This site will look much better in a browser that supports web standards, but it is accessible to any browser or Internet device.



blog0news


  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

    Assinar
    Postagens [Atom]

    Powered by Blogger

    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    sexta-feira, julho 03, 2026

    A Copa começa quando um favorito vai embora

     

     Orlando Gill defende pênalti em Alemanha x Paraguai

     Brasil e Paraguai tiveram a falta de delicadeza de tornar a felicidade mais interessante

     Thales Machado

     

    Passei boa parte do dia disposto a escrever sobre os derrotados. Havia uma coluna quase pronta na cabeça, dessas que observam o jogador caído no gramado, o choro, a mão do adversário no ombro e encontram alguma beleza onde ninguém queria estar. Brasil e Paraguai, porém, tiveram a falta de delicadeza de tornar a felicidade muito mais interessante. O mata-mata, como costuma fazer, eliminou meu texto antes que ele entrasse nesta forma.

    A fase de grupos tem lá seus encantos. Há jogo no almoço, no lanche, no jantar e, dependendo do fuso e da falta de amor próprio, depois da meia-noite. Descobrimos países, fazemos contas que exigiriam reforço do Ministério da Fazenda. Mas, numa Copa em que 32 de 48 seleções avançam, muita coisa vem com rede de proteção.

    A Copa começou mesmo quando o Japão fez 1 a 0 e o medo de ir embora sentou-se com a gente no sofá. Contra o Marrocos, na estreia, a gente até ensaia uma preocupação, consulta a tabela, diz que o time precisa melhorar. No mata-mata, não existe projeção para a rodada seguinte: existe a possibilidade muito concreta de fechar a mala. Mas aí vem o Brasil, que vira no que era para ser o último minuto, e a comemoração tem a alegria de quem consegue tirar a bagagem do porta-malas cinco segundos antes de o táxi arrancar.

    Depois vieram Alemanha e Paraguai, um encontro de universos que causava a mesma estranheza de quando Chaves e Chapolin apareciam juntos. De um lado, a Alemanha, com Neuer, Kimmich, jogadores de Champions e a pompa de quem parece chegar ao estádio acompanhada por uma comissão da União Europeia. Do outro, o Paraguai, que, mesmo tendo bons jogadores, conserva a aparência de uma seleção formada por atletas que passaram, passam ou ainda passarão por algum clube instalado entre o 8º e o 14º lugar do Campeonato Brasileiro. Um compiladão dos melhores da semana de uma rodada qualquer da Sul-Americana.

    É impossível não torcer por esses homens. Em pouco tempo, o lateral paraguaio de nome familiar se torna próximo; o volante parece aquele sujeito que já foi expulso contra o Fortaleza numa quinta às 19h; o goleiro, o grande Orlando, passa a ser tratado pelo primeiro nome, como se frequentasse o mesmo bar. A Alemanha é uma instituição. Fria e distante. O Paraguai é um grupo de WhatsApp. Não se conhece todo mundo que está lá , mas há certa intimidade no ar. E o grupo de WhatsApp, contra todas as recomendações, sobreviveu.

    O jogo foi chato, o que só melhora a defesa do mata-mata. Nem toda partida precisa ser boa quando pode ser fatal. Durante 120 minutos, a Alemanha e (principalmente, convenhamos) o Paraguai fizeram o futebol andar de um lado para o outro com a disposição de quem procura uma vaga em estacionamento de supermercado. Bastou chegar aos pênaltis para milhões de pessoas descobrirem superstições que não tinham dez minutos antes. O mata-mata não garante espetáculo. Garante que, por noventa, cento e vinte minutos ou mais, o coração desaprenda a ficar quieto.

    A ampliação da Copa nos deu uma rodada a mais desses jogos. Se os 16 avos de final são horríveis no nome, são ótimos no conceito: favoritos assustados, seleções adotadas por uma tarde, cobranças que ninguém tem coragem de ver e heróis que talvez daqui a seis meses estejam marcando o ponta do Bragantino. Depois que esta coluna fechou, Marrocos eliminou a Holanda e produziu outra dessas cenas: brasileiros comemorando pelas ruas e pelas redes uma vitória que, em tese, não lhes pertencia. É o mata-mata distribuindo cidadanias provisórias. Ainda teremos mundos paralelos pela frente.

    Minha coluna sobre os derrotados pode esperar. Agora que a Copa finalmente começou, quem foi derrotado que trate de escrever sobre a beleza de perder. Até aqui, não tenho lugar de fala.

    GLOBO 

     

     

    PVC: Um Brasil de emoção

     

    Multidão de torcedores vestindo camisas amarelas da seleção brasileira celebra animadamente em rua urbana. Pessoas levantam os braços, seguram vuvuzelas e celulares, expressando entusiasmo coletivo. 

    PVC

    A primeira virada da seleção brasileira em 12 anos, desde a abertura da Copa de 2014; a primeira remontada em mata-mata desde as quartas de final de 2002, contra a Inglaterra; teve momentos do velho futebol brasileiro.

    Gol perdido por Casemiro; outro marcado pelo volante, que tirou o sufoco e deu o empate; uma jogada antológica de Vinicius Junior defendida por Zion Suzuki.

    Uma sucessão de erros depois da parada para hidratação do primeiro tempo, mas uma capacidade de emocionar como há tempos não existia na seleção.

    A seleção está crescendo.

    A segunda-feira amanheceu com jeito de feriado. Informações do que abre e fecha. Em qual país do planeta os bancos fecham ao meio-dia para todo mundo poder assistir à seleção às 14 horas? Não, isso não faz o Brasil ser o país do futebol, mas é um pouco sinal de como o futebol ainda mexe com o país.

    E dizem que ninguém mais liga para a seleção brasileira...

    O compacto com a canção "Aqui é o país do futebol" chegou às lojas de discos em 25 de junho de 1970, quatro dias após o Tricampeonato mundial, na voz de Wilson Simonal.

    Dois meses antes, 16 de abril de 1970, Milton Nascimento havia lançado um compacto duplo com a mesma canção. "Brasil está vazio na tarde de domingo, né? Olha o sambão, aqui é o país do futebol."

    Ainda que a cultura do jogo tenha se espalhado e Espanha e Inglaterra tenham mais a ver com o futebol atual, há resquícios de que nossa paixão sobrevive.

    O Japão anunciou na véspera do jogo contra o Brasil que mudaria cinco jogadores em relação aos empates com Holanda e Suíça. Seu técnico, Hajime Moriyasu, pretendia equiparar a força do meio-de-campo, apesar de ter vencido a seleção em outubro do ano passado, amistoso em Tóquio.

    Com tudo isso, cogitar perder para o Japão parece um sinal de que o aquecimento global é inevitável, a rotação da Terra se transformou e que os alienígenas estão chegando ao planeta e seremos todos abduzidos.

    Antes do jogo, profetas do apocalipse tratavam o risco da pior campanha de todos os tempos em Copas, risco que todos correrão, porque pela primeira vez há uma fase eliminatória com 32 times.

    Cair precocemente significa ficar abaixo do 16º lugar, número total de participantes em 1966, quando o Brasil viveu seu maior fiasco ao cair num grupo com Portugal, Hungria e Bulgária.

    Independentemente do que aconteceu contra o Japão, o Brasil precisa repensar seu trabalho. Olhar para um jogo desse tamanho com a certeza de ter trabalhado em nível pior do que deveria, de coletivamente não estar no padrão que se deseja, exige produzir mais para 2030.

    O Brasil chegou e segue sendo, nos Estados Unidos, uma espécie de estudante de ensino médio, extremamente inteligente e pessimamente preparado, que passou três anos sem estudar para a prova e precisou recuperar toda a matéria para ser aprovado no Enem.

    O Brasil segue apaixonado por este jogo. É o país do futebol, porque se soltar uma bola de meia na praia de Ipanema ou na margem do rio Guamá, em Belém, um menino ou uma menina saem chutando.

    Este lugar não pode mais cogitar correr o risco ser derrotado numa eliminatória contra o Japão.

    O Brasil segue na Copa tentando ser uma seleção mais confiável para as oitavas de final.

     

    Marcie - Joni Mitchell

     

    Marcie in a coat of flowersStops inside a candy storeReds are sweet and greens are sourStill no letter at her doorSo she'll wash her flower curtainsHang them in the wind to dryDust her tables with his shirt andWave another day goodbye


    Fifa ignorou sindicato de jogadores e painel de cientistas ao criar pausa obrigatória na Copa

     

     Jogadores da seleção uruguaia de futebol reunidos em círculo no campo, ouvindo orientações do técnico. Alguns atletas vestem coletes marrons, outros o uniforme branco com detalhes azuis, em gramado verde.

     "Ao optar pela novidade, a Fifa ignorou tanto os representantes dos atletas quanto os cientistas. Em resumo, ambos alegam que a pausa é necessária, mas não deve ser obrigatória (e sim segundo as circunstâncias de cada jogo); que a entidade deveria mudar seu parâmetro geral (perigoso para os atletas); e que as adotadas na Copa também careciam de alterações."

    leia reportagem de FABIO VICTOR 

    quinta-feira, julho 02, 2026

    Nature Boy - John Coltrane Quartet



    John Coltrane (tenor and soprano saxophone), McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (double bass), Elvin Jones (drums

    Autorretrato | Self portrait


     

    Brasil 2 x 1 Japão

    BIRA DANTAS
     
     

     
     
     


     
     
     

     
     

     
     

     
     
    AMARILDO
     

     

    Marcadores: , , , , , ,

    Shrinks on the verge of a nervous breakdown: how horror movies came for therapists

     

     

    "More so than the villainous therapist trope – which suggests our shrinks are out to get us – these newfangled therapists tap into a much greater fear. Since all people are faulty in unique ways and weighed down by their own personal baggage, how equipped can any one therapist be to properly deal with another person’s issues? It is telling that in each of these releases, the real sense of dread sets in when a previously self-possessed therapist loses their cool. While scepticism endures around therapy as an infallible cure to our problems, it’s unsurprising that we are seeing such bewildering anxieties projected on to the screen."

    read article by Miriam Balanescu 

    Shrinks on the verge of a nervous breakdown: how horror movies came for therapists | Film | The Guardian

    quarta-feira, julho 01, 2026

    Nels Cline - Glad To Be Unhappy

     

    Fotógrafa dribla restrições na Copa com nova estética

    Fotógrafa dribla restrições na Copa com nova estética - Mídia NINJA

     

    Trump is a Closet Case

     

     

    Jeffrey Saint Clair >

     Another clip for the “Trump is a Closet Case” file with a fetish for butchers…Trump on Egyptian President el-Sisi: “He was in a hotel and I met him. We fell in love, deeply in love … We didn’t know each other before that. We had great chemistry, and I stayed twice as long as I was supposed to.”

    + Sisi seems to have donned a pair of Florsheims for his photo-op with Trump…

    + A couple of hours later, Trump, while not looking so beautiful himself, swooned over Modi at the G7: “You look at this man. I’m going to give you a lesson. He’s the most beautiful-looking man. He looks so nice, he’s like an angel. But actually, he’s a killer. He’s as tough as they come. But he looks so good. So he gets you by surprise.” We’re beginning to see why Trump is so eager to get that ballroom built. He’s already got a full dance card: Jaxon Dart, Joe Thomas, Al-Sisi, Modi.

    + Maybe there was more to the Roy Cohn/Trump relationship than we’ve been led to believe…

    + Trump: “I have been against gay marriage from the standpoint of the Bible, from the standpoint of my teachings.” I guess that clinches it.

      

    Craque da Rodada


    FRAGA
     

     

    Marcadores: ,

    Martinelli strikes in stoppage time to break Japan hearts


    "Not for the first time in this tournament, there were long periods when Brazil did not impress. And not for the first time in this tournament, they got away with it. It may be inexplicable but the Carlo Ancelotti method that worked at Real Madrid is working again: stay in games and eventually either opponents will make a mistake or brilliant players will do something brilliant."

    read report by Jonathan Wilson

    Brazil into last 16 as Martinelli strikes in stoppage time to break Japan hearts | World Cup 2026 | The Guardian

    Estilo camaleônico de Ancelotti não só ajudou Brasil a destravar jogo com Japão como pode ser trunfo na sequência da Copa

     

     "O técnico Carlo Ancelotti já afirmou algumas vezes que não quer que a seleção tenha apenas uma identidade. Mas, sim, várias. "

    leia analise de Rafael Oliveira

    Análise: Estilo camaleônico de Ancelotti não só ajudou Brasil a destravar jogo com Japão como pode ser trunfo na sequência da Copa

    Carlo Ancelotti is Brazil’s antidote to chaos

     

     

    "That moment at full time is far from the first time Ancelotti has reacted in minimalist fashion to a goal. He did it all the time at Real Madrid. The mind also goes back to when he was Everton manager, and the time they scored an extra-time goal in the FA Cup against Tottenham to take a 5-4 lead. Ancelotti reacted by continuing to blow on his cup of hot tea to cool it down. Sure, late winners are important, but you don’t want to scald your tongue, do you?"
     
    read analysis by Nick Miller

    Carlo Ancelotti is Brazil’s antidote to chaos - The Athletic

    Ave, Flávio!



    "No primeiro dia de governo, criou-se o Ministério da Majestade Ofendida. Sua função era simples: toda vez que alguém fizesse piada com o presidente, o ministério avaliaria se a piada era engraçada. Sendo engraçada, era crime. Sendo sem graça, era agravante.

    O Senado, sempre sensível às novidades históricas, reagiu com indignação controlada, que é a indignação quando ainda há cargos a distribuir. Alguns senadores lembraram que Flavius Domitianus havia esvaziado o Senado romano e ficaram em alerta. Outros ponderaram que, no Brasil, isso seria redundante: o Senado já se esvaziava sozinho às sextas-feiras e feriados prolongados."


    leia coluna de Carlos Castelo>
    Ave, Flávio! – Brasil 247

    New Rhumba (Ahmad Jamal) – Miles Davis

     

    Miles Davis – flugelhorn
    Gil Evans – conductor, arranger
    Bernie Glow – lead trumpet
    Lee Konitz - Alto Sax
    Wynton Kelly - Piano
    Paul Chambers - Bass
    Art Taylor - Drums
    Jimmy Buffington - French Horn
    Bill Barber - Tuba
    Eddie Caine - Clarinet
    Joe Bennet - Trombone

    terça-feira, junho 30, 2026

    South Norwood


     

    segunda-feira, junho 29, 2026

    Senhor Delegado - Germano Mathias

     

    Senhor delegado
    Seu auxiliar está equivocado comigo
    Eu já fui malandro
    Hoje estou regenerado

    Os meus documentos
    Eu esqueci, mas foi por distração (comigo não!)



    4 X Praça Mauá





     

    Blood, Sweat & Tears - You've Made Me So Very Happy

     



    IN MEMORIAM DAVID CLAYTON-THOMAS You made me so very happy I'm so glad you came into my life

    Brasil x Japão

    ADNAEL




    SERI





    AMORIM





    FRAGA



    DUKE



    FRED 

     

    Marcadores: , , , , , ,

    For Iran, nothing is as it seems at this World Cup: ‘We have to fight against everything’

     

     “Perhaps a team can advance from a group, but only through fairness and honor can one stand tall before history,” it continued.

     
    READ REPORT BY SIMON HUGHE

    For Iran, nothing is as it seems at this World Cup: ‘We have to fight against everything’ - The Athletic

    Imagens da Terceira Rodada

    FRAGA
     

     
    JBOSCO
     

     
    JBOSCO
     

    FRAGA
     

     

    World Cup knockout bracket predictions: Picking the biggest shocks, best games and winners

     

     

    "After 72 World Cup group stage matches the bracket is set and the pursuit of the game’s biggest prize just got serious.
     
    It’s knockout football from here with all three host nations still standing and stars including Lionel Messi, Kylian Mbappe, Erling Haaland and Harry Kane firing in goals.
     
    So, who is the best team left? Who is going to be in the final? Who are the best fans? The best player? Where will the shocks come? And who is going to win it?"

    World Cup knockout bracket predictions: Picking the biggest shocks, best games and winners - The Athletic

    domingo, junho 28, 2026

    Ronaldo, Messi and the question that haunts sporting superstars: When do you stop?

     

     

    "“Letting go can be extremely hard: there will be no more days in the sun, special moments that are hard to replicate outside the game — and, most of all, the camaraderie. The banter, the brotherhood or sisterhood. And if you’re an elite player, you know you can dig deep to find that something special. At least you think you can. But can you?”"
     
    read article by Philip Buckingham

    Ronaldo, Messi and the question that haunts sporting superstars: When do you stop? - The Athletic

    Tim Maia "O Descobridor dos Sete Mares"

     

    IN MEMORIAM MICHEL

    Pois bem, cheguei
    Quero ficar bem à vontade
    Na verdade, eu sou assim
    Descobridor dos sete mares
    Navegar eu quero

    2 gatos e um pinguim | 2 cats and a penguin


     

    Are England’s key players finding form? Re-ranking the 48 World Cup teams after day 17

     

     

    Are England’s key players finding form? Re-ranking the 48 World Cup teams after day 17 - The Athletic

    Bobby de Carlo - Tijolinho (in memoriam)

     



    Você é meu amorzinho Você é meu amorzão Você é o tijolinho Que faltava na minha construção É verdade... É verdade...

    Crônicas de Marechal atam passado e presente do Rio



    "Surge ali a dupla Romeu e Julieta, casal de cisnes assassinado no Parque Guinle. Um bem-te-vi famoso por ser antitabagista e arrancar os cigarros dos passantes no Catete. E um homem que vende roscas gritando pela região: "Três reais para comer a minha rosca! Gente, a minha rosca é larga e doce!"

    Também aparecem os personagens que ajudaram a escrever a história da cidade. Como Cartola, que sumiu da Mangueira para viver um amor que ninguém sabe quem era. E Carlos Cachaça, grande parceiro do sambista, que se recusa a revelar o segredo mesmo diante da insistência de Marechal em uma entrevista —diz que o amigo lhe aparecia em sonhos cobrando a promessa."


    leia resenha de MaURICIO MEIRELES

    Crônicas de Marechal atam passado e presente do Rio - 26/06/2026 - Ilustrada - Folha

    sábado, junho 27, 2026

    Arap Strap - Sleepers

     

    Now this is my last chance to turn and go homeOnly seconds left before the doors closeI stand in the doorway, my bag left behindI look for light, a whistle blows


    neblina


     

    Rosa e os demônios encarnados


    SERGIO LEO PEREIRA

    Alguns olhos de hoje podem se incomodar, como incomodou-se o poeta Manuel Bandeira, com o aparente conservadorismo de Rosa no tratamento da perturbadora paixão entre os dois jagunços

    O local era uma das charmosas livrarias descoladas de Brasília; a noite, dedicada a um intelectual prestigiado, doutor Ítalo Moriconi, e seu livro saboroso, um guia para a leitura de Grande Sertão – Veredas, de Guimarães Rosa. Vivemos tempos de Rosa, alvo de recente biografia, do jornalista Leonêncio Nossa, e que terá outra publicada em breve, pelo professor da UnB Gustavo Castro. E tem festa na mesma livraria Platô, na Asa Sul, neste sábado, celebrando exatos 118 anos de nascimento do escritor.Leonêncio, aliás, preside um encontro, também amanhã, no Sebinho, na Asa Norte, dedicado ao Grande Sertão, que faz 70 anos.
    A comemoração na Platô terá conversa com um grupo enriquecido por doutores de literatura. Quem mais conheço nesse time é um jornalista, José Rezende Jr., escritor premiado com um Jabuti, que, há trinta anos, tevea valentia de publicar, neste Correio Braziliense, entrevista, usando a linguagem do entrevistado, com o sertanejo que inspirou o personagem Manuelzão, de Rosa.
    Na palestra de Moriconi, gemia uma pobre moça perto de mim, curiosa pelo livro, que nunca havia terminado de ler. Ela conhecia, claro, o spoiler mais famoso do Grande Sertão: que Reinaldo, ou melhor, Diadorim, é na verdade, uma mulher. Mas, que Riobaldo largou tudo e virou fazendeiro? Ai, gemia a moça, com medo de a revelação tirar parte do gosto da leitura. Diadorim morreu? Outro ai.Moriconi dava spoilers, mas tranquilizava. Como diz o próprio Rosa/Riobaldo, já no finzinho do livro (outro spoiler), aprender-a-viver é o próprio viver. Ler essas quase 600 páginas de veredas vale pelo caminhar por elas.O final não é o fim, afinal.
    Alguns olhos de hoje podem se incomodar, como incomodou-se o poeta Manuel Bandeira, com o aparente conservadorismo de Rosa no tratamento da perturbadora paixão entre os dois jagunços, ao fazer, de um deles, mulher. Mas essa ambiguidade não deixa de ser atualíssima, argumenta Moriconi, se concluímos que Diadorim é um personagem contemporâneo demais da conta: um homem trans. Capaz de conquistar seu caminhoe defender seu amor enfrentando provas de machulência, como faz ao cobrir de pancada o jagunço que ousa fazer insinuações sobre a relação carinhosa entre os recém-chegados Reinaldo e Riobaldo.
    O afeto não tem sexo. Ninguém sabe direito qual seria a relação da viúva de Hermógenes, vilão odiado, por Diadorim, que ela preparou para o enterro, revelando a Riobaldo que já conhecia o segredo do falso Reinaldo...Mas, confesso, nonada era isso que eu ia comentar nessa crônica.
    Ao adentrar essas veredas, pretendia contestar Riobaldo, para quem o diabo não existe. O capeta existe, sim; e são os outros, como já dizia um francês. E estava visível naqueles que, na conversa com Ítalo Moriconi, semana passada, na hora das perguntas, encarnaram o demônio do ladrão de palestra. Este ser infernal que, na disposição de uma plateia passiva, decide que teria mais a falar do que o convidado estrela da conversa. Como havia desses, naquele dia!
    Dois personagens, de roupa difícil de avaliar se desconstruídas pela boêmia alternativa ou pela dura realidade da situação de rua, iniciaram a sessão de perguntas sem perguntar; mas com fortes opiniões sobre Rosa. As barbas mal feitas e os cabelos despenteados pareciam indicar a existência de uma insuspeita comunidade de literatos vagantes pelas áreas públicas da capital.
    Um deles, um tanto desconexo, poderia estar falando de James Joyce, ou de Paulo Coelho. Seguiu-se um engravatado, que rezou em voz alta sua devoção a Rosa e contestou, em tom de autoridade, as opiniões do escritor razão do encontro. Mas fiquem os ladrões de palestra em seu vagar. Como Riobaldo, conto menos do que foi, para em dobro não contar. Assim seja que aos leitores uma ideia se faça. Eu mesmo já não acerto o mote disso, já dizia o Rosa; viva ele




    Crônicas de Marechal atam passado e presente do Rio ]

    Crônicas de Marechal atam passado e presente do Rio - 26/06/2026 - Ilustrada - Folha



    sexta-feira, junho 26, 2026

    Loredano – A Pedra do Sal


    Porque existiu ali, quando era à beira-mar, um trapiche para desembarque e depósito de sal, ficou se chamando Pedra do Sal a velha subida da Prainha ou do Quebra-bunda, um dos acessos do Morro da Conceição, no centro do Rio de Janeiro, A Pedra é hoje um trecho da rua Argemiro Bulcão, cuja primeira quadra para o lado da Baía de Guanabara , foi em 2021 rebatizada de rua Tia Ciata, a mais famosa das matriarcas baianas da Pequena África da cidade. A dois passos dali, na atual avenida Barão de Tefé, esteve o nefasto Cais do Valongo, onde, a partir de 1811, desembarcaram na cidade os últimos 500 mil escravizados a ela chegados. Nessa área, o bairro da Saúde, tornada região portuária no início do século 20, fixou-se aquela primeira Pequena África onde se criaram os primeiros grêmios carnavalescos. Universo que depois se transferiu, inclusive Ciata (Hilária Batista de Almeida) para o entorno da famosa Praça Onze de Junho, para além dos morros da Conceição e da Providência

    mais Loredano e Flavio Pinheiro no PASMADO


    'Desculpa' de Flávio Bolsonaro traz críticas a Michelle nas entrelinhas

    Desculpa de Flávio Bolsonaro traz críticas a Michelle nas entrelinhas 

    LEONARDO SAKAMOTO 

    Leia o texto de Flávio Bolsonaro quantas vezes quiser. Em nenhum momento ele está realmente preocupado em se desculpar com Michelle Bolsonaro que, ontem, divulgou um vídeo-bomba acusando o enteado de tê-la maltratado, tratado como idiota e apunhalado. O que está lá é um produto de assessoria em modo de controle de danos, postado depois que os vídeos da ex-primeira-dama viralizaram e começaram a custar votos. Não é uma mensagem para a madrasta, mas para o eleitorado que Flávio precisa para se viabilizar como candidato. Pelo contrário, ele faz críticas a ela nas entrelinhas.

    Uma desculpa genuína começa com reconhecimento claro do erro. Já o texto de Flávio, postado nas redes sociais, começa com um currículo de bom comportamento: "Sou casado há 16 anos, pai de duas filhas maravilhosas e nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida..."

    A frase-chave é esta: "Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas." Primeiro ele nega o ato. Depois condiciona o pedido de desculpas a uma hipótese que ele mesmo acabou de rejeitar, jogando para o ofendido a responsabilidade por ter criado o constrangimento.

    É o equivalente político de dizer "me desculpe se você se sentiu ofendido", um clássico não-pedido-de-desculpas que nós, homens, adoramos usar para parecermos magnânimos sem abrirmos mão de ter razão. Quantas mulheres já ouviram isso?

    Michelle, no vídeo, foi direta, não foram palavras vagas. "Ele me desrespeitou e me maltratou." Chamou o episódio de "punhalada", em português claro, traição. Disse que o senador sugeriu que ela ficasse fora das decisões do partido porque não entendia nada de política. Logo ela, que preside o PL Mulher, mobiliza uma campanha nacional de filiação ao partido, organiza candidaturas de mulheres e é o maior ativo eleitoral da família junto ao segmento evangélico. "Me tratam como idiota", disse. Tudo aquilo que a mulher pobre, eleitorado numeroso, sente na pele todos os dias.

    Diante de acusações específicas vindas de alguém que conviveu de perto com o senador, Flávio respondeu com um textão de LinkedIn.

    O seu post tem uma estrutura técnica precisa. Primeiro, o tal currículo com humanização. Segundo, credencial de caráter ("24 anos de vida pública e sou reconhecido pelo meu equilíbrio"). Terceiro, negação suavizada do ato (a tal desculpa que não é desculpa). Quarto, inferir um descontrole emocional em Michelle ("entendo a angústia da Michelle vendo meu pai, todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça" e "eu também sofro, mas sigo firme", ou seja, ela não).

    Quinto: reposicionamento como "o escolhido" e a verdadeira vítima ("viajando o Brasil carregando o manto que meu pai me deu, passando dias longe de casa, da minha esposa, das minhas filhas, sem poder orar e dar um beijo nelas antes de dormir, sofrendo ameaças de morte"). Sexto, diluição no inimigo comum: Lula e o PT. Sétimo, gesto performático de boa vontade: um convite a Michelle à reunião de "lideranças femininas conservadoras" com Damares Alves. Como eu disse, é um roteiro de manual de crise, não um gesto humano.

    A menção à senadora não é acidental. Primeiro, ela é amiga de Michelle e Flávio quer mostrar que está com ela. Mas também é a senha para o eleitorado específico que está em risco: mulheres conservadoras, cristãs, que admiram Michelle e que podem simplesmente decidir não votar em Flávio. Damares é o ponto. O convite para a participação de uma reunião para construir "o melhor plano de país para as mulheres" é apenas a distração. E o convite à Michelle (com direito à revelação de uma mensagem que teria sido enviada por ele para ela) é o gesto calculado para fazer a ex-primeira-dama parecer a intransigente da história.

    Pense na mecânica disso. Flávio liga para Michelle, ela não atende. Flávio manda mensagem, ela não responde. E isso vira, no texto dele, prova de que ele tentou e foi ela quem recusa o diálogo. Que ela publicou o vídeo mesmo depois de um gesto de reconciliação que ele fez "de coração aberto". A narrativa muda: ele passa de acusado a abandonado. É uma inversão de protagonismo executada com técnica.

    O objetivo do texto não era se reconciliar com Michelle. Era se reconciliar com as pesquisas eleitorais.

    Há ainda o recurso ao sagrado quando ele diz que sua missão é "um projeto de Deus para o nosso país" ou quando aponta que pede "a Deus sabedoria, saúde, força e coragem para fazer a sua vontade". Para o eleitorado evangélico, isso não é conversa fiada. É sinalização de pertencimento, o código que diz: sou um de vocês, estou numa missão maior, não me julgue pelos olhos da política miúda.

    E o "viajando o Brasil carregando o manto que meu pai me deu"? Ali está outra âncora da construção. Flávio não está pedindo votos para si. Está se apresentando como continuidade de Jair Bolsonaro. Diante dele ter sido "o escolhido", o conflito com Michelle ganha outro significado para os seguidores. Porque quem ataca o herdeiro ataca o patriarca.

    Michelle fez os vídeos para, segundo ela, responder aos ataques de aliados do enteado por não estar participando ativamente da campanha. Afinal, se ela não estava entendendo nada, melhor ficar quieta. Pode-se concordar ou discordar com ela em muitas coisas. Mas o vídeo dela, que foi calculado, planejado, pensado e ensaiado, não tem a frieza do texto de resposta de Flávio. Foi feito na temperatura de alguém que decidiu falar o que sente, com as consequências que isso tem dentro de uma família que é também uma máquina política.

    Textos de desculpas reais são desconfortáveis de escrever, pois renunciam ao controle da narrativa e colocam quem escreve em posição de vulnerabilidade. O post de Flávio Bolsonaro não faz nada disso. Ele está no controle o tempo todo e cada parágrafo serve a um propósito eleitoral identificável. Isso não é uma crítica moral ao personagem, mas uma leitura do documento. E o documento diz, com clareza, que Flávio Bolsonaro não escreveu para Michelle Bolsonaro. Escreveu para as urnas.

    Em tempo: Logo após Michelle soltar o vídeo, Flávio postou outro, pueril, vestindo a camisa da seleção brasileira, em que dizia que era "dia de jogo" e que "hoje, nada nem ninguém me aborrece". Lembrou quando ele negou que tinha pedido milhões a Daniel Vorcaro — para ser desmentido por si mesmo logo depois. Agora, ele estava ganhando tempo enquanto sua equipe escrevia aquilo que ele deveria, com sinceridade, postar.

    UOL

     

     

     

     

     

    Casimiro, o ex-amigo revolucionário

    Homem de barba e óculos veste terno escuro e segura troféu dourado com as duas mãos em palco com iluminação azul e vermelha.
     


    Tati Bernardi


    A nova febre das redes sociais é lamentar que o streamer e empresário Casimiro Miguel não é mais o "amigão do sofá", tampouco o revolucionário que esperávamos.

    Eu só assisto a futebol durante a Copa do Mundo, portanto conheci Casimiro quando ele começou a fazer reacts de casas de milionários. Do seu quartinho mambembe, Cazé ria de vídeos com salas suntuosas e sofás impecavelmente brancos que cachorros não podiam sujar.

    Esperava-se que o sujeito que peitou o monopólio da Rede Globo, emissora que se consolidou apoiando a ditadura militar, só poderia atuar como um grande líder "contra o sistema" e a favor dos pobres e oprimidos (esses mesmos que hoje ele ajuda, enquanto enriquece desbragadamente, a se tornarem ainda mais pobres, oprimidos e viciados em bets).

    Sem a pose ensaiada e a locução formal de jornalistas consagrados e chatos (lembra quando o Tiago Leifert era o que existia de mais moderno?), o criador de conteúdo estourou quando decidiu sustentar seus pais (que estavam sem renda durante a pandemia) fazendo lives diárias e despretensiosas. Seu pai ficava preocupado: "Isso é lícito?".

    Em 2022, a Globo achou que não valia a pena transmitir a Copa do Qatar na internet, então Casimiro foi lá e comprou o direito de transmissão dos jogos. Absolutamente genial. Daí vieram as Olimpíadas de Paris em 2024 e o Mundial de Clubes em 2025. Em algum momento a Globo percebeu o que estava rolando e tentou copiar, mas não deu certo. Aliás, nada que a Globo vem forçosa e sofridamente fazendo para parecer "divertida" chega aos pés do que Diogo Defante faz apenas por ser ele mesmo.

    Sempre simpatizei com o Casimiro, por isso cogitei encontrar um jeito de defendê-lo. Primeiro, responsabilizando o Congresso Nacional, que legislou e autorizou as bets em 2018 (o que mudou em 2023 parece não ter resolvido o problema). Depois, tentando pulverizar a demonização: Galvão Bueno se diz um "vendedor de emoções" e tá lá anunciando bets. Por fim, argumentando que, sem o apoio da publicidade, não se faz nem um canal sobre literatura. Mas a verdade é que Casimiro se tornou indefensável.

    O problema não é descobrir que nosso ex-amigo revolucionário é ambicioso e abraçou gostoso o capitalismo. O problema também não é a publicidade em si: as campanhas da Lego ("Everyone wants a piece") e da Nike ("Rip the script") são brilhantes e não fazem ninguém perder a sanidade mental, a moradia e até a própria vida.

    O problema é saber que os 35 milhões de inscritos na CazéTV têm sido induzidos ao erro da forma mais torpe que existe. Não basta a exposição ininterrupta à publicidade das casas de apostas, agora o "call to action" vem no meio da frase de um comentarista esportivo. É como se o William Bonner te estimulasse a apostar em cavalos enquanto narra que o Flávio Bolsonaro foi grosseiro com a madrasta.

    Detalhe: indução ao erro não é crime só na opinião de parlamentares do PSOL, mas dentro das regras do mercado financeiro.

    E a gente faz o quê? Deixa de se emocionar com o futebol? Jamais. Eu sigo aqui, chorando com o técnico de Curaçao, a mãe do Matheus Cunha e o pai do Endrick. Sigo vibrando com os dribles do Vini Jr., com a música "Wonderwall" sendo cantada pela seleção e pela torcida da Inglaterra e com o eterno Ferris Bueller do nosso lado.

    Esta é a Copa das Bets, mas é também a primeira Copa que aplica a Lei Vini Jr. contra ofensas racistas e xenofóbicas. É também a primeira Copa em que minha filha torce por seu país e grita "Foi pênalti" a cada passe de bola.

    Eu tenho certeza de que o Casimiro ainda se emociona com tudo isso também.

    FOLHA


    e o blog0news continua…
    visite a lista de arquivos na coluna da esquerda
    para passear pelos posts passados


    Mas uso mesmo é o

    ESTATÍSTICAS SITEMETER