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    sexta-feira, abril 24, 2026

    Fru­tas viram estre­las de nove­las fei­tas com inte­li­gên­cia arti­fi­cial que domi­nam redes

     

    Se você abriu o Tik­tok ou o Ins­ta­gram nas últi­mas sema­nas, é bem pos­sí­vel que tenha esbar­rado com um aba­cate tra­ído, uma banana revol­tada ou um morango no meio de uma briga. As cha­ma­das “nove­li­nhas das fru­tas” toma­ram conta das redes com enre­dos que pode­riam ir ao ar no horá­rio nobre, mas estre­la­dos por per­so­na­gens impro­vá­veis.

    Em vídeos cur­tos, com vozes sin­té­ti­cas, his­tó­rias de trai­ção, ciú­mes e con­fli­tos fami­li­a­res são con­den­sa­das em menos de um minuto. O resul­tado é vici­ante — epi­só­dios rápi­dos, cheios de gan­chos, que fazem o público que­rer saber o que acon­tece depois.

    O fenô­meno cres­ceu rápido. Per­fis como o Ai.cinema021_, Novela.fru­tas e Nove­li­nhas dopo­mar aju­da­ram a popu­la­ri­zar o for­mato, acu­mu­lando milhões de segui­do­res e de cur­ti­das ao adap­tar nar­ra­ti­vas de um rea­lity show para o uni­verso das fru­tas.

    Entre os cri­a­do­res está Andrea Mar­tins, de 25 anos, dona do per­fil Roman­ces Fruti, com mais de 400 mil segui­do­res. Para ela, o apelo está jus­ta­mente no absurdo. “O público ama uma briga e casos de trai­ções, meus vídeos mais vis­tos têm essa pre­missa.”

    Mar­tins diz que, no iní­cio, o maior desa­fio foi lidar com o pro­grama que cria as nove­li­nhas. “A IA gerava uma maçã em uma cena e, na segu­inte, ela pare­cia um tomate. Tive que estu­dar muito para man­ter a con­sis­tên­cia dos per­so­na­gens.” Hoje, ela afirma domi­nar as fer­ra­men­tas. “Con­sigo criar um vídeo em 30 minu­tos, antes demo­rava três horas.”

    O retorno tam­bém veio. “Muita gente acha que é só brin­ca­deira, mas já con­sigo mone­ti­zar, e o dinheiro ajuda com as con­tas”, diz ela, que ganha com visu­a­li­za­ções em vídeos mais lon­gos. “O enga­ja­mento está ficando melhor, agora que as pes­soas estão conhe­cendo.”

    O sucesso não ficou res­trito aos cri­a­do­res inde­pen­den­tes. Mar­cas, influ­en­ci­a­do­res e até ins­ti­tui­ções públi­cas pas­sa­ram a sur­far na onda. Foi o caso da Pre­fei­tura de Sal­va­dor. Ana Sta­matto, de 30 anos, conta que a ideia sur­giu den­tro da pró­pria equipe de mídias soci­ais do governo. “A gente já tinha per­ce­bido esses con­te­ú­dos há um tempo e ficou meio obce­cado. Sem­pre que apa­re­cia, man­dava um para o outro”, ela afirma.

    A adap­ta­ção, no entanto, exi­giu cui­dado. “O mais difí­cil foi o roteiro. A gente pre­ci­sava man­ter a graça da ‘trend’, mas tam­bém tra­zer uma infor­ma­ção impor­tante”, afirma. No caso, a equipe usou a nar­ra­tiva para divul­gar ser­vi­ços públi­cos como aca­de­mias gra­tui­tas e res­tau­ran­tes popu­la­res.

    O esforço valeu a pena. “Foi o maior enga­ja­mento da pre­fei­tura no ano. Tive­mos mais de 500 mil cur­ti­das e milha­res de comen­tá­rios. Mais impor­tante que isso, con­se­gui­mos fazer as pes­soas conhe­ce­rem ser­vi­ços que muita gente nem sabia que exis­tiam”, afirma.

    Por trás da apa­rente sim­pli­ci­dade dos vídeos, há lógica —e estra­té­gia. Segundo o advo­gado e espe­ci­a­lista em direito digi­tal Ale­xan­der Coe­lho, o sucesso está menos na qua­li­dade esté­tica e mais na forma como o con­te­údo é con­su­mido hoje. “O que prende a aten­ção é a com­bi­na­ção de fami­li­a­ri­dade, estra­nheza e recom­pensa rápida. É sim­ples de enten­der e não absurdo o sufi­ci­ente para inter­rom­per o ‘scroll’”, afirma.

    Num ambi­ente domi­nado por algo­rit­mos, ganhar segun­dos de aten­ção vale mais do que um vídeo tec­ni­ca­mente sofis­ti­cado.

    “As his­tó­rias explo­ram gati­lhos nar­ra­ti­vos anti­gos —con­flito, curi­o­si­dade e ante­ci­pa­ção. É o velho folhe­tim, só que adap­tado para a eco­no­mia da aten­ção”, diz.

    O fenô­meno tam­bém levanta aler­tas. O espe­ci­a­lista aponta que esse tipo de con­te­údo —mui­tas vezes clas­si­fi­cado como “AI slop”, ou seja, pro­du­zido em grande volume pelas IAS e com baixo esforço— pode até gerar alcance, mas nem sem­pre cons­trói valor de marca. “Existe o risco de tro­car aten­ção por ero­são de repu­ta­ção.”

    Além disso, o con­sumo cons­tante de vídeos cur­tos e repe­ti­ti­vos pode impac­tar o com­por­ta­mento dos usu­á­rios. “Há indí­cios de asso­ci­a­ção com desa­ten­ção, fadiga cog­ni­tiva e difi­cul­dade de man­ter foco pro­lon­gado, espe­ci­al­mente entre os mais jovens”, afirma Coe­lho. Outro ponto sen­sí­vel é o poten­cial de desin­for­ma­ção. “Quando um for­mato apa­ren­te­mente ino­fen­sivo vira­liza, ele pode ser usado para espa­lhar con­te­ú­dos pro­ble­má­ti­cos ou refor­çar estig­mas. A escala não eli­mina o dano —às vezes, só dis­farça.”

    No campo jurí­dico, o uso de inte­li­gên­cia arti­fi­cial tam­bém abre dis­cus­sões sobre direi­tos auto­rais, como alerta Coe­lho. “A IA não res­ponde legal­mente. Quem res­ponde e deve se aten­tar aos cui­da­dos são as pes­soas ou empre­sas por trás do con­te­údo.”

    FOLHA 

     

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