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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    sábado, maio 30, 2026

    Faria Lima apoiará Flávio Bolsonaro se Trump atacar bancos a pedido dele?

     

    LEONARDO SAKAMOTO

     Existe um tipo específico de ironia que só o Brasil é capaz de produzir com tanta eficiência. A Faria Lima, o endereço sagrado do capitalismo tupiniquim, aquele corredor engravatado onde se decide o destino do país entre um gin e uma planilha de projeções, resolveu apostar suas fichas em Flávio Bolsonaro para 2026. O filho mais velho do capitão, herdeiro político de um governo que tentou rasgar a Constituição como quem descarta um relatório desfavorável, virou o candidato preferido do mercado para conter a reeleição de Lula.

    Faz sentido, numa lógica torta que o mercado financeiro domina: não importa se a democracia range, desde que o spread não aperte. Só que dessa vez, o bumerangue voltou com pontaria cirúrgica.
    Flávio Bolsonaro articulou junto ao governo de Donald Trump a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Um gesto que, nas palavras do promotor Lincoln Gakiya, que atua ha duas décadas contra facções, atrapalha o combate ao crime, mas que, no teatro político brasileiro, pode soa linha dura. O que é palanque garantido no interior paulista e nas periferias indignadas do Rio.

    O problema é que terrorismo, para os Estados Unidos, não é categoria retórica. É gatilho jurídico e financeiro de proporções industriais. Quando Washington classifica uma organização como terrorista, entra em vigor todo um arsenal de sanções que não pergunta onde você mora, em que moeda você opera ou se você sabia ou não do que estava fazendo.


    O sistema norte-americano — especialmente o OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros), o braço do Tesouro que implementa sanções econômicas — trabalha com a seguinte lógica: se você tem relação financeira com quem tem relação com terroristas, mesmo que não saiba disso, você tem um problema. E aí entram bloqueio de ativos, exclusão do sistema financeiro internacional e, no limite, processo criminal nos Estados Unidos.


    O PCC e o CV não são organizações que operam em cavernas. Elas movimentam dinheiro. Esse dinheiro passa por algum lugar. Esse algum lugar, em muitos casos, tem CNPJ, tem agência, tem gerente de relacionamento e, quem sabe, tem escritório na Faria Lima ou nas suas adjacências. Bancos. Fintechs. Gestoras. Seguradoras. Fundos de investimento. Corretoras.


    Embora o histórico de lavagem de dinheiro no Brasil sugira que a ingenuidade do setor financeiro tem limites bem convenientes (o Banco Master de Daniel Vorcaro, "irmão" de Flávio Bolsonaro, está aí para não deixar mentir), é leviano afirmar que a maioria das instituições são parceiras do crime organizado de forma deliberada. Contudo, a legislação norte-americana não exige intenção para punir. Por isso, o resultado pode ser catastrófico para quem aposta que a jogada de Flávio era apenas marketing eleitoral barato.


    Quando Jair Bolsonaro tentou dar um golpe de Estado, os gestores olharam para as planilhas e concluíam que, com golpe ou não golpe, o dia continuaria amanhecendo para eles. Essa é a verdade que ninguém da Faria Lima vai colocar no LinkedIn: não é que o mercado financeiro seja contra a democracia. É que ele é, em larga medida, indiferente a ela.


    Democracia é uma variável, não um valor. Se o ambiente para negócios for favorável sob um regime que pisou na Constituição, tudo bem. Se for desfavorável sob um governo democraticamente eleito, é catástrofe institucional. E agora esse mesmo mercado está bancando o filho do golpista que, por sua vez, acabou de plantar uma bomba financeira debaixo das cadeiras giratórias de vidro da gloriosa avenida Brigadeiro Faria Lima.
     O mais desconcertante é que, sem dúvida, parte significativa do mercado vai sorrir para Flávio Bolsonaro mesmo depois disso. Pelo menos a piada agora tem outra dimensão. Não é mais só o Brasil que pode pagar a conta de uma escolha política irresponsável. São as instituições financeiras brasileiras que podem descobrir, da pior forma possível, que pedir a Trump para classificar organizações criminosas como terroristas tem consequências que nenhuma planilha de risco contemplou.


    A Faria Lima queria um candidato que trouxesse segurança jurídica, previsibilidade e afastasse os fantasmas do populismo de esquerda. O que pode ter ganhado é uma auditoria do Tesouro norte-americano e um telefonema do compliance que ninguém quer receber. Boa sorte com a revisão da planilha.

    The war on Cuba has increasingly become a war on Cuban children

     

    JEFFREY ST. CLAIR>

    + Like many of the rest of you, I suppose, I’ve been thinking a lot about Cuba since Trump and Rubio began starving the little island of oil, as their predecessors, back to JFK, had starved it almost all other forms of trade, and are now threatening an invasion. It struck me how much revolutionary Cuba is admired by almost all colonized people on the planet (excepting some rigidly doctrinaire Marxists who continue to profess the Cuban revolution, along with the Nicaraguan and Zapatistan, was “premature”). I was reminded of wandering the streets of Cardiff a couple of years ago and coming across this restaurant…

    The Welsh know what it’s like to be under the boot of an imperial power for centuries and venerate Cuba, as they once did the US, for freeing its people from their colonizer’s yoke and setting an example for the world’s poor and exploited. Let’s hope some of these countries come to Cuba’s aid and defense when it needs it most, as Cuba (and its doctors, nurses, civil engineers and military advisors) has gone to the aid of others.

    + A new YouGov poll shows that Americans oppose a war with Cuba by a margin of 65% to 15% and that two-thirds believe Trump’s war on Iran has harmed the US’s standing in the world.

    + The economic war on Cuba, which has been going on in one form or another for more than six decades, has increasingly become a war waged on Cuban children. Since Trump and Biden reimposed and broadly extended the economic sanctions and embargo on Cuba that Obama had eased, Cuba’s infant mortality rate, which in 2008 was lower than that of the US, has risen by 148 percent. This is infanticide committed through a policy of economic strangulation.

    COUNTERPUNCH

     

    Dolly Parton - Jolene

     

    Jolene, Jolene, Jolene, Jolene
    Oh, I'm begging of you please don't take my man Jolene, Jolene, Jolene, Jolene Please don't take him even though you can

    IN MEMORIAM WAYNE MOSS

    paquetá


     

    A desculpa de hoje



    MARTINEZ

     

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    Tinsel Town Rebellion - Frank Zappa (in memoriam Ike Willis)

     

    They'll sell their ass, their cocks and balls
    They'll take the check 'n walk away
    If they're lucky they'll get famous
    For a week or two perhaps
    They'll buy some ugly clothes to wear
    And hope the business don't collapse
    Before some stupid magazine
    Decides they're really good

    sexta-feira, maio 29, 2026

    Paquetá


     

    Paul McCartney não precisa mais fazer música, ele faz apenas porque gosta: 'Se a liberdade levar a um sucesso, ótimo

    Paul McCartney mostra capa de novo álbum, 'The boys of Dungeon Lane' 

     "McCartney revisitou seus antigos métodos de estúdio durante a produção do novo álbum. Durante uma reorganização corporativa da EMI, a gravadora dos Beatles por muitos anos, seus contadores decidiram vender os equipamentos do estúdio Abbey Road. McCartney comprou muitos dos instrumentos, entre eles o Mellotron que usou em "Strawberry Fields", o piano vertical que tocou em "Because" e um gravador de fita Studer de quatro canais, que pode ter sido usado para gravar "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band", embora McCartney não tenha conseguido comprovar se é exatamente o mesmo aparelho."

    leia entrevista feita por JON PARELES

     

     

     

     

    Nem Lula nem Flávio, quem vai ganhar o debate sobre facções terroristas são os marqueteiros

     

    Agentes da PM-RJ em operação policial em área de atuação do CV

     

    Renato Meirelles

     

    No Morro do Alemão, a Dona Edcléia aplaudiu quando viu a operação policial que deixou mais de cem mortos meses atrás. "Tem que ser duro com bandido mesmo". Na semana seguinte ela viu no filho de 16 anos saindo para o curso ser parado pela terceira vez na semana pela PM, enquanto um estudante de medicina do bairro vizinho passava pela mesma esquina sem ser importunado. "Essa polícia só atrapalha a vida dos pobres", reclamou. A mesma boca que aplaudiu xingou. Não é incoerência, é a mesma exigência: Estado, com a mesma medida para o filho dela e para o filho dos ricos

    No Instituto Locomotiva, temos feito uma série de pesquisas sobre como a violência tem se tornado uma grande pauta eleitoral. Com a decisão do governo americano de tornar o CV e o PCC organizações terroristas, fui lembrar um pouco do que aprendemos.

    O eleitor brasileiro carrega essa contradição sem pedir desculpa. Quem lê como inconsistência lê pela lente errada. A contradição não é defeito do eleitor, é a estrutura do voto popular.

    Olha o filme do último ano. Julho de 2025: Eduardo Bolsonaro em Washington pedindo o tarifaço. Seis em cada dez brasileiros chamaram aquilo de injustificado, metade viu ataque à soberania, e a família Bolsonaro sumiu do noticiário por meses. Maio de 2026: Flávio Bolsonaro na mesma Casa Branca, agora pedindo a designação de PCC e Comando Vermelho como terroristas. O instrumento é o mesmo: pressionar o Brasil de fora para mexer no jogo interno. O que mudou foi a moldura. Ontem era salvar o pai, hoje é prender bandido. Quem governa a moldura governa a eleição.

    O brasileiro entende, sem precisar articular, que da União se espera inteligência, cooperação internacional, asfixia financeira, exatamente o que cabe no anúncio americano. Do estado, PM na esquina. Do município, luz no ponto de ônibus. Por isso o ato pode cair bem agora, porque encaixa na expectativa de inteligência. Mas se virar drone em Guarulhos, ou banco congelando conta do primo brasileiro no texas, vira tarifaço com outra roupa.

    E aqui o eleitor para. Quem vai vencer essa história não é Lula, não é Flávio. Quem vai vencer são os marqueteiros. A eleição de 2026 não vai se decidir na pesquisa, vai se decidir no estúdio. Ganha quem montar o videozinho de trinta segundos que entra no Reels da Dona Edcléia entre uma receita e um corte de gospel. Perde quem ficar discutindo Itamaraty na TV Senado.

    A direita já tem a frase pronta: "Enquanto Lula falava em soberania, Flávio resolveu na Casa Branca o que o Planalto não resolveu em 17 anos." Tem inimigo nomeado, ritmo de Reels, e vai rodar.

    A esquerda ainda testa: "A mesma família que pediu ao americano para asfixiar o agro em 2025 pede agora para vigiar o brasileiro em 2026. Quem foi pedir ingerência para salvar o pai não para depois." Também roda, se o marqueteiro fugir da armadilha da soberania abstrata. Discurso de Itamaraty não bate no coração da Edcléia. Estrangeiro mandando no Brasil, sim.

    O brasileiro pragmático faz uma pergunta que ninguém formulou ainda. Se for para entregar o controle do país, ele não quer. Se for para prender bandido, ele quer. E pergunta quem garante qual dos dois vai ser. A campanha que responder essa pergunta primeiro ganha. Não é guerra de fatos, é guerra de quem conta melhor. E nessa guerra, o roteirista vale mais do que o herói.

    O GLOBO

    Marcelo Cabral - Osso e Sol

     

    Sabe
    Fico aqui
    Males
    Hão de vir
    Hão de vir
    Reconheço

    Cabe
    Não partir
    Onde
    Onde ir
    Como ir
    Se o começo não
    Não vem do meu passo no céu
    No asfal...to ar no altar no ar


    Clara Nunes - Ultima Morada (in memoriam Noca da Portela)

     

    Quando eu morrer
    Eu quero uma batucada
    Pra me levar
    À minha última morada

    Quero ouvir acordes
    De um violão
    E o povo pelas ruas
    Cantando as estrofes
    Da minha canção

    Assim no céu
    Terei felicidade
    E das belas coisas da vida
    Eu não sentirei saudade






     

    Sonny Rollins, Giant of the Jazz Saxophone, Is Dead at 95

    A man with a halo of gray hair and a gray beard wears a black shirt and holds a saxophone in front of a painted screen. 

     "Mr. Rollins came of age when a new kind of jazz known as bebop was in ascendance, and from the start his playing was suffused with bebop’s harmonic sophistication and rhythmic daring. To classify him as a bebopper, however, would be an oversimplification.

    Over the years he flirted with the avant-garde, jazz-rock fusion and other styles. But with his ferocious energy, his penchant for playing the unexpected note at the unexpected moment, and his unusual sound — sometimes harsh and mocking, sometimes lush and romantic — he was ultimately unclassifiable."

     READ OBIT BY PETER KEEPNEWS  

     

     

    Cortina de Espuma

    GALVAO]
     
     

     

    LUTE 
     

     
    FRAGA
     

     
    GEUVAR
     

     

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    quinta-feira, maio 28, 2026

    PAQUETAENSES Xuxa


     

    quarta-feira, maio 27, 2026


     

    terça-feira, maio 26, 2026

    Bob Dylan 85



    KLEBER

     

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    Miles Davis John Coltrane - So What (MILES DAVIS 100)

     

    Sonny Rollins - St. Thomas (IN MEMORIAM)

     

    5 barcos | 5 boats





     

    segunda-feira, maio 25, 2026

    O beatle que cresceu devagar

     


    Uma reflexão sobre sensibilidades que levam muito tempo para serem reconhecidas pela indústria cultural.

    leia o ensaio de RAFAEL SENRA 

    O beatle que cresceu devagar - by Rafael Senra Coelho

    domingo, maio 24, 2026

    PAQUETAENSES Wilmex


     

    Podemos convocar o Neymar

     

     
    JBOSCO
     

     

     

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    Tony Allen & Hugh Masekela - Never (Lagos Never Gonna Be The Same)

     Lagos, never gonna be the same

    Never without Fela


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