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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

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    domingo, julho 12, 2026

    A SELEÇÃO SE DESFEZ ANTES DE EXPLICAR A DERROTA

     


    RENE RUSCHEL

    O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo dentro de campo. Isso faz parte do futebol. O que chama atenção é o que aconteceu depois.
    Horas após a derrota, a seleção simplesmente se desfez. Jogadores seguiram para férias ou compromissos particulares. Carlo Ancelotti embarcou para o Canadá.
    Quando o avião da delegação pousou no Rio de Janeiro, havia apenas um atleta a bordo. Pode parecer um detalhe, mas não é. Os símbolos também contam.
    Enquanto outras seleções derrotadas voltaram para casa unidas, compartilhando o peso da eliminação, o Brasil transmitiu a sensação de que o compromisso terminava no apito final.
    Ao longo da Copa, outro aspecto também chamou atenção. Depois de cada jogo, havia dois dias de folga. O descanso é indispensável no esporte de alto rendimento.
    Mas em um torneio de apenas 39 dias talvez houvesse espaço para mais treinamentos, análises dos adversários e correções de uma equipe que nunca convenceu.
    O ambiente da delegação reforçou essa impressão. Muitos jogadores permaneceram acompanhados de familiares hospedados em mansões alugadas.
    Nada há de errado nisso. Mas a imagem parecia mais próxima de férias do que da maior competição do futebol mundial.
    Dois dias após a eliminação, as manchetes destacavam a compra de um iate de R$ 120 milhões e de um relógio de US$ 1 milhão por Neymar. São escolhas pessoais. O problema não é o patrimônio, mas o contraste.
    Enquanto o torcedor ainda tentava entender mais um fracasso, as principais notícias mostravam um universo completamente distante da realidade de quem sofre pela seleção.
    A CBF também falhou. Nenhum dirigente apareceu para explicar a eliminação. Não houve entrevista coletiva, nem prestação de contas.
    Curiosamente, a convocação havia sido transformada em um espetáculo, com palco, convidados e discursos. Para anunciar o sonho, festa. Para explicar o fracasso, silêncio.
    Trocar técnico ou renovar jogadores pode ser parte da solução. Mas o problema parece maior.
    A seleção brasileira precisa recuperar a cultura de compromisso que fez da camisa verde-amarela muito mais do que um uniforme.
    Ela representa um país. E quem tem o privilégio de vesti-la precisa honrá-la até o último minuto dentro e fora de campo.

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