This site will look much better in a browser that supports web standards, but it is accessible to any browser or Internet device.



blog0news


  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

    Powered by Blogger

    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    domingo, novembro 27, 2022

    De tanto excluir, o Qatar inclui

     

     ]Jogadores de uniforme branco com um dos joelhos encostado no gramado

     

    Juca Kfouri

    Por esses fenômenos de que o futebol tem sido capaz através dos tempos, eis que a primeira Copa do Mundo no chamado mundo árabe opera um pequeno milagre ao escancarar aquilo que os alienados insistem em recusar: dentro das quatro linhas, a bola é capaz de unir povos diferentes em torno de causas comuns.

    Por mais que a Fifa dê as costas aos grandes problemas do planeta, insista em não misturar futebol e política, como nunca, a 22ª Copa do Mundo expõe na vitrine a revolta de alguns contra todas as formas de discriminação.

    Foram os alemães a protestar contra a censura por terem sido impedidos de se manifestar a favor dos excluídos por orientação sexual, com time posado com as mãos nas bocas, os ingleses a se ajoelhar contra o racismo e os iranianos a se recusar a cantar o hino em ato pela inclusão das mulheres.

    O gesto político alemão transcendeu a surpreendente derrota em campo para o Japão, com quem a Alemanha esteve unida na Segunda Guerra Mundial.

    A atitude inglesa ressaltou o show de bola em seguida na goleada sobre os iranianos, que nem por isso deixaram de ser admirados pelo gesto antimisoginia.

    Daí fazer sentido que a rara leitora e o raro leitor perguntem sobre o comportamento dos jogadores brasileiros diante disso tudo, eles que têm a responsabilidade de representar a única escola pentacampeã mundial.

    A resposta, realista, deprime, pela quase absoluta ausência de qualquer postura cidadã. A otimista, ao menos no campo esportivo, abre brechas para a luz.

    Do ponto de vista estritamente tático, a atuação da seleção brasileira, na estreia diante da Sérvia, serviu para mostrar o time com variações pelos lados e pelo meio que vão além das inegáveis qualidades técnicas, e discutíveis em relação à liderança, de Neymar.

    Tanto que a lesão sofrida por ele no tornozelo não apavorou ninguém, tratada como acidente chato, indesejado, mas sem traumatizar como se faltassem opções. Porque não faltam.

    Sempre lembrando que a Copa América foi conquistada sem ele, e da ausência de gols decisivos dele com a camisa amarela (com a da seleção, porque com as do Santos e do Barcelona fez e muitos), incrivelmente Neymar parece estar começando a fazer parte de uma época já passada, como se de fato fosse esta a sua última Copa e como se houvesse um cansaço com a carga tóxica que trouxe ao time nacional.

    Até nisso o Qatar está sendo palco de inclusão, a de novos nomes, novos eventuais ídolos de uma seleção que sempre esteve longe de ser simpática.

    Richarlison, o Pombo que voa de voleio, Vinicius Junior, Raphinha, entre outros, vão assumindo o papel de protagonistas, respaldados pela experiência de Casemiro, Marquinhos e por aí afora.

    Porque até mesmo na hora em que o país passou a olhar para a seleção como se pudesse ser o ponto de união que misture todos com a camisa dela, Neymar dá um jeito de lembrar quem é, ao prometer camisa ao sociopata golpista que tem erisipela no cérebro e no coração.

    Paradoxalmente, e muito provavelmente pela frieza do ambiente, o Qatar se transforma em laboratório para a reflexão sobre os diversos significados do esporte, do futebol especialmente, o mais popular de todos.

    A cada rodada fica muito claro até que ponto o genial conservador Nelson Rodrigues tinha razão ao dizer que eram pobres aqueles que imaginavam o futebol limitado aos acontecimentos no gramado.

    De fato, é muito mais do que isso.

    FOLHA

     

     

     

    0 Comentários:

    Postar um comentário

    Assinar Postar comentários [Atom]

    << Home


    e o blog0news continua…
    visite a lista de arquivos na coluna da esquerda
    para passear pelos posts passados


    Mas uso mesmo é o

    ESTATÍSTICAS SITEMETER