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    terça-feira, setembro 08, 2026

    Netanyahu sabia das intenções do Hamas de atacar

     



    João Koatz Miragaya

    Sim, ele foi informado por mais de uma fonte. Hoje uma matéria do Haaretz traz novidades sobre isso. Só pra poupar comentários: ninguém alega conspiração, ele está sendo acusado de irresponsabilidade e negligência.

    Os jornalistas Shlomi Eldar e Ruthy Yovel acabaram de publicar o livro “Reféns – 843 Dias de Abandono”. Eles tiveram acesso a informações sigilosas, de diversas fontes, e a mais nova é a de que Netanyahu foi avisado no dia 23/09/2023 sobre a intenção do Hamas (

    A reportagem sobre esse caso é muito longa, eu farei aqui um resumo.

    01/2023, logo depois de eleito, Netanyahu negociava a soltura de 2 reféns vivos e 2 corpos que estavam sob o domínio do Hamas em Gaza. As negociações se estenderam bastante,, mas houve um acordo em agosto: 30 presos palestinos soltos, entrada de gás natural, alimentos e materiais de construção em troca dos reféns e de uma udna (trégua) de longa duração. Os dois lados aprovaram, mas Netanyahu não levou à votação no gabinete.

    Sinwar perdeu a paciência em setembro, e disse ao intermediário (um palestino do Fatah) que tava fora do acordo, e que faria um terremoto em Israel. O intermediário levou a informação ao emir de Abu Dhabi, Mohammed Bin-Zayed, que não quis se meter a princípio.

    Sinwar disse ao intermediário que transmitisse suas palavras a Israel, de forma incisiva. Ele, então, no dia 15/09, procurou o chefe do Shin Bet, Ronen Bar, que logo informou Netanyahu. O gabinete considerou aquilo uma fraude de Sinwar, e decidiu ignorar a informação.

    Aqui vem a parte mais importante: ao saber do desleixo, em 23/09, Bin-Zayed telefonou diretamente a Netanyahu e lhe transmitiu a mensagem. Netanyahu não se impressionou e, em uma conversa de 45 minutios, disse que estava tudo sob controle.

    Netanyahu optou por não contar sobre a ligação de Bin-Zayed para nenhum dos chefes das forças de segurança, nem para o ministro da Defesa.

    No dia 01/10, Ronen Bar insistiu para uma ação preventiva contra o Hamas, que não foi autorizada.

    Vale lembrar que há informações de que o chanceler egípcio teria avisado Netanyahu dos planos do Hamas, algo que ele também ignorou. Mas o que essa nova informação muda na história?

    Um oficial do alto escalão do Shin Bet disse que quando mais de uma fonte trazem a mesma informação, um sinal de alerta é ligado. Eles poderiam estar mais preparados. Ocultar o alerta dos especialistas é uma gravíssima irresponsabilidade.

    Isso tudo acontece menos de dois meses antes das eleições, justamente quando Netanyahu estava desenvolvendo em sua campanha um discurso que insinuava uma conspiração das forças de segurança contra ele, que teria acarretado no massacre de 07/10/2023.

    O jornalistas Shlomi Eldar e Ruthy Yovel acabaram de publicar o livro “Reféns – 843 Dias de Abandono”. Eles tiveram acesso a informações sigilosas, de diversas fontes, e a mais nova é a de que Netanyahu foi avisado no dia 23/09/2023 sobre a intenção do Hamas (

    A reportagem sobre esse caso é muito longa, eu farei aqui um resumo. 1. 01/2023, logo depois de eleito, Netanyahu negociava a soltura de 2 reféns vivos e 2 corpos que estavam sob o domínio do Hamas em Gaza. As negociações se estenderam bastante,, mas houve um acordo em agosto: 30 presos palestinos soltos, entrada de gás natural, alimentos e materiais de construção em troca dos reféns e de uma udna (trégua) de longa duração. Os dois lados aprovaram, mas Netanyahu não levou à votação no gabinete.

    Sinwar perdeu a paciência em setembro, e disse ao intermediário (um palestino do Fatah) que tava fora do acordo, e que faria um terremoto em Israel. O intermediário levou a informação ao emir de Abu Dhabi, Mohammed Bin-Zayed, que não quis se meter a princípio.

    Sinwar disse ao intermediário que transmitisse suas palavras a Israel, de forma incisiva. Ele, então, no dia 15/09, procurou o chefe do Shin Bet, Ronen Bar, que logo informou Netanyahu. O gabinete considerou aquilo uma fraude de Sinwar, e decidiu ignorar a informação.

    Aqui vem a parte mais importante: ao saber do desleixo, em 23/09, Bin-Zayed telefonou diretamente a Netanyahu e lhe transmitiu a mensagem. Netanyahu não se impressionou e, em uma conversa de 45 minutios, disse que estava tudo sob controle.

    Netanyahu optou por não contar sobre a ligação de Bin-Zayed para nenhum dos chefes das forças de segurança, nem para o ministro da Defesa.

    No dia 01/10, Ronen Bar insistiu para uma ação preventiva contra o Hamas, que não foi autorizada.

    Vale lembrar que há informações de que o chanceler egípcio teria avisado Netanyahu dos planos do Hamas, algo que ele também ignorou. Mas o que essa nova informação muda na história?

    Um oficial do alto escalão do Shin Bet disse que quando mais de uma fonte trazem a mesma informação, um sinal de alerta é ligado. Eles poderiam estar mais preparados. Ocultar o alerta dos especialistas é uma gravíssima irresponsabilidade.

    Isso tudo acontece menos de dois meses antes das eleições, justamente quando Netanyahu estava desenvolvendo em sua campanha um discurso que insinuava uma conspiração das forças de segurança contra ele, que teria acarretado no massacre de 07/10/2023.


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