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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    terça-feira, agosto 04, 2026

    ERIC VAN DER WESTEN 🪶 A Feather

     

    4 X Crystal Palace





     

    segunda-feira, agosto 03, 2026

    Atacar... tarifar...

    QUINHO
     

     

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    Nelson Angelo - Testamento (Nelson Angelo - Milton Nascimento)

     

    Cuidem bem de minha casaTão cheia, meninosTome conta de aquilo tudoEm que acredito
    E juntem todas minhas cinzasAo poema desse rioE plantem meu aduboNa semente de meu povo

    PINK

     


    A Odisseia' de Nolan acerta ao investir em herói adulto e culpado

     


     

    Inácio Araujo

      Com "A Odisseia", a notícia principal é que, finalmente, Hollywood admitiu que já existiu no mundo alguma mitologia antes dos super-heróis da Marvel e da DC e, por uma vez, tirou o Batman de cena para investir num herói adulto.

    A segunda é que os planos iniciais anunciam um filme de enorme beleza: uma praia, o mar, um soldado solitário e, enterrado na areia, um enorme cavalo. O de Troia, o fabuloso truque que definiu uma guerra que começou pelo rapto —ou nem tanto— de uma mulher, Helena, papel de Lupita Nyong’o.

    Logo depois, entram os diálogos e o que uma adaptação dessas sugere de mais perigoso —a postura empolada e o melodrama barato. Mas isso logo passa, o que é muito bom.

    Entramos então em Odisseu, ou Ulisses, papel de Matt Damon, aprisionado durante um naufrágio pelas artes de Calipso —Charlize Theron—, que, depois de salvá-lo de um naufrágio, mantém Odisseu prisioneiro em sua ilha por longos anos. Ao fim dos quais tudo que deseja ardentemente é voltar para Ítaca.

    Nessa altura, diga-se, Odisseu já enfrentou perigos extraordinários e chegou à ilha sozinho, tendo perdido todos os seus homens. Esteve, por exemplo, na ilha dos monstruosos ciclopes, onde cegou Polifemo, o mais temível entre os monstros, fato que desencadeou a fúria de Poseidon, deus dos mares e pai da criatura. Daí decorreram os imensos problemas de Odisseu durante seu retorno a Ítaca, onde era rei.

    Aqui é preciso entrar Penélope —Anne Hathaway— na história: a rainha que espera seu marido anos a fio, recusando as propostas de casamento de uma pilha de pretendentes. Ela tem suas artimanhas para manter-se fiel a Odisseu.

    Este enfrentará outros episódios que fazem de "A Odisseia" a aventura das aventuras, como o encontro com a deusa e feiticeira Circe —Samantha Morton—, que enfeitiça e transforma em porcos os guerreiros de Odisseu, ou a travessia do canto das sereias.

    Mas o essencial no Odisseu de Nolan é a enorme culpa que carrega —a sombra de todos os mortos que sua ação guerreira provocou e o atormenta. Essa dor traz também a certeza de um destino infernal. É isso que parece envelhecê-lo precocemente ao longo do filme.

    E talvez por isso, aliás, o filme tenha sido tão econômico na sequência referente ao inferno —o Hades grego. Se Odisseu é sabedoria e sagacidade, traz a consciência de todos os horrores a que sobreviveu tenazmente e de todos os males que provocou.

    O destino infernal do Odisseu é o que compensa o fato de Nolan produzir um herói muito mais próximo da mitologia judaico-cristã do que da grega propriamente dita. No filme, o único contato entre o Olimpo e os homens deve-se às repentinas aparições de Atena, a deusa que protege o protagonista.

    Não se percebem outras intervenções. O mundo dos deuses gregos, no filme, não se comunica com o mundo dos homens; mal sabemos de onde surgem certas entidades. A história de Poseidon, por exemplo: o poderoso senhor dos mares —e de todas as suas decorrências— era nada menos do que irmão de Zeus, deus dos deuses. Ou seja, não era com pouca coisa que Odisseu lutava para sobreviver.

    O essencial é que, no mundo grego, deuses e homens se misturavam, um pouco como acontece nas religiões afro-brasileiras —o que me ensinou o músico Dante Pignatari—, o que é diferente do pensamento judaico-cristão, em que o mundo dos homens é rigorosamente separado de entidades celestes, sobre as quais reina um Deus onipotente.

    Toda a história de Odisseu é a de uma luta em que se envolvem Poseidon —o inimigo—, Atena —sua protetora— e o próprio Zeus. É isso que "A Odisseia" omite e que afasta o filme de seu universo original para algo mais próximo, digamos, do universo Marvel ou DC.

    Mas não se pode culpar Nolan por isso. Ele enfrenta as poderosas forças de Hollywood, os mestres não do universo, mas da Universal —o que, no caso, vale bem mais. Não convinha, portanto, introduzir algo excessivamente exterior ao que a maior parte das pessoas acredita.

    O certo é que Nolan consegue, desta vez, não complicar demais as coisas: trabalha com habilidade os momentos de aventura e até consegue criar alguns momentos comoventes nas sequências finais, aliás prejudicadas pela necessidade de criar, justamente, o "gran finale" da história.

    Seria muito pedantismo esperar um "A Odisseia" que chegasse ao resultado a que, presume-se, Fritz Lang chegaria caso estivesse mesmo filmando "A Odisseia" no belíssimo "O Desprezo", de Godard —é um outro tempo, outro continente e, a rigor, outro mundo. Em todo caso, "A Odisseia" ali é suporte a essa outra epopeia, que é fazer um filme.

    Por fim, Christopher Nolan poderia ter usado com proveito a brilhante ideia que se encontra no "Ulisses", de Mario Camerini, de 1954 —produção mil vezes menor escrita por Ben Hecht. Ali, Calipso —a ninfa que aprisiona o herói— e sua fiel rainha, Penélope, são interpretadas pela mesma atriz: Silvana Mangano. Na verdade, duas mulheres souberam prender o herói: a rainha e a outra. Talvez fossem mesmo uma só.

    Resumindo: "A Odisseia" é um filme a ver, de preferência em Imax.

     FOLHA 

    'A Odisseia' de Nolan substitui ética antiga por sensibilidade de 2026

     


     

    Ivan Finotti

    Não faz sentido cobrar fidelidade literal de uma adaptação. Cinema e literatura obedecem a regras diferentes, e qualquer diretor, grande ou não, tem o direito de cortar episódios, fundir personagens ou inventar cenas.

    O problema de "A Odisseia", de Christopher Nolan, não é esse. O diretor não altera apenas a narrativa de Homero. Altera a moral que a sustenta, substituindo a ética particular da Grécia Antiga por uma sensibilidade do século 21.

    Na epopeia atribuída a Homero, concebida por volta de 700 a.C., Odisseu é admirado pela inteligência astuta que lhe permite vencer inimigos mais fortes ou escapar de situações impossíveis.

    Recorrer ao estratagema, à vingança e à violência não o desqualifica como herói. Pelo contrário, o eleva. Ele pertence a um mundo regido por honra, reputação, lealdade familiar e pela intervenção direta dos deuses.

    Nolan mantém boa parte das aventuras, mas seu Odisseu, papel de Matt Damon, precisa sentir culpa, precisa reconhecer os danos que provocou e precisa pagar por isso.

    A transformação é clara no flashback da queda de Troia. Na tradição clássica, o cavalo representa o triunfo máximo da astúcia de Odisseu. É a arma que vence onde a força fracassou durante dez anos de cerco.

    No filme, porém, ao abrir as portas da cidade para o exército grego, Odisseu assiste a estupros, saques e massacres que passarão a persegui-lo durante toda a viagem de volta ao seu reino na ilha de Ítaca.

    O ardil deixa de ser uma façanha intelectual para se tornar o pecado original da narrativa. Mais adiante, o próprio Odisseu conclui que escondeu soldados dentro de um presente e, assim, violou a hospitalidade protegida por Zeus.

    O crime, portanto, não estaria apenas no massacre cometido contra a população de Troia, mas no próprio método empregado para entrar na cidade: fazer de uma oferenda uma armadilha.

    Para Nolan, esse gesto, essa ruptura moral, destruiu a confiança entre os homens e abriu caminho para as misteriosas invasões dos povos do mar —grupos cuja identidade permanece desconhecida e que alguns historiadores associam ao colapso das civilizações do Mediterrâneo oriental no fim da Idade do Bronze.

    É uma construção dramática engenhosa, mas pura invenção de Nolan. Toda essa atualização facilita a identificação do espectador, mas elimina parte da estranheza moral do mundo de Homero. O mesmo ocorre em outros episódios.

    No texto antigo, depois de escapar de Polifemo, os companheiros repreendem Odisseu porque ele continua provocando o ciclope e coloca todos em risco. Seu erro é o orgulho, agravado quando brada o próprio nome, permitindo assim que Poseidon passe a persegui-lo.

    No filme, a discussão muda de eixo. Odisseu desfere uma flechada desnecessário contra o gigante já derrotado e passa a ser censurado pela tripulação por ter ultrapassado um limite moral.

    Atena também muda de natureza. No poema, ela é uma deusa que conversa com Zeus, orienta Telêmaco, protege Odisseu e interfere concretamente nos acontecimentos. O diretor transforma essa deusa numa projeção psicológica, ligada ao trauma da guerra.

    Não é só Atena. O filme reduz a presença direta dos deuses e torna sua existência ambígua. Zeus é apenas citado, Poseidon se manifesta como força da natureza e Hermes é esquecido.

    Apesar disso, o filme traz uma série de monstros, que fazem a festa do espectador. Com exceção das sereias, que são mostradas apenas de longe. As armaduras são impressionantes e os demais vestuários não deixam a desejar.

    Já a tela verticalizada do Imax, com uma proporção parecida com os antigos televisores de tubo, soa mais uma firula de marketing tecnológico do que de fato transforma a experiência.

    Quanto ao desfecho, em Homero, Odisseu mata os homens que disputam a mão da rainha Penélope, os deuses impõem a paz e o herói continua rei de Ítaca. No filme, ele entrega o trono ao filho Telêmaco, papel de Tom Holland, e parte com a rainha, Anne Hathaway, num exílio voluntário para honrar os mortos e reparar seus atos.

    O curioso é que Nolan preserva o espetáculo da violência ao mesmo tempo em que altera sua interpretação moral. O filme exibe uma sucessão de assassinatos, incêndios e massacres de inocentes, mas exige que o espectador —e também seu protagonista— condene tudo aquilo.

    Nada disso significa que Nolan devesse filmar o clássico como uma peça de museu. Toda adaptação é uma leitura. Mas sua "A Odisseia" traz um Homero higienizado para o público de 2026.

    FOLHA  

      

    Anitta - Você Já Sabe feat. Los Brasileiros (

     

    Você já sabe quem chegou
    Só pelo toque do tambor
    Só pelo toque do tambor
    Você já sabe quem chegou


    A Copa das Bets


    GALVAO




    BIRA DANTAS






    QUINHO


    LADINO



    GUILHERME BANDEIRA


     

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    domingo, agosto 02, 2026

    Macalé - Tempo & Contratempo


    Mas não se ilude tanto, nem esse momento
    Contrastando o tempo com um contratempo O tempo é obra de gente sem raça O tempo não existe, é essa que é a graça

     

    The Hand on King Street | Maozinha na Rua do Rei


     

    The end of reading is here

     

     

     

     

      "We’ve been here before. When society first transitioned from orality to literacy, only a small minority could read. As the only individuals who possessed this valuable skill, they occupied a privileged position, and were paid handsomely for their work. At the Library of Alexandria, scholars in residence lived in the city’s royal complex.

    Today, reading is again clustered among a small minority of the population, but being a person of letters confers less status than it once did. The remaining readers are marginalized, mocked, and in many ways irrelevant. For most people, a life of letters is an economic dead end. Employment at newspapers has fallen by 75 percent in the past two decades. Job openings for academics in the humanities are likewise in decline, and fewer and fewer of the remaining positions are tenure-track. In 2024, only 8 percent of college graduates earned a bachelor’s degree in a humanities discipline. That year, both English and history departments awarded 40 percent fewer degrees than they did in 2012. There’s a fear among historians, whispered during panels and conferences, that they will be the final generation to systematically examine the past."

     longread by Rose Horowitch 

     

    Retrato de familia


    SPACCA

     

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    Tom Waits - "Warm Beer And Cold Women"

     

    Now the moon's risingAin't got no time to loseTime to get down to drinkingTell the band to play the bluesDrink's are on me, I'll buy another roundAt the last ditch attempt saloon


    Inside 'The Odyssey,' Christopher Nolan's Most Epic Movie Yet

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    "The punishing conditions were the point. Nolan considered casting actors to play gods throwing thunderbolts from Mount Olympus but settled on something more primal. “I became more interested in the idea that to people in that period, evidence of gods was everywhere,” he says. In Bronze Age Greece, thunder, rain, and the sun rising didn’t have scientific explanations—they represented the will of the immortals. “The wonderful thing about cinema, and IMAX in particular, is that you can take an audience to a place of immersion, feeling close to events like storms, turbulent seas, high winds. You want the audience to be on the boat with them fearing the ocean, fearing the wrath of Poseidon, the way the characters do. That to me is so much more powerful than any individual image you can have [of a god].”!"

    longread interview with Christopher Nolan
    conducted by Eliana Dockterman
     Inside 'The Odyssey,' Christopher Nolan's Most Epic Movie Yet

    1950 FIFA World Cup: the silence at the Maracanã


    "The Maracanã did not erupt. It collapsed into a silence so total that players later said they could hear their own breathing. Brazil, a country built on music, had no music left. When the English referee George Reader signaled the end of the match, a black cloud fell over the stadium, and it became lifeless, like a cemetery. It was reported later that eight Uruguayans died that day, and several Brazilians committed suicide. In the hours that followed, the city dimmed. Radios went quiet. Celebrations dissolved into stunned stillness. Some fans never made it home. Others wandered the streets as if emerging from a natural disaster."

    read article by CESAR CHELALA

    1950 FIFA World Cup: the silence at the Maracanã | Meer

    Gypsy Hill


     

    Geese - Islands of Men

     

    Lazy eyed, you look weakYou have seen islands of menSinking low as you speakI'm not surprisedWill you stop running awayFrom what is real and what is fake

    Belvedere Road

     


     

    sábado, agosto 01, 2026

    Crises Migratórias


     AMORIM

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    Down South — Paul McCartney

     

    The morning bus was where we two would meet
    I sat beside you on an empty seat
    We talked about guitars and rock and roll
    They were the subjects that would never grow old


    Emily Wilson · An Uncomplicated Man

     

     


    "Nolan’s Odyssey lacks many of the elements that make the poem great. It has nothing convincing to say about time, memory, history, war, or about the relationship between one warrior’s glorious return and the lives of his family, adversaries, comrades, friends and neighbours. It lacks psychological, emotional, political and ethical depth. Its narrative structure is gimmicky. The writing is abysmal. None of the characters has convincing motivation for their actions or words. There are no sex scenes, and all the food looks horrible."

    read the review by EMILY WILSON

     Emily Wilson · An Uncomplicated Man

    Jason Isbell, Amanda ShiresI Follow River (Lykke Li Cover)

     

    Oh, I beg you, can I follow?Oh, I ask you, why not always?Be the ocean, where I unravelBe my onlyBe the water where I'm wading
    You're my river running highRun deep, run wild

    Tu acreditas em...



    FRAGA 

     

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    Supremacistas brancos só saíram do armário, diz Angela Davis

     

     

    "Davis explica por que o trumpismo não é sinônimo do que a maioria está sentindo nos Estados Unidos e nega que a supremacia branca, embora parte da história do país, esteja em ascensão. "Eles apenas saíram do armário."

    Para ela, a tentativa de equiparar antissemitismo à solidariedade palestina deve ser colocada na conta dos conservadores. Já os progressistas ainda não encontraram uma forma de se organizar. Questionada como se sente sendo retratada como um ícone, refuta. "Detesto isso."

    leia entrevista feita por flavia lima 

     

     

    sexta-feira, julho 31, 2026

    St Lawrence Jewry


     

    Centenas nadando do Marrocos à Espanha escancara o fracasso da humanidade

     

     Foto mostra o refugiado sírio Alan Kurdi, de 3 anos, após morrer em naufrágio na costa da Turquia

     LEONARDO SAKAMOTO 

    As imagens de centenas da pessoas tentando alcançar a nado o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, evocam uma das fotografias mais dolorosas das crises de refugiados no Mediterrâneo, a do menino sírio Alan Kurdi, de três anos, encontrado sem vida em uma praia da Turquia, em 2015. Naquele momento, líderes mundiais prometeram que a comoção produziria mudanças. Onze anos depois, o mar entre a Europa, a África e Ásia continua sendo uma vala comum alimentada pela desigualdade, pela ganância, pelas guerras, pela emergência climática e pela indiferença.

    Ao menos 19 pessoas morreram na atual tentativa de entrada em Ceuta. Nos últimos dias, milhares haviam contornado a nado o quebra-mar que separa Marrocos e Espanha. E milhares de pessoas estenderam-se pelas estradas do país para chegar ao local e tentar a sorte.

    Há famílias, crianças e mulheres, mas são principalmente homens jovens, integrantes de uma geração Z que não vê futuro ou oportunidades no Marrocos no qual nasceram. Quando alguém nessa idade prefere enfrentar o risco a permanecer em casa, o problema não é uma suposta vocação para a ilegalidade. É a falta de alternativas.

    Não se abandona a família, atravessa-se um país e rifa-se a própria vida porque apareceu um vídeo em um grupo de mensagens do zap. As redes sociais podem avisar que uma passagem está aberta, mas não criam o desespero ou o desalento que empurra alguém para dentro da água. Isso é fermentado durante anos.

    O governo marroquino reserva bilhões para estádios e obras relacionadas à Copa do Mundo de 2030, que o país sediará com Espanha e Portugal, enquanto saúde, educação, habitação e emprego permanecem insuficientes. Bairros são removidos para dar passagem à infraestrutura dos grandes eventos, tal como acontece em outros lugares do mundo, inclusive aqui.

    Não surpreende que a gen Z marroquina tenha saído às ruas cobrando serviços básicos e oportunidades nos últimos tempos. Nem que parte dela, diante da repressão e da ausência de perspectivas, passe a enxergar a Europa do outro lado do mar como a única porta de saída.

    Há também famílias empurradas para fora de suas terras pela seca que castiga há anos as regiões mais pobres de Marrocos. Sem água, trabalho ou meios de subsistência, migram primeiro para as cidades e depois para o norte. A emergência climática não aparece na fronteira usando uniforme, mas está presente em cada lavoura perdida, em cada comunidade esvaziada e em cada pessoa obrigada a partir.

    Misturam-se a esse fluxo argelinos, tunisianos, sudaneses, entre outros, marcados por guerras, instabilidade e disputas pelo controle do poder e dos recursos naturais. A Europa gosta de consumir matérias-primas africanas, mas demonstra bem menos entusiasmo quando chegam as pessoas expulsas pelos conflitos e pela miséria associados a essa exploração.

    Onde governos fecham caminhos regulares, redes clandestinas abrem atalhos. Contrabandistas de gente cobram para transportar ou prometer travessias. Quanto mais impossível se torna migrar legalmente, mais lucrativo fica o mercado. Criminalizar quem atravessa sem enfrentar a indústria que lucra com o fechamento das fronteiras é enxugar o mar com uma toalha.
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    A decisão recente da Suprema Corte espanhola, impedindo a devolução sumária daqueles que são interceptados no mar ao tentar chegar a nado a Ceuta e Melilla, espalhou-se rapidamente pelas redes como incentivo. Mas transformar a sentença na causa da crise é conveniente. A corte não concedeu um prêmio a quem nada, apenas afirmou que o Estado precisa respeitar procedimentos, analisar cada situação e garantir direitos previstos em lei.

    Direitos humanos não criam refugiados. Guerras, fome, desigualdade, perseguição, desemprego e colapso ambiental criam.

    E antes de reforçar controles, mobilizar policiais e bloquear estradas, as forças de segurança de Marrocos assistiram com passividade à movimentação. Não é possível afirmar sem provas que Rabat tenha liberado deliberadamente a passagem no começo, mas a inação inicial alimenta a suspeita de que seres humanos estejam sendo tratados como válvula de escape social ou instrumento de pressão diplomática.

    Quando finalmente reagiram, as autoridades impediram jovens de se dirigir à fronteira. Primeiro deixam o desespero correr, depois reprimem os desesperados. Em nenhum dos dois momentos enfrentam as causas que colocaram milhares de pessoas na estrada.

    A crise tampouco é apenas espanhola. Ceuta pode estar recebendo os migrantes agora, mas eles foram produzidos por uma ordem internacional que concentra riqueza, tolera ditaduras úteis, financia guerras, explora recursos naturais e fracassa no combate à mudança climática. Depois, quando as vítimas dessa engrenagem batem à porta dos países ricos, são chamadas de invasoras.

    Isso sem contar que a própria existência de enclaves como Ceuta, um resquício colonial, é extremamente questionável.

    A extrema direita pedirá soldados, muros mais altos, deportações instantâneas e punições coletivas. Ou seja, tacape. Soluções simples, violentas e televisivas dão votos, mas não impedem ninguém de tentar novamente quando ficar significa não ter futuro. Uma cerca que adentra o mar pode deter uma pessoa por uma noite. Não consegue impedir indefinidamente milhões de pessoas sem esperança.

    A resposta imediata precisa incluir resgate, acolhimento, identificação, proteção de crianças e acesso ao pedido de asilo. A resposta duradoura exige rotas legais de migração, cooperação internacional, adaptação à seca, geração de emprego, investimento em educação, saúde e habitação e apoio às comunidades de origem. Recursos internacionais não podem servir apenas para terceirizar a repressão das fronteiras a governos autoritários. Precisam melhorar a vida de quem hoje acredita não ter nada a perder.
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    Milhares de seres humanos nadando em direção à Espanha não constituem apenas uma crise migratória. O fracasso não está em quem entrou no mar em busca de futuro. Está no mundo que tornou o mar a única alternativa.

    UOL 

    Mundo Fantasmo: O riso de Rosa

     

     

    "Um aspecto muito visível na obra de Guimarães Rosa, mas talvez pouco comentado, é o humor que a atravessa em todos os sentidos. Não o humor da mera piada, ou da anedota-de-mesa-de-bar, embora elas estejam presentes e apareçam quando menos se espera; mas, mais frequentemente, o humor de pequenas situações engraçadas da vida diária, tornadas mais engraçadas ainda quando recontadas por jagunços ou capiaus de quem às vezes não esperamos tanta finura, tanta ironia, tanto discernimento. "

    leia a coluna de Braulio Tavares 

    Mundo Fantasmo: 5236) O riso de Rosa (27.5.2026)

    Marilyn Monroe and the World Cup

     

     

    "I went to see Marilyn Monroe: A Portrait, at the National Portrait Gallery in London, the morning after the much-anticipated World Cup football game between England and Argentina. I’m not a big sports fan, and have no attachment to the English squad, but after weeks of public build-up, discussion and expectation, the debacle in Dallas was deflating. I was ready to think about something else and MM seemed an undemanding choice. Little did I guess the exhibition would describe another kind of catastrophe — one more personally affecting than the one that befell English football."

    read the review of the last World Cup games
    and the Marilyn Monroe exhibit
    by Stephen Eisenman  

    Marilyn Monroe and the World Cup - CounterPunch.org

    Bob Dylan - Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again

     

    Well, Shakespeare, he's in the alley
    With his pointed shoes and his bells
    Speaking to some French girl
    Who says she knows me well
    And I would send a message
    To find out if she's talked
    But the post office has been stolen
    And the mailbox is locked
    Oh, Mama, can this really be the end
    To be stuck inside of Mobile
    With the Memphis blues again



    The Queen's Assurance


     

    Nick Mason's Saucerful Of Secrets - Interstellar Overdrive (Live at The Roundhouse)

     

    Belvedere Road


     

    Convenção do Partido

     



    AMORIM


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    David Arney - Billville (feat. Peter Erskine)

     

    quinta-feira, julho 30, 2026

    Bachelor - Stay in the Car [

     

    She said “Stay in the car and I’ll grab what you want”


    Laura Marling - Strange Girl

     

    Build yourself a garden and have something to attendCut off all relations 'cause you could not stand your friendsAnnounced yourself a socialist to have something to defendOh, young girl, please, don't bullshit me


    A Odisseia' de Nolan põe Homero na boca do povo e é experiência poderosa

     

     

    Tadeu Jungle 

      O cinema está na rua. Todo mundo está discutindo "A Odisseia", de Christopher Nolan. Massacrado por parte da crítica e amado pelo público que lota as salas. O filme é pior do que o livro? Por que o filme omitiu o final real? Por que não mostrou o Ninguém do Ciclope?

    Quando gostamos muito de um livro, ao vermos sua adaptação para o cinema, é normal ficarmos decepcionados, porque cada um imaginou a história à sua maneira. Toda adaptação de um texto antigo fala tanto sobre a época em que foi produzida quanto sobre a obra original, fazendo do produto um mix da história e do nosso olhar.

    Mas tanto a história em si quanto o cinema viraram assunto de botequim e isso é uma boa conquista, no meio de tantas bobagens que entopem as redes sociais. Neste momento árduo do mundo, precisamos de cinema, histórias e arte. Platão dizia que Homero, o autor, foi o educador de toda a Grécia.

    Um professor genial, porque ensinava contando histórias —e nelas há inúmeros ensinamentos. Parece que o filme passa a mensagem de Homero: "Você cometeu horrores, mas precisa continuar sendo um ser humano."

    Como continuar sendo um ser humano em um mundo bárbaro em que ele mesmo cometeu atos horrorosos? Esse urubu não sai do ombro de Odisseu. Essa pergunta, ou essa busca, chega rapidamente ao presente: como nos manter humanos em um mundo que se consome em inteligência artificial, talvez nosso grande monstro?

    O filme é polêmico. Na minha visão, as escolhas do diretor produzem uma experiência cinematográfica poderosa, mesmo quando se afastam de Homero. Mas os comentários negativos vão do macro ao micro.

    Por que escolheu Lupita Nyong'o para viver Helena de Troia, tópico top na indignação das redes? Alguns, por exemplo, acham os castelos parecidos com hotéis charmosos.

    Sempre haverá "haters". Importa que me sentei numa cadeira e fui transportado para uma narrativa fluida e musculosa, que me deixou pregado ali, no cinema, por quase três horas, "vendouvindo" uma grande história clássica.

    Se fosse uma adaptação de algo recente, como a Copa de 1970 ou a vida de Juscelino Kubitschek, poderíamos ser mais ferozes na acusação de falsidade, pois conhecemos os personagens e a verossimilhança é necessária para a fluidez da história. Aqui, não. Aqui é Grécia Antiga e cada um tem a sua.

    Temos um filme sobre o retorno, e não sobre a conquista. Isso já nos coloca diante de uma narrativa de volta, e não de avanço. Mesmo que imperceptível a princípio, estamos na contramão das narrativas tradicionais. Eu gosto de unir a frase "estamos indo sempre para casa" da obra-prima "Lavoura Arcaica", de Raduan Nassar, a esta história, pois ela é uma longuíssima viagem de volta, e torcemos para que se complete.

    Trata-se da volta para Ítaca e para Penélope. É uma narrativa que fala do medo, do amor, do desejo, do sexo, das drogas, de cenas de ação extraordinárias, do esquecimento, da memória e da relação com nossos pais e nossos filhos.

    A força do filme vem da forma visceral como a lenda foi traduzida para o cinema. O drama de Ulisses (Odisseu) é vivido com profundidade por Matt Damon. Nolan foi para dentro do personagem e nos faz viver suas dúvidas, seu sofrimento e sua coragem. Odisseu chora. Chora pelas vidas perdidas e não enterradas. Chora pelos anos perdidos. Isso é pesado. É uma saudade do que não viveu.

    Anne Hathaway está adorável. Nolan aproxima Penélope do presente: ela não apenas espera, mas governa pela palavra e administra o desejo e a violência de uma multidão de homens. Uma feminista, ouvi de alguns.

    Os monstros encontrados pelo caminho são algo à parte. O Ciclope me lembrou as esculturas monumentais de Ron Mueck. Nolan usou um boneco real de 18 metros e reproduziu os urros do monstro no set, em tempo real, para que os atores reagissem de verdade. Ficou uma porrada realista.

    A cena de Circe transformando os homens em porcos com certeza é muito mais impactante no cinema do que no livro. É aquele momento em que você se pega fechando os olhos.

    E há mais. As sereias, que fugiram do óbvio e cantam sob a bruma de um sonho, também entram nessa galeria. Esses seres e situações, com atores famosos, ajudam a construir um blockbuster, mas Nolan conseguiu fazer com que eles revelassem também as virtudes e os defeitos humanos.

    A trilha sonora de Ludwig Göransson funciona mais como máquina narrativa do que como mero acompanhamento das imagens. Nada de "música antiga". Nada de orquestra tradicional. Nada do que os épicos de Hollywood nos acostumaram a ouvir. Gongos de bronze, lira, vozes e sintetizadores compõem um clima estranho, que nos aflige e, ao mesmo tempo, nos conduz. A trilha ainda vai render teses acadêmicas, assim como o filme.

    Um filme funciona quando saímos alterados do cinema. Saímos mexidos. Mudados. Aqui, saímos discutindo monstros, deuses, armaduras e infidelidades ao poema. O bom cinema constrói uma verdade, e passamos a vivê-la por duas horas. Três, aqui. Ganhamos uma vida num filme.

    O cinema épico, o cinema de escala monumental, as atrizes e os atores de verdade continuarão a existir. São únicos e necessários. Fundamentais para nossa vida, pois nos ajudam a refletir sobre quem somos, o que desejamos e para onde vamos. Mesmo sabendo que sempre estamos indo para casa.

    FOLHA

    As Inevitáveis Perversões: A Odisseia da Noiva de Frankenstein.

     

     


     

    "Insisto que o critério da fidelidade é um erro ou uma farsa: a única obra fiel à Odisseia de Homero é a Odisseia de Homero. Nem em traduções podemos confiar totalmente. O critério de fidelidade é usado conforme o gosto do freguês: ora algo é uma violação imperdoável, ora é uma liberdade criativa compreensível. Eu adoro conversas tangenciais sobre, por exemplo, a probabilidade de uma mulher negra como a Helena de Lupita Nyong’o naquele contexto histórico, ou de uma loura como a Calipso de Charlize Theron. Ou como podemos realmente interpretar o termo “xanthé”, que supostamente significaria “loura”. Mas esses papos não têm nada a ver com a qualidade intrínseca do filme e podem surgir tanto de seus méritos quanto de seus defeitos. Na verdade, são mais um indicador da qualidade do espectador."

    leia o stack de Osmarco Valladão 

    Maozinha The Hand at Luke & Fernanda


     

    Dona de 'Fortnite' acusa Apple de fazer lobby para que governo Trump prejudique o Brasil

     

    Homem de meia-idade veste terno escuro, camisa branca e gravata listrada, sentado em poltrona clara contra fundo escuro, gesticulando com as mãos enquanto fala.
     

     

    O executivo, fundador da desenvolvedora do popular jogo "Fortnite", diz que "a Apple está tentando destruir as boas relações entre nossos países para preservar sua capacidade de continuar violando a lei e cobrando taxas ilegais" em entrevista coletiva virtual para jornalistas brasileiros.

    À Folha a Apple afirma que as declarações de Sweeney e da Epic são falsas e diz continuar trabalhando para apoiar desenvolvedores brasileiros. Cita acordo com o Cade para oferecer comissões reduzidas e abertura a outras formas de pagamento e distribuição de aplicativos, e ressalta trabalhar com órgãos reguladores no Brasil para preservar salvaguardas importantes no ambiente digital.

    "A Apple está violando a lei no Brasil, e seus aliados no governo dos Estados Unidos, em especial no escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), estão constantemente ameaçando todos esses importantes parceiros internacionais."

    O USTR é o órgão do governo dos EUA que sugeriu ao presidente Donald Trump a aplicação das últimas duas levas de tarifas a produtos brasileiros, que podem chegar a até 37,5%. O tarifaço que passou a valer no último dia 22, por exemplo, foi aplicado sob a justificativa de punir práticas brasileiras relacionadas a comércio digital e serviços de pagamento, entre outras.

    "Isso é muito preocupante e representa uma ameaça à democracia nos Estados Unidos, no Brasil e na Europa. A Apple tem agido de forma extremamente descarada e sem qualquer constrangimento nesse sentido. Esperamos que, um dia, ela seja responsabilizada. É vergonhoso que uma empresa americana interfira nas boas relações internacionais dessa maneira", afirmou Sweeney.

    A Epic Games trava uma longa batalha judicial com a Apple nos Estados Unidos e em órgãos reguladores de diversos países, para combater taxas consideradas abusivas em sua loja virtual e abrir o sistema operacional dos seus dispositivos para competidores.

    Amparada pela decisão do Cade de dezembro do ano passado, a Epic Games lança nesta quinta-feira (30) a própria loja virtual para iPhones. No entanto, Sweeney afirma que a Apple continua impondo uma série de empecilhos ilegais para evitar uma concorrência justa.

    Entre as medidas, estão a imposição de uma série de taxas para transações feitas fora da App Store. Segundo o CEO da Epic Games, a Apple cobra 21% de taxa em qualquer compra que use um sistema de pagamento de terceiros, 15% sobre compras feitas na internet que tenham se originado de um app para iOS e 5% sobre o faturamento de qualquer loja virtual instalada nos aparelhos fabricados por ela.

    "Os serviços de pagamento comuns cobram taxas de 2% ou 3%. Esse é o custo real do processamento de pagamentos. A Apple mais do que dobra esse valor e cobra uma taxa sem fazer absolutamente nada", diz Sweeney.

    Além disso, ele acusa a empresa de criar obstáculos desnecessários para evitar que usuários instalem lojas externas em seus telefones. Segundo a Epic Games, são necessários nove passos para instalar um aplicativo em dispositivos da Apple no Brasil, enquanto na Europa o Digital Markets Act Europeu reduziu esse processo para seis etapas. Uma legislação semelhante está em discussão no Congresso Nacional, mas enfrenta forte resistência das big techs.

    "A Apple tem os melhores designers de interface do mundo. Quando ela quer criar uma ótima interface, ela faz isso com enorme sucesso. Por isso, quando você vê a Apple criar uma interface ruim, você sabe que isso é intencional e que atende aos interesses comerciais da empresa, e não a qualquer motivo legítimo", afirma Sweeney.

    Outro ponto criticado pelo executivo é a impossibilidade de baixar o aplicativo da loja virtual da Epic Games nos iPads. Segundo o executivo, a empresa adotou bloqueio semelhante no mercado europeu, mas foi obrigada a permitir lojas de terceiros também nesses dispositivos.

    A loja virtual da Epic Games chega aos dispositivos iOS com apenas dois jogos à venda no Brasil: "Rocket League Sideswipe" e "Fortnite", ambos desenvolvidos pela própria empresa. Segundo Sweeney, a ausência de jogos de outros desenvolvedores também é resultado de ações da Apple para minar a concorrência.

    "A Apple exige que os desenvolvedores instalem uma espécie de 'spyware' [programa espião], que envia de volta à empresa todas as informações sobre as transações comerciais realizadas nas lojas de terceiros. Em primeiro lugar, integrar esse 'spyware' ao aplicativo dá bastante trabalho, então muitos desenvolvedores simplesmente não querem fazer isso. Em segundo lugar, muitos têm uma objeção moral a permitir que a Apple monitore as transações entre eles e seus clientes", afirma.

    A dona do iPhone afirma que o uso do termo "spyware" é incorreto —a companhia exige relatórios precisos de vendas que geram pagamentos por uso de tecnologias em pagamentos de terceiros. A demanda serve, segundo a empresa, tanto para os aplicativos na loja oficial, quanto nos distribuídos alternativamente.

    O executivo diz que a Epic Games acionará o Cade para tentar retirar os obstáculos impostos pela Apple às lojas externas de aplicativos, medidas que a companhia considera anticoncorrenciais.

    Atualmente, a Epic Games Store está disponível no mundo todo em dispositivos Android e, nos aparelhos com sistema iOS, apenas na Europa, no Japão e, agora, no Brasil —locais em que as autoridades obrigaram a Apple a abrir o sistema operacional para lojas de terceiros.

    Segundo a empresa, mesmo com todas as barreiras, a Epic Games Store foi instalada 50 milhões de vezes em dispositivos móveis desde o seu lançamento.

    FOLHA  

     

     

    HOJA SECA ORQUESTA VICENTE SIGLER y sus RUMBA TROVADORES


    Tan lejos de ti me voy a morirEntre esta taberna tan llena de cosasQueriendo olvidar, pero ni las copas
    Señor tabernero me hacen olvidar 


    When Farce Repeats Itself

     

     

    Put yourself behind the wheel of Johan Sebastián Durán Guerrero’s white Kia. You’re 25-years-old. You’ve been living in the United States for three years. You’ve played by the rules, as you understand them. You haven’t made trouble for anyone. You haven’t broken the law. You’ve tried to settle in.

    You came to Maine from Colombia looking for a safer and fuller life for yourself, for your wife and your infant daughter, the girl you called your “little princess.”

    You didn’t come to Maine to deal drugs, join a gang, rape or rob anyone or leech off the system. You came to work and make a new home for your family. You applied for and received a permit to work legally in the United States more than a year ago. The permit was authorized by the Trump-run government.

    Your love for animals led you to get a job cleaning a veterinary clinic each morning. It wasn’t your dream job, but it was a good start for a good cause. It wasn’t enough to get by on, so you got a second job delivering groceries and food in the afternoon and early evening in your white Kia.

    You were doing okay. Your daughter had just turned three. You and your wife, Karo, had made a new life for yourselves. The transition was a challenge, but you did it.  You and Karo were learning the language. Getting a good feel for the way of the land and the way things were supposed to work here. You were trying to fit in. You were starting to feel at home.

    You felt safe here in coastal Maine. You’d heard about ICE. You’d seen the shootings and arrests and protests. But somehow here in Biddeford, you felt far removed from the terrors visited upon immigrants in Minneapolis, Los Angeles and Chicago. This was a quiet city. You and your neighbors cared about each other. You felt safe; you felt secure.

    You grew up as a middle-class kid in Bucaramanga, Colombia. A big city in the mountains. Colombia had been through wars. It had been plagued by gang violence. Riven by political corruption. You’d been through it. Things were more stable now. But for how long?

    You’d grown up playing soccer. You did well enough in school. You served in the Colombian military and survived the experience mostly unscathed. Your dad sold truck tires. You installed windows. You had a bulldog you cherished named Draco. But it just wasn’t enough. Not after you fell in love. Not after your daughter was born. You wanted a better life, especially for your kid. So, you took up a friend’s offer to come north to Maine and work for him.

    You got up early Monday morning. You played with your daughter. You talked with your wife. You drank your coffee, ate your breakfast and got ready for work.

    It looked like a nice summer day as you walked to your car. You started the engine, pulled onto the street and headed out to do your job.

    You had no idea that ICE was coming for you. Why would you? You were here legally. You hadn’t committed any crimes. You weren’t wanted by law enforcement. There were no warrants out for your arrest or removal from the country.

    Before you reached the first intersection, you were surrounded by cars and men with guns. They were shouting. Why were they shouting? What did they want? What had you done?

    One of the men is pointing a gun at you. He says stop. You say you are trying to stop. You say it loud enough that a neighbor hears your voice. The man pointing the gun at you may hear it, too. Surely he does, doesn’t he? But this man doesn’t know you. He doesn’t know anything about you. That you’re here legally. That you’re on your way to work. That you just said goodbye to your daughter and her mother. This man doesn’t know that you’re not the man he’s looking for. But he doesn’t care. He’s got you in his sights and he’s not going to let you go. You hear a shot. It’s the last sound you hear before everything goes black. As your body slumped to the whole, your Kia kept going, in slow, aimless circles before coming to a stop.

    Your wife and your daughter were in the apartment where you lived when they heard the shots that killed you. Your daughter dropped her pink backpack to the floor. Karo ran to the window. She saw the white Kia lodged against the curb. The windshield was shattered with bullet holes. Then she saw you. She saw your body, at least, flat on the pavement. Your body is all bled out. There’s a bullet wound to your head. “Mi amor, mi amor,” Karo screamed.

    These men who shot you, who killed you, who murdered you, lied about you before they even knew who you were. They said you were “illegal.” They said they had a warrant to pick you up. You weren’t illegal. They didn’t have a warrant for you. You weren’t the man they wanted. They lied about you after they killed you. They said you tried to kill them with Kia. They said you were going to run over other people. They said they had no choice but to kill you. These men, these law enforcement officers, lied to cover their own asses. 

    At 7 in the morning, the phone rings at your parents’ house in Bucaramanga. It’s the day of the Virgin of Chiquinquirá, the patron saint of Colombia. The neighbors hear screams from your parents’ house. It’s your mother’s voice. She’s saying, “It can’t be. It can’t be. I’d give my life for my son. Why did they shoot him?”

    Why, indeed.

    COUNTERPUNCH 

     


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