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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    quinta-feira, outubro 15, 2026


     

    5 x 2

     
     

     

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    Brasil enterra a 6x1. Agora, é vigiar o túmulo para que não ressuscite

     

     A operadora de caixa que acorda às 5h, pega dois ônibus, passa oito horas em pé, volta para casa, faz o jantar, lava a roupa e, no único dia de folga, enfrenta fila no posto de saúde e faxina acumulada, ganhou nesta quarta (14) algo que o Brasil lhe devia há muito tempo: tempo.

    O Senado aprovou, por 75 votos a 1, nos dois turnos, a proposta de emenda constitucional que enterra a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários. Dois dias de descanso. Parece pouco para quem nunca precisou contar folgas nos dedos. Para milhões de brasileiros, é a diferença entre viver e apenas se recuperar para voltar a trabalhar.

    Mas não se engane: não é um presente. É o pagamento, com atraso de décadas, de uma dívida.
     

      A última parcela vem da Constituinte. Em 1988, os constituintes baixaram a jornada de 48 para 44 horas, e o recado aos trabalhadores foi de que aquilo era um degrau, não um teto. As 40 horas viriam em seguida. Não vieram. Passaram-se 38 anos. Gerações inteiras se aposentaram, ou morreram, esperando que o Congresso cumprisse o que havia sido acenado no momento em que o país reinventava sua democracia.

    A parcela mais antiga, porém, é de um século antes. Em 1888, a Lei Áurea acabou com a escravidão de forma insuficiente. Mas a promessa daquela luta não era apenas tirar as correntes, mas fazer com que o trabalhador deixasse de ser coisa, instrumento descartável a ser usado até a exaustão e trocado por outro, para se tornar indivíduo, com direitos e autonomia sobre a própria vida.

    E autonomia sobre a vida começa pela autonomia sobre o tempo. Quem controla todas as suas horas controla você.

    Não por acaso, as grandes lutas dos séculos 19 e 20 giraram em torno disso. Operários do mundo inteiro levantaram a bandeira das oito horas de trabalho, oito de descanso e oito para fazer o que quiserem. A greve geral de 1917, em São Paulo, tinha a jornada entre suas reivindicações centrais. A CLT, os sindicatos, a Constituição de 1988: tudo isso foi uma longa batalha para garantir dignidade e liberdade a quem só tem a força de trabalho para vender.

    Recentemente, o vereador Rick Azevedo e a deputada Erika Hilton, ambos do PSOL, conseguiram dar a tração que faltava à proposta, com nova roupagem e nova abordagem que foram bem entendidas por uma população exausta.

    A escala 6x1 é herdeira de uma mentalidade que nunca engoliu bem a ideia de que pobre também tem direito a descansar, estudar, ficar com os filhos ou simplesmente não fazer nada num domingo à tarde.

    Sempre que se propõe ampliar direitos, a sirene toca: vai quebrar o país. Tocou na abolição, tocou no 13º salário, tocou na PEC das Domésticas. O país não quebrou. Quem quebrou, quase sempre, foi o trabalhador.

    Dito isso, convém conter a euforia. A aprovação é o começo de uma caminhada, não a linha de chegada. O texto prevê transição: o teto semanal será de 42 horas passados dois meses da publicação e de 40 horas após um ano e dois meses. É tempo suficiente para empresas se adaptarem e, também, para que muitas tentem dar um jeitinho. E aí entra a fiscalização. Direito que não é fiscalizado vira enfeite constitucional.

    O poder público vai ter que garantir formas de apoiar a transição, principalmente de pequenos negócios, mas sem aumentar a já longa lista de subsídios concedidos para a conta não voltar para o colo dos próprios trabalhadores.

    E o retrocesso está sempre à espreita. Flávio Bolsonaro, que anteriormente criticava a proposta e defendia a remuneração por hora trabalhada, declarou apoio e votou pelo fim da escala 6×1. Uma conversão às vésperas do segundo turno, depois de ver as ruas e as pesquisas apoiando a proposta abraçada por Lula. Mas ele também afirmou que, caso eleito, fará alterações na PEC em favor dos empresários, e aliados seus prometem ao setor uma nova proposta que esvaziaria a conquista sob a bandeira da "livre negociação".

    Livre negociação entre quem? Entre um patrão com advogados, caixa e a possibilidade de substituir funcionários amanhã, e uma trabalhadora que precisa do salário para pagar o aluguel do mês que vem? Isso não é negociação, é a raposa e a galinha discutindo o cardápio do jantar.

    Há 138 anos, o Brasil prometeu que trabalhador deixaria de ser objeto. Há 38, prometeu que ele teriam tempo para isso. Nesta quarta, o Congresso começou, enfim, a pagar a conta. Cabe agora à sociedade garantir que ninguém venha, com um sorriso no rosto em nome da liberdade, tentar renegociar a dívida.

    UOL 

     

    ADEUS, MANGA

     Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e pessoas sorrindo

     

     

     

     

     

     

    EDIEL RIBEIRO 

     

    Cássio Manga foi um grande cartunista. Literalmente. Tinha quase dois metros de pura genialidade.
    Grande na altura e no talento, Cássio Manga foi caricaturista, cartunista, compositor, designer gráfico, ilustrador, cantor e diretor de arte.
     
    Nascido Cássio Scavone, na cidade de São Paulo, em 30 de março de 1962, o ‘Manga’ veio (substituindo o apelido “Macarrão”, que ele odiava) quando rasparam sua cabeça ao ingressar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
    “Parecia mesmo uma manga chupada” - dizia ele, rindo.
     
    Foi o cartunista Jal que me apresentou ao Manga. Nossos encontros eram esporádicos. Nos encontrávamos sempre que eu ia a São Paulo para lançamentos de livros, salões de humor ou exposições em que ele também participava; como as exposições sobre Paulo Caruso e Angeli e o lançamento do livro “90 Maluquinhos por Ziraldo”, comemorativo aos 90 anos do pai do ‘Menino Maluquinho’, organizados pelo cartunista Edra Amorim.
     
    O cartunista era apaixonado pelo Palmeiras. Tivemos algumas discussões, eu defendendo o meu ‘Mengão’ e ele o seu ‘Verdão’. Apesar de palmeirense doente, certa vez desfilou na comissão de frente da Gaviões Serranos:
     
    “Há, rapaz! Causei maior estrago. Na primeira noite, entrei no desfile na Comissão de Frente (Silvana, minha mulher, fazia parte dela) e só saí quando a Escola toda passou. Mais me enquadraram, e me comportei bem no segundo dia. Fiquei na ala fazendo coreografia de mosqueteiro. O mais louco é que desfilava com o distintivo do Corinthians sem problema algum. Hoje, apanharia dos meus amigos palmeirenses” - contava, sorrindo. 
     
    Boêmio, era frequentador assíduo da Praça Benedito Calixto, no bairro Pinheiros, onde acontece todos os sábados uma das feiras mais tradicionais e famosas da cidade: a ‘Feira de Artes, Cultura e Antiguidades’. Ficava no ‘Cantinho Português’, uma das mais tradicionais e famosas barracas de comida de rua de São Paulo, comandada por Dona Vera, recebendo os amigos e ouvindo chorinhos.
    Manga também era poeta. Fazia aqueles poemas no estilo palíndromo (palavra do grego palin que significa "para trás, novamente", combinado com dromos que significa "caminho" ou "corrida"), difícil pra cacete. Uma vez me mandou um palíndromo em que brincava com o meu nome: “Ediel é Leide”.
    O cartunista publicou um livro de poemas em palíndromos com o título de ‘Palindroemas’, ilustrado e lançado por ele na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, em São Paulo.
     
    Publicou seus trabalhos nos jornais ‘Folha de São Paulo’, ‘Pasquim 21’, e nas revistas ‘Mad’ e ‘O Paulistano’, entre outras. Fez capas para as revistas ‘Primeira Leitura’, ‘Mad’ , ‘Courier’ (Japão) e ‘Pasquim’, onde dividia espaço com a célebre geração que moldou o humor crítico nacional — que incluía nomes como Jaguar, Ziraldo, Nani e Millôr Fernandes, entre outros —, seu traço combinava com a proposta irreverente e a "estética de botequim" que ditavam o ritmo do jornal.
     
    Participou de inúmeras exposições e salões de humor; entre eles os tradicionais ‘Salão de Humor de Piracicaba’ e 'Salão Internacional de Humor de Caratinga'. Expôs seus trabalhos em mostras coletivas, incluindo exibições organizadas nas estações do Metrô de São Paulo, pelo cartunista Jal. Integrou mostras virtuais coletivas de grande repercussão, como a exposição realizada por cartunistas em homenagem ao jornalista Ricardo Boechat, Sílvio Santos, Paulo Caruso e Angeli. Ilustrou com caricaturas animadas (giffs) o quadro “Pra Quem Você Tira o Chapéu”, do Programa Raul Gil, no SBT. Trabalhou em agências de propaganda e como Designer de Publicidade para a revista ‘Tudo’.
     
    Artista multifacetado, Manga apresentou também o quadro de comédia “stand-up” - ‘Deu pano pro Manga’ - em bares e teatros de São Paulo. Co-escreveu e atuou na peça ‘Sobre Humano’. Produziu, escreveu e apresentou o programa ‘Fiapos do Manga’, na KazTV.
     
    Além das artes visuais, Cássio Manga teve forte ligação com o meio musical. Fundou, junto com o cartunista Ruy Jobim Neto e o maestro Gerson Grünblatt, a Cia. ‘Mestremundo de Histórias’, uma produtora voltada a misturar humo
    r, dramaturgia, música e discussões sobre a cultura brasileira por meio de shows e pocket-shows.
    Cássio Manga faleceu na última quarta-feira, dia 14 de outubro de 2026, em São Paulo, vítima de um infarto fulminante.
     
    Adeus, amigo!

    Flávio Bolsonaro quer destruir o que faz do Brasil um dos lugares mais maravilhosos do mundo,

     

     

    Édouard Louis* 

    Eu estou com medo. Estou com medo porque Flávio Bolsonaro pode vencer a eleição para presidente no Brasil, e o que ele quer é destruir tudo o que faz do país um dos lugares mais maravilhosos do mundo.

    Eu só estive algumas vezes no Brasil. Passei apenas algumas semanas neste país. Não pretendo compreender toda sua complexidade. Eu não conheço em detalhes a história do Brasil nem sua geografia ou o conjunto das culturas que o compõem. Há tanta gente no mundo, a começar pelos próprios brasileiros, que têm muito mais a dizer do que eu sobre este lugar do planeta.

    No entanto, apesar das limitações do meu conhecimento, eu sei de uma coisa: tudo que eu vi em minhas viagens ao Brasil, tudo que testemunhei, tudo que constitui a beleza, a força e a singularidade desse país, Bolsonaro quer destruir.

    A sublime e misteriosa floresta amazônica, sem a qual a humanidade não pode sobreviver, e graças à qual o oxigênio do planeta é respirável, e que Flávio Bolsonaro, assim como seu pai fez antes dele, quer devastar para vendê-la ao capitalismo mais destruidor.

    A alegria que explode quando, no samba, à noite, os homens e as mulheres cantam em uma só voz, homens brancos, mulheres negras, homens negros e mulheres brancas, todos ao redor dos músicos da roda de samba, sonhando com um mundo melhor e nos provando que podemos viver, cantar e sonhar juntos, todos esses corpos que Bolsonaro vai tentar colocar uns contra os outros, separar uns dos outros por meio de suas políticas racistas, da perseguição das populações negras das favelas, de todo o poder que ele vai dar à polícia, que, no mundo inteiro, nós sabemos, tem como alvo prioritário as pessoas não brancas.

    O Brasil é também todas as vezes em que vi dois homens se beijando, ou duas mulheres, com total liberdade, na praia, em frente ao mar nas noites de verão, nos bares no Rio ou nas ruas quentes de São Paulo à noite, no samba do trabalhador ou nas areias de Paraty durante o festival da Flip.

    Toda essa liberdade, que existe em tão poucos países no mundo, Flávio Bolsonaro tentará apagar, dando cada vez mais espaço ao fundamentalismo religioso, opondo-se aos direitos das pessoas transgênero, gays e lésbicas, como fez tantas vezes no Senado ao longo dos últimos anos.

    Todas as vezes em que observei, nas praias do Rio, pela manhã, amigos bebendo água de coco para se recuperar dos efeitos do álcool, depois de uma noite de festas, risadas e encontros. Essa cultura da alegria, da amizade e da celebração popular contra a qual a família Bolsonaro sempre declarou guerra abertamente, ao atacar o Carnaval ou os desfiles de rua, supostamente ameaçadores à ordem e à "família tradicional".

    O Brasil é, ainda, uma cultura musical imensa, o Brasil é todas as vezes em que eu ouvi brasileiros cantando Gilberto Gil ou Caetano Veloso, enquanto em 2022, durante a Copa do Mundo de futebol, apoiadores de Jair Bolsonaro perseguiram Gil em público, ameaçando-o e insultando-o, os mesmos apoiadores que hoje defendem Flávio Bolsonaro, que, por sua vez, defende o legado político de seu pai.

    Brasil é uma literatura grandiosa que conquistou o mundo. Machado de Assis, Clarice Lispector, Victor Heringer, todos esses grandes autores que fazem a cultura brasileira brilhar mundo afora, que vieram das margens ou pertenciam a parcelas da população odiadas pela extrema direita conservadora. Machado de Assis era descendente de escravizados, Heringer era homossexual, Lispector era mulher.

    Bolsonaro, ao cortar os gastos do Estado e, em consequência, os serviços públicos, tornará a vida dos pobres mais difícil, e os reduzirá, enfim, ao silêncio. Bolsonaro, que fez muitas declarações machistas e misóginas e vangloria a família tradicional, dificultará a emancipação das mulheres. Bolsonaro, ao colocar em curso políticas repressivas que terão como alvo a população mais vulnerável, e, portanto, em grande parte, a população não branca, silenciará a diversidade.

    Num mundo bolsonarista, não existiria Lispector nem Machado de Assis nem Heringer. Não existiria literatura.

    Eu tenho plena consciência de que, ao evocar minhas lembranças do Brasil e meu conhecimento muito limitado do país, não estou mencionando os problemas enfrentados pela sociedade brasileira, as desigualdades, a violência, a pobreza, a corrupção.

    Mas, justamente, Flávio Bolsonaro vai agravar todos esses problemas. Bolsonaro quer uma sociedade do medo, da violência, da prisão, do ódio, da polarização, do desmonte do Estado. Uma sociedade da família conservadora, da brutalidade, da ordem, da desigualdade, da reprodução das classes sociais, uma sociedade onde cada um permanecerá em seu lugar, enquanto o clã Bolsonaro continuará a enriquecer com seus esquemas de corrupção.

    A autora francesa Marguerite Duras certa vez escreveu que a direita e a morte são sinônimos. O Brasil que Bolsonaro quer é um Brasil morto. Um Brasil sem alegria, sem liberdade, sem música, sem negros, sem cultura, vocês percebem?

    Um Brasil sem solidariedade, sem amor, sem arte, sem música, sem mulheres, sem poder beijar quem vocês quiserem, sem poder dançar quando e onde vocês quiserem. Um Brasil sem paixão, sem diversidade, sem Nordeste, ou com um Nordeste silenciado. Um Brasil sem Candido Portinari, sem literatura, sem partilha, sem Amazônia, um Brasil sem Gilberto Gil, sem sonhos, sem progresso.

    O que Flávio Bolsonaro quer é um Brasil sem Brasil, ou seja, um Brasil esvaziado de tudo que constitui a força e a grandeza do Brasil, sua identidade.

    O sonho de Flávio Bolsonaro é um Brasil submisso aos Estados Unidos e a serviço deles, um Brasil em que os bilionários possam continuar a desviar dinheiro do povo, um Brasil de prisões, jaulas e armas de fogo, um Brasil em que o medo reinará, um Brasil em que os brancos terão medo dos negros, os negros da polícia, um Brasil em que os pobres terão medo dos pobres, em que os jornalistas terão medo de se expressar.

    Como disse recentemente um professor da Universidade de São Paulo, não deixem Bolsonaro fazer vocês acreditarem que o Brasil precisa se tornar triste para se tornar forte.

    O Brasil é forte porque está vivo.

    Eu estou com medo, mas eu peço a vocês que não tenham medo e que lutem nesse segundo turno das eleições.

    Estou com vocês.

    FOLHA 

     

     

    E então, aluno Flávio?

    MIGUEL PAIVA
     

     

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    Big Thief - Flower of Blood

     

    Mirror in the sky
    Making me cry again
    Roll up the sheets, suddenly frozen
    Like a knife carving through my thick skin
    When you touch me
    When you touch me
     

    Alceu Valença | Nas Asas De Um Passarinho

     

    Nas asas de um passarinhoSobrevoei a cidadeEu te via e tu fugiasComo se fora miragemBem te vi no ViradouroNa ribeira, no mercadoNo bloco da flor da liraNos carnavais do passado

      

    quarta-feira, outubro 14, 2026

    Oswaldo Cruz


     

    Depois que quebra, nao tem conserto

    ARTEVILLAR
     

     
    GILMAR
     

     
     

    NANDO MOTTA

     
    JEAN
     

     
    LAERTE

     

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    BARBARA THORTON: Cum processit factura digiti Dei (HILDEGARD VON BINGEN) h

     

    Cum processit factura digit
    i Dei, formata ad imaginem 
    Dei in ortu mixti sanguinis
     per peregrinationem casus Ade,
     
     
     

    Chá revelação do Kássio Nunes


     
     
     


     
     

     
     

     

     
    GALVAO

     

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    Ecos da resistência, da rua ao Congresso

     

    Maria Cristina Fernandes 

    Dê Flávio, dê Lula, as ruas deixaram de ser território cativo do bolsonarismo. Foi o que as manifestações deste feriado mostraram. Se serão suficientes para uma virada é difícil dizer, mas a reocupação traz um dado que ultrapassa a conjuntura eleitoral. Se perdurarem, podem vir a respaldar a resistência ao acachapante avanço do PL no Congresso.

    A primeira impressão foi a de que a captura do Congresso, ante um Supremo nas cordas proporcionaria a um Flávio Bolsonaro eleito presidente um poder sem freio e a um Luiz Inácio Lula da Silva de mandato renovado, a condição de refém de uma maioria legislativa ainda mais à direita. A assertiva, que caiu como um facão da fatalidade sobre o destino da nação, não durou uma semana.

    E não apenas pela reocupação das ruas. A razão disso está no próprio Legislativo, Poder em que, para o bem e para o mal, estão as âncoras de acomodação do arranjo institucional do país. Não é apenas com branco ou preto que se costuram as maiorias legislativas. A votação do fim da jornada 6x1 marcada para a quarta-feira no Senado é um exemplo. A votação do Orçamento de 2027 e do arranjo fiscal que viabilizará a futura gestão do Executivo será outro. É com as atuais Mesas diretoras que o presidente a ser eleito terá que negociar.

    Não por coincidência, a mobilização acontece ao mesmo tempo em que todos os partidos do espectro de centro-esquerda reduziram a idade média de suas bancadas na Câmara. Os puxadores de voto da maioria das legendas, da esquerda à direita, são jovens. Esta já era uma realidade nos partidos de direita, desde os primórdios das manifestações de 2013, com a chegada de um parlamentar como Kim Kataguiri (Missão-SP) em 2018 e, quatro anos depois, com Nikolas Ferreira (PL-MG).

    Ainda em 2022, chegou ao Psol, com a eleição de Erika Hilton (SP) e Sâmia Bomfim (SP), e ao PDT, com Tabata Amaral (SP), hoje no PSB. Agora, finalmente, a renovação chega ao PT, com a eleição de Ana Elisa (MG) e Luna Zarattini (SP), esta também egressa de 2013. A bancada só não será maior porque ambições desmedidas impediram que Psol e PT formassem uma federação.

    O mecanismo teria salvo o Psol da cláusula de barreira por associar o partido à maior capilaridade do PT. Ficou a 185 votos de atingir o quórum no nono Estado, o Espírito Santo. Com a federação, os votos de Erika Hilton e Sâmia Bomfim não teriam sido desperdiçados, e poderiam ter salvo da guilhotina nomes como o ex-presidente do PT Rui Falcão (SP).

    Até aqui, os jovens parlamentares, ou “caçadores de pokemon”, como são apelidados na Câmara, pouco influenciaram na relação do Executivo com o Congresso. Enquanto se dedicam a vídeos para viralizar nas redes, a pauta legislativa vai sendo tratorada pelo Centrão. A primeira pauta, de fato, capitaneada pela bancada jovem com poder de balançar o coreto é o fim da jornada 6x1, originalmente proposto pelo vereador Rick Azevedo (Psol-RJ), que também chega à Câmara.

    Se o tema foi mantido em pauta é porque o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), concluiu que não terá margem para ser reconduzido num governo Flávio Bolsonaro e resolveu partir para o tudo ou nada?

    É possível. Mas não apenas. A pauta relembra a Flávio Bolsonaro que, se eleito, terá que negociar com o Congresso que aí está se não quiser começar seu governo apenas em abril, quando a tramitação do Orçamento na Casa a ser empossada em fevereiro atravessa o Carnaval e a Páscoa até que chegue ao plenário. E a negociação também passa pela composição das Mesas.

    Se, em 2022, Lula negociou a PEC da transição rendendo-se à reeleição das Mesas, a resistência de Jair Bolsonaro em procurar o Congresso antes de sua posse em 2019, tampouco lhe garantiu o comando das Casas e a preservação do escopo das reformas. Quando a proposta da Previdência do ex-ministro Paulo Guedes chegou à Câmara, seu então presidente, Rodrigo Maia, lhe avisou que a mudança no BPC e na aposentadoria rural não passariam.

    É verdade que o PL quase quintuplicou o número de senadores e mais que dobrou os deputados em relação ao PSL de 2018, legenda à qual Bolsonaro era filiado. É cadeira suficiente para o partido não ficar a reboque do Centrão como o fez quando o bolsonarismo chegou ao poder, mas não basta para dirimir as resistências de uma esquerda que retomou o poder de mobilização nem tampouco da própria direita.

    Se Flávio Bolsonaro se eleger terá mais facilidade em fazer o presidente do Senado do que o da Câmara, Casa em que terá que negociar com o Centrão. O Republicanos tem até um nome para manter a Casa, o do presidente do partido, Marcos Pereira (SP). O engajamento do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (SP), neste 2º turno, não pode ser dissociado deste movimento.

    No Senado, tudo corre a favor do senador Rogério Marinho (PL-RN), que, no quesito aparar-arestas perde para a senadora Teresa Cristina (PP-MS). E não faltarão arestas, a começar pela senadora eleita, Michelle Bolsonaro (PL-DF), que capitaneou a mais bem-sucedida ampliação da bancada feminina da história e não aceitará ficar a reboque do enteado.

    O Congresso está mais para uma caixa de ressonância de muitos acordes dissonantes do que para uma relva à espera do tratoraço do bolsonarismo, se as urnas assim o decidirem no dia 25. Neste fim de semana, o eleitor resolveu dar as caras para avisar que também está nessa.

    VALOR  

     

     

    Todo mundo merece uma segunda chance

     

    Tutty Vasques 

    Tem que correr atrás dos indecisos e das abstenções, tá certo, mas será que não existe também um gênero de voto constrangido com a ideia de repetir em 25 de outubro o desatino do primeiro turno? Se a nova estratégia de campanha do Lula tiver alguma expectativa de ‘vira voto’ bolsonarista, melhor parar agora mesmo de chamar de ‘estúpido’ os estúpidos que vamos tentar regenerar. Tenho uma proposta: por que a gente não estende a mão, arregaça as mangas e sai por aí pichando os muros dos guetos da extrema-direita com a promessa de anistia para quem votou em Flávio Bolsonaro no primeiro turno? Claro que todo perdão tem seu preço, mas como o voto é secreto, ninguém precisa saber como foi o acerto de contas. Pensei também na alternativa da criação do Bolsonaristas Anônimos nos mesmos moldes do AA e do NA, mas não há tempo para isso.

    mais tutty no PASMADO 
    https://pasmado.substack.com/i/219316393/todo-mundo-merece-uma-segunda-chance 

    KATE & ANNA MCGARRIGLE – GO LEAVE

     

    Go, leaveShe's better than meOr at least she is strongerShe will make it last longerThat's nice for you


    Grade 2 - "Reality Is Calling"

     

    When you’re one step ahead
    Got your foot through the door
    About to start your plans
    Not a thing can go wrong
    Bagged yourself a house
    Yet to see the bills
    A zero-hour contract
    Will hardly fulfill
    That weed addiction
    Cocaine lines
    The fridge is empty
    Prioritize
    Maybe put those plans on hold

    Reality is calling

    terça-feira, outubro 13, 2026

    St. John the Evangelist


     

    Oswaldo Cruz


     

    Mensagens citam Kassio e quarto 'com 5 meninas' em festa de Vorcaro

     Diálogo cita "5 menina"

    DANIELA LIMA

    Mensagens apreendidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro mostram que um funcionário relatou ter cedido um quarto para um "ministro com 5 meninas" durante uma festa realizada no triplex do empresário, em São Paulo, em 28 de fevereiro de 2025. Dias depois, uma mulher responsável por levar convidadas ao evento cobrou R$ 10 mil e afirmou que uma delas havia ficado com "Kassio".

    Os diálogos, obtidos pela coluna, são interpretados por investigadores da PF (Polícia Federal) e no STF (Supremo Tribunal Federal) como possíveis referências ao ministro Kassio Nunes Marques, integrante das duas cortes —ele preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). As mensagens, porém, não identificam expressamente Nunes Marques como o participante da festa.

    Em nota, o ministro afirma que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro e que deu voto pela manutenção da prisão, nem trocou mensagens ou pediu algo ao banqueiro. "O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros", diz a mensagem enviada ao UOL.

    As conversas detalham a organização do evento, que incluiu a contratação de um chef de cozinha, a convocação de mulheres e instruções para recolher os celulares das convidadas. Um relatório de despesas registra gastos de R$ 62,3 mil.

    Às 14h25, um funcionário identificado como Gustavo pergunta se deve recolher os aparelhos de telefone das garotas de programa chamadas para o evento.

    O ex-banqueiro acompanhou a festa à distância, recebendo atualizações de outros de seus homens de confiança ao longo da noite. Vorcaro chega a dizer a um amigo, identificado como Luiz Rennó, que estava "fazendo graça pra ministro em SP [sic]".

    Às 20h56, o homem que pilotava a festa in loco para Vorcaro, Michael enviou uma mensagem ao ex-banqueiro: "Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina. Liguei para pedi autorização mais senhor não viu [sic]". Michael aparece em outras conversas no celular do ex-banqueiro como organizador de eventos considerados VIPs.

    Mais tarde, às 22h58, o funcionário voltou a mencionar o convidado: "Ministro tá sem pressa nenhuma de ir embora acabou de fala que está renovando para começa tudo novamente [sic]".

    Cerca de 20 minutos depois, às 23h17, Michael informou: "Indo embora ele".

    As mensagens mostram ainda que Vorcaro havia contratado um chef para servir um churrasco a um grupo inicialmente estimado em 15 pessoas. O relatório de despesas inclui alimentos, bebidas, insumos e equipe.

    Cobrança de R$ 10 mil e menção a 'Kassio'

    Em 7 de março, uma mulher identificada como Rayanna, que havia intermediado a presença das garotas de programa na festa, procurou Vorcaro para cobrar o pagamento de uma delas.

    "A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?", perguntou. Em seguida, afirmou: "Ela disse que ficou com o kassio" e "Ela tá me cobrando aqui".

    Vorcaro pediu os dados para pagamento. Rayanna respondeu que o valor era de R$ 10 mil e que a amiga "ficou com ele".


    Os diálogos não esclarecem se houve pagamento nem demonstram, isoladamente, que a pessoa mencionada como "Kassio" seja o ministro Nunes Marques.

    UOL

    Vorcaro ofereceu 'escravas' sexuais de sua 'creche' para 'Kassio'?

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    LEONARDO SAKAMOTO

      A barbárie tem CEP, jatinho particular e transita com asqueroso conforto pelos corredores do poder brasileiro. A apuração de Natália Portinari, Cézar Feitoza e Fabio Serapião, no UOL, escancarou como o ex-banqueiro Daniel Vorcaro estruturou uma agência de prostituição para lubrificar suas relações financeiras e políticas. Não estamos falando de um desvio moral de ricaços entediados, mas de um esquema criminoso que usava mulheres como moeda de troca para comprar favores de políticos e juízes.

    É fundamental ter estômago para ler a reportagem. O uso reiterado do termo "escravas" por Vorcaro e seus intermediários não é força de expressão, mas a confissão cristalina de como eles objetificavam, desumanizavam e enxergavam aquelas mulheres. Pior ainda é o uso da palavra "creche" para se referir ao grupo de garotas. O termo carrega um sadismo perturbador, indicando que se tratavam de mulheres jovens. Isso acende um alerta vermelho e torna absolutamente necessário investigar se alguma delas atiradas nesse moedor de carne era menor de idade.

    O requinte de crueldade do ex-dono do Banco Master atingiu o ápice ao explorar refugiadas ucranianas. Diante de jovens fugindo de cidades bombardeadas, o banqueiro chegou a babar no teclado: "Tem que sobrar alguma refugiada pra mim". É preciso desenhar para as autoridades: não é necessária coação física, correntes ou cárcere privado para configurar o crime de tráfico de seres humanos. Basta a exploração da vulnerabilidade extrema. Usar o pânico de uma garota de ter que ser devolvida para uma zona de guerra sangrenta é a forma mais perversa e covarde de coerção para garantir serviços sexuais.
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       A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que existam hoje 50 milhões de pessoas em situação de escravidão contemporânea no mundo e, desse total, assustadores 23% são destinados à exploração sexual. Vorcaro não inventou a roda, ele apenas surfou em um mercado onde homens no poder já determinaram que corpos femininos são commodities de luxo.

    Em 28 de fevereiro, uma mulher identificada como Rayanna aciona Vorcaro para organizar uma entrega de mulheres: "Qual o endereço Dani? As meninas estão prontas". Dias depois, em março de 2025, a cobrança chega de forma direta: "Boa tarde Dani tudo bem? A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né? Ela disse que ficou com o Kassio. Ela tá me cobrando aqui".

    O banqueiro, operando seu balcão de carne humana, responde rápido: "Me manda aqui" e pede "dados e valor". A agenciadora decreta: "10 né!" e reforça: "Ela ficou com ele", enviando na sequência um contato de email para viabilizar o Pix de R$ 10 mil. A informação havia sido divulgada aqui no UOL por Thais Bilenky e Daniela Lima.

    E, hoje, Daniel Lima trouxe mais detalhes da festinha bunga-bunga. De acordo com sua apuração, mensagens apreendidas no celular de Vorcaro mostram que um funcionário relatou ter cedido um quarto para um "ministro com 5 meninas" durante essa festinha particular realizada no triplex do empresário, em São Paulo. Conversas detalham a organização do evento, incluindo contratação de um chef de cozinha, a convocação de mulheres e instruções para recolher os celulares das convidadas.

    A Polícia Federal tem a obrigação de apontar se o "Kassio", com K, exposto nessas mensagens é o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral. O magistrado pode negar o encontro, mas as mensagens, a cobrança e o Pix estão documentados. A seletividade investigativa não pode prevalecer quando a lama atinge os aliados do bolsonarismo e do centrão.

    Enquanto tratarmos esses crimes como meros "pecados privados" ou "folclore de bastidores", homens engravatados continuarão naturalizando a compra do Estado com o corpo de mulheres em situação de vulnerabilidade. Prostituição não é crime e profissionais do sexo precisam ser respeitadas, mas o que temos aqui é a exploração violenta de mulheres.
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    Resta saber se as instituições brasileiras vão passar pano para "creche" de "escravas" de Vorcaro ou se, finalmente, a lei vai valer para quem sempre usou o dinheiro para se colocar acima dela. O que passa por investigar todos os políticos, magistrados e empresários que se valeram de refugiadas como moeda de troca.

    UOL 

    Vorcaro era sócio oculto de agência de prostituição e recrutou refugiadas

     


    "Nos diálogos, o promotor de eventos Diogo Batista e Vorcaro se referem às mulheres como "escravas" e "kengas", avaliam seu trabalho e discutem condições de contratação.

    Estas são algumas frases de Diogo: "Escravinha doutrinada", "Vou já escravizar ela pra hoje e fazer trabalhar pra gente aí", "Escravas. Se quiser levo 2 do Rio", "Passa a pikinha em geral surubinha. Tinha que ter levado umas escravas".

    As garotas mais jovens eram apelidadas de "creche". "Nossa creche me consumiu semana toda kkk. Queria ter duas pirocas", disse Vorcaro a Diogo em 2024."

    MAIS NA REPORTAGEM DE NATALIA PORTINARI 

    segunda-feira, outubro 12, 2026

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    Entre a favela, o inferno e o céu

     

    Morador da Maré, Douglas Lopes usa fotografia para transformar o cotidiano despercebido da favela em arte

    'Nas águas desta baía há muito tempo' (2024), de Douglas Lopes 

    Alan Souza

     

    Sempre vivendo a realidade do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, Douglas Lopes aprendeu a calibrar o olhar para encontrar beleza onde estamos acostumados a não enxergá-la. Seja em garrafas coloridas empilhadas numa estante, seja no voo sincronizado de pombos que se agrupam em torno de um amontoado de lixo, o fotógrafo carioca de 35 anos capta o cotidiano da favela a partir de instantes que se revelam em cores chamativas ou no preto e branco.

    Na exposição “Entre a favela, o inferno e o céu”, em cartaz na Fábrica Bhering, no Santo Cristo, na Zona Portuária da capital fluminense, Douglas apresenta essas imagens pela primeira vez fora da Maré. Antes, ele havia feito mostras individuais em espaços culturais do próprio complexo.

    — A realização em outro local não muda a exposição em si. Mas aqui (na Fábrica Bhering), ouço a percepção de outras pessoas que não tinham acesso às obras antes. De repente, vejo que muitas das nossas realidades se encontram — afirma o artista.

    Douglas Lopes — Foto: Divulgação
    Douglas Lopes — Foto: Divulgação

    Fotografando desde criança, quando pegava a câmera analógica da mãe para fazer registros (“Ela revelava as fotos e depois falava: ‘Não, mas você usou o filme para fazer isso’”), Douglas passou a trabalhar como office boy e estudava à noite em cursos na própria região onde vivia, como na Escola de Cinema Olhares da Maré, no Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré e no Observatório de Favelas (depois, ele ainda se especializou num curso técnico voltado para filmagem cinematográfica na UFRJ). E começou a trabalhar profissionalmente com fotografia em 2014.

    Nos últimos anos, Douglas colaborou em produções como o documentário “Marielle” (2020), dirigido por Caio Cavechini e Eliane Scardovelli para o Globoplay, no qual assina a direção de fotografia. A obra retrata a trajetória da vereadora carioca — que ele conhecia de perto — assassinada em 2018. Em 2023, foi indicado ao prêmio Mast Photography Grant on Industry and Work, na Itália.

    'Dois de janeiro', de Douglas Lopes — Foto: Divulgação
    'Dois de janeiro', de Douglas Lopes — Foto: Divulgação

    Com a câmera na mão desde cedo, a relação com o equipamento se aprofundou de um jeito natural de forma que uma simples reunião em família, ele diz, pode ser combustível para uma criação artística:

    — Quando acordo e dou bom dia para a minha vizinha ou quando a gente faz um churrasco na laje, está ali, de uma forma ou de outra, também se conectando com as outras lajes que estão ao redor e com as outras pessoas que moram por perto. Tudo isso faz parte dessa criação, que às vezes é muito natural — observa. — Às vezes, nem percebo que estou criando alguma coisa. Só vou entender depois que aquilo foi uma parte crucial para a criação de determinado trabalho.

    Curador da exposição na Bhering, Vinicius Mesquita afirma que Douglas tem um “olhar muito atento para o cotidiano”, característica que faz com que suas obras estejam repletas de cenas da “realidade” que muitas vezes passam despercebidas.

    — Quando a gente olha para a cidade e para o urbano, sempre tem muito ruído. A cidade é muito ruidosa, tem muita coisa, e eu consigo ver que o Douglas não só olha, ele enxerga a cidade. Ele consegue captar momentos da cidade em que as pessoas não estão olhando para aquilo que está acontecendo. É uma relação de instantes em que ele consegue, em segundos, captar a essência daquilo e documentar — diz o curador. — Consegue extrair beleza, criar simetrias, uniformidades em projetos que transformam em uma obra de arte algo que as pessoas veem, mas não enxergam.

    Fotografia que compõe a instalação 'Círculo de fogo' (2026), de Douglas Lopes — Foto: Douglas Lopes

    Vinicius diz ainda que, muitas vezes, é como se “a própria foto acontecesse para Douglas”, sem pretensão. Dessa forma, surgem fotografias como a panorâmica em que um arco-íris aparece sobre as lajes da Maré, abraçando a comunidade, ou uma em que um garoto surge sozinho na proa de uma canoa em meio à Baía de Guanabara, rodeado por outras embarcações vazias.

    Quando parece estar em um lugar um tanto mais controlado, Douglas registra o movimento dos alunos do Núcleo de Formação em Dança do Centro de Artes da Maré — são 13 fotografias que foram impressas sobre tecido para a instalação “Círculo de Fogo” (2026). Mas o artista realiza uma sobreposição de imagens que confere movimentos mágicos aos bailarinos, que por diversas vezes aparecem em grupo.

    — Não há outro método de vida que não a coletividade. Isso é o que a favela nos ensina desde que nascemos — reflete ele ao traçar um paralelo entre o trabalho dos bailarinos e a vida na Maré. — Mostro às pessoas que existe um mundo de possibilidades na favela: a gente tem trabalho, tecnologia, preservação da vida e da nossa memória 

     

     o globo

     

    The Big Question Looming Over Brazil’s Elections: President Trump’s Next Move

     

    A crowd waving Brazilian flags marches down a street around a huge, inflatable float depicting President Trump holding aloft a cartoon person dressed in prison stripes.

     "And leaked documents written by an ally of Mr. Bolsonaro, reported by Brazilian media and reviewed by The New York Times, suggest people close to the candidate may have proposed giving the United States access to Brazil’s critical minerals in exchange for support. The document’s author acknowledged producing it, but denied writing it on behalf of Mr. Bolsonaro’s campaign or that it was shared with U.S. officials. Mr. Bolsonaro’s campaign did not immediately respond to questions about the document."

     read report bAna Ionova and

     

    Scott Walker - Thanks For Chicago Mr. James

     


    Thanks for Chicago, Mr James
    You got a lot of grace but you're an empty place
    The dawn falls hard upon my face
    I'll move as I began through fields without a plan
    Thanks for Chicago, Mr James


    The Cadillacs - Speedoo (1955)

     

    Well now, they often call me Speedoo
    But my real name is Mr. Earl Known for meetin' brand new fellas And takin' other folks' girl


    domingo, outubro 11, 2026

    Oswaldo Cruz


     

    Oswaldo Cruz


     


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