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    sexta-feira, maio 22, 2026

    Como o Jair de 'Dark Horse', Flávio Bolsonaro está à espera de um milagre

    Homem de pele clara com expressão neutra, iluminado parcialmente da esquerda, fundo totalmente escuro. 

     

    Angela Alonso

    Flávio B. deve estar pedindo misericórdia aos céus. Depois dos chocolates, malogrou no cinema e periclita na política. O perrengue da vez veio de Raleigh, na Carolina do Norte, a terra escravista da qual o roteiro de "Dark Horse" é assinado.

    O título alude àqueles tempos por repetir o de livro sobre o reformista James Garfield. Levado à Presidência graças ao racha no Partido Republicano (que fez a abolição) em 1881, levou bala no primeiro ano de governo. Seu assassinato virou série da Netflix. Já a facada em Bolsonaro deu filme. A semelhança acaba aí. Nos dois casos, há um azarão, mas o segundo faz também jus ao apelido juvenil: Cavalão.


    É um filme descomplicado, mas faz vários serviços. Propagandeia um liberalismo radical. Jair-ator pragueja contra "socialistas, trabalhistas, comunistas": "Vou deixar você em paz —e proteger você— para que o que você construiu não seja roubado". Programa anti-Estado, prática patrimonialista: "Dark Horse" veio do mesmo mundo do qual saíram as festas de Daniel Vorcaro, regadas a prosecco e recursos públicos. Ali, políticos bolsonaristas e empresários fizeram amizades e negócios. Por que não um filme?

    O enredo é nacionalista, mas o "a Amazônia é nossa" vem redigido em inglês e por estrangeiros. A conjuntura nacional se reduz à meia dúzia de eventos na abertura: fim da ditadura, "levantes comunistas/socialistas", eleição e prisão de Lula, derrota na Copa do Mundo por 7 a 1, eleição de Bolsonaro.

    A política é tripartite: há o "Far Left Progressives" ("vermelhos"), o "Ruling Party" (corrupto) e o antissistema. Os "socialistas radicais" aparecem na tramoia para matar Bolsonaro.

    É um filme pró-família, mas família à moda do Jair. Flashbacks constroem sua persona de "alto e bonito", sedutor e desbocado. Sua origem é clã de machos. Desenha-se um capitão que prende traficante (e minimiza-se sua ida para a reserva do Exército). Depois, vem o casamento romântico com a "linda" Michelle e se materializa o pai rigoroso, mas amoroso, de Laura e três zeros (esqueceram o 04!).

    Bolsonaro é um escolhido de Deus. Além das preces do casal e de seguidores, há uma senhora humilde que provê pílulas salvadoras. Assim se explica o "milagre" da sobrevivência pós-atentado. Nas paredes do hospital estão "Pietà" e "A Ressurreição de Lázaro". No hospital, Bolsonaro, como Lázaro, se levanta e anda até os braços do povo, enquanto os planejadores do atentado são mortos.

    É um drama de inadvertidos efeitos cômicos. Há a peruca fora de lugar do protagonista, o "papai" de Carluxo salpicado no enredo e uma mescla de português e espanhol: a milagreira se chama Dolores, o bandido toma "cerveza" e, em vez do "seu Jair" da averiguadora da tornozeleira, temos o "senhor Bolsonaro".

    A narrativa embaralha fatos e ficções. Amaina, sem negar, o politicamente incorreto, como o ataque a Maria do Rosário. O preconceito some na cordialidade —amigo de um negro, simpático com enfermeiro gay.

    A fabulação cresce ao longo do roteiro, desclassificando os inimigos: a imprensa é inescrupulosa e esquerdista, o "Ruling Party" é quem arma complôs para matar o Mito. Tecem-se suspeitas sobre o resultado eleitoral de 2022. Um possível ministro do STF calvo e um empresário-traficante (o mesmo preso pelo capitão) mancomunam-se. É a apoteose da teoria da conspiração.

    A única referência à tentativa de golpe de Estado são manifestações pró-Mito "em todo o Brasil, em sua maioria pacíficas". A sentença do STF condenando Bolsonaro vem no final. Não se espere mais que isso sobre o 8 de Janeiro, nada de oração para pneu nem patriota do caminhão.

    "Dark Horse" é maniqueísta como o bolsonarismo: há bons e maus, fortes e fracos, nós e eles. Bolsonaro é pintado como vítima do "sistema" à espera de um novo milagre. Mas quem agora precisa dele é o 01. A santa Dolores não opera livramentos na vida real, e a "linda" Michelle já encomendou a alma do enteado: "Pergunta para o Flávio".

    FOLHA

     

     

     

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