma briga. Somou 27 anos de cadeia antes de inspirar livros, filmes e peças de teatro.

    Madame Satã é o nome de uma casa noturna da cena underground de São Paulo. Nos últimos dias, notabilizou-se como cenário de uma farra promovida por Daniel Vorcaro. Pivô da maior fraude financeira da História do país, o banqueiro corrompeu a República com propinas, viagens e bacanais.

    Acostumada a receber outras tribos, a boate paulistana abriu as portas em outubro de 2023 para figurões da elite política. Segundo reportagem da revista Piauí, foram convidados o presidente do Senado e seu antecessor, o então presidente da Câmara e um ministro do Supremo envolvido na teia do Master.

    Os organizadores da festa contabilizaram 20 homens e 120 mulheres, sendo a metade estrangeiras, para não entenderem as conversas. “Só menina nova”, ordenou Vorcaro ao ex-ministro que se encarregou dos convites. Uma moça driblou o veto aos celulares e postou um vídeo da pista de dança. Seu perfil no Instagram foi derrubado por capangas do banqueiro.

    A “noite das suíças” não foi um evento isolado. Investigações da Polícia Federal mostram que o dono do Master recrutava trabalhadoras da noite para agradar autoridades que podiam favorecê-lo durante o dia. Há registros de orgias semelhantes em Nova York, Lisboa e Trancoso.

    O fantasma das festas de Vorcaro assombra o mundo político desde junho, quando Anthony Garotinho disse ter um vídeo da “noite das astronautas”. “Deputados, senadores, governadores, homens que defendem a família... todo mundo pelado, e as mulheres de capacete”, provocou.

    O ex-governador nunca provou ter o tal vídeo, mas sua descrição de mulheres altas, louras e caparência de estrangeiras bate com os diálogos reproduzidos pela Piauí. “Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir”, escreveu o ex-ministro Fabio Faria a Vorcaro. Todos os figurões citados na revista negam ter participado da noitada.

    Nesta terça, o Supremo Tribunal Federal discutirá se abre investigação sobre as ligações perigosas do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. As farras noturnas parecem brincadeira de criança diante das cifras milionárias em jogo. Emparedado, Moraes promete ir para cima do ministro André Mendonça, que rasgou a fantasia ao insuflar o 7 de Setembro bolsonarista e destituir a cúpula da PF numa canetada.

    O escândalo do Master envolve doutores que posam de estadistas, viajam de primeira classe e usam institutos e escritórios em nome de parentes para fechar negócios. Nada a ver com o Satã da Lapa, que se dizia “analfabeto de pai e mãe” e batalhou como vendedor ambulante, cozinheiro e garçom.

    Em busca de argumentos para defender o indefensável, os supremos deveriam se mirar na lendária entrevista do malandro ao Pasquim. Questionado sobre o tiro que deu num guarda-civil, ele respondeu: “O revólver é que disparou na minha mão. Casualmente”. O jornalista Sérgio Cabral, o pai, perguntou se foi a bala quem matou. “A bala fez o buraco. Quem matou foi Deus”, explicou Satã.

     

    GLOBO 

    Sílvio Caldas - MEUS VINTE ANOS - Sílvio Caldas-Wilson Batista - Gravação de 1942

     

    Nos olhos das mulheres
    No espelho do meu quarto
    É que eu vejo a minha idade

    Yin & Yang


     

    LUFADAS DE LAFA








    LAFA 

     

    Marcadores: ,

    Cassandra Wilson - Last train to Clarksville (Monkees)

     

    Take the last train to clarksville,
    And I'll meet you at the station.
    You can be be there by four thirty,
    'cause I made your reservation.
    Don't be slow, oh, no, no, no!


    sábado, setembro 12, 2026


     

    Naomi Klein and Astra Taylor Say the End of the World Is Now on the Table

     

     

     

     

     

     

    "  The current political stakes, as Naomi Klein and Astra Taylor see them, could not be higher. In the view of these two influential leftist thinkers, a driving motivation behind far-right politics at the moment is nothing less than the apocalypse. In their alarming new book, “End Times Fascism and the Fight for the Living World,” Klein, the author of the best sellers “The Shock Doctrine” and “Doppelganger,” and Taylor, an author and documentarian as well as a founder of the Debt Collective, a debtors’ union, argue that a powerful coalition of religious fundamentalists, ethnonationalists and tech oligarchs (Elon Musk chief among them) is actively — and successfully — hastening the destruction of the world as we know it. Why? Because they believe that they’re primed to thrive on the other side of catastrophe, everyone else be damned. This is a sobering, scary vision of contemporary political battles. But as the still hopeful Klein and Taylor explain, they wrote their book because they believe the conclusion is far from foregone."


    READ THE INTERVIEW BY DAVID MARCHESE 

     

     

     
     

    Marcadores: ,

    A FESTA DAS “SUÍÇAS” DE VORCARO

     

    Cenas da festa, publicadas por uma convidada no TikTok. "Quem é essa puta?", perguntou Vorcaro, quando descobriu que o vídeo havia sido postado - Crédito: Reprodução 

     "Um homem de perna de pau recepcionava os convidados na porta da boate. Entre vinte e trinta pessoas foram contratadas para se fantasiar e interpretar personagens do universo do Halloween. Vorcaro apareceu vestindo uma capa escura, como o Drácula. Um maquiador desenhou em seu peito um corte sangrento. Mais discreto, Fábio Faria vestia apenas um boné, sem fantasia."

    leia reportagem de JOÃO BATISTA JR 

     

     

    O pequeno jornaleiro

     

     

    LOREDANO
     

    O pequeno jornaleiro, no trívio Avenida Rio Branco com Ruas do Ouvidor e Miguel Couto, no Centro do Rio de Janeiro. Mimosa escultura de Fritz, pseudônimo do caricaturista Anísio Oscar Mota, inaugurada em 1933; homenagem do vespertino A Noite aos adoráveis moleques que invadiam a Cidade na boca na noite apregoando as manchetes dos jornais que traziam debaixo do braço para vender. Um deles, particularmente, José Bento de Carvalho, de 10 anos, era exímio “caroneiro”, conhecido pela naturalidade com que, sobraçando as folhas, saltava para o estribo de bondes em velocidade e deles apeava.

    O desenho é uma colagem, a imagem do menino é uma foto da escultura, porque seria burrice tentar ser mais feliz do que foi Fritz com seu modelo.

    mais loredano no PASMADO 
    https://pasmado.substack.com/i/193293666/loredano
     


     

    Dolly Parton for the People

     

     "All that barely begins to describe how Dolly Parton spent her days. She also starred in several movies, at least three of which are good; wrote or co-wrote a handful of memoirs, several children’s books, a few cookbooks, and one novel; and created a sprawling business empire that made her into not only the most famous export of Sevier County but also its largest employer. To honor her father, who never learned to read, she started a charity, the Imagination Library, that sends a free book every month to roughly one in seven preschool-age American children. That would have been plenty; richer people usually do far less. But, when her home county was devastated by wildfires in 2016, she sent a thousand dollars a month for six months to every family that had lost a home, and, when the coronavirus came around four years later, she donated a million dollars to help fund the development of a vaccine. As her fellow country-music stars Montgomery Gentry once sang, that’s a life you can hang your hat on."

     read article  

     

    Scott Walker - Jackie



    And if I joined the social whirl Became procurer of young girls Then I would have my own bordellos My record would be number one And I'd sell records by the ton All sung by many other fellows My name would then be handsome Jack
     
     

     

    sexta-feira, setembro 11, 2026

    Shop in Crystal Palace


     

    Perseguição



    RENATO MACHADO

     

    Marcadores: ,

    Povão não come Master. Cadê as propostas para salários, descanso e dívidas?

    É fundamental o combate à corrupção e à compra de decisões e favores de membros dos Poderes Judiciário, Legislativo e Executivo por gente crescida no leite de pera. Mas, ao mesmo tempo, estamos a três semanas do primeiro turno e não vemos debates sobre a vida real. A impressão é que estamos elegendo um ministro do STF.

    Muito precisa ser esclarecido. Os R$ 130 milhões que Flávio Bolsonaro pediu a Daniel Vorcaro foram também para o bolso da família? E o que ele de fato prometeu em troca? E os R$ 130 milhões do contrato que Vorcaro fechou com a esposa de Alexandre de Moraes foram para comprar os serviços advocatícios e de consiglieri do ministro?

    Mas, parafraseando a saudosa Maria da Conceição Tavares, o povão não come Master, mas alimentos.

    O próximo presidente vai continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação? As aposentadorias seguirão vinculadas ao salário mínimo ou ele vai tentar desindexá-las? Como vai resolver a crise de endividamento das classes média e baixa? Vai lutar por um piso melhor para a remuneração de trabalhadores de aplicativos? E as bets, vai avançar na restrição às legais e no combate às ilegais? Com quase 80% do povaréu a favor, vai buscar a aprovação do fim da 6x1 ou bloqueá-la de vez?

    A imprensa está cumprindo seu papel de informar sobre o caos estabelecido no STF, mas, como os recursos humanos e materiais são escassos, acaba virando todas as suas baterias para o quente do momento. Corrupção significa que o funcionamento de instituições não está a contento e que grana pública pode estar vazando pelo ralo (qualquer marmota sabe que não dá para chamar o dinheiro de Vorcaro de privado). Mas a campanha parece resumida a isso.

    Pautas que dizem respeito à vida da grande maioria dos brasileiros passam ao largo, o que é extremamente favorável a quem a) não tem propostas ou b) tem propostas bizarras que afugentam as pessoas. Depois de eleito, vai dizer que seu projeto de governo foi validado pelas urnas quando, na verdade, a população nem o conhece.

    Democracia não pode ser um cheque em branco. Quem quer governar o país precisa dizer, antes do voto, o que pretende fazer com o salário de quem trabalha, a aposentadoria de quem envelheceu, a dívida de quem não consegue respirar e o tempo de quem vive para trabalhar. Escândalos precisam ser investigados até o fim, doa a quem doer.

    Mas eleição é também escolha de futuro. Se a campanha discutir apenas quem comprou quem nos salões de Brasília, chegaremos às urnas sabendo tudo sobre os poderosos — e quase nada sobre o que cada candidato pretende fazer com a vida de milhões de brasileiros.

    UOL 



    DOIS RELATÓRIOS E UM SUPREMO

    Crédito: Pedro Ladeira/Folhapress 

     "Sobre o relatório de fevereiro, Mendonça não determinou nenhuma diligência equivalente à que requisitaria em agosto, nem sobre as relações de Vorcaro com Toffoli, nem sobre as de outros ministros da corte, como Kassio Nunes Marques, cujo filho advogado recebeu recursos com origem no banco Master, como mostrou a piauí."

    leia reportagem de ANA CLARA COSTA

     

    Cassandra Wilson Don t Explain (Billie Holliday) - in memoriam

     


    Hush now, don't explain Just say you'll remain I'm glad you're back Don't explain

    quinta-feira, setembro 10, 2026

    Beatles - Revolution (Esher Demo)

     

    You say you want a revolution
    Well, you know We all want to change the world


    quarta-feira, setembro 09, 2026

    Bukele, o crupiê da tirania

     

     

     O crupiê da tirania

    A idolatria a Nayib Bukele ignora fatos e é romantizada pelo reacionarismo latino-americano


    Por Gilberto Maringoni 

    Uma década depois de se tornar um dos bastiões do golpe contra Dilma Rousseff, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, consolida-se como polo aglutinador da extrema-direita brasileira. Presidida novamente por Paulo Skaf, que comandara a entidade entre 2004 e 2021, a sede na Avenida Paulista abrigou na segunda-feira 31 o chamado “Congresso Fiesp de Segurança Pública”, evento de indisfarçável caráter eleitoreiro. A estrela maior foi ­Gustavo­ Villatoro, ministro da Justiça de El Salvador, ladeado pela fina flor do reacionarismo nacional, como Sergio Moro, Guilherme Derrite e Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, entre outros.

    Apesar de contar com uma população que representa pouco mais da metade do município de São Paulo (6,6 milhões), El Salvador tornou-se uma espécie de Disneylândia do neofascismo continental. Nayib Bukele, seu descolado ditador de barba desenhada e ar de garotão, desempenha o papel de príncipe encantado da linha dura. À frente de um país em permanente estado de exceção e adepto do encarceramento em massa, incentivos a prisões sem mandados, processos judiciais coletivos, brutalidade policial e índices de aprovação na faixa de 90%, o governante detém folgada maioria parlamentar, o que lhe permitiu alterar a Constituição e a composição da Suprema Corte e conquistar o direito à reeleição indefinida.

    Um ano depois de assumir o poder, Bukele mostrou a que viera. Em fevereiro de 2020, invadiu o Congresso, onde ainda não tinha maioria, acompanhado por um destacamento militar. O motivo? A casa rejeitara um empréstimo de 109 milhões de dólares, estratégico para implementar sua política de segurança. Na ocasião, o chefe do Executivo se sentou na cadeira do presidente e ordenou o início da sessão, alegando “direito divino” para justificar seu comportamento. Por essa época, ele se definiu nas redes sociais como “o ditador mais cool do mundo”. Em julho último, o mandatário obteve de seu partido, o Nuevas Ideas, a indicação para disputar um terceiro mandato, em fevereiro.

    Na palestra proferida na Fiesp, o ministro Villatoro, num espanhol pausado e tom monocórdio, mereceu efusivas palmas ao falar por uma hora o que a plateia queria ouvir. Segundo ele, as organizações internacionais e “todos esses pseudodefensores de direitos humanos são hipócritas”. Não piscou ao definir: “O regime de exceção é simplesmente uma ferramenta constitucional para declararmos guerra a um criminoso Estado paralelo”. Em sua cerimônia de posse no cargo, há cinco anos, declarara: “Todas as leis penais e repressivas (…) estão sob revisão, precisamente para podermos responder à sede de justiça que todos os salvadorenhos têm”.

    De acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, há cerca de 130 mil encarcerados, 2% da população, na maior proporção do mundo. A mesma fonte registra ao menos 500 mortes ocorridas sob custódia estatal entre fevereiro de 2022 e março de 2026. Os alvos são principalmente gangues do crime organizado.

    A face mais vistosa do regime é o Centro de Confinamento de Terrorismo (Cecot), megapenitenciária com 40 mil vagas, inaugurada no início de 2023 em Tecoluca, a 74 quilômetros da capital, São Salvador. Não há nada igual no continente, repete constantemente Bukele. Com 40 mil vagas, o complexo prisional possui sistemas de vigilância interna que impedem qualquer tipo de privacidade para os detentos, até mesmo nos sanitários. As celas coletivas, que chegam a abrigar mais de uma centena de prisioneiros cada uma, não têm janelas e os tetos são formados por grades treliçadas de aço com vãos estreitos, por onde vigilantes caminham dia e noite. Inexistem pátios, áreas externas de recreação coletiva ou banho de sol, nem espaços conjugais ou familiares. As Regras Mínimas para o Tratamento de Detentos, aprovadas em 2015 pela Assembleia-Geral da ONU, são solenemente ignoradas.

    Em seu favor, Villatoro exibe números. Em 2015, a taxa de homicídios era de 103 para cada 100 mil habitantes. Quatro anos depois, quando Bukele assumiu, o índice caiu para 35,9. Atualmente, segundo ele, o indicador é de 1,3 por 100 mil habitantes. No fim, depois da exibição de gráficos e vídeos, aos quais os jornalistas não tiveram acesso, o ministro foi aplaudido de pé.

        A política de segurança de El Salvador, de absoluto atropelo aos direitos fundamentais, é um totem da extrema-direita

    A rápida passagem de Villatoro pelo Brasil incluiu um encontro com Flávio Bolsonaro, no dia anterior, que aproveitou para derramar-se em elogios ao punitivismo comandado pelo visitante. “Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais. Por isso, vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios para que ladrão de celular comece com pena de, no mínimo, oito anos de cadeia”. É indisfarçável a visão de classe na segurança pública a unir a extrema-direita continental. Mais dois candidatos ao Planalto, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, têm na república centro-americana seu modelo de Estado policial. Desde 2023, excursionaram até lá quase duas dezenas de políticos brasileiros, ansiosos por conhecer in loco o modelo de campo de concentração high tech. Entre outros, lá estiveram o ex-governador Zema, o senador Magno Malta, os deputados Flávio e Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Várias lideranças continentais do conservadorismo reaça seguem igual roteiro.

    Bukele colocou seu país ao lado dos Estados Unidos e de Israel como um dos polos irradiadores da ofensiva internacional da extrema-direita. Foi um dos destaques da reunião do Escudo das Américas, articulação comandada por Donald Trump no início de março, na Flórida. Com a presença de 12 chefes de Estado, a agenda teve como foco “uma nova iniciativa de segurança para o Hemisfério Ocidental”, o que inclui combate ao chamado “narcoterrorismo”, exercícios conjuntos das forças militares de cada país com as dos EUA e táticas para reduzir a influência da China na região.

    Segundo reportagem do New York Times de 12 de agosto, Bukele fechou um acordo com o republicano, em março do ano passado, para abrigar no Cecot imigrantes ilegais expulsos dos EUA, em troca de um pagamento de 6 milhões de dólares. Depois disso, a Casa Branca estabeleceu tratados semelhantes com outros países.

    Bukele não aplica apenas uma política de segurança pública em seu país, mas definiu um modelo de administração policial em todas as esferas do Estado. A exceção deixa de ser episódica e assenta-se sobre estruturas formalmente democráticas do Poder Público. As eleições são realizadas com regularidade, as instituições funcionam e a brutalidade é naturalizada, algo cool. Ou gourmetizada, como se poderia dizer em auditórios da Avenida Paulista. 

    CARTA CAPITAL  

    O “amor” tem preço

     

     O “amor” tem preço

    O impacto econômico do trabalho não remunerado das mulheres equivale a 8% do PIB, calcula um estudo da FGV Ibre

    Por Mariana Serafini .

    Por trás da rotina de preparar almoço, lavar a louça, limpar a casa, administrar remédios no horário certo e acompanhar filhos ou parentes mais velhos em consultas médicas, mora um motor econômico silencioso. Esse esforço é considerado uma tendência “natural” ao cuidado. Trata-se, porém, de um trabalho pesado e invisível. Não à toa, a filósofa marxista italiana Silvia Federici costuma afirmar que “o que eles chamam de amor, nós chamamos de trabalho não pago”. No Brasil, é possível estimar qual seria o impacto econômico desse “instinto materno”. Apenas as horas semanais trabalhadas pelas mulheres no cuidado doméstico e familiar, sem contar o trabalho formal ou registrado, representariam 8% do Produto Interno Bruto, estima a economista Isabel Duarte, da FGV Ibre.

    Duarte chegou a esse “valor” a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As mulheres – empregadas ou não – dedicam, em média, 21 horas semanais ao trabalho doméstico. Com base nesses dados, foi possível chegar nesse resultado econômico. Ou seja, se o “trabalho invisível” feminino fosse remunerado, o impacto no PIB seria superior ao do agronegócio, que, de acordo com o IBGE, varia entre 6% e 7% todos os anos.

    Invisível, mas bem palpável, o ato de cuidar aparece com destaque ao ser apontado como o principal motivo pelo qual as mulheres em idade ativa estão fora do mercado, revela a economista. Com base na Pnad, ela identificou que 47% não têm trabalho formal e, destas, cerca de 30% abriram mão da carreira para cuidar dos filhos ou familiares mais velhos, ou para se dedicar aos afazeres da casa. O mesmo motivo atinge apenas 3% dos homens. “São cerca de 13 milhões de mulheres que alegam não conseguir buscar emprego porque têm de se dedicar ao cuidado.”

        “Quando minha mãe adoeceu, imediatamente assumi. Claro que não seriam meus irmãos a largar a vida deles para cuidar dela”, diz mãe solo de três e paciente oncológica

    As consequências dessa divisão desigual são muito claras: até hoje, em pleno 2026, as mulheres recebem 20% a menos que os homens, quando desempenham a mesma função nas empresas. “É claro que, para eles estarem totalmente disponíveis, tem uma mulher que mantém a rotina doméstica”, pontua a economista.

    Uma pesquisa recente sobre juventude e trabalho da Fundação Itaú com o Datafolha e o Instituto Locomotiva revela que essa dinâmica vem se repetindo com a população mais jovem, evidenciando que pouca coisa deve mudar para a próxima geração. O estudo Juventudes e o Mundo do Trabalho revela que mais de mais de um terço das jovens de 16 a 29 anos não trabalham nem buscam emprego porque precisam cuidar de familiares (21%) e são responsáveis pelas atividades domésticas (15%). A situação se agrava entre as mais velhas, negras e com menor escolaridade. “Essa pesquisa revela uma situação estruturante da própria sociedade de atribuir à mulher o cuidado, mas que, infelizmente, está se reproduzindo na juventude”, avalia Carla ­Chiamareli, gerente do Observatório Fundação Itaú, responsável pelo levantamento.

    “Parece uma ode ao sacrifício feminino”, desabafa a mãe solo de três e paciente oncológica Juliana Lílian Coelho de Andrade. Apesar de uma sólida formação em Turismo e Gastronomia e ampla experiência profissional nas duas áreas, ela está afastada há quatro anos das cozinhas de restaurante, que tanto ama. Além de conciliar o cuidado dos filhos com o tratamento de um câncer raríssimo no cérebro, precisou acolher a mãe, também diagnosticada com a doença. “Quando minha mãe adoeceu, imediatamente assumi a obrigação. Claro que não seriam meus irmãos a largar a vida deles para cuidar dela. Nós somos educadas para sermos as cuidadoras da família.”

    Hoje, aos 46 anos, a chefe de cozinha ganha a vida na informalidade, com produção e venda de bordados e bolos por encomenda. Além disso, abre a casa uma vez por mês para oferecer jantares temáticos. “Tenho feito esse malabarismo para conseguir cuidar de todo mundo e obter alguma renda”, explica. Moradora de Petrolina, interior de Pernambuco, ela divide com milhares de mulheres da região as consequências de um deserto de assistência pública, marcado pela escassez de creches e escolas em tempo integral. “Não tem nenhum suporte para a mulher continuar a vida, sobretudo a profissional”, lamenta.

    Paralelamente ao abandono institucional que ainda empurra mulheres do País inteiro para longe do mundo do trabalho há ainda a assimetria cultural que tolera a ausência masculina no ato de cuidar. Depois de uma cirurgia para tentar remover o tumor no cérebro de Andrade, em 2022, os médicos deram a ela em torno de seis meses de vida apenas. À época, ela começou a “se organizar” para se despedir dos filhos. “Expliquei a eles, ainda pequenos, o que estava acontecendo e que eu poderia ‘ir embora’ em breve.” Mesmo diante dessa situação, nem o pai da mais velha, que sofre de má-formação e precisa de acompanhamento médico constante, tampouco o pai dos dois mais novos se prontificaram a dividir o cuidado das crianças. “Eles têm essa opção de priorizar a própria vida”, critica a mãe solo.

    Com o avançar da idade, as chances das mulheres de voltar para o mercado são ainda menores, revela um estudo da plataforma InfoJobs. Entre as 45+, o ­índice de desemprego é de 60%. Há um ano e meio em busca de uma nova vaga, a administradora de empresas Ivanilda Alves da Silva é a personalização da estatística. “Parece que, quando você passa dos 49, as portas se fecham e nos tratam como se tivéssemos 101 anos”, se queixa a profissional de 53. Apesar de uma sólida trajetória de mais de 20 anos na indústria e uma transição de carreira bem-sucedida para a área de produção cultural, ela tem percebido um olhar ­preconceituoso quando entrega o currículo.

        Homens ganham mais porque, para estarem totalmente disponíveis, há mulheres que mantêm a rotina doméstica

    Na tentativa de combater o estigma, a profissional tem feito uma série de cursos rápidos para se atualizar, principalmente com foco no uso de Inteligência Artificial. “Eu tenho experiência de mercado e entusiasmo para aprender. Ainda assim, o mundo corporativo parece desprezar o conhecimento das pessoas mais velhas.” Agora, porém, a busca por um novo emprego é atravessada também pela rotina de cuidados com a mãe idosa e o irmão portador de deficiência, que demandam muitos acompanhamentos médicos. Ao longo da carreira, explica, conciliar as duas jornadas não chegou a ser um empecilho. “Sempre tive chefes que entenderam minha situação. O problema agora tem sido o preconceito.”

    A resposta do Estado para aliviar esse quadro tão preocupante é o Plano Nacional de Cuidados, lançado em julho de 2015. “Quem mais acumula esse trabalho do cuidado não remunerado são as mulheres negras”, explica Joana Passos, secretária nacional de Autonomia Econômica e Cuidado do Ministério das Mulheres. “Uma menina de 12 anos já acumula mais horas de cuidado do que um homem adulto. Essa realidade nos leva a priorizar as meninas jovens, que serão nosso foco para desenvolver políticas públicas de capacitação”, explica.

    Base: 347 entrevistas com jovens que não trabalham e não estão procurando emprego
    Fonte: Pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, da Fundação Itaú com Datafolha e Instituto Locomotiva com 1.816 entrevistados de 16 a 29 anos

    Sob o entendimento de que o cuidar deve ser compartilhado entre Estado, empresas e famílias, o Plano envolve 20 ministérios e articula metas para ampliar creches, implantar escolas de tempo integral e criar lavanderias e centros multiuso comunitários. Parte das ações estratégicas também será desenvolvida em parceria com os municípios e estados. O objetivo é transferir esse fardo invisível para o âmbito público e devolver o tempo produtivo e a chance de qualificação para mulheres que hoje vivem no limite da exaustão.

    Garantir autonomia financeira é também uma forma indireta de dar mais segurança às mulheres. Passos revela que, entre as vítimas de violência doméstica, 66% não têm renda suficiente para romper a relação abusiva. “Isso significa que, se a gente possibilita autonomia econômica para elas, isso passa a ser uma condição para romper com o ciclo da violência.” Para a secretária, retirar o cuidado da esfera do sacrifício privado, tratá-lo como um dever coletivo, que precisa ser dividido entre a família, as empresas, a sociedade e o Estado, é o único caminho para que as mulheres possam assumir as rédeas de seus próprios destinos. 

    CARTA CAPITAL  

     

    Memória livre

     

     Memória livre

    A luta para impedir a demolição do antigo presídio do Brás usado pela ditadura e pelo Esquadrão da Morte


    Por Sérgio Barbosa

    Um prédio no Brás, em São Paulo, que guarda um verdadeiro patrimônio histórico e cultural recebeu, na quinta-feira 27, a visita do Conselho Nacional dos Direitos Humanos. Utilizado pela ditadura para prender perseguidos políticos – como José ­Genoino e Rita Lee – e, depois, aproveitado como locação para filmes como O ­Beijo da Mulher-Aranha, o antigo Presídio do Hipódromo tem hoje sua preservação ­disputada. Vendido pelo Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo para a Cury Construtora, em setembro de 2025, pelo valor de 23 milhões de reais, o imóvel de 4,5 mil metros quadrados está sob risco de demolição. Em maio, a Justiça de São Paulo suspendeu, via decisão liminar, o processo de demolição deferido pela prefeitura de São Paulo. Um recurso do governo do Estado contra a liminar foi negado em julho, enquanto um recurso do FIISP aguarda julgamento.

    Coordenada pelo conselheiro Carlos Nicodemos, a visita ocorreu a partir de demandas apresentadas por movimentos sociais e organizações da sociedade civil que defendem a preservação do local como espaço de memória e centro cultural, entre eles o Grupo Tortura Nunca Mais, o Coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça, o Núcleo Memória e o Instituto Vladimir Herzog. Além de avaliar a situação do espaço, a inspeção visa criar um relatório informativo para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Após a notícia da venda do imóvel divulgada por este repórter em agosto de 2025, a assessoria da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) ajuizou uma ação popular em conjunto com ex-presos políticos e, ao lado do vereador Nabil ­Bonduki (PT), enviou requerimentos de tombamento do edifício para órgãos de preservação patrimonial. No fim de novembro, a Bancada Feminista de vereadoras do PSOL protocolou ação similar, objetivando suspender atos de alienação, transferência ou descaracterização do imóvel.

    Além de Paschoal e das organizações sociais, visitaram o local dois ex-presos políticos, Maurice Politi e Cida Costa Cantal, ambos ex-militantes da Ação Libertadora Nacional, a ALN, grupo de resistência à ditadura criado por Carlos Marighella em 1968. Signatário da ação e dos pedidos de tombamento, Politi não revia o local desde 1974, quando ficou preso por cerca de dois meses no presídio, após quatro anos de detenção em outras penitenciárias. “Era para eu ser liberado depois de cumprir minha pena, mas havia outro processo, de expulsão do País. Aqui ficavam os estrangeiros passíveis de serem expulsos”, explica. Ele afirma que não se recordava da extensão do espaço. “Não imaginava que era tão grande. Quando estávamos aqui, não tínhamos a dimensão do tamanho. Talvez o prédio tenha sofrido modificações, mas a essência da prisão continua e a gente sente isso quando passa por seus corredores.”

    Diretor do Núcleo Memória, Politi defende a preservação do imóvel. “É muito importante a gente conseguir que esse lugar se torne um apelo para as novas gerações, para se conhecer a história deste país. Muita coisa aconteceu nesse presídio, presos comuns estavam aqui, presos políticos e, depois, as crianças e adolescentes da Fundação Casa, o Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente. É um prédio que abriga a história da resistência e também dos conflitos violentos contra os jovens e periféricos que ocorrem até hoje.”
     

    Em oito décadas, o Presídio do Hipódromo abrigou presos comuns, presos políticos e adolescentes da Fundação Casa

    Advogada aposentada, Cida Cantal não visitava o local desde 1973, quando chegou egressa do Presídio Tiradentes, onde dividiu celas com a ex-presidente Dilma Rousseff. “Isto é um lugar de frio, de gritos, um lugar que você ouvia os presos comuns sendo torturados. É um lugar ao qual se volta e todas essas lembranças chegam de atropelo. Nunca mais tinha entrado aqui e confesso que estava apreensiva, porque a imagem que tenho daqui é a imagem que corresponde ao que é”, relata, emocionada. “As pessoas estavam entregues aos seus captores, entregues à repressão. Aqui foi usado pelo Esquadrão da Morte”, relembra. “Para mim, era um frio que não passava nunca. Talvez não fosse das paredes, mas de tudo que a gente vivia aqui.”

    O retorno ao Hipódromo mexeu com seus sentimentos, mas Cantal crê que as lembranças daquele período também fortalecem o espírito para que se lute pela preservação da memória. “Não se pode varrer o passado de um país. Acho que ele tem de ser discutido, revivido. E uma forma de manter esse passado é manter um símbolo, aquilo que foi usado pela ditadura para reprimir seus opositores.”

    Situado na Rua do Hipódromo, insuspeita via residencial no bairro do Brás, o prédio funcionou por oito décadas como posto de assistência policial, cadeia pública, presídio político, departamento de saúde do sistema penitenciário e, nos últimos anos, unidade da Fundação Casa. Desocupado há cerca de cinco anos, apresenta parte de suas instalações preservadas e uma grande área verde. Chamado de “depósito de presos”, devido às prisões em massa ocorridas sob o pretexto de averiguações, especialmente da população negra, o presídio foi também local de detenção de prostitutas e travestis, além de migrantes e estrangeiros. Durante o governo militar, recebeu dissidentes políticos a partir de 1973, ano de demolição do centenário Presídio Tiradentes.

    Testemunhos de ex-presos afirmam que a polícia utilizava o estupro como forma de tortura, ao passo que parte dos detentos era alvo do Esquadrão da Morte, milícia de extermínio comandada por Sérgio Fleury, delegado do DOPS-SP. Por suas celas passaram, entre outros, o ex-deputado federal José Genoino; o ex-ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Nilmário Miranda; a socióloga e ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci; o advogado e teatrólogo Idibal Pivetta; a jornalista e ativista social Amelinha Teles; e a cantora Rita Lee – presa, grávida, por porte de drogas em 1976.

    Com a Lei da Anistia, de agosto de 1979, o Hipódromo ficou restrito aos detentos comuns. Num dos períodos em que ficou fechado nos anos 1980, após uma rebelião provocada por 880 presos, o cadeião foi cenário do premiado filme de Hector Babenco O Beijo da Mulher-Aranha. Anos depois, o diretor ainda utilizaria o local, particularmente suas escadas, para gravar cenas de Carandiru. Após o fechamento, em 1995, ambientou novelas, videoclipes e uma peça de teatro. • 

    CARTA CAPITAL  

     

    Repressão S.A.

     

     Repressão S.A.

     "Espiões no chão de fábrica, listas de sindicalistas fichados como “terroristas”, recursos de grandes empresários financiando a repressão e até uma espécie de sucursal do Dops no ABC Paulista. Essas são algumas das principais revelações inéditas dos jornalistas Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli no livro Repressão Sociedade Anônima (Alameda Casa Editorial), lançado neste mês. A pesquisa aponta como empresas, instituições financeiras e a elite industrial contribuíram de forma decisiva para bancar o cerco a qualquer um que fosse contrário ao regime autoritário. "

    leia resenha de JAMIL CHADE

    Repressão S.A. – CartaCapital

    Votar em Lula é questão de salvação nacional

     

     Lula durante agenda em em São José do Rio Preto (SP)

    "Hoje quero conversar com vocês direta e confidencialmente sobre a emergência nacional que enfrentamos nas eleições de outubro."

    leia coluna de Paulo Nogueira Batista Jr 

    Votar em Lula é questão de salvação nacional – Paulo Nogueira Batista Jr – Brasil 247

    O Brasil parece mentira

     

     Tutty Vasques 

    Até pelo inesperado plano sequência de fatos insólitos que nos atordoa quase diariamente, muito se fala nas redes sociais sobre a criatividade sem fim de quem escreve o roteiro do Brasil. Sei quase nada de cinema, mas acho que o País que assistimos no noticiário não dá sequer um média metragem razoável. E o problema é um só: o roteiro é muito ruim! A história pode até ter bons momentos de suspense, mas a todo instante muda de rumo levada por personagens que entram e saem da trama sem explicação, protagonistas que desaparecem, mocinhos que viram bandidos – e vice-versa –, quase tudo parece mentira nesses dias que vivemos tentando entender onde fomos parar. Tomara que esse lugar seja só um beco escuro da Inteligência Artificial. O Brasil, no caso, talvez nem exista. Bora acreditar, pessoal!

    mais tutty vasques no PASMADO 

     

    Criolo Doido - Ainda Ha Tempo

     

    As pessoas não são más, irmão, elas só estão perdidas
    Ainda há tempo



    Cassandra Wilson - Skylark (Hoagy Carmichael)

     

    Oh skylark
    Have you seen a valley green with spring?
    Where my heart can go a journeying
    Over the shadows and the rain
    To a blossom covered lane


    terça-feira, setembro 08, 2026


     

    20 Years Later, the Long-Awaited Companion to a Classic Graphic Novel

     

     A dreamlike peach-toned illustration shows a girl wearing a feathered reddish-orange dress floating in the air with her hands on the back of what looks like an astronaut as she pushes him upward into a circle of outstretched arms, snouts, tongues and tails decorated with flowery tattoos. The girl, who sports a white flower in the tall, skinny bun on top of her dark neck-length wavy hair, has attached a similar white flower to the astronaut’s helmet.

     As Shaun Tan reminds us with his stand-alone follow-up to “The Arrival,” some truths are so enormous, so beautiful, they can be told only through myth. 

    HOMETOWN, by Shaun Tan


    G.K. Chesterton wrote that fairy tales “make rivers run with wine only to make us remember, for one wild moment, that they run with water.” It is a simple truth, but easy to forget: The great myths give us eyes to see our own lives anew, by gilding the familiar with the fantastic.

    It has been 20 years since Shaun Tan published his astonishing wordless graphic novel “The Arrival.” Equal parts atmospheric immigration allegory and surreal ride on a chiaroscuro carousel, the book instantly became a classic. Dauntless and strange, it shimmered like a new kind of myth — one whose primary language was not textual but visual.

    When a modern mind reads the word “myth,” it might be tempted to substitute the word “falsehood.” Sadly, this is part of our hangover from the Enlightenment. It seems natural to us to assume that the best way to understand a rose is by putting it under a microscope — rather than by writing (or reading) a sonnet. But as Tan reminds us with his new opus, “Hometown,” some truths are so enormous, so beautiful, so elusive they can be told only through myth.

    Hometown

    Hometown

    Save to your reading list:

    In “Hometown,” Tan doesn’t ask the pictures to do all the storytelling. With spare and clever prose, he poses some of the same transcultural questions he did in “The Arrival,” but from an inverted point of view.

    The first-person story follows a girl who lives in, to our eyes, a bizarre and unusual land yet feels right at home. She is a human being, but the reader immediately sees that her world is not human in size, color, type or shape; its scenery is fantastical and monstrous. In the book’s most delightful passages, her down-to-earth words playfully contrast with what the reader sees alongside them. (“Little sister” and “big sister” are quite the understatement!)

    ImageIn this illustration, divided into three panels, the girl narrator introduces us to some members of her family. In the top left-hand square, the text underneath an image that shows three intertwined reptilian creatures with claw-like fingers and open, sharp-toothed mouths (one gnawing on a stick) reads, “My three crazy brothers, always in a tangle.” In the top right-hand square, the text underneath an image of a small troll-like female creature standing in the palm of the girl’s hand with her right arm raised emphatically, as if to make a point, reads, “My little sister, who knows everything. Or so she keeps telling me.” And in the rectangle across the bottom, the text underneath an image of the girl, looking tiny as she stands next to a giant feathered foot with claw-like toes and a spiked heel (the only part of this creature that will fit into the frame), reads, “And my big sister. We don’t talk much anymore, but I still love her with my whole heart.”
    Image
    Another horizontal illustration shows the girl standing and facing us as she poses with her hands on her hips and a smile on her face in front of a motley crew of “monsters.” The text underneath it reads, “I also have a bunch of awesome friends.”
    Credit...Shaun Tan

    We don’t know how the girl got there, but the paradise of her extraordinary found family is disrupted when a colossal visitor falls through a “big hole” that opens up in the sky. For a few pages, this gargantuan robotic astronaut is stepping on buildings and, it seems rather innocently, messing everything up. The residents are surprisingly understanding of the megalodon’s blunders: When the intruder is swallowed by a cross between a whale and a giant squid, they feel sorry for the “stupid sky thing.”

    Image
    A darker-toned illustration shows the girl, with her back to us, carrying a breakfast tray full of squirming creatures down a grassy hillside toward the astronaut, who is standing on a ladder in the distance against an ominous sky while using a blow torch to repair what appears to be a giant version of himself (also with its back to us) seated on the hillside, head bowed and hands resting on its knees.
    Credit...Shaun Tan

    After the girl tells the “rudest joke” she knows in order to abort the whale-squid’s digestion, it becomes clear that the visitor is actually a humanoid-shaped spacecraft, from which a smaller humanoid astronaut steps out — comically, in the exact same shape as the spacecraft but at the scale of our young heroine.

    The story turns when he takes off his helmet and she is struck by his physical similarity to her. Face to face with another human being, she begins to ask questions: Who is my actual family? What is the meaning of home? Like an alien satellite, “Hometown” orbits these questions over and over again. Each pass gives us a new perspective on the terrain below.

    Image
    Two side-by-side portraits show, on the left, against a mystical, star-studded blue-green sky, the astronaut holding his helmet in his now glove-less hands and looking straight at us with a sincere-looking human face; and, on the right, against a darkly clouded sky, the girl holding a black lizardlike creature against her chest and looking straight at us with a furrowed brow and a troubled-looking face.
    Credit...Shaun Tan

    On one level, this book is a well-worn narrative of cross-cultural exchange.

    But “Hometown” goes far beyond calling us to a confident pluralism. With monsters and moon men, it asks us to consider where our real identity comes from. Is it something we can’t choose, like what we look like, or does true kinship come from the community that made us? The lure of this tale is that it takes these universal questions and gives us a new, kaleidoscopic lens with which to view the answers.

    Image
    An earth-toned Madonna and Child-type portrait of a maternal figure, looking regal in a headpiece and earrings accented with reddish-orange gems and flecks of gold, faces us, her eyes closed and her head bent, as she wraps her five tentacle-like arms around the girl, who is coiled up in a fetal position in her matching reddish-orange dress, her eyes also closed and a sad, worried expression on her face.
    Credit...Shaun Tan

    Visually stunning as well, “Hometown” is a formal masterpiece, showcasing an artist at the height of his powers. Tan’s work is a deft push and pull of line and tone. Each image vibrates with glyphic drawing — yet at key moments those lines are submerged in lush washes of pure color. Imagine if the comic artist Moebius had been taught to paint by Caravaggio.

    As an artist who has admired Tan for many decades, I have always wanted him to take a swing at treating the typographical spaces in his books with the same lavish world-building as he does the imagery. While he doesn’t do that here, his signature gestalt of pictures, story and sparse words still makes this book the highest form of art.

    Image
    A final illustration shows the girl staring into what looks like a mirror as she sits on the back of a strange-looking creature amid rows and rows of other creatures that look just like it.
    Credit...Shaun Tan

    “Hometown” wraps the mundane things we all experience in a strange and wondrous veneer. In the foreground, it immerses its readers in mysterious objects, landscapes and creatures; yet, as with an exotic campfire, a familiar ache crackles in the background.

    “Gravity keeps me here,” our protagonist declares as the story closes. “Or love, which is kind of the same thing.”

    In an age when there are so many picture books helping young readers think about identity, “Hometown” brilliantly plants its feet on solid ground. This new myth reminds us that with the choice of love — a technology both ancient and ordinary — we can create belonging for ourselves.

     

    Retina: Bruno Veiga

     

    ALFREDO RIBEIRO

    Profissional forjado no calor do fotojornalismo, Bruno Veiga é hoje um artista consagrado da fotografia que não esconde em seus trabalhos resquícios do olhar sensível de fotojornalista, mesmo afastado há mais de duas décadas das redações. “Meu método de trabalho é simples, eu olho o mundo que nos cerca. Olho novamente. E olho mais uma vez, até achar o que eu não sabia que estava buscando.” Foi assim que nasceu o projeto da exposição O Estado das coisas (Lisboa, 2025), basicamente sobre as cicatrizes do fenômeno da gentrificação na capital portuguesa, onde Bruno vive desde 2018. Ruínas e tapumes, muito além das marcas aparentes de uma transformação urbana, revelam neste recorte de imagens cedidas ao Pasmado vestígios de um passado arrancado da paisagem, feridas sociais e afetivas, último estágio antes do apagamento total da vida como ela era. 

    veja a galeria no PASMAD

     
     

    The Mysterious and Lonely Final Decade of Yayoi Kusama’s Life

     The Japanese artist Yayoi Kusama wearing a fiery red wig and sitting in a wheelchair in a room covered in yellow polka dots.

     

     

     

     

     

     

     

     

    The Japanese artist spent the last seven years in isolation and declining health. Still, it was the most prolific chapter of her career.

     "Pumpkins were once a symbol of vitality for the artist.

    It was a bountiful comfort of Kusama’s childhood in Matsumoto, a Japanese city about 100 miles northwest of Tokyo that was relatively untouched by the devastation of World War II. Despite having eaten pumpkins to the point of nausea in her adolescence, by her own account, the artist maintained an attachment to them into adulthood. She produced enormous, bronze, polka-dot sculptures honoring them."

    read article by  

     

    Alcolumbre sentou


     

    LONDON


     

    Gloria Steinem – a life in quotes

     Gloria Steinem speaking into a microphone in 2016

    Throughout her career, she was known for her unfiltered honesty and from the 1960s forward, used her words to inspire and bring together women who also wanted to see a change in their lives.

    Here are some of her greatest quotes:

     ‘We badly need to raise our boys more like our girls’: Gloria Steinem – a life in quotes | Gloria Steinem | The Guardian


    e o blog0news continua…
    visite a lista de arquivos na coluna da esquerda
    para passear pelos posts passados


    Mas uso mesmo é o

    ESTATÍSTICAS SITEMETER