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    sexta-feira, setembro 25, 2026

    'Mestre Zuenir Ventura em cinco atos'

     



    Ancelmo Gois

    O jornalista e colunista do GLOBO Ancelmo Gois presta homenagem ao amigo Zuenir Ventura e relembra cinco capítulos importantes da trajetória jornalística, política e cultural do escritor e imortal da Academia Brasileira de Letras. Mestre Zu, como era tratado por amigos, faleceu nesta terça-feira, aos 95 anos, em razão de uma pneumonia. O corpo será velado nesta quarta (23) na ABL, no Centro do Rio, e enterrado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista.

    Confira o texto de Ancelmo Gois abaixo.

    1) Zuenir Ventura foi um baita jornalista cultural

    Acompanhou as grandes ebulições na segunda metade do século XX nesta área, como o surgimento da Bossa Nova e do Cinema Novo. Agora mesmo, quando se comemoram 60 anos do Teatro Casa Grande, o nome dele e da mulher, a também jornalista Mary Ventura, foram lembrados como grandes responsáveis pela projeção na sociedade daquele espaço como centro de resistência cultural à Ditadura. 

    2) Zuenir foi um jornalista de ecologia

    Foi dos primeiros coleguinhas a denunciar a devastação da floresta da Amazônia com a série de reportagens no "Jornal do Brasil" sobre o assassinato do seringueiro Chico Mendes, ocorrido em dezembro de 1988.

    3)  Zuenir era um jornalista político

    Foi quem melhor descreveu o clima de grande ebulição política de 1968 no Rio e no Brasil, traduzido no livro "1968: o ano que não terminou".  O ano termina com as trevas do AI-5, que levou muita gente para a cadeia, inclusive o próprio Zuenir que ficou preso durante três meses.

    4) Zuenir foi um jornalista de causas sociais

    Seu livro "Cidade Partida", a partir da chacina que vitimou 21 moradores na madrugada de 29 de agosto de 1993, é um retrato pungente da desigualdade de classes de pessoas vivendo no mesmo solo.

    5) Zuenir chefiou várias redações

    Zuenir ajudou na formação profissional de vários jornalistas como Alfredo Ribeiro, Artur Xexéo, Joaquim Ferreira dos Santos, Jose Castello, Miriam Leitão e o autor destas tristes linhas - que teve a graça de ser apadrinhado, logo no início da profissão, pelo saber e afeto do marido de Mary e pai de Mauro e Elisa - a quem abraço fraternalmente.


    GLOBO



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