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    domingo, fevereiro 04, 2018

    Dorrit Harazim > Escassez de moral pública -


     





    "Toda cidade cuja rotina depende de um aplicativo como o Onde Tem Tiroteio (OTT-RJ), o qual só no primeiro mês deste ano registrou mais de cem confrontos a céu aberto, é uma cidade doente. Todo estado que tem a administração pública transformada em bandidagem tentacular, como o Rio de Janeiro, é um estado moribundo. E todo país cujos Três Poderes se revezam na capacidade de autodegradar-se é o retrato do Brasil de 2018 com seus 207 milhões de habitantes. Fica faltando uma sociedade com âncora na moral pública.

    No Brasil de hoje também não está fácil encontrar bolsões de otimismo democrático. Para onde quer que se olhe, o horizonte está poluído, envenenado. Em quase todas as esferas da vida brasileira, o poder público perdeu a vergonha de delinquir, de ser apanhado, de sugar o bem comum por brechas legais, de emitir justificativas obscenas. Dixit Sua Excelência Humberto Martins, um dos 26 ministros do Superior Tribunal de Justiça que embolsa todos os meses quase R$ 4.500 de auxílio-moradia, embora seja proprietário de um imóvel em Brasília: “Estou recebendo por força da decisão do Supremo e da resolução da Conselho Nacional de Justiça. Não tenho opinião”.

    Pfui, que feio, diria o jornalista Paulo Francis antes de desancar o causídico.

    Outro sonoro pfui teria sido direcionado ao agora ex-impoluto juiz Sergio Moro, que, apesar de ter teto próprio em Curitiba, é um dos 17 mil magistrados beneficiados por uma canetada liminar do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal. Vale registrar que o mimo não é automático, o beneficiado precisa tomar a iniciativa de requerê-lo. Ou seja, sequer seria possível usar a passividade como justificativa. O valor exato — R$ 4.377,73 — é outra pérola. Será que os magistrados conferem os centavos? A unidade? As dezenas e centenas? Ou apenas se atêm ao milhar depositado?"

    mais no artigo de Dorrit Harazim​

    Escassez de moral pública - Icururupu

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