This site will look much better in a browser that supports web standards, but it is accessible to any browser or Internet device.



blog0news


  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

    Powered by Blogger

    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    quarta-feira, julho 08, 2026

    Personagem da semana: a goma de mascar de uma seleção apática, anódina, amorfa

     

     

    Gustavo Poli

     O personagem desta semana é a goma de mascar. Ela, que pareceu tão genial e inspiradora na semana passada, teve uma péssima tarde de domingo em Nova Jersey. Não conseguiu produzir seus fluidos criativos. Não pôde hipnotizar o treinador adversário. Ela ficou ali, sendo mascada por Carlo Ancelotti como um chiclete anódino, por 100 longos minutos.

    Cabia a ela trazer ideias diferentes. Ou inspirar algum tipo de energia numa equipe que pareceu completamente apática durante toda a partida. A seleção brasileira assistiu à Noruega tocar a bola durante quase todo o jogo como se fosse espectadora de seu próprio filme. Talvez tenha sido o calor — mas como a marcação pode soar tão distante, tão frouxa?

    Por muito tempo, o Brasil pareceu um chiclete velho, cansado, já sem sabor de tão mastigado pela boca treinadora. Com toda sua experiência, não sabia Ancelotti que escalar Martinelli enfraqueceria a já porosa marcação de nosso meio-campo — e deixaria Odegard desfilar em campo?

    Como explicar uma seleção tão pálida, tão morosa, tão passiva? A tradicional tranquilidade de Ancelotti, aquela incrível capacidade de acertar em silêncio, pareceu se transformar em falta de energia. A estrela do técnico se apagou sob o sol americano — e a atuação abaixo da crítica da seleção talvez só tenha sublinhado o fim de um ciclo terrível. De um time que só gerou alguma esperança durante a Copa.

    Essa esperança se construiu em alicerces frouxos. Escócia e Haiti são times fraquíssimos. O insosso Japão só foi derrotado no último minuto. A fé vinha justo e apenas da sensação de que o Brasil como zebra poderia surpreender.

    Foram anos caóticos do Brasil e da CBF — com uma roleta de treinadores e cartolas — e uma safra de jogadores sem grandes laterais nem meias criativos. Ancelotti tentou usar a experiência para construir o escrete possível — e deu azar de perder Paquetá quando seu time ameaçava encaixar.

    E ontem, pela primeira vez, o Brasil enfrentou uma seleção que tinha jogadores de primeira prateleira do futebol mundial. Haaland e Odegard resolveram o jogo para os noruegueses — porque são ótimos. Ambos seriam titulares aqui.

    Ainda assim, o Brasil teve suas chances. Foram algumas e muito boas. E aí o chiclete encaminhou Ancelotti para o engano. Lançou Endrick — que perdeu o gol cristalino, o gol imperdível. E a seguir lançou Neymar. O Brasil, que já marcava pouco e longe, passou a marcar ainda menos. Meio Brasil pedia Neymar. O que Neymar produziu em 30 minutos?

    No mar de marasmo do segundo tempo, talvez esqueçamos do pênalti perdido, do chute de Vinicius que o goleiro defendeu com o pé, do lance de Martinelli que o goleiro salvou quase sem querer, do cruzamento de Casemiro no fim, da incrível bola na trave. Esse lance, por si só, nos anunciou, ecoando outro tempo: não era o dia do futebol brasileiro.

    Por fim, Neymar se despediu da seleção com tristeza, perdendo tempo para discutir com o goleiro norueguês antes e depois de bater o pênalti inútil — e chorando arrasado no gramado.

    Em nosso vídeo de despedida, essa imagem é editada com a caminhada de Ancelotti ao fim do jogo. De terno escuro, colete e gravata pretas, ele cruza o gramado, ergue Vini Junior e em passo lento segue. A goma de mascar está no fim — e ele penetra no derradeiro vestiário como o coveiro involuntário de seu próprio funeral.

    O Brasil não perdeu por causa de Ancelotti. Mas ontem o treinador pareceu amorfo como seu time. E uma seleção amorfa e anódina... talvez nos machuque mais que a própria eliminação.

    O GLOBO

    0 Comentários:

    Postar um comentário

    Assinar Postar comentários [Atom]

    << Home


    e o blog0news continua…
    visite a lista de arquivos na coluna da esquerda
    para passear pelos posts passados


    Mas uso mesmo é o

    ESTATÍSTICAS SITEMETER