This site will look much better in a browser that supports web standards, but it is accessible to any browser or Internet device.



blog0news


  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

    Powered by Blogger

    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    sábado, agosto 07, 2021

    Perder é mais natural do que ganhar, mas o brasileiro pensa o contrário - Jornal O Globo

     

     

    Mayra Aguiar com a medalha de bronze que ganhou na categoria até 78kg nos Jogos de Tóquio. Foto: Júlio César Guimarães/COB


    Alexandre Alliatti

    Em 2008, às vésperas dos Jogos de Pequim, fui à Sogipa, tradicional clube de Porto Alegre, fazer uma reportagem com o João Derly. Era uma manhã de outono. Conversávamos à beira de uma pista de atletismo, onde o judoca bicampeão mundial realizaria o aquecimento antes de ir para o tatame. Ao redor de nós, outros atletas treinavam. Em dado momento, um amigo que ainda trabalha no clube me puxou pelo braço, apontou para uma adolescente e disse: “Daqui a uns anos, é sobre ela que tu vai escrever”.

    Demoraria mais de uma década, mas ele estava certo: esta coluna é sobre Mayra Aguiar, embora também seja sobre Daiane dos Santos ou Marta ou o próprio João Derly — superatletas que não tiveram o talento recompensado com o ouro olímpico. Eles simbolizam uma combinação cruel de fatos: perder é mais natural do que ganhar, especialmente em Olimpíadas; e o torcedor brasileiro tem particular aptidão a pensar o contrário.

    Daquele 2008 para cá, Mayra conquistou dois Mundiais e se tornou a primeira brasileira a ser três vezes medalhista olímpica, com três bronzes — o último deles em Tóquio. Orbitou em volta do ouro e, por diferentes motivos, não conseguiu tocá-lo: porque foi da mesma geração da genial norte-americana Kayla Harrison (para quem perdeu em 2012), porque cometeu erros (caso das punições que lhe custaram a semifinal em 2016), porque deu azar (ao se lesionar e não chegar a Tóquio no auge).

    O mesmo aconteceu, em um período mais curto, com Daiane dos Santos, outra campeã mundial. Esta semana, com a prata de Rebeca Andrade no individual geral, acabamos revendo as apresentações da ex-ginasta. Ela era assombrosa no exercício de solo, uma explosão rara de talento. Fatalidades do esporte fizeram com que Rebeca ganhasse agora o que Daiane poderia ter ganhado lá atrás. A alegria que Daiane demonstrou com o sucesso de Rebeca é bonita também por isso: ela não se sentiu superada, e sim ampliada, representada.

    Mayra, Daiane e tantos outros atletas lidaram com críticas por não terem sido os melhores entre os melhores no momento específico da Olimpíada. É quando o Brasil presta atenção em esportes que costuma ignorar. E é quando o vício que colocamos no futebol, de exigir a vitória e nada além da vitória, contamina outras modalidades. “Como esse nadador pôde terminar em oitavo?”, pergunta o torcedor que não é o oitavo melhor do mundo em sua profissão.

    É preciso ter claro que cuidados com críticas não significam condescendência com derrotas. Os atletas são os maiores prejudicados por discursos conformistas. E costumam ser os primeiros a se reprovar quando ficam abaixo do que planejavam, como exemplificou o fundista Altobeli Silva depois de terminar em décimo na semifinal dos 3000m com obstáculos. “É uma decepção muito grande, a ponto de você analisar: será que isso vale a pena?”, desabafou.

    A resposta à pergunta de Altobeli havia sido dada poucas horas antes. Ainda emocionada pela conquista da medalha de bronze, Mayra já falava sobre os Jogos de 2024. E avisava: “Vocês vão me ver em Paris”.

    Era como se ela dissesse que vale, sim, a pena: que apesar de tudo, vale a pena.

    O GLOBO

     

     

    0 Comentários:

    Postar um comentário

    Assinar Postar comentários [Atom]

    << Home


    e o blog0news continua…
    visite a lista de arquivos na coluna da esquerda
    para passear pelos posts passados


    Mas uso mesmo é o

    ESTATÍSTICAS SITEMETER