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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

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    quarta-feira, março 11, 2026

    Discurso contra fim da 6 x 1 ecoa a resisencia ao 13o salário e a Lei Aurea

     

     

    LEONARDO SAKAMOTO

    Toda vez que uma proposta para aumento nos direitos de trabalhadores ganha corpo no Brasil, uma trombeta ecoa: a do apocalipse econômico. O curioso é que ela apita de forma semelhante há mais de um século, mudando apenas o contexto histórico. Vão-se os rótulos, ficam as garrafas.

    Da assinatura da Lei Áurea no Império passando pelo debate sobre o 13º salário no governo João Goulart até a recente mobilização pelo fim da escala 6x1 sob a gestão Lula, o roteiro vai sendo plagiado. O país vai quebrar. O desemprego vai disparar. A inflação vai devorar tudo. E, no fim, o trabalhador sairá pior do que entrou.

    O debate sobre os prós e contras da redução da escala e da jornada semanal é importante e precisa ser promovido, mas o discurso do medo tem sido, mais uma vez, o argumento central de muita gente.

    Em 1888, quando a libertação (formal) dos escravizados se caminhava para virar lei, parte da elite tratou a abolição como sentença de morte da economia. A lavoura iria à ruína, não haveria braços, as fazendas afundariam em dívidas. E a liberdade concedida, assim, de repente, produziria caos social. A impossibilidade do Brasil sem mão de obra cativa apareceu como argumento técnico, racional, jurídico. O medo foi embalado como caridade, afinal, os próprios escravizados seriam prejudicados por não terem quem deles cuidasse.

    Décadas depois, quando se discutia a criação da gratificação natalina que se tornaria o 13º salário, o discurso preservou o mesmo espírito. Editorialistas advertiam que um holerite extra levaria à quebradeira generalizada. Patrões anunciavam demissões em massa como consequência inevitável. A inflação seria galopante. O benefício, ironicamente, prejudicaria quem pretendia proteger. O trabalhador, mais uma vez, foi usado como argumento contra o próprio interesse.

    Agora, no debate sobre o fim da escala 6x1, a trilha sonora retorna com arranjos contemporâneos. Fala-se na inviabilidade para comércio e serviços, na matemática impossível das pequenas empresas (detalhe: o Sebrae fez uma pesquisa apontando que a maioria dos pequenos negócios não vê impacto negativo), no repasse automático aos preços. Ressurge o fantasma da informalidade: se encarecer o emprego formal, a solução será pejotizar — como se o avanço da pejotização já não estivesse em curso no julgamento do Tema 1389 no STF. A precarização viria como efeito colateral inevitável da tentativa de civilizar a escala.

    UOL 

     

      

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