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    sexta-feira, julho 15, 2022

    Assassinato político

     



    Angela Alonso


    Eram festas de aniversários. O 03 aproveitou a coincidência entre a idade e a arma para decorar seu bolo com revólver e balas de confeito. Abaixo, lia-se: "Eduardo Bolsonaro, feliz 38". Na foto com esposa e filhinha, vestia camiseta com fuzil desenhado.

    A outra comemoração, de cinquentinha, também teve estampa temática no peito, o rosto de Lula mostrando a língua. Painel enorme com a mesma face e a faixa de presidente ficou atrás do bolo, com a frase "pro Brasil voltar a sorrir." Mas, em vez de sorrisos, a festa de Marcelo Arruda acabou em tiros que não eram de açúcar.

    As celebrações expressam o quanto a vida pessoal dos brasileiros anda infundida de política. Laços de sangue, fé e amizade escorreram para a gestão pública no governo Bolsonaro. Mas os conflitos públicos também invadiram a esfera íntima.

    O guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, de 50 anos, morreu na madrugada deste domingo (10) após ser baleado na própria festa de aniversário, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. - Arquivo pessoal
    Não se trata de invenção bolsonarista. As cores políticas vêm tingindo as relações pessoais desde que parte da opinião pública dividiu o mundo entre petismo e antipetismo. A clivagem apartou amigos, azedou famílias, incluída a dos Arruda, e ensanguentou o aniversário de domingo.

    Trata-se de um assassinato político. O episódio pertence a categoria já bem estudada. Exibe os traços da violência política que Charles Tilly mapeou em "Politics of Collective Violence". Um deles é que perpetrador e vítima representam coletividades opostas, que nem precisam se conhecer, como não se conheciam em Foz do Iguaçu. Outro é que o governo está em causa, porque um dos lados o defende. Antes de atirar, o bolsonarista gritou: "mito".

    O aviltamento simbólico do adversário precede a violência física. De insulto não sai sangue, mas sua frequência anestesia. Xingamentos, arminhas e odes à intolerância se tornaram rotina governamental, gerando uma desensibilização com o cão que muito ladra. Até ele cravar os dentes.

    A falência das instituições políticas e jurídicas em resolver os conflitos abriu espaço para que a violência política campeasse além da agressividade verbal. O assassinato de Marielle Franco tem mais de quatro anos e nenhum punido. Enfileiraram-se outros, como o do indianista Bruno Pereira. Marcelo Arruda entrou para a fatídica lista.

    A violência política, Tilly argumenta, se espraia em governos fracos e pouco democráticos, amparada em dois intermediários. Um são os "empreendedores políticos", que recrutam, organizam e coordenam grupos insulados. Nestas bolhas, circulam símbolos e retórica de endosso à violência, forjando uma identidade política - que sobrepuja a familiar, a profissional, etc -, pela qual se deve matar ou morrer.

    A outra intermediação é dos especialistas em violência. É gente treinada para a ação violenta, com maestria em armamentos, caso de membros de exército, polícia, milícias, gangues, clubes de tiro. Ameaçam usar a força e controlam meios para efetivar suas promessas.

    Quando ambos os lados de um conflito político se organizam para o uso da violência, o desfecho frequente é a guerra civil. Na conjuntura brasileira, não é o que se vê. Enquanto os governistas contam com os dois tipos facilitadores da ​violência política, grupos coesos radicalizados e especialistas em violência, a oposição faz a campanha eleitoral rotineira.

    Já o resto da sociedade assiste pasmada. Arma-se apenas de palavras de indignação, enquanto o país se equilibra sobre frágil pinguela. Muitos sonham com a festa das urnas, mas até as eleições viveremos assombrados por sangue.

    FOLHA



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