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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    terça-feira, junho 16, 2026

    May Be The Last Time, I Don't Know - Bessie Jones

     

    May be the last time we sing together
    (Oh, it may be the last time, I don't know)
    Well, it may be the last time we sing together
    (May be the last time, I don't know)


    Sly & The Family Stone - Family Affair

     

    One child grows up to beSomebody that just loves to learnAnd another child grows up to beSomebody you'd just love to burn
    Mom loves the both of themYou see, it's in the bloodBoth kids are good to momBlood's thicker than the mud

    South Norwood


     

    segunda-feira, junho 15, 2026

    Mas que mãos grandes, Vozinha?!

    DUKE




    GILMAR




    MARTINEZ

     

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    Cabo Verde, Vozinha e o dia em que o relógio venceu

     

     

     Goleiro Vozinha, de Cabo Verde, é celebrado pelos companheiros de time após fechar o gol no jogo contra a Espanha na Copa do Mundo

    Thales Machado

     

    O futebol moderno passa boa parte do tempo procurando adolescentes.

    A cada temporada surge um novo fenômeno de 16 anos, um novo prodígio de 17, um novo menino destinado a mudar o jogo antes mesmo de ter idade para dirigir. Clubes investem milhões na juventude. Torcedores discutem potencial futuro. A indústria inteira parece movida pela obsessão de descobrir o amanhã antes que ele aconteça. Então chega uma Copa do Mundo e o personagem do torneio até aqui é um goleiro de 40 anos chamado Vozinha.

    A Espanha terminou, com razão, frustrada com o empate sem gols contra Cabo Verde, a maior zebra do torneio até agora. Vozinha terminou chorando, abraçado pelos companheiros, celebrado por uma ilha inteira e por outros países um tanto maiores. Durante noventa minutos, defendeu tudo o que havia para defender. E talvez também tenha defendido uma ideia cada vez mais rara no futebol: a de que o tempo nem sempre é um adversário.

    Seu nome verdadeiro é Josimar Dias. Recebeu esse nome em homenagem a Josimar, o lateral do Botafogo que encantou o mundo na Copa de 1986. O apelido veio por outro caminho. Foi criado pelos avós e cresceu tão próximo deles que acabou virando Vozinha para todo mundo.

    Há algo de bonito nisso. Enquanto tantos jogadores chegam à Copa carregando marcas, slogans e estratégias de marketing cuidadosamente desenhadas, o herói improvável de Cabo Verde entrou em campo carregando um apelido jocoso da infância.

    A história é cercada de improbabilidades tanto quanto Cabo Verde é cercada pelo Atlântico. Vozinha não soa como nome de goleiro destinado a parar uma potência mundial. Não é nome de astro da Copa. Não parece sequer nome de atleta profissional. É o apelido de alguém que continua sendo tratado com carinho pelos parentes mesmo depois de adulto.

    Mas foi ele quem parou um dos ataques mais talentosos desta Copa. A Espanha entrou em campo representando tudo o que o futebol contemporâneo mais valoriza: juventude, velocidade, novidade. O país que revelou Lamine Yamal ao mundo e que parece ter descoberto uma mina inesgotável de talentos antes mesmo de eles atingirem a maioridade. Cabo Verde apareceu com um goleiro veterano que chegou ao torneio sem clube. Era quase um confronto de ideias: o futuro contra o tempo, a promessa contra a permanência, a leveza dos 17 anos contra o peso dos 40. E, por noventa minutos, o relógio venceu.

    O futebol é uma das poucas áreas da vida em que alguém de 40 anos já é tratado como sobrevivente. Um médico de 40 anos está entrando no auge. Um professor de 40 anos ainda tem décadas pela frente. Um jornalista de 40 anos costuma receber mais responsabilidades do que nunca. Mas um jogador de futebol nessa idade é frequentemente apresentado como uma curiosidade estatística, quase uma peça de museu. Por isso Vozinha provoca tanta simpatia imediata. Em um esporte que transformou a juventude em obsessão, ele apareceu para lembrar que experiência também pode ser uma forma de talento.

    Existe algo que nenhuma televisão consegue mostrar quando uma seleção pequena surpreende numa Copa do Mundo. Não aparece nos melhores momentos, não entra nas estatísticas e raramente cabe nos resumos. É o peso da improbabilidade. A distância percorrida até chegar ali.

    Cabo Verde tem pouco mais de meio milhão de habitantes. É menor do que muitas cidades que sediam esta Copa. Durante décadas, seu maior desafio não foi vencer partidas de futebol, mas simplesmente construir um país em ilhas espalhadas pelo oceano. Um país em que mais cabo-verdianos vivem fora de suas fronteiras do que dentro delas. E, ainda assim, ali estava.

    O futebol adora nos convencer de que tudo pertence aos jovens. Que a próxima grande história está sempre por vir. Que o mais importante é aquilo que ainda vai acontecer. Nesta segunda-feira, a melhor história da Copa foi outra.

    Foi a de um homem chamado Josimar, batizado em homenagem a uma Copa de quatro décadas atrás, conhecido pelo mundo como Vozinha, que chegou aos 40 anos ainda perseguindo um sonho que parecia impossível.

    Talvez seja um lembrete oportuno. Que nem todo futuro chega antes da hora. Às vezes ele chega depois dos quarenta.

    Há anos o futebol procura o próximo fenômeno.

    Ao menos por hoje, quem roubou a cena foi a geração anterior

    O GLOBO

    Muito prazer, a vida real

     May be an image of soccer, football, cleats and text that says '1 MAZAROU 13 Intiz 13 CUP'

     

    Carlos Eduardo Mansur

     

    Não é possível dizer que a chegada à Copa do Mundo de uma seleção brasileira em busca de formação, sistema e jogadores confortáveis em suas funções seja uma surpresa. Como mostrou o empate com Marrocos, o Brasil tentará formar um time com o Mundial em andamento. É um teste de racionalidade para o país, inclusive se o time crescer e ganhar o hexa.

    Durante o longo flerte entre CBF e Ancelotti, e enquanto treinadores entravam e saíam, muita gente minimizava a falta de um projeto a longo prazo, de um ciclo estável. “Não queremos ser campeões de ciclo” era a frase mais ouvida, retrato de um país que despreza os processos. O dano ficou exposto na estreia. Ocorre que, ainda assim, a seleção é candidata na Copa do Mundo. E o pior que poderíamos fazer seria transformar um eventual título em desserviço, em prova de que planejamento é algo desprezível.

    O trabalho de formação da seleção é tão incipiente que a lesão de Wesley se transformou em um imenso problema. Em sua corrida contra o tempo, Ancelotti encontrara um desenho de time no amistoso com o Egito. Paquetá saía da direita para o centro e liberava o corredor para Wesley. Com a lesão dele, não havia no elenco outro jogador com vocação para cuidar de todo o lado direito, especialmente para atacar por ali.

    Ibañez foi um dos tantos problemas da seleção contra Marrocos. Com a bola, além de um lado direito sem agressividade, a presença de Raphinha fazendo o movimento da esquerda para o meio produzia poucas associações com Vinicius Júnior e quase nenhum momento em que o jogador do Barcelona era lançado em profundidade, sua especialidade. A seleção não articulava bem, por vezes com distâncias grandes entre os jogadores. Achou o gol na grande jogada individual de Vinicius.

    Mas a grande questão era pior sem bola. O time é moldado para que Vinicius tenha menos tarefas defensivas. Ele ataca como um ponta, mas quem defende por ali é Raphinha. Não tem funcionado. O resultado é que os volantes do Brasil ficam com muito espaço para cobrir. No calor desta Copa do Mundo e no momento de carreira de Casemiro, é arriscado. Marrocos acumulou meias e sempre deixou o Brasil em inferioridade.

    Ancelotti minimizou o problema e ocupou melhor o campo num 4-3-3 na parte final do primeiro tempo, com Raphinha na ponta direita. O meio-campo teve Paquetá junto a Casemiro —depois substituído por Fabinho — e Bruno Guimarães. O campo ficou mais bem ocupado. Mas a seleção esteve longe de ser criativa.

    Caso seja essa a nova ideia, Ancelotti ainda terá dúvidas a resolver: Igor Thiago, que tecnicamente ainda não se firmou, ou Raphinha no centro do ataque? Qual o trio de meio-campo que terá consistência e criação? Vinicius jogará pela ponta, mas terá que defender?

    São questões com as quais todo treinador depara ao tentar formar um time. Mas o Brasil fez com que Ancelotti tivesse que lidar com elas em plena Copa. O jogo mostrou o que é o mundo real de uma seleção que corre contra o tempo para se estruturar, num futebol de seleções em que há cada vez mais rivais fortes, como Marrocos. Menos mal que há talento e que a provável classificação para a próxima fase dará mais alguns dias para Ancelotti encaixar o quebra-cabeça.

     

     

    Empate na estreia reforça dúvidas que a seleção já carregava para a Copa

     

     Vini Jr. no empate do Brasil com o Marrocos na estreia da Copa do Mundo

    Por Marcelo BarretO

    Tenho especial fascínio por uma das nossas tradições em Copa do Mundo: vocês da imprensa pedem um palpite de placar a todos os entrevistados, sejam ex-jogadores, celebridades ou populares suados. O resultado final nunca é tabulado, mas dessa coleção de aleatoriedades às vezes sai uma percepção. Para a estreia do Brasil, mais do que não haver otimismo exagerado nos gols a favor, notei que quase todo mundo cedia um ao Marrocos. Podia ser um sinal de desconfiança com a nossa defesa, que levara gol nos cinco jogos anteriores. Ou de respeito ao adversário

    O Marrocos foi o quarto colocado na última Copa, mas só tem sete jogadores remanescentes daquele grupo. O treinador, que assumiu há três meses, levou a seleção sub-20 do país ao título mundial, mas só um desses jovens foi com ele para o time principal. Um ciclo de mudanças, que não esteve imune a crises – o técnico anterior foi demitido porque se esperava mais da atuação na Copa Africana, conquistada no tapetão. Mesmo assim, os marroquinos chegaram mais organizados do que os brasileiros. Postaram-se em linha no ataque, trocaram passes com calma, invertendo o eixo das jogadas. E acharam o gol previsto pelos palpiteiros num contra-ataque, justamente quando sofria os primeiros momentos de pressão.

    No empate, a surpresa não foi a forma, mas o momento. O pouco que o Brasil conseguira no primeiro tempo viera dos duelos individuais de Vini Jr contra Hakimi. Depois da abertura do placar, um abatimento geral se somou aos erros individuais, como os botes sem tempo de Ibañez e as bolas perdidas por Paquetá. Até que o atacante que Ancelotti monta o time para deixar livre correspondeu ao que se espera dele – e a seleção foi para o intervalo com um resultado melhor do que a atuação.

    O time que voltou, com Fabinho e Danilo substituindo Casemiro e Ibañez (os mais perdidos no primeiro tempo, ambos punidos com cartão amarelo), era mais calmo. A postura defensiva melhorou, a pressão na saída de bola aumentou – um bom lembrete de que Copa do Mundo tem muitos outros fatores envolvidos além da organização tática. Na segunda pausa para hidratação, com Luiz Henrique e Matheus Cunha em campo, finalmente já não parecia mais que o pentacampeão mundial em campo era o de vermelho.

    Marrocos também mudou, deixando o time mais jovem. Mas o ritmo do jogo diminuiu. Embora já fosse noite em Nova Jersey, o calor, que esteve próximo dos 30 graus durante todo o jogo, cobrou seu preço. A torcida brasileira no estádio começou a pedir a entrada de Endrick, vendo no jovem jogador alguém capaz de botar alguma energia extra no time, mas quem entrou foi o outro Danilo, com mais preocupações defensivas do que nos amistosos pré-Copa.

    O jogo terminou com pressão do Marrocos, com o marroquino Bouaddi como o melhor em campo, com atuação insegura de Gabriel Magalhães, sem que Alisson tenha conquistado a confiança da torcida e sem um indício claro de que o curto trabalho de Ancelotti à frente da seleção tenha dado mostras de uma grande evolução. Não me lembro de algum dos palpiteiros ter previsto um empate. Mas quem quiser arriscar um placar contra o Haiti deverá levar em conta que o Brasil chegará com as mesmas dúvidas que tinha na estreia. 

    O GLOBO 

     

     

    5 Dinosaurs




     

    Welcome to Trump’s World Cup, a depressingly angry version of football uniting the planet

     Welcome to Trump’s World Cup, a depressingly angry version of football uniting the planet | Barney Ronay

    "There is a suggestion that the sheer scale of Fifa’s complicity might finally leave Infantino exposed, vulnerable to the challenge of his members at next year’s presidential hustings. This World Cup is his life’s work, his masterpiece, but possibly also a moment of overreach. Infantino has absorbed Fifa into his bones, become its one man brand, its official Instagram mouthpiece, the sun king who believes he has a divine calling to be in these rooms doing these things. Now I am become football, destroyer of worlds.

    He has also stretched Fifa’s own statutes by aligning the global game with a single divisive political movement, has run this World Cup without a local organising committee, overseeing it rainmaker-style alongside the Maga politician and renowned American patriot Andrew Giuliani. Football survived Qatar and Russia. It will survive this too, but in what form, with what degree of love and trust and connection? How thin can you stretch this thing, how far can you push the window of tolerance? We may be about to find out."

     read article by BARNEY RONAY 

    Welcome to Trump’s World Cup, a depressingly angry version of football uniting the planet | World Cup 2026 | The Guardian

    Big money is killing the World Cup spirit.

     Big money is killing the World Cup spirit. Fans deserve a sporting chance at tickets

    "There is nothing wonderful in the world that men in suits can’t find a way of spoiling. Football World Cups used to be great: massive events to which the world’s eyes were glued. Not one of us watched, or went to, West Germany, Argentina, Spain, Mexico or Italy and thought: “You know what? This is all very well – but if only it was all a bit bigger.”"

    read opinion by ADRIAN CHILES  

    Big money is killing the World Cup spirit. Fans deserve a sporting chance at tickets | Adrian Chiles | The Guardian

    domingo, junho 14, 2026

    4


     

    Basil x Marrocos: que deserto é esse?

    MIGUEL PAIVA 
     

     
     
     
     

     
    AMORIM
     

     

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    3 X Crystal Palace Park

    Jethro Tull - AQUALUNG

     

    Sitting on a park bench
    Eyeing little girls with bad intent
    Snot running down his nose
    Greasy fingers smearing shabby clothes
    Hey, Aqualung

    3 LEAPS 3 SALTOS



     

    Sonny Rollins Alfie's Theme 1973

     


    Sonny Rollins: Tenor Sax. Bob Cranshaw: Bass Yoshiaki Masuo: Guitar Walter Davis Jr:Piano Davis Lee: Drums




    Will teams fear the five-time champions?


    "Their first-half performance here was genuinely appalling. Roger Ibanez, a centre-back who plays in Saudi Arabia, was completely adrift at right-back and replaced at half-time. Casemiro and Bruno Guimaraes looked like they were wading through treacle. Igor Thiago, a surprise selection up front, fluffed his one half chance and barely touched the ball. There was no pattern to the play. They scored in the only way they were ever going to score, via a slice of individual magic from Vinicius Jr."

    read more> 

    Brazil struggle in World Cup draw with Morocco: Will teams fear the five-time champions? - The Athletic

    sábado, junho 13, 2026

    Revista elege filmes mais românticos de todos os tempos

     

     Revista elege filmes mais românticos de todos os tempos; veja lista e saiba ao que assistir no Dia dos Namorados

    A revista americana “Variety”, referência em cinema e cultura pop reuniu os 50 filmes mais românticos de todos os tempos" 

    Revista elege filmes mais românticos de todos os tempos; veja lista e saiba ao que assistir no Dia dos Namorados – Canal do Madeira

    Por falar em Santo Antonio...

     


    MARIO BAGG

    Seleção brasileira, uma namorada antiga

     Homem com cabeça raspada segura a gola da camisa amarela da seleção brasileira cobrindo parte do rosto, com o escudo da CBF visível no peito. Ele é o jogador Roberto Carlos.

     

    Luis Curro

     

    12 de junho. Dia dos Namorados. Data muito celebrada pelos casais românticos, pelos pares apaixonados. Jantares especiais, presentes inolvidáveis, declarações poéticas. "Love is in the air", cantou pela primeira vez em 1977 o escocês-australiano John Paul Young.

    Neste início de Copa do Mundo, faz-se necessário registrar que meu namoro com a seleção brasileira é antigo. Começou em 1982, quando, garotinho, apaixonei-me pela equipe comandada por Telê Santana e formada por craques da estirpe de Zico, Sócrates, Falcão e Júnior.

    Cheia de ginga e vivacidade, eu já imaginava o nosso casamento. Só que a eliminação dramática diante da Itália resultou em rompimento. Com tamanha dor não dava para continuar. Era preciso sofrer silenciosa e solitariamente.

    Jogadores de futebol caminham no campo após o término da partida, alguns sem camisa, com público numeroso nas arquibancadas ao fundo.
    Tristeza na Copa da Espanha em 1982: Éder, sem camisa, e Luisinho no gramado do Sarriá depois da derrota da seleção para a Itália -   Jorge Araújo - 5.jul.82/Folhapress

    A versão de 1986, novamente com Telê, e com Sócrates, e com Zico (em recuperação de lesão), e com Júnior, e com Falcão (na reserva), era uma continuação, ainda garbosa, da de 1982. Não foi difícil voltar a flertar e a reatar o namoro.

    Um reatamento promissor, com Careca brilhando na frente, Josimar gratíssima surpresa na lateral direita –justamente na posição em que agora a seleção não tem ninguém– e uma defesa que remetia ao hino do Palmeiras, "ninguém passa", zero gol sofrido em quatro jogos.

    Até que veio a França, uma intrometida que reapareceria depois um par de vezes. Estraga-prazeres, estraga-namoro.

    Mesmo quando se gosta muito, e eu gostava muito mesmo da seleção, a relação pode começar a ficar desgastada se os finalmentes não chegam. No caso da Copa, eles são a conquista da taça.

    Todo o encanto e a empolgação são ótimos, mas, se falta o principal, o continuar gostando torna-se árduo. Decepções castigam o namoro.

    Pior é se, faltando o prato principal, nem o aperitivo é bom. A partir de 1990, meu compromisso com a seleção existiu, porém sem o fascínio de outrora.

    Lazaroni, naquela Copa de eliminação ante a Argentina de Maradona, e Parreira, na seguinte, de vitória nos pênaltis após um 0 a 0 na final diante da Itália de Baggio, destruíram o futebol-arte, o maior atributo que a namorada oferecia.

    Até houve bons momentos, o ápice em 2002, com maravilhas oferecidas pelos Ronaldos e Rivaldo, para depois o "não estou nem aí" da seleção ganhar contornos impensáveis. As DRs intensificaram-se.

    Pisadas de bola minam a sedução, enfeiam a formosura. No entanto, a esperança que insiste em não morrer, aliada à expectativa que parece eterna do "agora será como antes", reata novamente o namoro.

    O que a seleção oferece em contrapartida? Arrumada de meião (2006), pisão e expulsão (2010), humilhação (2014), cai-cai (2018), desatenção (2022). Fatalidades? Tantas? Erros. Evitáveis.

    Azedou de vez. Tentei, quis ir além do namoro. Casamento, contudo, é coisa séria. E quando a descrença supera o desejo, não tem jeito.

    esta vez, a seleção não será minha namorada. Continuo fiel a ela, jamais estarei com outras, por encantadoras e deslumbrantes que sejam. Mas insistir nesse namoro soa como dar murro em ponta de faca. Masoquismo.

    Não consigo por ora voltar a me declarar, e este Dia dos Namorados passo sem ela. A paixão ressurgirá durante a Copa? A flechada do cupido terá de ser possante. Profundamente.

    FOLHA

     

     

     

     

     

    Brasil não é favorito, mas está longe de ser azarão

     

     

     

    Marcelo Bechler

    O Brasil não chega como favorito. Simples. Não fizemos um bom ciclo —nem em resultados, nem em desempenho. Nossos principais jogadores não conseguiram encaixar e formar uma equipe. Há esperança e também desconfiança de que Neymar chegue a tempo de nos salvar. O Brasil não é favorito, mas tampouco é azarão. Chegaremos em um bolo de seleções incompletas, em um torneio de oito jogos, sendo cinco mata-matas, que permitirá surpresas e times de ocasião chegando longe.

    Quem fez o dever de casa e se organizou para entrar na Copa colocando medo foram Portugal, Espanha e França. Em teoria, a Argentina também, em que eu confio menos. As três seleções anteriores têm jogadores de sobra, formas de jogar bem consolidadas e foram testadas e aprovadas recentemente.

    A Espanha aposta no controle de jogo com muita técnica desde os zagueiros, meio-campistas que não te deixam tocar na bola e dois atacantes de improviso, 1 vs 1 e capacidade de decisão. O que pesa contra é que justamente estes dois, Nico Williams e Lamine Yamal, chegam lesionados e não possuem substitutos à altura. A Espanha precisará recuperar seu melhor jogo já com a Copa em andamento.

    Portugal e França possuem um misto de força, técnica e pragmatismo que pode levá-los longe, mesmo com os times dando a sensação de que jogam menos do que poderiam. Foi assim na Euro de 2024, quando a França foi até a semifinal com quatro gols em seis jogos, três empates, duas vitórias e uma derrota. Portugal caiu nas quartas de final para a França após 120 minutos de 0 x 0. Nas oitavas, também empatou sem gols com a Eslovênia, mas acabou avançando. A aposta é em solidez defensiva e que os ótimos jogadores de meio e ataque sejam capazes de desbloquear os jogos.

    A Argentina vem a seguir, com apenas quatro derrotas desde 2023, título da Copa América e soberania nas Eliminatórias. As questões que geram desconfiança são o ciclo festivo, evitando amistosos com seleções mais fortes, e o baixo nível de jogo na Copa América de 2024. Messi segue sendo o ponto de desequilíbrio, mas, com 39 anos (irá completar dia 24), não se pode esperar o mesmo dele.

    Depois dessas seleções (e todas elas têm pontos negativos relevantes), nenhuma é melhor que a do Brasil. Alemanha e Inglaterra estão num estágio parecido ao nosso: sofrem com instabilidade técnica, trabalho pouco desenvolvido pelos treinadores e muito tempo sem resultados. Holanda, Japão, Marrocos, Equador, Bélgica e Noruega vêm em um terceiro escalão: bons times, sem hierarquia dos outros, capazes de eliminar um grande em um bom dia e cair para alguém pior em um dia ruim.

    O Brasil entra em desvantagem em relação a três ou quatro seleções, em igualdade com outras duas e à frente das demais. Nos falta consolidar a forma de jogar, que os jogadores estejam confortáveis no esquema montado e que ele potencialize os protagonistas Raphinha e Vinicius.

    O que joga a favor é que o melhor técnico da Copa treina a nossa seleção. Com três semanas de treinos, o nível de jogo pode evoluir. Durante o Mundial, Carlo Ancelotti pode fazer esse time ganhar confiança e os jogadores se sentirem melhor. Caso os favoritos avancem em primeiro de seus grupos, o adversário mais difícil até a semifinal será a Inglaterra —um time também em formação. Se o Brasil avançar, é porque o time terá melhorado e poderá enfrentar as seleções mais dominantes nos dois confrontos finais.

    Não sou ufanista, mas também não compartilho do apocalipse em torno da seleção.

    FOLHA 

     

     

    preto & brancos | black & whites


     

    So queria uma boneca


     

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    Lenine & Maria Bethânia - Foto de Familia

     

    Feito um cheiro que destrava uma lembrança boa
    Tem coisa assim que não se ensina
    A foto que tem cheiro de tão nítida
    Ressoa tudo que a memória descortina
    E vira inundação por dentro
    Que só cresce, cresce, cresce
    Contamina no dilúvio bem-vindo da humanidade
    O amor é uma espécie de vacina


    sexta-feira, junho 12, 2026

    4 X Minha Casa

    Paulinho da Viola - Peregrino (Noca da Portela - in memoriam)

     

    Ninguém vive feliz se não puder falar
    E a palavra mais linda é a que faz cantar
    Todo samba, no fundo, é um canto de amor

    A war that may have been a tactical success for the U.S., but is a strategic failure

     

    JEFFREY ST CLAIR>

    + The New Yorker’s Isaac Chotiner is almost always this interesting, but guys from the Atlantic Council usually aren’t. In this interview, Danny Citrinowicz provides a very clear-eyed assessment of the Iran War, documenting Trump’s repeated blunders and the reconstituted Iranian regime’s come-from-behind win. Here are some of Citrinowicz’s key observations:

    “We have to remember what happened on February 28th—that Israel and the United States launched this campaign to topple the regime. In fact, they ended up strengthening it. Opening the Strait is not an achievement, since its closing was a by-product of the war itself. The Iranians are going to get some money, and sanctions relief may come after the deal is signed, too. If they don’t get money from this, they won’t do it. So, in that regard, what we’re facing right now is a war that may have been a tactical success for the U.S., but is a strategic failure.”

    “I have to tell you something about the Iranian regime: They’re feeling so much in the driver’s seat that they’re not going to forgo anything. They have reached their limitations when it comes to compromising, and that’s where we are right now.”

    “[Trump] should have stopped the war after three days…he should have stopped the war and offered to negotiate. There was no purpose after that. After three days, we all knew that there was not going to be any regime change in Iran. So why continue the war? Stop the war, say you won, negotiate on nuclear, capitalize on the fact that they are in disarray, and try to reach an agreement. Now? Now it’s a catastrophe!”

    “[Trump] didn’t have any strategy, any plan, any anything. There were also none of the right experts in the room. Instead, there were people saying, You can do this, you can do that, telling Trump lies. Look at the blockade. How pathetic is his blockade? You should have done it before, not after. Who thought that this blockade would make Iran capitulate? Come on! You don’t know the Iranians. It was obvious it wasn’t going to work.”

    “a collapse of the Israeli doctrine regarding Iran. Not only a defeat, not only a fiasco. A collapse. Look at what Netanyahu promised this whole time. He said, Just give me the opportunity to attack Iran. And he got it, twice. He got the U.S. beside him with all that power, the satellites, the air force, everything, and what have we got? A more radicalized regime that can rush into a nuclear bomb and still have a conventional missile capacity. It’s a shit show because at the end of the day, everything that Netanyahu promised failed miserably. And now Senator Lindsey Graham is talking about normalization. Come on. How can you be this disconnected from the situation in the Middle East? Israel is perceived as more of a threat than Iran by some countries after this. How are you going to have an agreement while Israel is annexing the West Bank?”

    “Leaving the nuclear deal with Iran was one of the greatest strategic mistakes of the twenty-first century, and maybe would qualify as one of the biggest of the twentieth century as well, if you were to include it. Look, it wasn’t an optimal agreement, but it had certain virtues, and the worst thing was that the U.S. actually left the agreement with no counter-strategy. And Iran has learned so much since the U.S. left the agreement, especially on enrichment.”

     

    COUNTERPUNCH 

     

    “Keep the Game Beautiful”: Why ICE Crackdown & FIFA Greed Could Spoil the World Cup

     “Keep the Game Beautiful”: Why ICE Crackdown & FIFA Greed Could Spoil the World Cup

    "I think a lot of the story is about Donald Trump, and he wants it to be about him. We have to also make it about how communities are welcoming these teams. Here in Philadelphia, Ivory Coast played a free game to the public, so that their fans could see. And their fans can’t come from their home country. And it was packed at the Philadelphia Union Stadium. Folks in Virginia, Ghana — you know, the diaspora from Ghana welcomed the Ghana team with traditional instruments. People in New Jersey are welcoming Morocco and supporting them. We have to — we have to also show that people are celebrating right now."

     read the interview with NERMEEN SHAIKH:

    “Keep the Game Beautiful”: Why ICE Crackdown & FIFA Greed Could Spoil the World Cup | Democracy Now!

    quinta-feira, junho 11, 2026

    Nemanja Radulović & Nataša Grujić & Friends - Makedonsko Devoćje | Podium Klassiek

    Sonny Rollins & Thelonius Monk - The way you look tonight (Jerome Kern)

     IN MEMORIAM SONNY ROLLINS


    quarta-feira, junho 10, 2026


     

    Impertinencias

    GUABIRAS




    THIAGO LUCAS




    AMORIM






     FRAGA


    Noca Da Portela - País dos Sem (in memoriam)

     

    eu to vivendo no pais do sem
    sem emprego para trabalhar
    sem dinheiro pras contas pagar
    sem justiça pra justiticar
    sem transporte para viajar
    sem esperança
    e sem sonho pra sonhar


    4 X Paquetá



     


    Our writers’ World Cup 2026 predictions


    Winners? Breakthrough player? Best host nation? Shocks?

     

    There are just a few days to go until the 2026 World Cup kicks off in Mexico City. We’ve been through team analysis, stadium guides and player profiles, and now it’s time for our writers to give us their predictions for the six-week extravaganza of soccer.

    The men to watch, the games not to miss, the surprises, the shocks, and how the three host nations — the United States, Mexico and Canada — will get on. Eleven of our writers have their say.

      

     

    Marjane Satrapi, Artist and Author of ‘Persepolis,’ Dies at 56

     

     Ms. Satrapi, in profile wearing all black, in front of a black wall.

     “Persepolis,” the author Fernanda Eberstadt wrote in a New York Times review of the book, “dances with drama and insouciant wit,” its inky black-and-white drawings modeled on contemporary comics and Persian miniatures.

    read obit Amelia Nierenberg and

     

    Taj Mahal & Keb' Mo' - Diving Duck Blues


    Honey, if the river was whiskey and I was a diving duck

    Ooh y'all, I'd dive upon the bottom, honey, and I'd never come up 

    terça-feira, junho 09, 2026

    3 X Ceu & Mar



     

    Pink Floyd - Money (in memoriam Dick Parry)

     

    segunda-feira, junho 08, 2026

    Cabiria


     

    Copa de Trump não gosta das pessoas

     

     O presidente da Fifa Gianni Infantino exibe o troféu da Copa para o presidente dos EUA Donald Trump

     

    Fifa cumprirá nos Estados Unidos mais uma etapa de seu flerte com o autoritarismo

    Por Carlos Eduardo Mansur
     

     

    A partir de quinta-feira, quando começarem os jogos, as imagens serão replicadas mundo afora: multidões reunidas, cenas de delírio ou decepção. As pessoas amam a Copa do Mundo. Pena que estamos às vésperas de uma Copa do Mundo que não ama as pessoas. Após a teocracia catari, a falsa democracia russa e antes do encontro marcado para 2034 com a sanguinária ditadura saudita, a Fifa cumprirá nos Estados Unidos mais uma etapa de seu flerte com o autoritarismo. Já se foi o tempo em que nos chocávamos com a falta de pudor com que a dona do futebol mundial impunha suas regras a quem era agraciado com a chance de receber a Copa. Desta vez, vemos como nunca antes a Fifa curvada a um governo. A Copa acontece sob as regras de Trump, ainda que o preço seja todo tipo de constrangimento possível imposto ao que orgulhosamente a entidade chama de “família do futebol”.

    Não é preciso fechar os olhos à tirania do regime iraniano para se estarrecer com o fato de que, pela primeira vez, um país vai sediar um Mundial enquanto bombardeia uma nação visitante. É verdade que a agressão ao Irã foi posterior ao infame Prêmio da Paz criado por Infantino para bajular Trump. Mas, àquela altura, o regime americano já bombardeava embarcações no Caribe, ameaçava anexar a Groenlândia, prometia ações militares em diversos pontos das Américas e espalhava focos de tensão onde quer que visse seus interesses contrariados. O sorteio dos grupos da Copa fez o futebol servir de palco à constrangedora cerimônia em que Infantino deu um troféu de consolação ao presidente que falhara em sua campanha de autopromoção ao Prêmio Nobel da Paz.

    Agora, a contagem regressiva para a Copa vê o futebol refém da política de Trump. A Fifa se vê incapaz de proteger seu torneio, a isonomia esportiva ou a dignidade dos participantes para conservar laços políticos e econômicos com Trump. A única condição para que a seleção iraniana dispute o torneio é uma aberração esportiva: o time ficará concentrado no México, jogará suas partidas nos Estados Unidos, mas não poderá pernoitar no país. Ou seja, terá que viajar e regressar à sua base no mesmo dia dos jogos. Enquanto isso, um jogador iraquiano passou sete horas retido na imigração ao desembarcar para a Copa. Jornalistas do Irã e de diversos países da África, embora credenciados pela Fifa, tiveram vistos negados.

    Recente reportagem do site The Athletic apontou a decepção do setor hoteleiro americano com a demanda por quartos. A vilã é a política migratória de Trump e a sensação, corroborada por organismos como a Anistia Internacional e o Human Rights Watch, de que esta pode não ser uma Copa segura para visitantes. Na quinta-feira, o Mundial começa num país que impôs o banimento de entrada a cidadãos de quatro países que disputam o torneio: Irã, Senegal, Haiti e Costa do Marfim. Além disso, torcedores que quisessem sair de Argélia, Cabo Verde ou Tunísia enfrentavam exigências como o pagamento de cauções que podiam chegar a US$ 15 mil por pessoa.

    Infantino e a Fifa silenciaram diante das políticas divisivas, das extradições e da violência contra imigrantes, das ameaças de intervenções militares e demais atrocidades do governo americano. E repetem o gesto enquanto obstáculos são impostos para que torcedores assistam ao maior evento de futebol do planeta, ou enquanto o Irã adiava seu embarque durante a interminável espera por um visto: sinal de uma entidade acuada em seus agrados a um chefe de estado imprevisível, como cartada para evitar ainda mais danos à Copa. Há um ano, Trump dividiu o pódio com os jogadores do Chelsea na mais embaraçosa cena do Mundial de Clubes. Na Copa do Mundo, a sensação é que o espaço dado a Trump será aquele que ele decidir ocupar.

    GLOBO


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