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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    terça-feira, outubro 20, 2026

    Sylvan Road


     

    Um debatedor que conspira para matar o debate

     

    Mauricio Stycer


    Nenhum candidato deve ser obrigado a participar de debates, nem deve ser punido, com a exibição do púlpito vazio, por exemplo, por causa disso. Participar ou não de eventos desse tipo é estratégia eleitoral.

    Menos aceitável, na minha opinião, é participar de debates com o objetivo de desmoralizá-los publicamente. Já vimos isso ocorrer inúmeras vezes. Em 2022, o tal padre Kelmon, que não era padre, se beneficiou da legislação eleitoral para tentar descaracterizar um evento em benefício de Jair Bolsonaro.

    Em 2024, na campanha à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal usou um debate para provocar o caos e desequilibrar os adversários. Datena mordeu a isca e lançou uma cadeira em direção ao candidato.

    Datena dá uma cadeirada em Pablo Marçal em debate em 2024 - Reprodução/TV Cultura

    Superei a ingenuidade de achar que debates são necessários e úteis para o esclarecimento de ideias e apresentação de propostas. Mas não podem ser um canal de divulgação de mentiras.

    Há muito defendo a checagem de fatos em tempo real durante debates e entrevistas de caráter eleitoral. Há tecnologia disponível para fazer isso. A omissão dos canais de TV provoca um paradoxo: concessões públicas, que têm o compromisso constitucional de informar a sociedade, acabam ajudando a desinformá-la.

    A democracia fornece ferramentas para quem ambiciona destruí-la. As regras frouxas do debate na Band, no último domingo (18), permitiram que Flávio Bolsonaro (PL), em vários momentos, conseguisse desmoralizar o evento.

    No caso, na semana passada, das duas entrevistas à Globo dos candidatos, o problema foi de outra ordem.

    Lula e Flávio Bolsonaro no debate na Band - Eduardo Knapp - 18.out.26/Folhapress

    A emissora escalou Renata Lo Prete, a sua repórter e apresentadora mais bem aparelhada em matéria de política e jornalismo na TV, para questionar Lula e Flávio Bolsonaro.

    O tom de inquirição quase policial usado por Renata Vasconcellos e Cesar Tralli nas entrevistas com seis candidatos em agosto deu lugar, agora em outubro, a embates civilizados, dentro da boa prática do jornalismo.

    Renata fez perguntas objetivas sobre questões muitas vezes incômodas, apontando contradições ou omissões dos candidatos. Deu espaço para a exposição das respostas, tolerou algumas tergiversações e, em alguns casos, frisou detalhes do que Lula e Bolsonaro disseram, buscando não restar dúvida sobre as suas afirmações.

    Experiente e segura, Renata se portou de forma tranquila e educada, sem alterar o tom de voz diante dos dois candidatos. Ainda assim, os resultados das duas entrevistas de 40 minutos foram radicalmente diferentes.

    Dois apresentadores sentados em cadeiras giratórias em lados opostos de uma mesa triangular em estúdio com fundo azul e a palavra 'ELEIÇÕES' ao centro.
    Lula na sabatina com Renata Lo Prete, na TV Globo - Manoella Mello/Divulgação TV Globo

    Renata perguntou sobre vários pontos incômodos para Lula, como rejeição, segurança, redução da maioridade, STF, direção da PF, relações de Lewandowski com Vorcaro, entre outros. Em alguns tópicos, ele não foi objetivo nas respostas, mas se ateve ao roteiro da jornalista.

    Flávio Bolsonaro, ao contrário de Lula, ignorou o roteiro da entrevistadora. Olhando para a câmera, e não para Renata, o candidato se dedicou a criticar e ofender o adversário, discursando sobre temas que não tinham nenhuma relação com as perguntas.

    Várias vezes Renata cobrou que Bolsonaro falasse de "fatos verificáveis", sugerindo que o candidato estava divulgando mentiras, mas não conseguiu evitar a propagação de muitas fake news.

    Mais grave, a cúpula da Globo recebeu Flávio Bolsonaro para almoçar algumas horas antes da entrevista. Não se divulgou o conteúdo de "visita institucional", mas o gesto deixou muita gente em dúvida sobre a isenção da emissora.

    FOLHA

    Empate Técnico



    GILMAR

     

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    Ella Fitzgerald MacK the Knife Live in Berlin (Weill - Brecht)

     Oh, the shark, babe, has such teeth, dear

    And it shows them pearly white Just a jackknife has old MacHeath, babe And he keeps it out of sight

    segunda-feira, outubro 19, 2026

    Raposas no Quintal | Foxes in the yard


     

    Meu partido é o Brazil

     
    CAU GOMEZ 

     

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    Debate (sic) ocorreu e, como previsto, deu lama. Pronto, estão satisfeitos?

     

     

     LEONARDO SAKAMOTO 

    Sou contra fingir normalidade onde ela não existe. Por vezes, sinto que nós tocamos violino enquanto o Titanic afunda - com a diferença que os músicos tentavam tornar a tragédia mais leve em 1912 e nós estamos jogando purpurina em cima da titica em 2026.

    O debate (sic) entre Flávio Bolsonaro e Lula, na TV Bandeirantes, reforçou o que venho repetindo aqui feito um suricato com cãibra: o formato morreu. Ele ainda serve para dar audiência aos veículos de imprensa, que transmitem, relatam e analisam, e como estúdio gratuito de produção de cortes de vídeos pelas campanhas. As torcidas dos candidatos acompanharam excitadas, mas quem tinha mais o que fazer, ficou enjoado e mudou de canal.

    A ascensão da extrema direita em todo o mundo, somada à migracão do epicentro do debate público da TV para as redes sociais e aplicativos de mensagens, deveria ter alterado também a estrutura dos debates. Mas isso não aconteceu. E agora muitos fazem beicinho de reprovação quando o show grotesco de ontem já eram favas contadas.

    Privilegiar o confronto direto em uma eleição ultrapolarizada com um candidato de extrema direita que opera como um "moleque", na definição perfeita de José Roberto Toledo, no UOL, é pedir para a coisa degringolar. Vai ter audiência, óbvio, mas não significa que servirá para alguma coisa.

    Além disso, os mediadores de debates, jornalistas muito bem preparados, acabam se tornando bedéis da insanidade alheia devido a regras engessadas aprovadas pelas campanhas, quando poderiam pressionar os candidatos, não deixando que fugissem das questões e desmascarado mentiras com a ajuda de checadores de fatos em tempo real.

    O contexto dos debates hoje não é igual ao de dez, 20 anos atrás. Por isso, Flávio teria vantagem e poderia dar uma chave de braço em seu adversário. Ele mente com facilidade e frequência, e, mesmo canastrão (nunca soara autêntico como seu pai) tem desenvoltura e melhor relação com as câmeras. Lula se perdeu várias vezes e ficava irritadiço ao cair em provocações. Mas a chave de braço não aconteceu, culpa da falta de respostas de Flávio (repetindo a tática evasiva que havia adotado na sabatina do Jornal Nacional), somada à agressividade e à soberba.

    Por isso, o melhor momento foi quando Lula convidou o adversário a quebrarem juntos seus sigilos bancário e telemático. Flávio, claro, não aceitaria porque sairia de lá preso.

    Mas, olha lá, eu tentando jogar minha pitada de purpurina na titica.

    Porque é irresistível entrar na discussão sobre quem ganhou, quem perdeu, quem acertou o golpe mais baixo e quem saiu com a cara mais amassada. É exatamente essa a armadilha. Enquanto discutimos o desempenho dos candidatos, deixamos de discutir por que ainda aceitamos um formato que premia a mentira, a provocação e a capacidade de transformar a política em um espetáculo de quinta.

    No fim, os veículos enchem seus espaços e faturam, as campanhas produzem seus cortes, as torcidas comemoram e os analistas distribuem medalhas. O eleitor, coitado, continua sem respostas.

    E nós seguimos no convés do Titanic. Mas não se preocupem, temos muita purpurina.

    UOL 

    ‘A Meta está sabotando as eleições’, diz Letícia Cesarino

     

     ENTREVISTA: ‘A Meta está sabotando as eleições’, diz Letícia Cesarino

    "Esses ambientes digitais são uma camada paralela da realidade que atravessa a vida offline. Ela está junto da vida real, mas não segue a mesma lógica da vida real. Há um aspecto de simulação, de fantasia, e para a maioria dos usuários esse caráter simulado das plataformas – que são, por desenho, ambientes de manipulação e de influência – não está claro por causa de alienação técnica.

    No começo, eu abordei que as plataformas fazem colapsar as diferenças entre público e privado, fato e ficção. Agora, estamos num contexto de englobamento do real pelo digital. Simulações e fantasias que se consolidaram no digital estão se materializando na vida real. É quase um parasitismo, uma colonização."

    leia entrevista feita por Eduardo Lima 

    ‘A Meta está sabotando as eleições’, diz Letícia Cesarino

    Benito Di Paula - Retalhos de Cetim (in memoriam)



    Mas chegou o carnaval
     E ela não desfilou
     Eu chorei na avenida, eu chorei
     Não pensei que mentia a cabrocha
     Que eu tanto amei

     

    John Coltrane - Alabama (Live at Birdland)

     

    John Coltrane - tenor saxophone ; 

    McCoy Tyner - piano ; 

    Jimmy Garrison - bass ;

     Elvin Jones - drums.

     Written by John Coltrane. 

    Raposas no quintal | Foxes in the yard


     

    Ei, meu amigo Charlie



    RENATO LIMA

     

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    O debate da Band em dez pontos -

     

    " A EMISSORA CRIOU UM NOVO FORMATO, de blocos de livre enfrentamento entre os candidatos. É algo interessante, pois desengessa o padrão de pergunta-resposta que, em geral, impede a controvérsia real. É um avanço, porém arriscado;"

     leia a analise de Gilberto Maringoni*

    Gilberto Maringoni: O debate da Band em dez pontos - Viomundo

    SPENCER DAVIS GROUP "Gimme Some Lovin" 1966

     

    The Lucas Museum’s Architect Wants to Help You Escape From Reality

     

     "By weaving nature, futuristic design and feeling into the urban core, Ma hopes to help overturn expectations for cities where boxes, grids and barriers are the norm. The heart of MAD’s approach is freedom: Freedom of movement, freedom from the humdrum, and freedom from rigid expectations of what should surround us.

    “People need to mentally escape from reality,” Ma said. “Architecture can help.”"

    READ REPORT BY SAM LUBELL  

     

     

    domingo, outubro 18, 2026

    The President Can’t Handle the Truth

     A double exposure of President Trump speaking at a live event.

    Jamelle Bouie 

    Can President Trump distinguish truth from fiction? Does he know what is real and what is the product of a computer program?

    One wants to believe that the president of the United States, cloaked in immense power, understands the difference between reality and fantasy. One would hope, given the terrible stakes of his decision making, that he has the capacity to understand and internalize objective reality, even if he does not like it.

    But then consider the past week of presidential activity. Last Friday, the president announced a “historic” deal with the interim government of Venezuela to give the United States direct control over a huge portion of the nation’s proven oil reserves.

    “At my direction, Secretary of State Marco Rubio, and Secretary of War Pete Hegseth, working closely with Highly Respected Interim President of Venezuela, Delcy Rodriguez, and, through a partnership with private business, have secured majority U.S. control of more than 65 BILLION BARRELS of proven Oil Reserves in Venezuela, at no cost to the American Taxpayer,” the president wrote on Truth Social. Trump contends that this will lead immediately to low gas prices.

    Except, of course, that it won’t.

    Behind the boast lies a murky arrangement that leaves us with a host of unanswered questions. Venezuela’s oil infrastructure is in disrepair — who will restore the nation’s actual capacity to extract and refine oil? Who will pay for it? And given the current instability of Venezuelan politics, including the uncertain role of the United States as imperial caretaker after it deposed President Nicolás Maduro, what are the odds that this deal lasts beyond Trump’s time in office? Will American companies risk billions on the hope that this arrangement will outlast his administration? And perhaps most relevant to the president’s political standing, when, if ever, will this deal lower the price at the pump?

    These are basic concerns. There is no indication they have ever reached Trump’s mind. And even if someone did raise these issues, his effusive and ebullient announcement suggests that he paid little attention to those concerns. He wants the deal to be great, so it is — the power of positive thinking. (And Norman Vincent Peale was, in fact, a major and formative influence on Trump.)

    Even more unsettling, on the question of the president’s interest in objective reality, is his use of artificial intelligence.

    On Sunday, the president posted an A.I.-generated video of the destruction of Kharg Island, an Iranian stronghold. “Kharg Island being blown to smithereens!!!” he wrote. The post came shortly after the United States military resumed its attacks on Iranian forces. We also know that Trump does not like to receive traditional briefings about American operations in the region. Instead, he is shown a brief highlight reel of destruction, what one official described as “stuff blowing up.” For the record, the most recent Kharg Island bombing was in April.

    One would like to assume that Trump can distinguish between footage of actual combat and A.I.-generated propaganda. But can he? For his part, Trump shared the Kharg Island video as if it were real. And it is not as if the president has ever acknowledged the reality of his war in Iran. For six months now, he has said the same thing: that the Iranian military has been destroyed, that the United States controls the Strait of Hormuz, that Iran’s surrender is just over the horizon and that both peace and American victory are imminent.

    Are these lies, or does he believe them the same way he believed that the crowd at his first inauguration was larger than the one in 2009? Or is he, again, trying to change reality through the power of positive thinking?

    There is one other recent set of moves that raises similar questions about the president’s ability to grasp objective reality: his strategy for the upcoming midterm elections. By any measure, Trump is brutally unpopular. His average approval rating has sunk to the mid-to-low 30s, he is underwater on virtually every issue — including immigration and inflation, the ones that brought him to office a second time — and the public disapproves of most of his schemes and stunts, such as his pathetic move to rename Lake Ontario to spite Canadian leaders. He has dragged down Republicans in the House, who are projected to lose their majority, and is dragging them down in the Senate as well, where a once-favorable map has turned sideways as Democrats make headway in Republican-led states such as Texas, Alaska and Ohio.

    In these circumstances, the typical president would keep his distance from his co-partisans in the legislature, mindful of the way his presence might harm their odds. Not Donald Trump. He is practically forcing them to stand by his side at a “midterm convention,” where they will defend him and his record to the country at large. This is pure political malpractice. But Trump can’t see it. He is one of the most toxic people in American politics right now, but he is behaving as if he were on the brink of a landslide victory granted to his party by voters grateful for a productive and successful administration.

    His White House ballroom, now rubber-stamped by the Supreme Court, and his proposed monuments — even his commemorative coin — all reflect the same belief: that he is the greatest and most popular person to ever serve as president, maybe the most popular person to ever live. (It is not hard to imagine Trump telling the world that he is “more popular than Jesus.” He’s practically said as much.) He even shared an image ranking himself above George Washington and Abraham Lincoln, among others, as the greatest president of all time.

    Trump exists in a world where he can do no wrong. Where he is loved by the people and feared by his enemies. His deals never fail, his wars are overwhelming victories, and his party is on the march to another majority.

    It is, again, the power of positive thinking.

    The problem is that this relentless — almost religious — positivity leaves you ill prepared to deal with crisis. And the presidency is a job defined by crisis, either sudden or of your own making. Trump’s unusual relationship to the objective world leaves him dangerously unable to pivot, shift gears or change course. It is not that he thinks he can steer around the iceberg; it’s that he doesn’t believe it is there in the first place, even when it is staring him in the face.

    Taken together, it all adds up to a mounting political disaster for the president and his allies — and an actual, material disaster for the rest of us.

    THE NEW YORK TIMES  

     

    Clara Nunes - Que Sejas Bem Feliz (Cartola)

     

    Eu aqui ficarei
    Por você rezarei
    Todas as tardes
    Ao bater, Ave-Maria

    Que seja bem feliz
    E leve-me na mente
    Que cresçam suas glórias
    E as minhas lágrimas contentes



    CHRISSIE HYNDE & JAMES WALBOURNE: - BLIND WILLIE MCTELL (Bob Dylan)

     


    Well, I heard that hoot owl singing As they were taking down the tents The stars above the barren trees Were his only audience Them charcoal gypsy maidens Can strut their feathers well And I can tell you one thing Nobody can sing the blues Like Blind Willie McTell


    sábado, outubro 17, 2026

    St. John the Evangelist


     

    Lula, Lula, Lula

    MIGUEL PAIVA 
     

     
     
    MOR

     

     
    NANDO MOTTA
     

     

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    Art Blakey & Jazz Messengers - No Hay Problema

     

    Negociando com o patrão

     
    DODÔ 

     

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    sexta-feira, outubro 16, 2026

    JACK


     

    Master Love

        CAU GOMEZ 
     

     
     

     
     
     

    FRAGA
     

     
     
    MARINGONI

     

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    Sylvan Road


     

    Lendas Urbanas



    GALVAO

     

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    They made a rubble of Gaza and called it real estate.


    JEFFREY ST. CLAIR >   

    + As the rainy season approaches in the Gaza Strip, at least 450 camps for displaced Palestinians have been identified as being at high risk of flooding. These sites provide shelter for an estimated 464,402 people.

    + The school year started in Gaza on September 19, yet more than 200,000 children remain out of school due to funding shortfalls and bombed-out schools.

    + Last week, 147 Palestinians were displaced from their homes by Israelis in the West Bank, three times the weekly average for 2026.

    + Over the weekend, Israeli settlers attacked Bilal Kayed, a 75-year-old Palestinian man, while he was working on his land during the annual olive harvest in Sebastia, a village northwest of Nablus. The settlers beat him with clubs and then poured boiling water on his body. Is there any other country in history, aside from the pre-bellum American South and Apartheid South Africa, where this kind of racist terrorism was a fact of daily life?

    + On Sunday, National Security Minister Itamar Ben-Gvir uploaded to social media footage of himself inside the cell of Palestinian prisoner Hassan Salama, taunting him with threats to have him executed: “I want to kill you. … I want you executed.” Salama is serving 48 life sentences over his alleged role in a series of Hamas-orchestrated attacks on Israel. Since 1996, Salama has spent a total of more than 14 years in solitary confinement.

    + To rephrase Tacitus, “They made a rubble of Gaza and called it real estate.”

     

     

    LAURIE ANDERSON & KRONOS QUARTER – ALL THE ANIMALS ARE EXTINCT

     

     

    Jeffrey Archer, Novelist Whose Real Life Rivaled His Thrillers

    In a life of achievement and disgrace, he wrote best-selling novels with themes he knew intimately: ambition, self-promotion, misbehavior and scandal. 

     Jeffrey Archer, with glasses perched on the tip of his nose, rests his chin against one hand with a finger extending up along his cheek. 

      "A photograph from the era showed him with the Beatles, whose members he had persuaded to endorse a campaign by visiting Brasenose College. The drummer, Ringo Starr, was widely quoted as describing him as “a nice enough fella, but he’s the kind of bloke who would bottle your piss and sell it.”"

     read obit by  


     

    quinta-feira, outubro 15, 2026

    a fotógrrafa

     


    Leon Bridges - Mrs.

     

    I tried to let go, we end up on the floor
    And you try to leave when I need you the most
    Sometimes I wonder what we holding on for
    Then you climb on top of me and I remember
     

     


     

    5 x 2

     
     

     

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    Brasil enterra a 6x1. Agora, é vigiar o túmulo para que não ressuscite

     

     A operadora de caixa que acorda às 5h, pega dois ônibus, passa oito horas em pé, volta para casa, faz o jantar, lava a roupa e, no único dia de folga, enfrenta fila no posto de saúde e faxina acumulada, ganhou nesta quarta (14) algo que o Brasil lhe devia há muito tempo: tempo.

    O Senado aprovou, por 75 votos a 1, nos dois turnos, a proposta de emenda constitucional que enterra a escala 6x1 e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários. Dois dias de descanso. Parece pouco para quem nunca precisou contar folgas nos dedos. Para milhões de brasileiros, é a diferença entre viver e apenas se recuperar para voltar a trabalhar.

    Mas não se engane: não é um presente. É o pagamento, com atraso de décadas, de uma dívida.
     

      A última parcela vem da Constituinte. Em 1988, os constituintes baixaram a jornada de 48 para 44 horas, e o recado aos trabalhadores foi de que aquilo era um degrau, não um teto. As 40 horas viriam em seguida. Não vieram. Passaram-se 38 anos. Gerações inteiras se aposentaram, ou morreram, esperando que o Congresso cumprisse o que havia sido acenado no momento em que o país reinventava sua democracia.

    A parcela mais antiga, porém, é de um século antes. Em 1888, a Lei Áurea acabou com a escravidão de forma insuficiente. Mas a promessa daquela luta não era apenas tirar as correntes, mas fazer com que o trabalhador deixasse de ser coisa, instrumento descartável a ser usado até a exaustão e trocado por outro, para se tornar indivíduo, com direitos e autonomia sobre a própria vida.

    E autonomia sobre a vida começa pela autonomia sobre o tempo. Quem controla todas as suas horas controla você.

    Não por acaso, as grandes lutas dos séculos 19 e 20 giraram em torno disso. Operários do mundo inteiro levantaram a bandeira das oito horas de trabalho, oito de descanso e oito para fazer o que quiserem. A greve geral de 1917, em São Paulo, tinha a jornada entre suas reivindicações centrais. A CLT, os sindicatos, a Constituição de 1988: tudo isso foi uma longa batalha para garantir dignidade e liberdade a quem só tem a força de trabalho para vender.

    Recentemente, o vereador Rick Azevedo e a deputada Erika Hilton, ambos do PSOL, conseguiram dar a tração que faltava à proposta, com nova roupagem e nova abordagem que foram bem entendidas por uma população exausta.

    A escala 6x1 é herdeira de uma mentalidade que nunca engoliu bem a ideia de que pobre também tem direito a descansar, estudar, ficar com os filhos ou simplesmente não fazer nada num domingo à tarde.

    Sempre que se propõe ampliar direitos, a sirene toca: vai quebrar o país. Tocou na abolição, tocou no 13º salário, tocou na PEC das Domésticas. O país não quebrou. Quem quebrou, quase sempre, foi o trabalhador.

    Dito isso, convém conter a euforia. A aprovação é o começo de uma caminhada, não a linha de chegada. O texto prevê transição: o teto semanal será de 42 horas passados dois meses da publicação e de 40 horas após um ano e dois meses. É tempo suficiente para empresas se adaptarem e, também, para que muitas tentem dar um jeitinho. E aí entra a fiscalização. Direito que não é fiscalizado vira enfeite constitucional.

    O poder público vai ter que garantir formas de apoiar a transição, principalmente de pequenos negócios, mas sem aumentar a já longa lista de subsídios concedidos para a conta não voltar para o colo dos próprios trabalhadores.

    E o retrocesso está sempre à espreita. Flávio Bolsonaro, que anteriormente criticava a proposta e defendia a remuneração por hora trabalhada, declarou apoio e votou pelo fim da escala 6×1. Uma conversão às vésperas do segundo turno, depois de ver as ruas e as pesquisas apoiando a proposta abraçada por Lula. Mas ele também afirmou que, caso eleito, fará alterações na PEC em favor dos empresários, e aliados seus prometem ao setor uma nova proposta que esvaziaria a conquista sob a bandeira da "livre negociação".

    Livre negociação entre quem? Entre um patrão com advogados, caixa e a possibilidade de substituir funcionários amanhã, e uma trabalhadora que precisa do salário para pagar o aluguel do mês que vem? Isso não é negociação, é a raposa e a galinha discutindo o cardápio do jantar.

    Há 138 anos, o Brasil prometeu que trabalhador deixaria de ser objeto. Há 38, prometeu que ele teriam tempo para isso. Nesta quarta, o Congresso começou, enfim, a pagar a conta. Cabe agora à sociedade garantir que ninguém venha, com um sorriso no rosto em nome da liberdade, tentar renegociar a dívida.

    UOL 

     

    ADEUS, MANGA

     Pode ser uma imagem de uma ou mais pessoas e pessoas sorrindo

     

     

     

     

     

     

    EDIEL RIBEIRO 

     

    Cássio Manga foi um grande cartunista. Literalmente. Tinha quase dois metros de pura genialidade.
    Grande na altura e no talento, Cássio Manga foi caricaturista, cartunista, compositor, designer gráfico, ilustrador, cantor e diretor de arte.
     
    Nascido Cássio Scavone, na cidade de São Paulo, em 30 de março de 1962, o ‘Manga’ veio (substituindo o apelido “Macarrão”, que ele odiava) quando rasparam sua cabeça ao ingressar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
    “Parecia mesmo uma manga chupada” - dizia ele, rindo.
     
    Foi o cartunista Jal que me apresentou ao Manga. Nossos encontros eram esporádicos. Nos encontrávamos sempre que eu ia a São Paulo para lançamentos de livros, salões de humor ou exposições em que ele também participava; como as exposições sobre Paulo Caruso e Angeli e o lançamento do livro “90 Maluquinhos por Ziraldo”, comemorativo aos 90 anos do pai do ‘Menino Maluquinho’, organizados pelo cartunista Edra Amorim.
     
    O cartunista era apaixonado pelo Palmeiras. Tivemos algumas discussões, eu defendendo o meu ‘Mengão’ e ele o seu ‘Verdão’. Apesar de palmeirense doente, certa vez desfilou na comissão de frente da Gaviões Serranos:
     
    “Há, rapaz! Causei maior estrago. Na primeira noite, entrei no desfile na Comissão de Frente (Silvana, minha mulher, fazia parte dela) e só saí quando a Escola toda passou. Mais me enquadraram, e me comportei bem no segundo dia. Fiquei na ala fazendo coreografia de mosqueteiro. O mais louco é que desfilava com o distintivo do Corinthians sem problema algum. Hoje, apanharia dos meus amigos palmeirenses” - contava, sorrindo. 
     
    Boêmio, era frequentador assíduo da Praça Benedito Calixto, no bairro Pinheiros, onde acontece todos os sábados uma das feiras mais tradicionais e famosas da cidade: a ‘Feira de Artes, Cultura e Antiguidades’. Ficava no ‘Cantinho Português’, uma das mais tradicionais e famosas barracas de comida de rua de São Paulo, comandada por Dona Vera, recebendo os amigos e ouvindo chorinhos.
    Manga também era poeta. Fazia aqueles poemas no estilo palíndromo (palavra do grego palin que significa "para trás, novamente", combinado com dromos que significa "caminho" ou "corrida"), difícil pra cacete. Uma vez me mandou um palíndromo em que brincava com o meu nome: “Ediel é Leide”.
    O cartunista publicou um livro de poemas em palíndromos com o título de ‘Palindroemas’, ilustrado e lançado por ele na Casa das Rosas, na Avenida Paulista, em São Paulo.
     
    Publicou seus trabalhos nos jornais ‘Folha de São Paulo’, ‘Pasquim 21’, e nas revistas ‘Mad’ e ‘O Paulistano’, entre outras. Fez capas para as revistas ‘Primeira Leitura’, ‘Mad’ , ‘Courier’ (Japão) e ‘Pasquim’, onde dividia espaço com a célebre geração que moldou o humor crítico nacional — que incluía nomes como Jaguar, Ziraldo, Nani e Millôr Fernandes, entre outros —, seu traço combinava com a proposta irreverente e a "estética de botequim" que ditavam o ritmo do jornal.
     
    Participou de inúmeras exposições e salões de humor; entre eles os tradicionais ‘Salão de Humor de Piracicaba’ e 'Salão Internacional de Humor de Caratinga'. Expôs seus trabalhos em mostras coletivas, incluindo exibições organizadas nas estações do Metrô de São Paulo, pelo cartunista Jal. Integrou mostras virtuais coletivas de grande repercussão, como a exposição realizada por cartunistas em homenagem ao jornalista Ricardo Boechat, Sílvio Santos, Paulo Caruso e Angeli. Ilustrou com caricaturas animadas (giffs) o quadro “Pra Quem Você Tira o Chapéu”, do Programa Raul Gil, no SBT. Trabalhou em agências de propaganda e como Designer de Publicidade para a revista ‘Tudo’.
     
    Artista multifacetado, Manga apresentou também o quadro de comédia “stand-up” - ‘Deu pano pro Manga’ - em bares e teatros de São Paulo. Co-escreveu e atuou na peça ‘Sobre Humano’. Produziu, escreveu e apresentou o programa ‘Fiapos do Manga’, na KazTV.
     
    Além das artes visuais, Cássio Manga teve forte ligação com o meio musical. Fundou, junto com o cartunista Ruy Jobim Neto e o maestro Gerson Grünblatt, a Cia. ‘Mestremundo de Histórias’, uma produtora voltada a misturar humo
    r, dramaturgia, música e discussões sobre a cultura brasileira por meio de shows e pocket-shows.
    Cássio Manga faleceu na última quarta-feira, dia 14 de outubro de 2026, em São Paulo, vítima de um infarto fulminante.
     
    Adeus, amigo!

    Flávio Bolsonaro quer destruir o que faz do Brasil um dos lugares mais maravilhosos do mundo,

     

     

    Édouard Louis* 

    Eu estou com medo. Estou com medo porque Flávio Bolsonaro pode vencer a eleição para presidente no Brasil, e o que ele quer é destruir tudo o que faz do país um dos lugares mais maravilhosos do mundo.

    Eu só estive algumas vezes no Brasil. Passei apenas algumas semanas neste país. Não pretendo compreender toda sua complexidade. Eu não conheço em detalhes a história do Brasil nem sua geografia ou o conjunto das culturas que o compõem. Há tanta gente no mundo, a começar pelos próprios brasileiros, que têm muito mais a dizer do que eu sobre este lugar do planeta.

    No entanto, apesar das limitações do meu conhecimento, eu sei de uma coisa: tudo que eu vi em minhas viagens ao Brasil, tudo que testemunhei, tudo que constitui a beleza, a força e a singularidade desse país, Bolsonaro quer destruir.

    A sublime e misteriosa floresta amazônica, sem a qual a humanidade não pode sobreviver, e graças à qual o oxigênio do planeta é respirável, e que Flávio Bolsonaro, assim como seu pai fez antes dele, quer devastar para vendê-la ao capitalismo mais destruidor.

    A alegria que explode quando, no samba, à noite, os homens e as mulheres cantam em uma só voz, homens brancos, mulheres negras, homens negros e mulheres brancas, todos ao redor dos músicos da roda de samba, sonhando com um mundo melhor e nos provando que podemos viver, cantar e sonhar juntos, todos esses corpos que Bolsonaro vai tentar colocar uns contra os outros, separar uns dos outros por meio de suas políticas racistas, da perseguição das populações negras das favelas, de todo o poder que ele vai dar à polícia, que, no mundo inteiro, nós sabemos, tem como alvo prioritário as pessoas não brancas.

    O Brasil é também todas as vezes em que vi dois homens se beijando, ou duas mulheres, com total liberdade, na praia, em frente ao mar nas noites de verão, nos bares no Rio ou nas ruas quentes de São Paulo à noite, no samba do trabalhador ou nas areias de Paraty durante o festival da Flip.

    Toda essa liberdade, que existe em tão poucos países no mundo, Flávio Bolsonaro tentará apagar, dando cada vez mais espaço ao fundamentalismo religioso, opondo-se aos direitos das pessoas transgênero, gays e lésbicas, como fez tantas vezes no Senado ao longo dos últimos anos.

    Todas as vezes em que observei, nas praias do Rio, pela manhã, amigos bebendo água de coco para se recuperar dos efeitos do álcool, depois de uma noite de festas, risadas e encontros. Essa cultura da alegria, da amizade e da celebração popular contra a qual a família Bolsonaro sempre declarou guerra abertamente, ao atacar o Carnaval ou os desfiles de rua, supostamente ameaçadores à ordem e à "família tradicional".

    O Brasil é, ainda, uma cultura musical imensa, o Brasil é todas as vezes em que eu ouvi brasileiros cantando Gilberto Gil ou Caetano Veloso, enquanto em 2022, durante a Copa do Mundo de futebol, apoiadores de Jair Bolsonaro perseguiram Gil em público, ameaçando-o e insultando-o, os mesmos apoiadores que hoje defendem Flávio Bolsonaro, que, por sua vez, defende o legado político de seu pai.

    Brasil é uma literatura grandiosa que conquistou o mundo. Machado de Assis, Clarice Lispector, Victor Heringer, todos esses grandes autores que fazem a cultura brasileira brilhar mundo afora, que vieram das margens ou pertenciam a parcelas da população odiadas pela extrema direita conservadora. Machado de Assis era descendente de escravizados, Heringer era homossexual, Lispector era mulher.

    Bolsonaro, ao cortar os gastos do Estado e, em consequência, os serviços públicos, tornará a vida dos pobres mais difícil, e os reduzirá, enfim, ao silêncio. Bolsonaro, que fez muitas declarações machistas e misóginas e vangloria a família tradicional, dificultará a emancipação das mulheres. Bolsonaro, ao colocar em curso políticas repressivas que terão como alvo a população mais vulnerável, e, portanto, em grande parte, a população não branca, silenciará a diversidade.

    Num mundo bolsonarista, não existiria Lispector nem Machado de Assis nem Heringer. Não existiria literatura.

    Eu tenho plena consciência de que, ao evocar minhas lembranças do Brasil e meu conhecimento muito limitado do país, não estou mencionando os problemas enfrentados pela sociedade brasileira, as desigualdades, a violência, a pobreza, a corrupção.

    Mas, justamente, Flávio Bolsonaro vai agravar todos esses problemas. Bolsonaro quer uma sociedade do medo, da violência, da prisão, do ódio, da polarização, do desmonte do Estado. Uma sociedade da família conservadora, da brutalidade, da ordem, da desigualdade, da reprodução das classes sociais, uma sociedade onde cada um permanecerá em seu lugar, enquanto o clã Bolsonaro continuará a enriquecer com seus esquemas de corrupção.

    A autora francesa Marguerite Duras certa vez escreveu que a direita e a morte são sinônimos. O Brasil que Bolsonaro quer é um Brasil morto. Um Brasil sem alegria, sem liberdade, sem música, sem negros, sem cultura, vocês percebem?

    Um Brasil sem solidariedade, sem amor, sem arte, sem música, sem mulheres, sem poder beijar quem vocês quiserem, sem poder dançar quando e onde vocês quiserem. Um Brasil sem paixão, sem diversidade, sem Nordeste, ou com um Nordeste silenciado. Um Brasil sem Candido Portinari, sem literatura, sem partilha, sem Amazônia, um Brasil sem Gilberto Gil, sem sonhos, sem progresso.

    O que Flávio Bolsonaro quer é um Brasil sem Brasil, ou seja, um Brasil esvaziado de tudo que constitui a força e a grandeza do Brasil, sua identidade.

    O sonho de Flávio Bolsonaro é um Brasil submisso aos Estados Unidos e a serviço deles, um Brasil em que os bilionários possam continuar a desviar dinheiro do povo, um Brasil de prisões, jaulas e armas de fogo, um Brasil em que o medo reinará, um Brasil em que os brancos terão medo dos negros, os negros da polícia, um Brasil em que os pobres terão medo dos pobres, em que os jornalistas terão medo de se expressar.

    Como disse recentemente um professor da Universidade de São Paulo, não deixem Bolsonaro fazer vocês acreditarem que o Brasil precisa se tornar triste para se tornar forte.

    O Brasil é forte porque está vivo.

    Eu estou com medo, mas eu peço a vocês que não tenham medo e que lutem nesse segundo turno das eleições.

    Estou com vocês.

    FOLHA 

     

     


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