Paulo Vitale cria charges e cartoons de artistas como Laerte, Mauricio de Sousa e Ziraldo

Carol Ito e Helô D’Angelo, nos retratos de Paulo Vitale para a mostra 'Cartunistas': inversão de papéis (Paulo Vitale/Divulgação)
Exposição 'Cartunistas' de Paulo Vitale, no Centro Cultural Fiesp, apresenta 143 retratos
Tudo com olhar atento e direção muito particular. Foi assim com as séries transformadas em livros Feito no Brasil (Editora Ipsis, 120 págs., R$ 140,00) — com expoentes da sociedade e da cultura brasileiras, como o músico Tom Zé, a paratleta Aline Rocha e o bailarino Ismael Ivo — e Chefs (Editora Brasileira, 204 págs., R$ 99,90), que reúne imagens de Erick Jacquin, Alex Atala, Helena Rizzo e Danielle Dahoui, entre outras feras da cozinha, em situações inusitadas remetendo ao ofício
A exposição vai ocupar a galeria do espaço cultural na Avenida Paulista até setembro. Reúne 143 retratos de nomes como Ziraldo (1932- 2024), Jaguar (1932-2025), Paulo Caruso (1949-2023), Laerte, Eduardo Baptistão e Mauricio de Sousa, entre outras figuras célebres.
A ala mais jovem também está representada por artistas como Helô D’Angelo, Pedro Vinicio (capa de Vejinha na edição de 26 de julho de 2024), Carol Ito e Lukas Werneck — este último, desenhista da Marvel Comics.

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Ao lado de Jaguar, Tarso de Castro, Sérgio Cabral e Luiz Carlos Maciel, Ziraldo foi um dos fundadores do eterno jornal O Pasquim, semanário lançado no Rio de Janeiro em 1969 e que, por meio do humor político, funcionou como resistência à ditadura militar. Pela equipe do jornal passaram nomes como Paulo Francis, Henfil e Millôr Fernandes.
Para Helô D’Angelo, ilustradora, quadrinista e jornalista, a participação na série foi pura diversão. “Fiquei muito feliz. Paulo é um querido”, diz a moça. “Ele estudou o meu trabalho e sugeriu usar uma imagem impressa da minha personagem para as fotos”, afirma Helô, que posou junto com seu alter ego dos quadrinhos, também chamada Helô.
Para fazer a menina parecer flutuar, Vitale usou um miniguindaste. “Tudo feito de maneira artesanal, nada foi inserido digitalmente”, explica a artista, que, mesmo acostumada a se mostrar nas redes, ficou um pouco tímida ao ficar frente à câmera de um profissional. “Foi diferente. Mas, aos poucos, fui me soltando. O resultado pareceu um live-action dos meus quadrinhos.”
“Com maestria, Paulo joga luz nesse ofício e nos seus operários, que, no fundo, é o que nós somos. E o bacana é que ele assumiu a verve dos cartunistas pra nos fotografar. Para mim, foi um privilégio”, acrescenta.
Privilégio que o autor de Cartunistas também parece ter desfrutado. “Adoro criar inquietude, trabalhar com a estranheza, buscar um segundo olhar e novas camadas de leitura de uma imagem”, diz Vitale, dono de um talento afiado para misturar criadores e suas criaturas em um mesmo retrato.
Centro Cultural Fiesp (Galeria). Avenida Paulista, 1313, Tel.: 3322-0050. Ter. a dom., 10h/20h. Grátis. Até 20/9.


